Sobrepõem-se os hematomas
Num crânio omisso de sonhar
São as duras cabeçadas da vida
Marcas que vêm para ficar
Implode o choro sufocado
Na foz dum rio de emoções
À tona a alma amargurada
Estravasa a dor da solidão
Não importa o tempo assim parado
mágoa que inibe a felicidade
num futuro preso ao passado
domingo, 5 de agosto de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
PARA ALÉM DA MORTE
Pode parecer aos outros impossível
Pode ninguém acreditar
Mas eu acabo de morrer.
Morri quase sem dar por ela
Não ainda a morte integral
Essa está a acontecer gradualmente
Na medida em que os neurónios
Esses portadores do facho da vida
Quais pirilampos mágicos
Um a um se vão apagando.
E eles são tantos, tantos!
Agora que pouco falta
Para que se apague de uma vez por todas
A chama que me deu vida
Tomo particular consciência desta
Num estranho processo de absoluta extinção.
Sim, agora vou apagar-me mesmo.
Apaguei-me!
Mas oh deuses
Da banda de lá da morte
De um tempo já sem tempo
Porque deixara de o ser,
Porque embarcara num infinito,
Que o transporta e lhe retira o sentido
Desse mesmo tempo,
A noite é a mais total que conheci,
A que é alheio ténue indício das estrelas.
Destas guardo algo de que
Os resquícios que me sobram da memória
Não logram agarrar definição.
Entretanto, decorrido este tempo
Que viajou já pela negritude total
Que não conheceu barreiras,
Acontece o impensável:
Um muito vago ponto luminoso,
Anuncia-se-me ao longe através da escuridão
Que tinha indeléveis as cores da morte
Essa que eu sabia existir
Mas não estava certo ainda
Que fosse o fim absoluto.
Esse ponto de luz chega até mim
Cada vez mais intenso
Impregnado de sons distantes
Que eu tinha já esquecido
Esses sons capazes de despertarem
Remotos e celestiais mantras
Começaram a emitir
Para mim verdadeiros flashes de vida.
Conscientizei-me de que
Noutra rota, noutros caminhos
Porventura mais auspiciosos ainda
Acabara de entrar a minha pessoa.
Num já quase êxtase
Pressenti a proximidade daqueles
Que haviam partido antes de mim.
Tomei consciência numa serena euforia
De que para mim, para o homem
A morte se extinguira.
Pode ninguém acreditar
Mas eu acabo de morrer.
Morri quase sem dar por ela
Não ainda a morte integral
Essa está a acontecer gradualmente
Na medida em que os neurónios
Esses portadores do facho da vida
Quais pirilampos mágicos
Um a um se vão apagando.
E eles são tantos, tantos!
Agora que pouco falta
Para que se apague de uma vez por todas
A chama que me deu vida
Tomo particular consciência desta
Num estranho processo de absoluta extinção.
Sim, agora vou apagar-me mesmo.
Apaguei-me!
Mas oh deuses
Da banda de lá da morte
De um tempo já sem tempo
Porque deixara de o ser,
Porque embarcara num infinito,
Que o transporta e lhe retira o sentido
Desse mesmo tempo,
A noite é a mais total que conheci,
A que é alheio ténue indício das estrelas.
Destas guardo algo de que
Os resquícios que me sobram da memória
Não logram agarrar definição.
Entretanto, decorrido este tempo
Que viajou já pela negritude total
Que não conheceu barreiras,
Acontece o impensável:
Um muito vago ponto luminoso,
Anuncia-se-me ao longe através da escuridão
Que tinha indeléveis as cores da morte
Essa que eu sabia existir
Mas não estava certo ainda
Que fosse o fim absoluto.
Esse ponto de luz chega até mim
Cada vez mais intenso
Impregnado de sons distantes
Que eu tinha já esquecido
Esses sons capazes de despertarem
Remotos e celestiais mantras
Começaram a emitir
Para mim verdadeiros flashes de vida.
Conscientizei-me de que
Noutra rota, noutros caminhos
Porventura mais auspiciosos ainda
Acabara de entrar a minha pessoa.
Num já quase êxtase
Pressenti a proximidade daqueles
Que haviam partido antes de mim.
Tomei consciência numa serena euforia
De que para mim, para o homem
A morte se extinguira.
