segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Vínculos


[foto do site olhares.com]


São elos que nos unem
Para além das palavras
Dos versos narrados,
No horizonte onde o fogo
Se une com o calor do olhar…

São albergues
Inovados em encontros
De luz
Na configuração esbelta
De Ser e ter
Laços aglutinados
Pela nobreza da transparência
E sentir plena a comunhão…

São vínculos
Antes impossíveis
Hoje eternos…


É tudo aquilo que nunca pedi
Mas a universalidade tal como edifica…

Ana Coelho


Inspirado aqui:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=112489

Dedicado a todos aqueles por quem tenho laços de verdadeira amizade.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Estou a perder-me

Estou a perder-meas pedras nos meus olhos e o olhar é o rio e assim me entrego ao mundo com os braços abertos para sentir que a natureza è a minha familia.Estou a perder-me, nao sei onde tenho os sonhos. O tempo da inocencia vagueia no cèu e eu que me julgo heremita deixo a voz entregar-se ao silencio. Estou em liberdade e nao pertenço a nenhuma religiao, nem tenho ideologia. Basta-me existir, pensar na razao è morrer. Estou a perder-me, tenho medo e nao tenho nada que me perturbe, consigo transformar a tempestade dos meus olhos na primavera dos meus sonhos. Estou a perder-me, agarrei a noite como agarro as pedras. Agora o vento queixasse que me perdeu, falou isto ao rio que seguia nos meus olhos. Estou a perder-me preciso de voltar a sentir-me triste.lobo 09

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

DESEJOS...



São desejos,

de libertar o corpo...
De uma alma secreta...
Que pode ser o teu...
Embaciado por meu quente sopro,
Como vidro de janela indiscreta...
Por onde vislumbro segredos...
De uma pureza que não assumes...
Sofres em silêncios...
Calas ciúmes...

***

São desejos...
Comigo esqueces quem és...
Jorras suor de teus poros...
Gritos em teus lábios, insonoros...
Há anos guardados...
Em castas a teus pés...
Recônditas de anseios,
Que te vagueiam na mente...

***

São desejos...
Sabes que são os meus...
Quando me tocas...
Sabes que são os teus...
Quando em teu abraço me sufocas...
Em meu colo, teu trono de princesa...
Em tua noite, sou distante vela acesa...
Quem sabe…
De olhos fechados,
Te lembrarás que existi...
Que é segredo o que senti...
Que era eu,
Quem querias que habitasse em ti...
E entenderás, que são...
Desejos...



DarkRainboW

domingo, 20 de dezembro de 2009

A lágrima morreu

Num caixão sem soalho,
a lágrima ia nua e singela
ia só nos despojos da vida,
ia sem voz nem beleza,
talvez morta pela míngua
talvez farta pela destreza,
mas no fim, a lágrima morreu…
foi uma septicemia fatal
uma dor ansiando ser tristeza,
ou uma tristeza ansiando esquecer,
mas a lágrima morreu,
morreu boçal e livre
num incesto de emoções,
morreu breve e solteira
como deve uma boa lágrima,
morreu apenas
sem sequelas para o coração,
morreu só, morreu chorando
a vida recauchutada
que lhe deu uma peritonite amiga!
A lágrima morreu,
Ficou o sal…

É assim o Natal

É Natal

As ruas iluminadas
Em espelhos de luz
O amor que se reproduz
Em mil estrelas de alegria
No calor dos sorrisos
Vidas repletas de cor
É a magia do nascimento

É Natal
São pedaços de Deus
Pintados nos laços
Do aparecimento sublime
Jesus a voz viva do salvador
Em glórias do divino céu
Partilhas anunciadas
Na conciliação que reina

É Natal
Tempo de fraternidade
Em sopros de união
No trono da paz em cada coração
Erguem-se os símbolos
De vigor e esplendor
No mais íntimo sentido
Do verdadeiro amor divino

É assim o Natal…
Renasce o autêntico sentido da vida…



[foto do site olhares.com do autor Aires Osório)

Feliz Natal para todos e que o Natal chegue a cada coração
Ana Coelho

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

As Palavras

Palavras são o complemento
o afago e o entretenimento
a solidez e o compasso
o desnível do traço
a fluidez do movimento
a metáfora do pensamento
o preencher de cada espaço
a luz de cada vida
o descortinar a saída
do comboio em andamento
António MR Martins
foto in logopeia.wordpress.com (na net)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Espírito de Natal

Entre luzes coloridas
Bolas de magia
Presépios com o menino Jesus
Há um buraco no tempo perdido
Onde caem lágrimas de sombra
Numa miserável cegueira
Que todos sabem que existe e ninguém a crê.
Cantos proibidos
Rostos cansados, gélidos de emoções
Esperando um Natal qualquer
Aquele que não existe
Esquecido pelas vestes da fantasia
Vendendo-se apenas nas palavras,
Palavras cruas e despidas
Porque Natal é todos os dias!!!
Verdade na mentira
Vejo os que andam e não amam,
Pobres despidos das guerras,
Famílias famintas sem pão,
Os que dormem nas ruas desertas,
Os que choram a saudade da terra,
As crianças que crescem e não brincam,
E tantas outros… outros sentimentos saltam
Gélidos como o Inverno que assombra.
Ano após ano,
Grito - Malfadada vida…
A história é igual,
Repete-se a ladainha
Brinde-se e consuma-se o que não se tem
Pois afinal…
Existe a esperança na vida
Que ainda existe… o espírito de Natal.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Revoltas interiores

Empolgam-se os seres da contestação,
por constante e verdadeiro sofrimento;
servem-se da sua lógica razão...
para divulgar ao cidadão desatento.
As sofredoras mentes exteriorizam
a inconveniência dos vis mandatários,
perante a realidade dos que agonizam
e assim se tornam contestatários!...
Não há rumoque a todos encante
nestas vidas em pleno desespero...
não há aprumo que nos espante
nesta vivência de vão destempero!...
António MR Martins

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

2ª Compilação de Ana Coelho (Antologia Tu Cá, Tu Lá)

Vou sorrir mesmo que tudo esteja mal
Porque o coração me diz que não há nada igual
Vou-te amar,
Vou esperar que me ames
Vou sorrir mesmo que me enganes
Vou sofrer mas não vou estar só
Tenho a tua ausência em mim

Às vezeste encontro só,
mesmo que acompanhada...
nostálgica,
pensativa,
desenquadrada,
sem fulgor.
Às vezes
a penumbra
nos invade...
numa força superior
a um desejo,
que se não pode prever
ou antever,
sem rigor.

Deitas-me sobre
teu piano enigmático,
cobres-me de olhares silenciosos
sussurras-me pautas penetrantes.
Delicio o teu sabor letal
entre as notas que escoro
na rebeldia das cores
que se curvam ao fastígio
da minha avidez lasciva.
*
Trespasso-me de minimal alegria...
Percorro o reflexo de teu rosto numa navalha caída...
Duas faces de nostalgia...
Dois gumes de heresia...
Dois gomos de fruta azeda em anemia...
Toque cego de transversal fantasia...
Com ela me ceifas a lambida dor...
Me dilaceras a trôpega respiração...
Tão real...
Como a mais efémera ilusão..

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

na casa aberta

falo palavras amordaçadas como preso em mim e no meu sentir. sou de desejar escrever até morrer, mas hoje desperto de um sol frio, coagido por ser outono e nas cores quentes deste dia, vomito o silêncio; estou inteiro, curvado perante ti e me uso da tua pele para me aquecer do frio da alma que circula, para lá e para cá, junto a mim. leio poesia de quem não se teme, apavorada, e sigo mais além onde encontro, num sorriso, a tua tez. nas letras despes a sabedoria de quem joga com as palavras no momento, mesclando odores de sonhos e de sons felizes, perdidos aqui, na casa aberta.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um tempo vazio

No meu silêncio
Falta a palavra
A colonização do meu espaço
O abraço que acende a manhã fria
A cor de uma aguarela viva
O risco feito ao acaso
A imaginação que preenche a hora morta
O sol que acende a minha noite.
Falta-me,
O arpão que me acerta no peito
Um corpo que me tapa o nu
A flor de um sorriso que me embriaga
O ardor do sussurro no vácuo
A lágrima que me desliza no leito
O poema sem verso na folha
Vulcão que explode num beijo.
Um coração deserto
A morte da minha razão
O rumor da desordem
A loucura que me transforma
Na infelicidade da saudade
A Chaga do peito
A longa espera do regresso.
Falta-me realmente tudo
Falta-me a rocha, o pilar,
As horas que falecem no relógio
Falta-me quem me complementa
Nós dois sempre…
Mas quando não estás
E depois
Faltas-me tu.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Solitária lágrima

Dança na branca íris
Cristais soltos do olhar
Escorre nas faces frias
Pelo canto vertida
Envergonhado o sorriso,
Liberta a mão
Húmido murmúrio.

Rio selvagem
Desagua no mar norte
Encobre o rosto
No mudo grito
Trancado no fundo do bosque…

Desliza assim
Pela lua nova
No vértice do desejo
Que cala os gestos…
Solitária lágrima
Rasgada nos ombros
De um sonho cinzelado…

Revivem diamantes no fundo da alma.

