segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Se eu fosse só eu


(Foto Dolores Marques, vistas s/o Rio Tejo)

Se as minhas dúvidas caíssem
Sobre os fardos de palha
Onde me deito
Quando na terra
Visito os altares de renome
E m’encontro
No meio de todas as lutas
E de todos os pontos
Que me fazem acabar
No meio da escuridão

Se as minhas raízes
Continuassem a descer
Sobre o ventre da terra
E quisessem saber
Das dores de um parto
A colher o sémen
De todas as colheitas

Se eu fosse só eu
Nada me faria largar
O meu eco antigo
A rasgar
As entranhas cristalizadas
Das cavernas
Onde guardo os olhos

Se eu fosse
Uma gota disseminda
A cair-te do alto
Pranto onde se guardam
As dores alheias
Estaríamos os dois
A furar as portas blindadas
De um céu que cedeu
E se fez horizonte
Nas nossas madrugadas

3 comentários:

Princesa115 disse...

Enhorabuena por el poema, es precioso...aunque sigo teniendo dificultades para entenderlo pese que ponga el traductor.

Un saludo

Runa disse...

Muito bom este poema. Parabéns pela inspiração. Foi um prazer esta leitura.

Bjs

Runa

Eduarda disse...

Dolores,

Ler-te é sempre um momento alto onde me encontro plena.

bj