quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Vagas sem voz

Percorro
com o olhar difuso
as águas da noite
num rio estrelado…

Vacilo
em focos inefáveis,
o silêncio é ambíguo
escuto-o cantar…

Os gritos mudos
param os relâmpagos intemporais
que se carregam
nas vagas sem voz,
murcham as terras inférteis
debotam aromas…

Os olhos arrepiam-se
no oscilar das mãos
a ponta das unhas tremulas
arranham pigmentos de coragem
no ápice da confiança
que os ombros teimosamente albergam.

Envolvo o infinito dos bosques
nele encontro
uma nova semente
na margem do rio que me alimenta!

Ana Coelho

4 comentários:

Porta-Sonhos disse...

Belo, o título e o poema.

Bjo.

Giraldoff

Colecionadora de Silêncios disse...

"Os olhos arrepiam-se
no oscilar das mãos
a ponta das unhas tremulas
arranham pigmentos de coragem
no ápice da confiança
que os ombros teimosamente albergam."

Metáforas maravilhosas!
Poema simplesmente lindo!
Adorei!
Beijos

Eduarda disse...

Ana,

bela esta viagem pela noite, com um amanhecer de esperança.

bj

Luiz Sommerville disse...

AnaCoelho, na verdade, navegar neste blog é mergulhar num mar onde cada onda é a mais agradável e bela surpresa .
Um poema que abre com estrofe d' oiro "Percorro com o olhar difuso as águas da noite num rio estrelado…" , no meio tem sua chave prateada "as unhas tremulas arranham pigmentos de coragem" e finalmente fecha o círculo com chave de platina "nova semente na margem do rio que me alimenta!"
Lindo!
Beijos