Ana Coelho

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sinopse do poeta

Semeiam seara nua
Entre palavras e vírgulas
O luar que inspira
Nos sentimentos que embriagam.
Benditos imortais
Épicos tempos conhecidos
Pessoas sem terra nem beira
Vestem-se de sonhos
De textos e emoções
Numa arte erguida pelas próprias mãos.
Falam sem falar
No silêncio que só nós podemos ter
Espaço umbigo de um canto perdido
Um tempo que passa
A passar… lentamente
Onde morrem e ressuscitam!
Famintos da escrita
Criam sem pudor
Deslizam tinta em folha crua
Malditos que sufocam
Cantam, choram, gritam
Encantam a peça da vida
Presos aos olhares que os devoram.
A obra singela corre nas sílabas de um verso
Sedutor, maléfico…
Numa fé que molda o sonho
Afaga a face e o corpo
De quem escreve
De quem assim sente,
Como eu… como eu.
Lábios que denunciam o meu voo
Escavando no profundo ser
No princípio, fica o poema
O átrio de uma estrofe sem medo
Para ti que és Poeta!!!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Viagem que sou

Sou a viagem que sou
sei-o!
Mergulho as mãos
no absurdo.
…Rumo ao irreal,
Como barcos sem leme
Sulcando os mares de azul.

Sei que sou a viagem…
Degrau a degrau
subo as muralhas débeis
da palavra,
e do cume voarei
de braços abertos sobre
as praias de um lençol,
surdamente inspirado
em vezes de estranheza
e tímidos medos…

Sou uma viagem
sem retorno…
-regressos não há.
O fim não sei,
Mas o amor é o meu tempo!

José António Antunes

Alice ainda está a dormir

Alice ainda está a dormir. Há um livro caido no chão onde está situada a farmácia de serviço, os livros na adolescencia tem o mesmo efeito das rodelas psicadélicas, Gostava das rodelas de formato laranja, uma vez deixei cair uma dessas rodelas nas escadas do prédio velho onde vivo, depois o rato que anda pela estante dos livros velhos comeu a tal rodela, há quem se pense Napoleão ou S Francisco de Assis. O rato da estante julgavasse queijo parmesão, entretanto Alice ainda está a dormir, ao lado há um pequeno mapa dobrado, há manchas de vómito na peninsula iberica. Alice está do outro lado, se fosse possivel ler-lhe o pensamento, pensaria ela num velho teatro vitoriano a comportar-se como uma rapariga de casa de alterne que lança o soutian na direcção dos projectores
Na farmácia de serviço há um velho a tocar gaita de beiços, tenho o som do rio em mim, por causa da minha crónica timidez é o rio que faz a declaração de amor á pequena Alice. O rio fica calmo, não quer acordar a criança, essa criança casta e apetitosa de vicios escondidos a despertar a poesia nos homens que tem a alma "suja" ou simplesmente as fantasias convertidas em culpa, o nosso Senhor Jesus Cristo deu o corpo ao manifesto pelas nossas fantasias, Alice parece uma Madalena, pego num pequeno estojo de cosmética e pinto-lhe os lábios, o roxo fica-lhe bem. Todas as mulheres são belas a dormir, tiro do maço um cigarro, com o fumo desenho peixes e vultos eróticos, parece que aquelas formas saiem dos olhos fechados de Alice,toco o seu corpo e sinto que nele se inventa uma nova maresia, debaixo da porta do quarto há um envelope, dentro metade de uma fita métrica, o chapeleiro louco mudou de emprego, agora é o alfaiate paranoico, as suas roupas cheiram a pão bolorento, o inverno demora a passar e Alice ainda dorme, o ritmo do seu coração é a marcha dos soldados da rainha das lingeries triumph, vou preparar um chá de ervas, o vapor do chá como o da chaminé dos barcos que navegam nos olhos, nunca disse a ninguem que pela casa anda um travesti fantasma, também se chama Alice, gosta de comer bolachas ou costuma com asbolachas fazer o lançamento do disco. Em breve realizasse o campeonato de futebol dos vultos com pé de atleta, não sei se Alice gosta de futebol, não sei quando vai acordar, sei que o alfaiate paranoico vai desenhar o equipamento dos vultos do futebol que jogam nas paredes, já vi um jogo nas paredes de um wc, o publico a pegar em frases como quem pega em tomates e a lançar na cara dos tais vultos. ( liga-me no intervalo) o teu corpinho sabe bem, sabe a peixe no forno e a flores nos cornos dos touros, os cornos dos touros lembram a selvagem poesia Espanhola. Alice nunca leu Lorca, talvez o encontre nas viagens do seu dormir. Entretanto saio, vou jogar bilhar, as andorinhas inspiram-me, gostava de imaginar uma pergunta para Alice: - Quando acordares que vestido vais escolher? Sabes que o alfaiate paranoico vive num guarda vestidos, é um t2, uma renda antiga dessas que ainda se praticam em Lisboa, o alfaiate paranoico agora deu-lhe para rezar o terço, no bolso de um casaco velho há uma folha rasgada a meio, é uma receita com a fórmula do queijo parmesão, com os fios do queijo parmesão ele fez umas calças para o conde da braguilha aberta um personagem asqueroso, muito estimado pelos cães e presidentes de câmara ou até candidatos ás eleições para o parlamento, Alice ainda não mexe uma palpebra. Alguém sabe porque está a dormir tanto tempo?! se eu telefonar para a brigada dos ratos da desentoxicação, espero que não seja tarde de mais, são dez horas da noite, na cozinha da casa de Alice a chaleira do chá está a ferver, finalmente Alice começa a acordar, as suas primeiras palavras são: - Traz-me um espelho, quero embaciar o espelho, lábios desenhados, uns lábios que parecem carnudos como saídos da boca da loira Marlene a velha actriz que vivia com um cineasta alemão, Alice afina a voz, está a preparar-se para ir á ópera, Pavaroti usa uma gravata feita com fios feitos de queijo parmesão, os sapatos de Alice cheiram aquele odor, o chule fonte de inspiração surrealista, o pequeno almoço do conde da braguilha aberta são meias descozidas, estendal do predio uma colecção de meias sinteticas, o conde tem vagas noções de nutrição... Alice parece que anda num mundo paralelo, enquanto ela andou a vaguear a mãe dela tentou ligar-lhe várias vezes, ligou para uma clinica privada e foi disfarçada de sem abrigo ao casal ventoso saber se a sua Alice estava a consumir? Alice estava no seu quarto secreto, foi levada da via latina até ao velho quarto por um velho xaman, quando não era um velho xaman era um carteiro, uma pessoa igual a todas as outras e por outro lado um super dotado da mentira, Alice por ele quebrava todos os vidros, a maior mentira dele foi a maior verdade que flutua em muitos lábios, ela ser o amor da sua vida, mas a mentira dele pareceu soar como a voz da rainha de copas - cortem-lhe a cabeça! Alice olha uma revista cor de rosa, se ainda estivesse naquele seu sono profundo pediria ela ao alfaiate paranoico que lhe fizesse um daqueles vestidos o mais transparente possivel, por favor Alice, a transparencia é util, mas é uma coisa exagerada, sabes como é, sabe sempre ao mesmo, é futil a ilusão das actrizes de folhetim, descascar cenouras com o coelho de março seria muito melhor. O xaman o super dotado da mentira que dava de dez a zero ao belzebu das tretas alcunha dada ao traficante cigano que andava pelo casal ventoso e que rondava os infantários oferecendo histórias de desencantar, histórias que pareciam verdadeiras mas que no fundo não tinham fundo nenhum. Alice alimentaa a sua existência destes personagens, as pessoas estaveis bem posicionadas socialmente que só enganam o proprio ego, só tem dentro delas uma luz e presença e não fazem mais nada do que exibir a riqueza que um dia será pó, ou que é ainda poeira. Os outros, os que roubam, os que enganam, os que inventam sonhos e traficam prazeres não são diferentes, trazer um laço no colarinho não faz de um monstro uma flor. Alice se enamorava dos amantes do perigo(continua)

lobo

sábado, 21 de novembro de 2009

Pérola no meio da nada


Sorriso talhado
Olhar enigmático
Delineando
e
Contornando

A traços exímios
Os meios gestos
Marcando as horas e os dias
Pincelados no fio da navalha
E ser pérola que brilha
No meio do nada

Como foi possível
Gastar-me em ti?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Quem sou?

Sou pedra sou sonho
A certeza e a dúvida
Lampejo de um firmamento
O próprio desejo,
Sou tudo e nada sou.
Sou a fuga e o caminho,
O ponto e a virgula
A frase incompleta
A palavra suspensa
O poeta perdido.
Irredutível, romântico
O caos e a calma
Sou o tempo que passa
Sou o vento que sopra a folhagem
A manhã despida de Outono.
Sou a luz e a sombra
As mãos que deslizam
Sou fumo…
Andarilho sem destino
Um traço numa tela.
Sou a rosa e o espinho
A onda que beija a areia
Sou o sentimento nu
O silêncio.
Sou apenas eu!

terça-feira, 3 de novembro de 2009



Sou uma flor silvestre
Filha da terra
E do sol
Gerada num acto de amor...

Sou pequena por natureza
Mas tenho em mim
Toda a força e beleza
Que uma simples flor
Merece ter!

O campo é o meu jardim
Onde a quietude
Se confunde
Com o silêncio

Entrecortado
P'lo canto de um rouxinol...

sábado, 31 de outubro de 2009

O cancro que mama tudo e não deixa nada


Nessa fria dor que é a tua
onde o inesperado acontece,
não se pode ter a Lua
nem tudo o que apetece!...