ANTOBER
Quando as palavras envolvem
Pelos
lábios do seu encanto
se
aprimoram tantos clamoresque já não elevam mais espanto
entre os efeitos sonhadores
trinam-se
melodias mais raras
duma
beleza inconfundívelrevendo-se expressões nas caras
entre o vislumbrar invisível
como
entoam outros pruridos
perante
olhares consentidospor onde enreda a perfeição
mexem-se
valores e sentidos
significados
dos mais batidosque empolgam qualquer coração
António MR Martins
terça-feira, 31 de julho de 2012
súbitas mudanças
já
o largo se esvaziara
do
sonho da descobertae da partilha das sensações
todas
as imagens
permaneciam
acesase ainda não se sentia a transformação
quando
a
um dado temponos situamos em nós
e sós
então descortinámos
há
um vaso comunicante
entre
o pleno e o vazioA fria realidade dos poemas sem calor
Vamos brincar de dizer coisas sem sentido
De escrever na imaginação dos loucos.
O peso da vida é pesado que chegue
E nos dias cinzentos de tempestade
A chuva não nos molha o pensamento.
Sou o palhaço mais triste deste circo armado
E sei, na arena não se chora a tenda deserta
Revela-se apenas aquela lágrima malabarista
A deslizar pelo rosto para morrer no silêncio.
É no fim, quando se apagam as luzes
Que a máscara cai e a vida faz sentido.
Apresentei-me ao mundo sempre despido
E mesmo que ninguém aplauda o truque
Terei realizado o sonho e sido feliz.
Vamos brincar de escrever coisas sem sentido
Dizer do vento na imaginação dos loucos
Porque a vida já pesa que chegue
E nos dias cinzentos de tempestade
O calor que emana dos teus olhos, quando lês
É o bastante para aquecer a fria realidade deste poema.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Gente do campo
Homem que semeia no campo, o pão
Mulher sua, de cansaço na colheita
Filhos ao brincar unidos pelo cordão
Que mostram ser gente satisfeita.
Gentes que vivem da antiga tradição
Que sentem a humildade perfeita
Que nasceu do trabalho árduo união
E tempo de lazer também se ajeita.
Nos corais verdejantes da floresta
Vivem unidos e sempre em festa
Como se não tivessem mais fadiga.
Nos caminhos da vida de percalços
Vestem poucas roupas e descalços
Finam com menos olhos que barriga.
Mulher sua, de cansaço na colheita
Filhos ao brincar unidos pelo cordão
Que mostram ser gente satisfeita.
Gentes que vivem da antiga tradição
Que sentem a humildade perfeita
Que nasceu do trabalho árduo união
E tempo de lazer também se ajeita.
Nos corais verdejantes da floresta
Vivem unidos e sempre em festa
Como se não tivessem mais fadiga.
Nos caminhos da vida de percalços
Vestem poucas roupas e descalços
Finam com menos olhos que barriga.
sábado, 28 de julho de 2012
VIAGEM
Caminhamos fora dos caminhos
conhecidos
fora das barreiras asfixiantes
num deserto branco e sem fim.
É preciso correr o risco do perigo
perdermo-nos das fronteiras
abolir os limites do proibido
numa aventura cega
mergulhando na água estonteante das
cachoeiras.
O espaço é todo nosso, rasgado
dentro de nós, num abismo de silêncio
que quer gritar. Um núcleo de prazer,
para
desbravar até ao esgotamento
das veias pulsantes,
com o exato esplendor da música
cordas distendendo-se
acossadas por dedos tateantes.
Mundo desbordante
De águas poderosas
sibilando como a chuva forte, que
rasga veios na secura extrema.
O impossível intrinsecamente possível
na revelação do
estilhaço, dos gestos
iniciais, níveos, mas incandescentes na pele
e que enchem os corpos de
forma iniludível!
sexta-feira, 27 de julho de 2012
No adro d`um corpo
Serás silêncio falado
sonho debruado
de crisântemos alados
crepúsculos perfumados
em cânticos de searas
madrigais nocturnos
em olhos mudos
prefácio d`um livro
inacabado
Serás água
sede
d`um jardim escondido
no adro d`um corpo
pólen pairando
na tortura do tempo
pretérito escrito
nas paginas do vento
Serás fogo rubro
abraço quente
fluindo solto
na aura do pensamento
em mim
Escrito a 25/07/12
sonho debruado
de crisântemos alados
crepúsculos perfumados
em cânticos de searas
madrigais nocturnos
em olhos mudos
prefácio d`um livro
inacabado
Serás água
sede
d`um jardim escondido
no adro d`um corpo
pólen pairando
na tortura do tempo
pretérito escrito
nas paginas do vento
Serás fogo rubro
abraço quente
fluindo solto
na aura do pensamento
em mim
Escrito a 25/07/12
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Ilusões
![]() |
| Imagem retirada da internet; autor desc. |
Não estava triste, nem alegre. Não sofria, nem estava feliz. Estava, mas não estava, era o que não era. Um estado empedernido. O relógio parou, o coração continuou a bater, mas tudo parou. As fábricas deixaram de fazer-se notar ao longe com o seu ruído de fundo; os carros pararam nas estradas; as pessoas pararam nas ruas; as folhas de árvores pararam de bater ao sabor do vento - pois o vento também ele parou. O sol desapareceu. O azul do céu deu lugar ao cinzento das nuvens num dia de Outono, por meses a fio. Tudo era nada, pois o “tudo” não existia. Vazio completo. Não era de noite, mas também não era bem de dia. Tanto estava acordada, como depressa adormecia. Tudo fazia sentido porque existia, mas nada daquilo era real.
