sábado, 19 de março de 2011

A MEU PAI

Ao ler teus versos, ardentes, apaixonados
De saudade transbordou meu coração
Ditados por profundo amor, inspirados
Sonho daquele que com mil cuidados
Poisou sobre mim, de pai, a sua mão

Ao longe muito longe no tempo te venero
Saudoso pai que à vida intenso te doas-te
A tua memória guardo qual tesouro
Filigrana modelada no mais puro ouro
Voraz foi o tempo que por ti passou
Marilia Olema Correia




CORAÇÃO ERRANTE


O meu coração errante
Aportou à tua porta…
E quis reviver a distante
Ilusão talvez d’amante
Mas afinal quási morta.


E reviveu com saudade
Horas que não voltam a sorrir.
Os meus laços d’amizade,
Que para contigo beldade,
Jamais se hão-de partir.


E num momento reviveu
Todas as nossas relações.
Ai!...Infeliz coração meu…
Nem já sei quanto sofreu,
Ao recordar ilusões…


Agora pobre coração,
De que te serve o carpir?...
Se no fim do ano, então,
Partirá teu coração,
Querida colega - a fugir…


Depois um pouco distante,
Lá onde habitam teus pais.
Não ouvirás dissonante,
A voz deste estudante,
A suspirar e aos ais…


E continuará a errar,
Qual judeu débil, cansado.
Exausto de procurar,
Uma alma que saiba amar,
Meu coração malfadado…


Veríssimo Salvador Correia (1933)

3 comentários:

Natalia Nuno disse...

Lindo amiga Olema e me comove, fico a pensar se algum dia as minhas filhas irão ter o mesmo carinho pelos versos que lhes deixo.
Seu pai escrevia maravilhosamente.

Beijinho para a amiga e seu marido.

Maria Gomes disse...

Olá amiga, muito lindo este teu poema, gostei muito, beijinhos.

Natalia Nuno disse...

Não tive oportunidade de me despedir, nem de lhe oferecer a minha casa, tão pouco foi o tempo, mas desejo que tenham sido felizes por cá meus amigos.Foi um prazer muito grande revê-los, e que bem que estavam, fiquei feliz por isso também.

Um beijinho carinhoso para a Olema e para o amigo Antonius.