Sentes teus peitos doridos
pelos nódulos do seu interior…
encontras os dias sofridos
e vives tudo por favor.

Rescaldos duma demora
que outrora desencantaste
e agora urge curar!...

Previne-te em boa hora
do mal que encorajaste,
para o poderes ultrapassar.
António MR Martins
Por ocasião do Dia Mundial do Cancro da Mama
30 de Outubro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Ao Sul, poema para duas imagens

Imagem 1

Dias em tons de ocre
A terra absorve o calor
E desponta em pedras
Casas brancas e olivais

Pegas, Popas, Chapins
Aguardam o entardecer
Onde sem mistérios
Matarão a sua sede
E saciarão a paisagem

Imagem 2

Afago-me no ar quente
Como nas searas
Papoilas bailarinas.
Sem solenidade
Só, como às vezes gosto
Em silêncio
Toco teus cabelos, Terra

Ao Sul, um encontro
O olhar atento do Sol
A cópula, o universo
A eternidade

Coisas que não rimam…e outras

Em Agosto
O plástico não rima com a praia
Como o sol não rima com duas inglesas
Que o absorvem sofregamente
Por outro lado, no pico do calor
Minh’alma encontra-se com as manadas
Cujos sons percorrem as longínquas planícies.

À tardinha, em bandos
Os pássaros, pardais ou andorinhas
Rimam entre a copa de uma laranjeira
E o céu azul.

À noite dou por mim rendido aos grilos
Até que por fim
Me deixo ir
Perdido,
Em sonhos,
Que nem sempre rimam comigo

domingo, 25 de outubro de 2009

Compilação de Ana Coelho, p/Apresentação de Antologia

1 grupo

Os dias (es)correm
d
e
v
a
g
a
r
ao ritmo do tempo.
Breve voar.
Singular,
primordial,
musical
o
momento.
Suave o toque
pianíssimo
no ventre em crescimento
fugaz a vida
que se esvai
em paletas de luz viva.

Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.

Lá bem no centro de ti
há uma nascente
onde bebo da água cristalina
que sacia a minha sede.
Faço correr rios de esperança
que descem as montanhas
das tuas crenças
e dos teus desejos

De verde vestida
Virados aos céus
Teus braços abriste
Clamando p’los meus
Em mim tu sorriste
E vi como és
Um corpo da terra
Teus seios dois figos
Dá-me o teu odor
A tua textura
E sonhos de amor

Eu
Pecadora
Me confesso
Sim
É verdade
Quebrei todos os votos
Que te fiz por amor
Num impulso de fraqueza
Que me inquietou a alma...

Coso os meus lábios,
Com fino fio de mel dos teus cabelos
Guardando assim no silêncio…
O segredo,
Do sabor dos nossos beijos.
Deixo-me levar nas pétalas da rosa,
Que deslizam na tua face
Invadindo o nosso ninho…

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Afago demoniaco






















Tento libertar-me, mas não consigo
Dessa teia que em mim teçe
Sinto a seda escorrer no meu corpo
Envenenando a minha alma
Desse amargo-doce proscrito
Tento me libertar.
Mas…..não, não quero
Quero sentir
O afago demoníaco desses fios
Enrodilhados em labirínticos
Fios de prazer,
Porque assim te sinto
Na macieza desnuda
De te querer sentir

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Antologia “Tu Cá, Tu Lá” apresentada pela Dr.ª Carmo Miranda Machado


Antologia “Tu Cá, Tu Lá” apresentada pela Dr.ª Carmo Miranda Machado

Senti as mãos
No algodão leve das nuvens…

Os raios de sol recolhem-se
E enxugam os templos…
Ouvem-se os sinos nas encostas
Cantam hinos às cegas.
Amansam-se os rituais…

Sinto-me cansada,
já não sinto frio…
Gotas orvalhadas
molham o meu corpo dormente…
E nesta inquebrável teia perco-me…

Já tinhas reparado?
Tranco-me por dentro…

Surgem gargalhadas, silhuetas, sombras,
escadas perversas…
Falas dispersas…

Tenho dias que sem saber escrever,
Arranjo um sonho para poder contar.
Não vendo poesia…
Palavras… versos…
TU, às vezes
és tão diferente…irrelevante.
Trazes o mundo embalado nas tuas mãos
O amor em pedra bruta no Coração…

Eu quero ser assim
tal como sou…
E hoje
Não estou
P`ra ninguém
Marquei encontro com o silêncio…

Vem comigo minha amiga,
saltar juntas deste cume da vida
onde os poetas têm asas escondidas
Que nunca morrem…

Nota Final: Os meus pais nasceram sob calor o calor do sul.
Eu nasci em Lisboa, mas é depois do Tejo que me sinto em casa.

Compilação da Dr.ª Carmo Machado – Versos Extraídos da Colectânea “Tu Cá, Tu Lá”

Autores:• Ana Coelho;• AnaMar;• António MR Martins;• Carlos Filipe Conchinha;• Conceição Bernardino;• Dolores Marques• Gonçalo Lobo Pinheiro;• J. C. Patrão;• José António Antunes;• José Luís Lopes;• Liliana Maciel;• Luís Ferreira;• Lurdes Dias (Cleo);• Miriam Costa;• São Gonçalves.

sábado, 17 de outubro de 2009

Reduzido à insignificância


Pisam-me os calos nesta praça,
o Largo do Descontentamento…
relegado ao silêncio por trapaça
e ignoraram o meu sofrimento.

Isolado por grande pressão,
acorrentado por superior ordem;
esquecido por mera ingratidão,
depauperado… não me acordem!

Privilégios já tive um dia,
no passado que se ofuscou…
livre prisioneiro quem diria?!

Abandonado por preconceitos…
o presunçoso hirto deliberou
afastar-se sem mais trejeitos.
António MR Martins
Imagem in "itacarenews.blogspot.com" (na net)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Parabéns Miriam

Parabéns à Miriam Costa, pelo seu aniversário, ontem dia 14

Que tudo se concretize e que a vida te sorria sempre.

Fome de palavras




Hoje alimento-me das palavras, a maior parte delas, encontro-as escritas, nos mais variados sítios por onde me passeio nos fins de tarde dos dias mais ou menos vazios... ou pelas madrugadas fora, na ausência das horas que me controlam, mas que por um qualquer motivo, ficaram presas no relógio pendurado naquela parede branca atrás de mim e para onde nem sequer olho...
Palavras escritas, faladas ou ouvidas, são palavras que definem sentimentos. Podem confortar, alegrar, dar esperança ou tirá-la… podem excitar, insinuar, esconder ou mentir. São apenas palavras…
Algumas dessas palavras são tão belas, que me recuso a colhê-las para mim, deixo-as ficar no mesmo sítio, para que possam ser admiradas por todos os olhos que as encontrem também. Outras são demasiado caras, sempre o foram e só com um dicionário por perto, as conseguiria alcançar, mesmo não sabendo muito bem o que fazer com elas... por isso nem sequer lhes tento chegar perto. Outras ainda, são demasiado floreadas e engenhosamente complicadas de modo que de nada me serviriam também, por isso, deixo-as para os entendidos. Há ainda aquelas, que me acenam com sorrisos, mas são demasiado oferecidas, não as levo, deixo-as ali, para que outros se sirvam...
Há também aquelas que magoam, que me ferem os sentimentos e me entristecem profundamente… não as quero, não as desejo nem as ofereço a ninguém. São horríveis!
Sou esquisita, só gosto daquelas outras mais simples, que me enchem o olho logo no primeiro encontro e é dessas mesmo que me alimento e as devoro logo ali, naquele preciso momento.
Gosto muito de palavras, embora elas não sejam tudo...

domingo, 11 de outubro de 2009

Um mar para a revolta

um mar para a revolta
Não aconteceu nada... nem eu no espelho nem tu do outro lado.Cada um de nós tem a sua margem, as minhas lágrimas são as minhas lágrimas e tu tens a tua vida, tens o sorriso que tens. Não sou indiferente só não fico a guardar uma canção demasiado tempo na garganta.Não aconteceu nada, nem eu tenho poesia, nem tu precisas de acender o candeeiro para me leres, ocupas melhor os olhos lendo as nuvens, lendo as mãos de um qualquer vagabundo.Não aconteceu nada, não tenho vinho para encher o copo, nem palavras para as conversas sociais.Ficamos apenastu desse lado e eu deste. Tu tens um gato para acariciar eu um mar selvagem para a revolta. Espero que o meu mar não te arranhe e que o teu gato não me afogue.

lobo 09

sábado, 10 de outubro de 2009

Silencioso pensamento

Numa corrente de água
saída das rochas duras
lavei as emoções
ao som da nascente
sentei o pensamento
furtivas noites fundas.

No peito galopar de cavalo
varando espaços sem fim.

Rosas se abrem em versos
danças em desfiladeiros
rostos purificados nas lágrimas
ao encontro do oceano
no puro imenso azul
trespassa o olhar num relâmpago.

Nas veias arde o lume
na cor do sol escorre do céu
num mundo colorido
pintado de branco.

Sem rosa dos ventos
nem norte, nem sul
profunda veemência quieta.

