terça-feira, 3 de Novembro de 2009



Sou uma flor silvestre
Filha da terra
E do sol
Gerada num acto de amor...

Sou pequena por natureza
Mas tenho em mim
Toda a força e beleza
Que uma simples flor
Merece ter!

O campo é o meu jardim
Onde a quietude
Se confunde
Com o silêncio

Entrecortado
P'lo canto de um rouxinol...

sábado, 31 de Outubro de 2009

O cancro que mama tudo e não deixa nada


Nessa fria dor que é a tua
onde o inesperado acontece,
não se pode ter a Lua
nem tudo o que apetece!...

Sentes teus peitos doridos
pelos nódulos do seu interior…
encontras os dias sofridos
e vives tudo por favor.

Rescaldos duma demora
que outrora desencantaste
e agora urge curar!...

Previne-te em boa hora
do mal que encorajaste,
para o poderes ultrapassar.
António MR Martins
Por ocasião do Dia Mundial do Cancro da Mama
30 de Outubro de 2009

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Ao Sul, poema para duas imagens

Imagem 1

Dias em tons de ocre
A terra absorve o calor
E desponta em pedras
Casas brancas e olivais

Pegas, Popas, Chapins
Aguardam o entardecer
Onde sem mistérios
Matarão a sua sede
E saciarão a paisagem

Imagem 2

Afago-me no ar quente
Como nas searas
Papoilas bailarinas.
Sem solenidade
Só, como às vezes gosto
Em silêncio
Toco teus cabelos, Terra

Ao Sul, um encontro
O olhar atento do Sol
A cópula, o universo
A eternidade

Coisas que não rimam…e outras

Em Agosto
O plástico não rima com a praia
Como o sol não rima com duas inglesas
Que o absorvem sofregamente
Por outro lado, no pico do calor
Minh’alma encontra-se com as manadas
Cujos sons percorrem as longínquas planícies.

À tardinha, em bandos
Os pássaros, pardais ou andorinhas
Rimam entre a copa de uma laranjeira
E o céu azul.

À noite dou por mim rendido aos grilos
Até que por fim
Me deixo ir
Perdido,
Em sonhos,
Que nem sempre rimam comigo

domingo, 25 de Outubro de 2009

Compilação de Ana Coelho, p/Apresentação de Antologia

1 grupo

Os dias (es)correm
d
e
v
a
g
a
r
ao ritmo do tempo.
Breve voar.
Singular,
primordial,
musical
o
momento.
Suave o toque
pianíssimo
no ventre em crescimento
fugaz a vida
que se esvai
em paletas de luz viva.

Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.

Lá bem no centro de ti
há uma nascente
onde bebo da água cristalina
que sacia a minha sede.
Faço correr rios de esperança
que descem as montanhas
das tuas crenças
e dos teus desejos

De verde vestida
Virados aos céus
Teus braços abriste
Clamando p’los meus
Em mim tu sorriste
E vi como és
Um corpo da terra
Teus seios dois figos
Dá-me o teu odor
A tua textura
E sonhos de amor

Eu
Pecadora
Me confesso
Sim
É verdade
Quebrei todos os votos
Que te fiz por amor
Num impulso de fraqueza
Que me inquietou a alma...

Coso os meus lábios,
Com fino fio de mel dos teus cabelos
Guardando assim no silêncio…
O segredo,
Do sabor dos nossos beijos.
Deixo-me levar nas pétalas da rosa,
Que deslizam na tua face
Invadindo o nosso ninho…

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Afago demoniaco






















Tento libertar-me, mas não consigo
Dessa teia que em mim teçe
Sinto a seda escorrer no meu corpo
Envenenando a minha alma
Desse amargo-doce proscrito
Tento me libertar.
Mas…..não, não quero
Quero sentir
O afago demoníaco desses fios
Enrodilhados em labirínticos
Fios de prazer,
Porque assim te sinto
Na macieza desnuda
De te querer sentir

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Antologia “Tu Cá, Tu Lá” apresentada pela Dr.ª Carmo Miranda Machado


