quinta-feira, 31 de março de 2011

Memórias efémeras


A paisagem não guarda memória
dos rostos que a atravessaram
nem dos sorrisos que se perderam
na moldura de sombra do poente.

O tempo, alheio aos desígnios da luz,
sacode todas as recordações
que não encontraram guarida
na excessiva sucessão de manhãs.

As pedras descoloridas do caminho
cobriram-se de musgo e nostalgia;
as árvores, ora vestidas, ora despidas,
estendem os braços para o horizonte
e permanecem de pé,
mastigando uma solidão de raízes;
mas, dos rostos sorridentes
que um dia atravessaram a primavera,
não guarda a paisagem qualquer memória.

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4 comentários:

Bi eL disse...

Olá, Rui.

Deixa-me cumprimentar-te por este belíssimo poema, que ficará guardado na minha memória.

Tão sensível, tão generoso... Parabéns!

Abraço

Marialuz

José Sousa disse...

Mais um belo espaço que irei acompanhar.
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Um beijão

Natalia Nuno disse...

Muito belo Runa.

Continuam os rios a cantar, os trovões a ribombar, as estrelas a incandescer no céu, a gritaria dos pardais, só nós passamos, e não voltamos jamais. E o que resta da nossa passagem?

Beijo, adorava conhecer-te dia 7 de Maio.

Maria Gomes disse...

Olá amigo poeta, sempre com lindos poemas, que dá gosto ler, beijinhos da amiga Mariagomes