Ana Coelho

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Muito calor... por causa dele iremos ao outro lado, não seremos levados pelo instrumento da religião. Estamos presos ao circulo, somos escravos das chuvas, andamos rodeados de fogo, as mentes queimadas, o silêncio reduzido ao vazio das palavras, são elas que nos queimam , que não nos deixam imaginar nada. Estás ai?! Andas perto, aqueles homens desejam-te, querem saber se as tuas roupas ajustadas contam como é a vida do teu corpo. O teu espíríto agora veste as roupas do teu corpo e tu vai soletrar que está calor, que o fogo rastejou muitos quilómetros, que de tanta madeira queimada nem um barco, nem um tronco a flutuar, nem uma cama velha para o prometido amor eterno. Muito calor nós transportamos a água do corpo e seguimos um carreiro de vestígios, a nossa viagem vai começar. Estamos reduzidos a um zero com muitos séculos. Tu miudo obeso carne triturada, a tua devota mãe o teu severo pai. Da janela da tua caixa de dormir... não há paisagem... não há luz. Precisas daquele olhar que observa a nuvem do céu e daquele pensamento que se preocupa com a asa ferida do pássaro, precisas que o vento te levante. Que a tua mãe seja a tua flor e o teu pai te ensine a trepar as montanhas e a veres a cor das borboletas tão fundamental como o amor entre os teus. Muito calor, por causa dele iremos atravessar o outro momento, não seremos atingidos pelo frivolo costume de destruir. Levaremos connosco as nossas árvores, as nossas pedras. Agora falo para ti Aqueles homens querem água, não a encontraram na tua língua, nem numa margem de terra. Iremos ao outro lado ou ficaremos deste. Muito calor, ainda resistimos, o amor somos nós e nós somos fortes
lobo 05

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Chuva


Gota de água
chuva hermética
incolor o céu
nuvem sintética
pleonasmo de cristal
vidro
(re)partido
espelho sem brilho

jorra em mim o dia

húmido
num desapego de alma
um filho
chora______________

__________o coração partido
pelo abandono
proibido.

E é rio, a água em que me afogo.

domingo, 4 de outubro de 2009

Lágrima sorriu

Sorriu em mim uma lágrima
Vela no tempo fincada na pele…
Harpa de sonhos
Nas nervuras da terra…

Desabrocha um botão em flor
No orvalho regado no chão…

O vento acaricia o rosto
Num gesto fresco
Pouco a pouco
Na forma da boca…

Abrem-se na cor dos jardins
No fio da prata bordada
Na lágrima que sorriu…em mim!

Ana Coelho

sábado, 3 de outubro de 2009

O cheiro do mar

O cheiro do mar... alguma voz de longe a lembrar o homem vento. Quando fazemos sexo nas dunas ele está á espreita como um espião pleno de poesia e escandalo. A nudez é o alarme do amor, o teu corpo no meu e os nossos orgasmos são imaginamos nós, os gritos da multidão, também o movimento dos astros a girar nos olhos.
O cheiro do mar, esse mar deitado nos nossos corpos expressando amor incompleto. Nós somos amantes desde o principio dos tempos e o tempo do amor é mais longo que todos os anos de vida que a nossa existência consegue contar numa dessas tardes perto do fogo. Olho a cegonha e quero perguntar-lhe coisas sobre paris, a relação entre a noite e a depravação. Onde aprendo eu a liberdade do amor se não nas ruas sujas e no vinho que levei nas longas viagens. O cheiro do mar, alguma voz de longe e talvez seja a natureza a revelar o seu pensamento, imaginamos que vai contar os nossos segredos, o amor das nossas vidas, a nossa vida tão curta o nosso amor tão eterno

lobo 09

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Náusea


Sólido vómito
regurgitado em néons caleidoscópicos
sincronia de sons
sintonizadas
em
cores
abstractas
as luzes
dos olhares
mortificados
pelas mãos alheias
ao
pecado
que repousa
no
son(h)
imcompleto
libertino
fugaz.

E a noite rodopia (n)as órbitas dos corpos sem alma.
Numa mortalha de álcool.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Intimidades da alma


[foto de José António Antunes]

Do céu desceu
alimento divino
regado com lágrimas
caidas em rochas
esculpidas pelo vento
em dias de temporal
...Guiado pela estrela cadente
nas cores do arco-íris
saido do horizonte
no olhar interior
de uma alma sedenta...
Embriagada pelo néctar
escorrido das emoções
pés descalços...
Joelhos no chão,
mãos ao encontro do céu...
Nuvens brancas
carregadas de seiva
pronta a saciar
vazio incessantes
...Sentimento satisfeito
deste manã fertil
na plenitude de todo o ser.

