quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Teias

Fez-se noite na madrugada
guiam-me os reflexos cegos
no infinito corredor
dos espelhos.

Tombo ou prossigo?

Desço ao pôr-do-sol dos instantes
onde me reconheço
nos ponteiros dos assuntos pendentes.

Há um espaço demorado
mudo tardio oxidado
onde o frio agride a face
e os passos quebram as asas
na ausência do olhar.

Brotam teias da janela
deixo a vidraça sangrar.

Recolho o vento entre os dedos
escoa-se o tempo
alheio ao chamamento da moldura
inacabada.

Marialuz

2 comentários:

Runa disse...

Belo poema, Maria. Adorei.


Bjs

Alberto Moreira Ferreira disse...

Maria,

um passado, um presente, um futuro, bela a poesia

bj