sábado, 29 de janeiro de 2011

DESPOJOS

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Tinha perdido o equilíbrio, de tanto ter caído das escadas, de ter gasto todas as palavras.Era um mero compasso, destituído de cor, uma cicatriz emoldura de cinzas, pano cru dos tecelões ébrios. Tinha nas mãos, quilómetros fátuos dos passos que nunca percorreu, pedaços de silêncios abalroados de quimeras. Tinha desistido! Que lhe importava mais um copo, ou uma cama em ruínas, quando a pele era agora uma dormência quase trágica, uma ossada plantada nas pedras tumulares. Encostada ao rascunho duma lobotomia dispersa de sentidos, tinha abandonada a pele ao porto de onde nunca tinha saído, numa gávea sem ilustração. Era agora andrajo da sua permissão, cinza côncava da mais nutrida infecção.Era agora despojo da sua própria insolação.

Eduarda

3 comentários:

My disse...

Amei teu cantinho...
altoral do jeito que gosto...
já estou a te seguir...
Ah tbm tenho o meu
http://cronicasdeanjos.blogspot.com/
adoraria te ver por lá...
bjin

Amanda Carvalho disse...

Oi tudo bem?
Ameiii o texto!! Parabéns, beijos se cuide :*

Natalia Nuno disse...

Muito belo, as palavras são coisas amadas, ntre palavras escuras e palavras harmoniosas, surge a tua bela poesia, poesia de Poeta maior.


Beijo grande