Ana Coelho

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Vais começar a voar. Na margem do rio inicias-te o exercício do voar. Voar não é apenas um dom, é uma forma de educação, de conhecimento espiritual. Nós guardamos este conhecimento nos sonhos. Anjos e pássaros voam, além destes as máquinas e o peso não é uma desculpa para não se voar. Nós não voamos porque o peso nos prende á terra, nós criámos raizes , voar é uma capacidade, não é por si uma coisa importante. Sentir os pés no chão, o calor e o frio, ter a sensação da energia a fluir sem ficar preso ou dependente deixa-nos espaço e liberdade para decidir e para transformar. Foste até ao jardim de Gautama , com o matemático aprendeste as formulas matemáticas , com o agricultor as épocas de cultivo e com o teu silencio interior a escutar a chuva e a meditar. Meditar com as folhas de ch á o teu corpo e a tua mente flutuam na á gua, os cheiros dos frutos e das ervas entram em ti enquanto ficas ocupada a espalhar o fumo na sala onde era costume o buda repousar ou simplesmente ficar no estado de não existência. Preparas o chá o vento bebe-o, a terra também absorve gota a gota o fogo e a á gua do ch áNo jardim de Gautama há uma erva, no mercado da aldeia há um homem que vende dessa erva. Antes de fazeres o exercício da arte do voar tu respiras os seus vapores, ficas imóvel e vês o Gautama a caminhar para ti.Tu não queres fazer a conversa comum mas a conversa comum, o rio que corre, o sol que brilha, a nuvem que passa, a criança que nasce, a vida a morte. Gautama vai sorrir e os olhos abertos dele vão saudar os teus.- Bom dia- Está a chover.A água e a terra são irmãs.- Venerável gautama pensas que com a água e a terra posso aprender a formula do voar?- A capacidade de voar est á em ti, es tu. Voar é reter a natureza nos olhos, é ficar com ela é ir alem dela, é ficar sem exigir nada.- Hoje estive no mercado, andava por lá um comerciante de chás quando era criança gostava de olhar a cor das folhas e a cor amarela da á gua do ch á recordava-me o rio amarelo e as suas histórias e canções. gostava de adormecer com a cabeça deitada nos seixos e de ouvir o meu irmão mais velho a recitar os mantras enquanto chapinhava nas poças. A água a saltar era o sorriso dele a molhar-me os pés.- Sabes! A á gua cristalina ó sorriso do Buda das cinco ervas.- E quem é o Buda das cinco ervas?!- O Buda das cinco ervas é o comerciante que viste no mercado.- Mas buda não tem o caminho do negócio.- Os nomes das coisas são só o nome das coisas, buda tem o caminho da abundância , do negócio prospero do coração, não h á o bom e o mau fruto, nem a boa e a m á árvore, h á o fruto que o teu sabor precisa, h á a á rvore que espera o viajante, o peregrino, o pastor, o negociante, o generoso e o avarento.- Vou preparar um chá- Faz um chá de folha de figueira, tritura bem as folhas, estas devem ficar pequenas como as gotas de chuva, depois fazemos a oração do chá e lemos os salmos do Buda das cinco ervas.- Vou ferver a á gua, olhar a nuvem que se desprende do vapor, talvez apareça no ar o génio do chá dos desejos.Enquanto preparavas o chá Gautama adormeceu, durante a sua viagem ao inconsciente da natureza ele viu o génio do chá dos desejos. O génio do chá dos desejos tinha as duas partes da natureza. Gautama foi recebido por ele. Na gruta onde morava o génio havia uma mesa e sobre ela um bule de chá. O génio ofereceu ao senhor Gautama o chá do enlouquecer. Gautama sentou-se no chão, segurou uma pequena taça dourada e sorveu de um gole todo o chá depois sorriu, estendeu as mãos ao céu, alcançou uma estrela e pô-la na á gua do cháEle viu a noite e os planetas, não sentiu medo nem viu monstros ou com o seu olhar transformou essas criaturas em ilusão. O génio olhou Gautama , depois desapareceu, logo apareceu no monte sagrado e venerou toda a linhagem dos budas, das árvores, dos pássaros s dos homens de todas as cores, de todas as sabedorias e ignorâncias.Quando Gautama regressou da sua viagem, tu penteavas os cabelos e o vento massajava-te o rosto. No ar havia o aroma ainda quente do chá. Gautama serviu-te uma pequena taça e pôs as folhas de chá nos cabelos. O vento tocava no galho das árvores e parece que saia uma musica suave, o aroma do chá misturado no aroma da musica. Enquanto bebiam o chá, sentiam um silêncio puro. Quando estamos com demasiados pensamentos o ar também fica pesado. Gautama levou os seus olhos ao firmamento dos teus, havia um calor e uma cor diferente do calor do fogo. As palavras não aconteceram, não aconteceram os desejos, o amor aconteceu e nada estava preparado pela vontade do corpo e da mente. Como as raízes se entrelaçam na terra vocês se entrelaçaram. Uniu-se o pequeno coração do corpo ao coração da terra ao coração do universo. Os teus lábios e os lábios de Gautama tocaram-se. A noite chegou tranquila e bebeu os restos de chá que sobrou das taças. Tu e Gautama seguravam nas mãos uma luz, tinham um arco irís que passava das mãos aos olhos.Moonli continua a exercitar-se no oficio do voar. Moonli é o teu nome, na lingua dos antigos habitantes da montanha a palavra do teu nome significa aquela ou aquele que faz o ritual. quando fores capaz de esvaziares os pensamentos, as tuas riquezas e as espalhares pele terra, tu não possuindo nada, tu não estando sujeita a nenhuma condição ou a nenhuma lei a natureza entra em ti e tu voas. Tocas o céu e a terra. Abraças o pássaro, abraças a árvore, dás-me um abraço forte. Quando me abraças é a tua energia que trabalha o meu ser como as sementes que trabalham cada poro de terra, cada poro da pele. Gautama foi o teu amante espiritual, mais tarde encontraste cabelos compridos, cabelos compridos fazia musica, a musica também é um exercicio que prepara os seres para a magia do voar, com o som é possivel voar, com a vibração das pedras, com a vibração da luz. Cabelos compridos passa muito tempo a tocar citara, a musica da citara é doce como cerejas. Quando Moonli preparava o chá a musica entrava no vapor e eles e as crianças sentiam vontade de dançar. Com a dança nos unimos á força do silencio e á força da palavra, a dança harmoniza a luz e a escuridão. Quando escrevias dançavas, quando pintavas executavas o voo das aves, sentias o esvoaçar das flores no ar na água do chá, na linha dos dedos que adivinham o passado e o futuro, o amor e o trabalho. Vais começar a voar, vai ser preciso que a eternidade entre no teu ser, que o teu ser faça voar o teu corpo com o impulso da memoria que é o impulso da criação, o impulso da arte de criar e de viver, a arte do morrer e do renascer. Quando preparas o chá, quando preparas diferentes variedades, quando sentes os teus olhos a terem a cor do chá diluido na atmosfera tu ficas feliz, pareces uma criança, brincas e no teu faz de conta, na tua profunda imaginação esqueces as palavras sérias e as responsabilidades mundanas. Tu precisas da energia flutuante da vida, concentra-te no teu sorriso, no desabrochar da tua flor. Cada ser tem uma flor guia. As petalas das flores são os diferentes caminhos, os diferentes cheiros que tu inalas e que a floresta inala de ti. Tu, cabelos compridos, as crianças, o Buda Gautama, o espirito que corre no vale, que abençoa cada pedra, que é testemunha dessa magia prodigiosa, dessa pulsação da mãe terra que acompanha a respiração dos bichos, dos homens, de todos os seres, esse ser que medita, que ondula como uma folha na água do chá. Foi com a água do vale que preparas-te a prece para o começo do voar. A tua barriga está a crescer, um pequeno ser voa no teu interior, um pequeno ser que vem de uma gota de energia que desce do céu á terra e se envolve com os elementos, elementos que formam um corpo, uma mente. Tudo será conduzido pelo espirito, a grande alma que não tem principio nem fim, que guarda dentro dela mesma a decisão do bem e do mal.- A montanha elevasse acima dos teus olhos cabelos compridos.- Há muitas luas atrás subi aquela montanha, vi homens que procuravam ouro, estavam cansados e isso via-se no rosto deles, um dos homens perguntou-me onde ficava a aldeia mais próxima, tinha por lá um velho familiar que em tempos tinha trabalhado numa loja de chás provenientes do Paquistão. Ele seleccionava as folhas que eram expostas ao luar. A lua minguante dá sabor e é bom para fazer sonhos tranquilos.- Vem deitar-te comigo- Estou cansado, o meu espirito viajou como a lua cheia que segue as nuvens.- Sabes ler as mensagens das nuvens?- É como ler as palavras da água.- Temos de meditar nas lágrimas de Buda, os agricultores algumas luas antes da colheita visualisam as lágrimas do precioso. A terra será fertil e os frutos abundantes.- O fruto de mim, o fruto da terra que há em mim alimentará o amor, o amor do espirito, do corpo que o recebe e do pensamento que realiza o conhecimento. Longo foi o inverno, cabelos compridos partiu em busca de alimento e de agasalho, levou com ele o moinho das orações. Cabelos compridos não se despediu de moonli. Do outro lado da montanha ficava o mar, no porto de shiva grande era a azafama de pescadores descarregando e salgando o peixe. Durante muitas noites e muitos dias cabelos compridos alimentou-se de raizes e frutos silvestres. A terra foi o chão onde dormiu e antes de se deitar praticou a quinta essência do yoga, cem vezes se prostrou visualizando a roda do samsara, o circulo da morte e do renascimento. Ao longe ouviu-se o uivo frio dos lobos, ouviu-se ao longe o andar do rebanho fazendo rolar as pedras, remexendo a terra, as suas sementes, as suas raízes. Os pés descalços do pastor amaciando o solo selvagem. Levi o pastor andava guardando as suas cabras desde os sete anos. Cabelos compridos sentiu a terra mexer, a cor do céu vestiu os seus olhos e o seu corpo. Durante dez dias apenas bebeu água, alimentou-se do frio que descia do desfiladeiro e dos ruidos invisiveis do fogo que se esconde nas pedras, nas nuvens escuras do céu, no carvão que dorme na garganta do vulcão. Levi atravessou o rio com as suas cabras. Naquele lugar havia o veneno das serpentes e o polen das flores de ópio sobre a planta dos pés da Deusa Maya a Deusa da ilusão, a conselheira dos generais, aquela que presta favores ao mundo material. Levi tinha agora 14 anos, conhecia todas as suas anteriores vidas. Levi atravessou o rio com a arte de quem não se move, com a tecnica da morte. Assim iludiu a senhora da ilusão e as serpentes venenosas. Levi cantou os mantras e namorou a senhora ofertando-lhe o cristal das pedras e o brilho das areias aquecidas pelo sol forte. Levi o pequeno pastor projectou diferentes seres com oigem no seu ego e com o esplendor das riquezas temporarias fez a Deusa Maya tropeçar na sua própria ilusão. Levi o pastor tinha a visão apurada da águia, viu cabelos compridos e telepaticamente falou com ele.- Chamo-me Levi.- Chamo-me cabelos compridos.- Não és um peregrino!- Sim, também sou um caminhante.- Que procuras?- Procuro o grande mar.- Tens ainda muito caminho a percorrer, olha, quando chegares á próxima aldeia pergunta pelo velho Gatso o pescador, quando o encontrares diz-lhe que vens da minha parte, pede-lhe que te ensine a arte da pesca, tu lhe ensinarás as posições do yoga e as mil maneiras de preparar o chá, o sagrado chá que aquece o coração do Buda das cinco ervas.- Como sabes que sei a linguagem do yoga e a arte de preparar o chá?