segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ao Longo - Requiem

Terra
ao longo dum ponto cravado no infinito
Água
ao longo do pesponto da vida
Ar
invólucro dos corpos,
interior da matéria
Céu,
ao longo dos elementos que existem,
inquestionável,

E, cerrando os olhos
paralisando os punhos
cegando a voz
suicidando os ouvidos
ao longo deste meu mar
- epiderme ou lençol
que é leito,desfeito, do que fui...
sem almofada para repousar o topo da montanha
cérebro !
descalço por opção única ,
alternativa inferior ausentada do espelho
atropelo da saudade fatalmente ferida

ó, há lágrimas cortando a superfície ,
congelando a bússola que orienta os pássaros ! ...

Sou feito de vinte e quatro horas
em cada minuto apaixonado
pelo príncipe destituido do trono , segundo !
ah , relógio onde aprendi que o meu aeiou
é pulso redondo imobilizado
olhando com encanto as duas agulhas, girando ...
sobre a intersecção dos algarismos
desenhar-vos é alcançar a foz, aberta !
ó espanto do que é simples !

Sou carne do dia
em cada noite onde o cortejo dos pequeninos
meninos dormindo ...
abrem os livros no capítulo onde as fadas
semeiam pais e mães gritando às velas
pela pátria sem fronteiras em acenos mágicos
que tingem de vermelho as bandeiras brancas ...

Terra,
ó terra ! ...
um copo do teu vinho, tinto !
seria a mais sublime salvação

Água, ó água
um gole da tua liquidez, leite !
seria a perfeita hidratação

Ar,
um átomo do teu cortejo, cristalino !
seria a mais pura regeneração

Céu , ó céu
um beijo teu ...
seria oiro sobre azul
redenção !

Boca , ó boca...

Sim , sou feito de relógios ...
que são ... um só tempo ...
que são ...

os ...

teus ...

lábios ...


Luiz Sommerville , 030120110501 , A Madrugada Das Flores

1 comentário:

MAILSON FURTADO disse...

Belo post...

Belo espaço!

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Grato!