terça-feira, 12 de abril de 2011

Catarse


As casas dormem ainda
ensaiando um silêncio de morte improvisada.
Nas janelas fechadas
oculta-se um rumor de luzes estranguladas.
O fogo adormecido da quimera
envelhece sob um céu sem luar
junto à rebentação das sombras
onde decifro a solidão fria do inverno
no crepitar da memória incandescente.

Personagem de encruzilhada, busco
um elo que faça ainda sentido
com qualquer coisa conhecida,
enquanto assisto ao desgaste lento das horas
a cavarem um fosso de incertezas
no parapeito arruinado da esperança.
Respiro todos os segredos da escuridão
no mármore arruinado onde repousa
um silêncio de asas mortas
e o gemer surdo do sono adiado.


Ao fundo do corredor
no átrio vago da demora
range a porta da alvorada
a abrir-se para a claridade inesperada do dia.

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2 comentários:

AFRICA EM POESIA disse...

Runa
Passei para apreciar este espaço lindo e dizer que tenho festa no meu espaço e o selo das 100.000 visitas
para oferecer
um beijo

Natalia Nuno disse...

Não sei dizer palavras belas como tu, mas sei apreciar as belas metáforas de que o teu poema está repleto.
Adoro ler-te, e sempre digo para comigo: era capaz de saber de quem é, ainda antes de ler o nome do Poeta que o escreveu.

Beijo