- Escuto o vento e tudo o que o vento sussurra as águas guardam e as árvores da floresta quando o vento lhes sopra a brisa do oceano e as histórias de amor, de raiva, de sobrevivência.Quando Gautama regressou da sua viagem, tu penteavas os cabelos e o vento massajava-te o rosto. No ar havia o aroma ainda quente do chá. Gautama serviu-te uma pequena taça e pôs as folhas de chá nos cabelos. O vento tocava no galho das árvores e parece que saia uma musica suave, o aroma do chá misturado no aroma da musica. Enquanto bebiam o chá, sentiam um silêncio puro. Quando estamos com demasiados pensamentos o ar também fica pesado. Gautama levou os seus olhos ao firmamento dos teus, havia um calor e uma cor diferente do calor do fogo. As palavras não aconteceram, não aconteceram os desejos, o amor aconteceu e nada estava preparado pela vontade do corpo e da mente. Como as raízes se entrelaçam na terra vocês se entrelaçaram. Uniu-se o pequeno coração do corpo ao coração da terra ao coração do universo. Os teus lábios e os lábios de Gautama tocaram-se. A noite chegou tranquila e bebeu os restos de chá que sobrou das taças. Tu e Gautama seguravam nas mãos uma luz, tinham um arco irís que passava das mãos aos olhos.Moonli continua a exercitar-se no oficio do voar. Moonli é o teu nome, na lingua dos antigos habitantes da montanha a palavra do teu nome significa aquela ou aquele que faz o ritual. quando fores capaz de esvaziares os pensamentos, as tuas riquezas e as espalhares pele terra, tu não possuindo nada, tu não estando sujeita a nenhuma condição ou a nenhuma lei a natureza entra em ti e tu voas. Tocas o céu e a terra. Abraças o pássaro, abraças a árvore, dás-me um abraço forte. Quando me abraças é a tua energia que trabalha o meu ser como as sementes que trabalham cada poro de terra, cada poro da pele. Gautama foi o teu amante espiritual, mais tarde encontraste cabelos compridos, cabelos compridos fazia musica, a musica também é um exercicio que prepara os seres para a magia do voar, com o som é possivel voar, com a vibração das pedras, com a vibração da luz. Cabelos compridos passa muito tempo a tocar citara, a musica da citara é doce como cerejas. Quando Moonli preparava o chá a musica entrava no vapor e eles e as crianças sentiam vontade de dançar. Com a dança nos unimos á força do silencio e á força da palavra, a dança harmoniza a luz e a escuridão. Quando escrevias dançavas, quando pintavas executavas o voo das aves, sentias o esvoaçar das flores no ar na água do chá, na linha dos dedos que adivinham o passado e o futuro, o amor e o trabalho. Vais começar a voar, vai ser preciso que a eternidade entre no teu ser, que o teu ser faça voar o teu corpo com o impulso da memoria que é o impulso da criação, o impulso da arte de criar e de viver, a arte do morrer e do renascer. Quando preparas o chá, quando preparas diferentes variedades, quando sentes os teus olhos a terem a cor do chá diluido na atmosfera tu ficas feliz, pareces uma criança, brincas e no teu faz de conta, na tua profunda imaginação esqueces as palavras sérias e as responsabilidades mundanas. Tu precisas da energia flutuante da vida, concentra-te no teu sorriso, no desabrochar da tua flor. Cada ser tem uma flor guia. As petalas das flores são os diferentes caminhos, os diferentes cheiros que tu inalas e que a floresta inala de ti. Tu, cabelos compridos, as crianças, o Buda Gautama, o espirito que corre no vale, que abençoa cada pedra, que é testemunha dessa magia prodigiosa, dessa pulsação da mãe terra que acompanha a respiração dos bichos, dos homens, de todos os seres, esse ser que medita, que ondula como uma folha na água do chá. Foi com a água do vale que preparas-te a prece para o começo do voar. A tua barriga está a crescer, um pequeno ser voa no teu interior, um pequeno ser que vem de uma gota de energia que desce do céu á terra e se envolve com os elementos, elementos que formam um corpo, uma mente. Tudo será conduzido pelo espirito, a grande alma que não tem principio nem fim, que guarda dentro dela mesma a decisão do bem e do mal.- A montanha elevasse acima dos teus olhos cabelos compridos.- Há muitas luas atrás subi aquela montanha, vi homens que procuravam ouro, estavam cansados e isso via-se no rosto deles, um dos homens perguntou-me onde ficava a aldeia mais próxima, tinha por lá um velho familiar que em tempos tinha trabalhado numa loja de chás provenientes do Paquistão. Ele seleccionava as folhas que eram expostas ao luar. A lua minguante dá sabor e é bom para fazer sonhos tranquilos.- Vem deitar-te comigo- Estou cansado, o meu espirito viajou como a lua cheia que segue as nuvens.- Sabes ler as mensagens das nuvens?- É como ler as palavras da água.- Temos de meditar nas lágrimas de Buda, os agricultores algumas luas antes da colheita visualisam as lágrimas do precioso. A terra será fertil e os frutos abundantes.- O fruto de mim, o fruto da terra que há em mim alimentará o amor, o amor do espirito, do corpo que o recebe e do pensamento que realiza o conhecimento. Longo foi o inverno, cabelos compridos partiu em busca de alimento e de agasalho, levou com ele o moinho das orações. Cabelos compridos não se despediu de moonli. Do outro lado da montanha ficava o mar, no porto de shiva grande era a azafama de pescadores descarregando e salgando o peixe. Durante muitas noites e muitos dias cabelos compridos alimentou-se de raizes e frutos silvestres. A terra foi o chão onde dormiu e antes de se deitar praticou a quinta essência do yoga, cem vezes se prostrou visualizando a roda do samsara, o circulo da morte e do renascimento. Ao longe ouviu-se o uivo frio dos lobos, ouviu-se ao longe o andar do rebanho fazendo rolar as pedras, remexendo a terra, as suas sementes, as suas raízes. Os pés descalços do pastor amaciando o solo selvagem. Levi o pastor andava guardando as suas cabras desde os sete anos. Cabelos compridos sentiu a terra mexer, a cor do céu vestiu os seus olhos e o seu corpo. Durante dez dias apenas bebeu água, alimentou-se do frio que descia do desfiladeiro e dos ruidos invisiveis do fogo que se esconde nas pedras, nas nuvens escuras do céu, no carvão que dorme na garganta do vulcão. Levi atravessou o rio com as suas cabras. Naquele lugar havia o veneno das serpentes e o polen das flores de ópio sobre a planta dos pés da Deusa Maya a Deusa da ilusão, a conselheira dos generais, aquela que presta favores ao mundo material. Levi tinha agora 14 anos, conhecia todas as suas anteriores vidas. Levi atravessou o rio com a arte de quem não se move, com a tecnica da morte. Assim iludiu a senhora da ilusão e as serpentes venenosas. Levi cantou os mantras e namorou a senhora ofertando-lhe o cristal das pedras e o brilho das areias aquecidas pelo sol forte. Levi o pequeno pastor projectou diferentes seres com oigem no seu ego e com o esplendor das riquezas temporarias fez a Deusa Maya tropeçar na sua própria ilusão. Levi o pastor tinha a visão apurada da águia, viu cabelos compridos e telepaticamente falou com ele.- Chamo-me Levi.- Chamo-me cabelos compridos.- Não és um peregrino!- Sim, também sou um caminhante.- Que procuras?- Procuro o grande mar.- Tens ainda muito caminho a percorrer, olha, quando chegares á próxima aldeia pergunta pelo velho Gatso o pescador, quando o encontrares diz-lhe que vens da minha parte, pede-lhe que te ensine a arte da pesca, tu lhe ensinarás as posições do yoga e as mil maneiras de preparar o chá, o sagrado chá que aquece o coração do Buda das cinco ervas.- Como sabes que sei a linguagem do yoga e a arte de preparar o chá?- Escuto o vento e tudo o que o vento sussurra as águas guardam e as árvores da floresta quando o vento lhes sopra a brisa do oceano e as histórias de amor, de raiva, de sobrevivência.- Vamonos encontrar?- Em breve.cabelos compridos chegou de noite á pequena aldeia de patcha- luna. A casa do velho Gatso era forrada com argila e o telhado coberto de palha. Gatso o pescador estava á porta de casa consertando a sua velha rede de pesca. Cabelos compridos aproximou-se dele- Venho da parte do jovem Levi.- Falas-te com ele?- Falámos telepaticamente.- Que me queres?!- Aprender a arte da pesca.- Tens de treinar a paciencia.- Podes ensinar-me...- O próprio mar te vai ensinar, a floresta, a montanha, o dia e a noite tem muito para te ensinar.- E tu?- Eu estou velho, a unica mestra que me pode ensinar é a morte.- Aprendemos todos com ela sobre o renascer.- Vejo que estás cansado e com fome, em cima da mesa há uma tijela com caldo de peixe.- Vou comer um pouco e deitar-me.Cabelos compridos foi acordado pelo ruido do vento. O mar estava eriçado, parece que tinha a furia dos homens em guerra, parecia que tinha dentro dele um coração a bater acelarado. Cabelos compridos passou algum tempo observando o velho Gatso construindo e consertando as redes. A primeira aprendizagem foi o treino dos olhos, os olhos e a mente treinadosno oficio da atenção. Cabelos compridos tinha de conhecer o mar, conhecer-se a ele próprio, o seu conflito interior era sentir-se dividido não obstante ser a parte e ser o todo. Cabelos compridos e o velho Gatso partiram numa manhã que era o dia do aniversário do Buda Shakamuni o senhor das forças. Foram muitos meses de mar, meses de tentar não lembrar aqueles que deixamos em terra. O mar testava os nossos apegos, a nossa resistencia. Em forma de doença a morte se escondeu no corpo de cabelos compridos. Cabelos compridos parecia que tinha mil demónios dentro dele. O velho Gatso entoo o mantra da levitação e com o poder vibratório desse mantra flutuou sobre a espuma e sobre as mãos invisíveis do Sr shakamuni aquele que conhece a profundidade e a escuridão, a luz e a superficie. Durante quarenta dias cabelos compridos ficou cego. A sua cegueira foram os seus desejos os seus pensamentos de luxuria. Esses pensamentos não eram sua essência. Maya a senhora da ilusão era a sua mestra. Na natureza tudo pode ser o nosso mestre. A flor que desabrocha e o raio que fulmina.O velho Gatso pousou sobre a sombra de cabelos compridos, uma sombra escura, fatalmente escura deu lugar a um foco amplo de luz.- A febre baixou- Que me aconteceu?- Entras-te no reino dos demónios.- Quem me salvou?- Ninguém, tu próprio sais-te da escuridão, quanto mais te dividias mais nas trevas penetravas. Quando tomas-te consciencia que a causa da tua ignorância, que a causa do teu medo estava em ti reconciliaste-te com os teus demónios e eles copnverteram-se no Deus supremo que há em ti.- Mas disses-te que entrei no reino das trevas...- Os medos que a tua mente guarda são uma porta que recebe todos os lixos, o medo é uma porta que que se fecha, quando abres essa porta esse lixo sai. Através de ti aprendo a arte do yoga.- Aprendes comigo a arte do yoga?- É verdade.- Como pudeste aprender com o meu medo, com a minha insegurança.- Com a divisão descobresse a unidade, com o medo a ter-se cuidado e com a incerteza a reflexão.- Mas...Tu não vences os teus medos se lutas com eles, essa é uma luta inutil. Tu aceitaste-os, tu transcendeste-os.- Penso que o mar me lê o pensamento, ele sabe que não há tempestade em mim.- Ele aceita a tua fúria, a tua calma. Tu foste guiado até mim para que eu pudesse partir.- Aonde vais?- Vou deixar o meu corpo- Vais morrer?- Como as lágrimas saiem dos olhos o espírito sai do corpo.- E quando é que isso vai acontecer?- Quando me esqueceres. A morte chega quando nos esquecemos de alguém.- Não me consigo esquecer de ti.- O que a tua mernte esquece o teu coração guarda.Numa noite de profundo silêncio em que ele cabelos compridos estava calado como se não houvesse dentro dele pensamentos e dentro dele fosse uma folha a flutuar e a subir até desaparecer do horizonte, o velho Gatso deixou o corpo. Agora tens de esquecer, qualquer recordação é um iman que puxa as almas ao mundo dos desejos, ao mundo fisico dos apegos e das paixões. Cada ser tem de seguir o seu caminho, fazer a sua vontade. Acende um pau de incensso, depois lança o corpo dele ao mar. lobo