Antologia “Tu Cá, Tu Lá” apresentada pela Dr.ª Carmo Miranda Machado

Senti as mãos
No algodão leve das nuvens…

Os raios de sol recolhem-se
E enxugam os templos…
Ouvem-se os sinos nas encostas
Cantam hinos às cegas.
Amansam-se os rituais…

Sinto-me cansada,
já não sinto frio…
Gotas orvalhadas
molham o meu corpo dormente…
E nesta inquebrável teia perco-me…

Já tinhas reparado?
Tranco-me por dentro…

Surgem gargalhadas, silhuetas, sombras,
escadas perversas…
Falas dispersas…

Tenho dias que sem saber escrever,
Arranjo um sonho para poder contar.
Não vendo poesia…
Palavras… versos…
TU, às vezes
és tão diferente…irrelevante.
Trazes o mundo embalado nas tuas mãos
O amor em pedra bruta no Coração…

Eu quero ser assim
tal como sou…
E hoje
Não estou
P`ra ninguém
Marquei encontro com o silêncio…

Vem comigo minha amiga,
saltar juntas deste cume da vida
onde os poetas têm asas escondidas
Que nunca morrem…

Nota Final: Os meus pais nasceram sob calor o calor do sul.
Eu nasci em Lisboa, mas é depois do Tejo que me sinto em casa.

Compilação da Dr.ª Carmo Machado – Versos Extraídos da Colectânea “Tu Cá, Tu Lá”

Autores:• Ana Coelho;• AnaMar;• António MR Martins;• Carlos Filipe Conchinha;• Conceição Bernardino;• Dolores Marques• Gonçalo Lobo Pinheiro;• J. C. Patrão;• José António Antunes;• José Luís Lopes;• Liliana Maciel;• Luís Ferreira;• Lurdes Dias (Cleo);• Miriam Costa;• São Gonçalves.

sábado, 17 de Outubro de 2009

Reduzido à insignificância


Pisam-me os calos nesta praça,
o Largo do Descontentamento…
relegado ao silêncio por trapaça
e ignoraram o meu sofrimento.

Isolado por grande pressão,
acorrentado por superior ordem;
esquecido por mera ingratidão,
depauperado… não me acordem!

Privilégios já tive um dia,
no passado que se ofuscou…
livre prisioneiro quem diria?!

Abandonado por preconceitos…
o presunçoso hirto deliberou
afastar-se sem mais trejeitos.
António MR Martins
Imagem in "itacarenews.blogspot.com" (na net)

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Parabéns Miriam

Parabéns à Miriam Costa, pelo seu aniversário, ontem dia 14

Que tudo se concretize e que a vida te sorria sempre.

Fome de palavras




Hoje alimento-me das palavras, a maior parte delas, encontro-as escritas, nos mais variados sítios por onde me passeio nos fins de tarde dos dias mais ou menos vazios... ou pelas madrugadas fora, na ausência das horas que me controlam, mas que por um qualquer motivo, ficaram presas no relógio pendurado naquela parede branca atrás de mim e para onde nem sequer olho...
Palavras escritas, faladas ou ouvidas, são palavras que definem sentimentos. Podem confortar, alegrar, dar esperança ou tirá-la… podem excitar, insinuar, esconder ou mentir. São apenas palavras…
Algumas dessas palavras são tão belas, que me recuso a colhê-las para mim, deixo-as ficar no mesmo sítio, para que possam ser admiradas por todos os olhos que as encontrem também. Outras são demasiado caras, sempre o foram e só com um dicionário por perto, as conseguiria alcançar, mesmo não sabendo muito bem o que fazer com elas... por isso nem sequer lhes tento chegar perto. Outras ainda, são demasiado floreadas e engenhosamente complicadas de modo que de nada me serviriam também, por isso, deixo-as para os entendidos. Há ainda aquelas, que me acenam com sorrisos, mas são demasiado oferecidas, não as levo, deixo-as ali, para que outros se sirvam...
Há também aquelas que magoam, que me ferem os sentimentos e me entristecem profundamente… não as quero, não as desejo nem as ofereço a ninguém. São horríveis!
Sou esquisita, só gosto daquelas outras mais simples, que me enchem o olho logo no primeiro encontro e é dessas mesmo que me alimento e as devoro logo ali, naquele preciso momento.
Gosto muito de palavras, embora elas não sejam tudo...