segunda-feira, 22 de junho de 2009

Melodia Breve



Sei
a musica que me atraiçoa a memória
de momentos
separados
em que juntos
éramos um
corpo
em almas gémeas
superfície lunar
palavras a
l
i
b
e
r
t
a
r
em perpétuo movimento.

Sei
o sonho
que (a que) sabes
translúcido
vitral
musica em mim
canto tenor
jasmim
(ar)dor
princípio
de ti,
meu amor.

Sei
o amanhã sem lembranças
nossas
as promessas
sem rasto
o crime
da cobardia
sem fim
o sentir
fingir
não vivo
adormeço
nas madrugadas
porque a noite não (me) vence
apesar da ausência
e do vazio.

Luminosos os dias
em que brilhávamos juntos
tu ao piano
eu no sofá
da sala casa encantada
desencontro de mim
em bebedeiras de nós.

Sei
um amor proibido,
castrado,
destruído
pelo tempo
que jamais teremos
pela paz escolhida
em vez
de vida vivida
calma ambulante,
em vez
de paixão vibrante.

Sei
as escolhas
tranquilas
em imagens cinzentas.

Prefiro
o desassossego colorido
a
uma morte por escolha.
Mesmo que em paz necessária.

Sei
que te perdi
por não saber estar
ser
tranquilo
meu pesar.

Minha melodia por inventar.

Sei
a cor da traição
sem perdão.

Sei
o castigo
da solidão.

Sem ti.

Sei
que já não sou eu.

E assim, parti.


1 comentário:

Ricardo Calmon disse...

Em "Melodia Breve"emanas o amor sentido e ressentido,em chamas formas,com visceral saudade sentida!

Bzu!

Viva Vida!