sábado, 26 de setembro de 2009

A chaminé

Alta e imponente
Não estás mais próxima do céu
Nem por isso és branca
É o pouco que sei sobre ti
Não porque mo tenha dito uma andorinha
Talvez até tenha sonhado tudo isto
Todavia as andorinhas são reais
E também tu és real
E apontas ao céu

Ao sul
Rumarão as andorinhas
Quando a estação acabar
Nós viemos agora
À cíclica peregrinação
Como um outro ciclo do sol
Esse, o sol, no céu
O sul na terra
E o azul que parece que compõe todas estas coisas que nos fazem felizes

Figueira

De verde vestida
Virados aos céus
Teus braços abriste
Clamando p’los meus

Em mim tu sorriste
E vi como és
Um corpo da terra
Teus seios dois figos

Dá-me o teu odor
A tua textura
E sonhos de amor

Com tua candura
Vela bela flor
Minha sepultura

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Insensatez (How insensative)


Regresso tantas vezes
quanto as que
parto
corações
aos pedaços
que distribuo
com o olhar
pelas bocas
famintas
ao luar
no deserto
sobre mim
o teu corpo inerte
após a explosão
n
u
c
l
e
a
r

fusão

a t ó m i c a

sem igual
o teu sorriso
de
(a)mar
na distância
que vai daqui-aí.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Palavras que atormentam

Desligadas
Explicitando rancor
Cruéis e cínicas
Nos magoam e causam dor
Desvirtuando o sabor
Amargura sem final
Onde não vive o amor

Falsas
Improvisadas para tal
Por suposto portador
Derramadas sem igual
Denegrindo o animal
E suas formas anímicas
Em período intemporal

Fúteis
De uma acidez que tresanda
Ciclo de um porvir
Sátira na demanda
Proveniência que desanda
Num acto repelente
Pela força de quem manda

António MR Martins

domingo, 20 de setembro de 2009

Sabes? (de Carlos Conchinha)


Um livro de Carlos Conchinha, o novo elemento do blog, que irá ser apresentado dia 3 de Outubro, na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa. Espero estar presente.
Um livro que mereceu o prémio de Ministro da Poesia no site http://www.worldartfriends.com/.

Momentos (o novo livro de Luis Ferreira)

Espero estar presente no dia do lançamento do teu livro Luís. Vou fazer os possíveis para ir.
Um livro de poesia com lançamento para dia 26 de Setembro no Freeport de Alcochete. Uma edição da Temas Originais e com apresentação de Drª Carmo Miranda Machado.

Parabéns José António

Para o José António Antunes, um amigo que integrou este blog assim como a antologia deixo os meus sinceros parabéns, pelo seu aniversário recente. 17 de Setembro
Muitas felicidades

(Foto do aniversariante lindíssima)

Depois do Tejo

Não basta passar o Tejo
É preciso avistar um sobreiro
A primeira cal contrastando o ocre
Para que me sinta em casa

A terra, o trigo, a cortiça
Atravessam meus tantos poros
Irrigando meu sentir

No poial polido
Trocam-se histórias de infância
Sorrisos sinceros
E silêncios celestiais

Olha uma estrela cadente
Diz o pequeno

A vida sulca a tua tez escura
Desgasta o negro feltro em teu chapéu
Mas minh’alma em ti perdura
Meu simples mas pleno Alentejo

sábado, 19 de setembro de 2009

O nosso vinho

Traz-me um copo de vidro fosco,
Como aquele onde bebi, em tua casa.
Entorna nele o vinho que bebemos juntos.
Saboreia, mastiga, absorve.
Envolve a minha pele nesse aroma afrutado.
Torna-me alcoólico, encorpado.
Sei que contigo sou veludo puro,
De cor rubi, sangue vivo,
Quente, maduro, persistente.
A tua casta difere-te.
Cabernet Sauvignon, Aragonês, Trincadeira,
Touriga Nacional, Syrah ou Merlot.
Que importa?
És como o nosso vinho.
Deixas-me tranquilo, fermentado neste corpo,
Suave, intenso, de textura macia.
Chambreia-me com o teu calor.
Torna-me quente, meu amor.

Sedução sem limites

Quero sentir
as tuas palavras

Na boca
desse teu vento

Aquelas
que decoravas

E as do teu
olhar atento

Quero saboreá-las
intensamente

Pela sedução
que continua

Sentindo
tão raramente

O que nos oferece
a alma nua

António MR Martins



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O descalcular da vida

A viagem começa quando se olha a parede, ver a sombra das mãos e aquilo parece o rio, a água do rio que corre em redor da casa e é como um cão a correr e a ladrar, algo dentro de nós por não haver afectos, por não haver ouvidos que oiçam. A criança deseja atravessar o muro, a infância é um impulso, o descalcular da vida. A viagem parece eterna, uma coisa sem limites e no momento em que a palavra é usada para fixar a atenção das coisas a criança adormece, o selvagem é domado e a religião se instala para que ela não voe, para que não cresça.

Lobo 09

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A chuva nos sapatos... não havia nada de misterioso, podia ser o titulo de um filme, uma canção longa legendada em Francês ou um crime desses idealizados contra a paciencia dos dias. Sou um pobre homem e serve-me a palavra para contestar o meu destino. Á mãe que me fez nascer e ao mundo que me faz sentir incompreendido e indigno deste palco, deste viver do lixo e da caridade. No segundo andar da santa casa a mulher com cara de buldog a Dra Silvia, nome que oiço da boca do segurança.- Então!... tem se alimentado? parece que está mais magro. E eu que trazia e trago um album de fotos mostrei-lhe todos os caixotes do lixo da cidade.- Encontro sempre comida e já encontrei livros.- Temos aqui um intelectual.E naquele momento o meu pensamento começou a falar em voz alta e chamei-lhe todos os nomes a maior parte deles em francês. A mulher chamou o segurança e eu imaginei-o a bater no peito como os gorilas de sete rios contestando o aumento do passe social.Trabalho é a palavra mais dificil, quando tento pronunciar é muito trabalho e não há compensação, deitar e levantar, abanar a cabeça para cima e para baixo, para os lados e saber que isto resulta sempre igu al como um cão que sempre levanta a pata para mijar e que sempre faz olhos pateticos para receber o osso, pois vai chegar o momento em que lhe será pago um salário como fazem á Dra Boldogue. Estou a olhar o rio e chega junto a mim o policia municipal.- Tem licença para pedir, que faz com uma sanita ás costas?- É para fazer as necessidades- Já ouviu falar de saneamento basico?!- Sou um turista, ando sempre em viagem.- Está a gozar com a minha cara?!- Tem um ar muito jovem e deve ter muita força, bloquear os pneus de um carro deve ser dificil, ouvi dizer que o mundo é governado por cerebros bloqueados.- Devia tomar um bom banho- Trazer uma banheira ás costas ia ser dificil, se eu conseguisse fazer chover, sabe fazer chover é assim... alguém com cara de parvo a olhar para o céu, já tentou a experiência?! os poetas tem essa capacidade, os poetas são doceis e ele olha para mim e eu começo a gritar que ele me está a assediar e que me quer multar por não ter comigo o seguro de sanita turistica.As pessoas começam a gritar com ele e o coitado olha para o ceu e começa a chover e que merda logo no momento em que me deu a vontade, esta chuva não deixa de ser abençoada, hoje comi feijoada de porco, o porco é o meu signo chinês, gosto de provérbios chinezes, já tive um porco, dei-lhe o nome de um proverbio chines. O meu porco chamavasse quem anda á chuva molhasse. Costumava ler lhe os poemas do mestre apolinair e foi com grande tristeza que o levei ao matador, aquele amigo e irmão era muito saboroso, com outros mendigos fizemos um banquete, nem na mesa de um rei se podia imaginar um prato como aquele ornamentado com rodelas de ananás e vinho do porto, mas a amizade tras sempre desapego e era preciso matar o desejo, confesso que nunca tinha arrotado tanto que até perguntaram se aquilo tinha alguma coisa a ver com a fonetica chineza.- Estão a gostar pergunto eu, quando era pequeno gostava de comer urtigas, as urtigas são boas para os problemas urinários, eu costumo urinar nas urtigas, já comi porco com urtigas.- Isso é bom?- Tem muitas calorias, é uma comida para o inverno.- A minha irmã é vegetariana, ela gosta de sopa de urtigas, dessas em saquetas, que se vende nos supermercados.- Já pensei ser vegetariano mas não consigo, também adoro batatas, as batatas são como os acentos na gramática dos paladares, bacalhau com batatas e umas couves de preferência galegas.- Ontem encontraram morto um transexual, tinha chuva nos sapatos- Foi crime?- Parece que a policia descobriu um diário secreto, um diário compremetedor.- Uma confisão?!- Parece que foi o amante, a policia chama a este caso a confisão de Lucio.Volto a olhar o rio, há sempre o momento para o fim de uma história e assim adormeço sem esquecer as minhas orações e as mãos lavadas. Daqui a pouco o tejo vem ter comigo a pedir que desenhe um electrico. Acordo no quarto de hospital, há um gajo com um lençol a tapar-lhe a cabeça, coitado está no matador, o porco vingou-se dele e a solidão não para nunca mais. Á minha volta estão muitos médicos.- Esse figado está a desfazer-se- O senhor Doutor pode dizer isso em Francês, o figado a desfazer-se e as flores da minha despedida... costumo escrever poemas, uma noite de lua cheia feri-me, era um golpe fundo, usei a folha dos poemas para estancar o sangue.- Deixe-me ver o pulso, agora precisa de descansar.Lá fora está de novo a chover, a sirene das ambulancias toca ensurdeceduramente parece o guincho do porco e nunca isso foi tão parecido á aflição que se pressente antes da morte chegar Lobo
Sábado, 29 de Agosto de 2009

Desenho

Vi fazer-se o sol na tua face.
Daqui, onde me encontro, traço o perfil
De desenhos que me tornam mais humano.
Sinto que todas as coisas me finalizam.
Já tinhas reparado?
Estes rabiscos significam os
Sensíveis traços da tua pele.
Creio que afinal posso desenhar um pouco melhor.
O sol ajuda-me. Faz-se no teu rosto.
Ilumina estes papéis que trago.
Neles consigo imaginar o sentido
Da arte de te desenhar.
Deixo entrever as tuas linhas e sombras.
Destaco os contornos e as formas.
Reproduzo, plano, e porque me apetece
A silhueta do sentir diverso mas nada alheio
De como te vejo na mente.
Com este sol, com esta luz,
Te desenho porque sei que sim,
Que vejo ondulante o teu corpo aqui, no meu papel.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Matizes de um momento escuro

Não me contenho e sofro
diariamente,
um mundo diferente, doente
onde a dor também é gente
e o tempo uma navalha
um medo, torpor
o evidente era dilema
e o sonho uma soberba poesia,
num mar de desalentos
e eu só me lamento
ou choro as horas, utopias
como quem enviuva de paixão.
Deboto, perco a graça
e morro por dentro
no mais louco silêncio
uma fúria sem fim
em forma de veneno, ardil
um buraco no ar, alucinante
gritando por mim, assim mesmo
tal qual vos conto e digo
... pensamentos são amantes
formas cegas de padecer permente,
que no auge da voz se atiça ao ausente
e mente o olhar perdido de tormentos
com uma mão afogando o vento
e a outra singrando no covil do alvorecer.
Ressonam os instintos dentro dos ossos
algures nas vidas manhosas,
e os carinhos, ternuras tontas
de beijos e volúpias, feitiçarias
deixam saudades dos bosques de amor
para sempre à soleira dos meus olhos pretos
como a escuridão do destino
a brincar perto de mim, quase tocando.
... por um triz ser a morte.

José António Antunes

Porque amo

Porque amo?
Amo… porque sim
Direi… no silêncio da minha voz
Sinto apenas,
Tudo aquilo que desejo,
O caminho… que percorro para ti
Dando e recebendo em cada poro
Nesta eterna inocência de querer.
Mais… muito mais,
Digo-o…
Sinto-o…
Sem limites para parar,
No limite… estreito da minha carne
Entre a videira do teu ventre
No pensar constante,
Acreditando… nas juras infinitas
Entre os suspiros que preenchem o espaço
E faz da tua existência,
A minha!!!
Amo… sinto-o,
O nosso coração faminto…
A rosa enciumada com o teu rosto
Os sorrisos vivos… acesos entre as alianças
Bebendo da tua boca,
Onde o beijo, enlouquece os pedaços
Na filosofia que descobrimos dos sentidos.
Descubro o mundo…
Navegando em teu dorso,
Na curva quente onde germina a mulher
Como barco á bolina sem cais
Creio que uno, somos nós
E nós… Seremos sempre o tempo.
Amo-te hoje, amanhã… Amei-te no passado
Vivo para sentir a eternidade…
De cada nascer,
De cada momento.
O momento… meu, teu, nosso
Que chega, que se sente, que fica
Em cada olhar,
Cúmplice de desejos,
Em afectos que perfumam
As nossas origens.
Nítido como a cristalina água
Havido de ternura, tingindo de vermelho a minha cor
Inocências de cada espasmo
Onde morrerei contigo…
Sei porque te amo…
Amo-te simplesmente
Porque…
O amor é assim.


Tenho marcas no corpo

Feitas a contra gosto

Em cada ano
Um traço novo!
Qual mapa precioso
Que guarda um grande tesouro...

Desgastei-me aos poucos
No longo caminho da vida
Que me fugia
Que corria sempre
Dois passos à minha frente!
E sorria de troça

E eu...
... envelhecia!

Não há reviravolta
Nem contravolta
Nem tampouco revolta
Sou o tempo sem volta!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cancro



A solidão
é um cancro
que nos engole
devorando-nos no devagar da tarde
quando os amores
partem
os corações abandonados
pela incerteza
incompreensão
e preguiça.

Instala-se de repente
já sem possibilidades de tratamento
com metásteses espalhadas
pela alma
o corpo parece saudável
no olhar
o descontentamento
a tristeza impede a felicidade.

Nada se altera
o azul no mar
em ventos de primavera.

Apenas
a alma moribunda
putrefacta
de tanta solidão
sem explicação.

domingo, 13 de setembro de 2009

Apagado

Sentado nesta cadeira e ao redor
Uma luz que me trespassa.
Sou mais um dia que finda
E virado a sul procuro respostas
Às dúvidas da noite que se avizinha.
Crepúsculo do silêncio incómodo.
Tudo me torna vago e obscuro.
Sinto-me tétrico ao anoitecer.
Nem sempre assim foi,
Mas hoje estou mais ignorante,
Não discirno a intenção e a capacidade de pensar.

Preciso do fulgor.
Do brilho do sol.
Com ele sou clarividente.


E o candeeiro desta rua não chega.
Preciso de uma luz que não esta, vil e amorfa.

Não dou nas vistas!
Hoje não é o meu dia
E não irei aos mais altos astros.
Ficarei por aqui,
Nesta cadeira imóvel, partida num dos seus calços,
Como eu, quebrado em mim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

SEGREDOS

O SEGREDO

no tempo que dura
esta viagem para chegar
até aqui onde lês

a escrita
demora pouco

só o coração bate sempre
Assim

(O) SEGREDO

estás dentro de mim
sempre a Mim
mais tua

a viagem
até ao encontro

faz da Poesia destino!
Mim

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Prazo

É na parede branca que penduro um quadro.
Nele contem a imagem de uma fotografia qualquer.
Podia ser eu, podias ser tu, podíamos ser nós os dois
Se tempo houvesse para isso.
Esse prazo começa a expirar.
Já não controlo a medida arbitrária da duração das coisas,
E isso deixa-me ridículo e silencioso.
Se soubesses como gostava de controlar a vontade,
No espaço e no tempo da minha vida.
Sermos dois, apenas um mais um,
É algo que relativizo na hora da firmeza.
O ponto de vista não absoluto do prazo,
Ou do tempo em si, como queiras,
Faz-me sentir mais confiante,
Pelo contrário, perdulário,
Dissipador da consciência íntima.
Parece que o tempo quebra e me termina.
Me faz viajar para longe de ti, e do teu lugar,
Onde me observas e fazes encarcerar o particular.
Estou a ficar fora do prazo deste amor,
Gasto e supérfluo do que não tenho.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Espaço(s)


Há um tempo em cada espaço
E um trilho nos outeiros
Que sempre refaço
Mas ninguém me vê
Neste que agora acho

Se o teu olhar me distinguir
No meio da multidão
É ela que deves seguir…

Mas livra-te
De algum turbilhão
Que trace…Com
Ou sem com(passo)
Geo-metrica-mente
Figuras sem nome
Extintas até ao início
De um novo espaço

segunda-feira, 7 de setembro de 2009


Teço o instante
Na teia do tempo
Onde invento espaços…

Como aquele penhasco
Ao cabo do infinito
Onde surge a eternidade

E tantos desejariam morrer…

Fecho os olhos
Abro os braços

E lanço-me num voo picado…
Naquele preciso momento
Confiando plenamente
Na insustentável

Leveza do meu ser…

Banco do jardim

Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.
Entretanto se chegares e não me vires,
Pergunta por aí onde me encontro.
Não creio que o banco de jardim te responda
Pois nele não mais me sentei.

domingo, 6 de setembro de 2009

Por terras de Monsaraz


Deste Telheiro
do Sem Fim

Do instante
do presente
irradiante
que consente

Olhar em redor
e vislumbrar

Uma beleza
contagiante
de exultar

Deslumbrante

Assim

António MR Martins
foto de A. Caeiro (fonte do Telheiro), in blogue "Monsaraz" (na net)