Clarisse Silva
Fev 2008 © Direitos de autor reservados.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Salpicos de ti
Sinto
o teu cheiro perfume
penetrando
o meu semblantedesafio por novo lume
neste caminhar por diante
em
êxtase que se modela
entre
sentidos sonhadorescomo quem está à janela
a descobrir os seus amores
um
sorriso que desemboca
num
afago em gentilezapor um beijo em tua boca
é o melhor da natureza
saúdo-te
a qualquer hora
neste
tempo que é o nossotudo de ti me enamora
fragrância cheiro colosso
a
tua tez tão carinhosa
nos
olhares por entre sinaistua simpatia generosa
assim não há outras iguais
alto
rubor ou cabisbaixo
perante
olhar mais sedutorem ti todo eu me encaixo
meu sentido e grande amor
António MR Martins
terça-feira, 24 de julho de 2012
O Amor mora no Alto
O amor habita essa cabana
Que pintei de um branco muito branco
E revesti de safiras, rubis e
alabastro
A cabana fica no gume da montanha
Para que os olhos dos homens
Quando buscam o amor
Sempre olhem para cima.
O amor vive dentro dessa cabana
Mas portentoso que ele é
Num ímpeto que lhe rasga a parede frágil
E se coloca do outro lado do mundo.
É que ele é denso, absorvente
Envolve e revolve aquele a quem abraça.
Sinto-o no gume da montanha
Quase ao meu alcance,
Que só uma polegada nos separa.
Mas eu quero vê-lo e senti-lo
Com os meus olhos buscando
O cume das montanhas.
Do amor rejeito o declínio,
Dai que subir a montanha
É imperativo de quem
O reconhece sublime, luminoso
Irradiante no sonho.
Encanta-me pressentir-te
Quiçá devorar-te,
Mas tal só acontece
Nesses instantes
Que nunca podem ser muitos
Em que te soltas de ti mesmo
E te me dás desinteressada
Nesse amplexo que é feito
De carne e indizível sentir.
ANTOBER
Quadras Simples...DELÍRIOS
Obra se faz pedra a pedra
com persistência e suor
também a vida só medra
com serenidade e amor...
Nunca fui rica nem pobre
e o tempo sempre correu
ser-ser pobre é se-ser nobre
foi Deus que honra me deu
Livro velho bom de ler
acaba com um bom final
todo o Poeta tem o querer
sentir sua Poesia imortal...
Dormem pássaros ao relento
na minha memória cansada
folhas se agitam ao vento
está o Outono de abalada.
Solto palavras por aí...
criança a fazer de conta
a fazer de conta que morri
que a vida vai a uma ponta.
natalia nuno
rosafogo
imagem da net
Assim Nasce Um Poema
entranha-se um poema
Percorre as veias do sentimento
Solta plaquetas de amor
partilhadas no coração sofredor
Pequenas moléculas elevam-se
no cérebro já esquecido
no tempo perdido
da vida que passou
Mas,
nesse sangue que corre
e percorre
o corpo já findo
As palavras já fracas
fluem
soltam-se
E,
nasce um poema!
Maria Antonieta Oliveira
segunda-feira, 23 de julho de 2012
o sopro das labaredas
a
árvore desfalece
pelas
chamas do infortúnioimpregnadas de incontidos sopros
que o vento lhes incute
um
fervilhar constante
eclodepor entre insondáveis matas
tornando-as mais limpas
em tristes tonalidades acinzentadas
simplesmente a eito
os
soldados da paz
seguram
nas mangueiras desesperadamente
expelindo delas o sagrado incolor líquido
que atenua
por momentos
tal remessa maléfica
e incontrolável
a
imprudência lançou
as
chamas ao campoe o campo descompôs-se
sem apelo nem agravo
domingo, 22 de julho de 2012
Resquícios da ventura adormecida
Soam
bitolas perdidas
Nos
rastos da incongruênciaBandeiras do esquecimento
Ultraje
compensador
Ultimando
outros lavoresNa doença assaz patente
Que invade tantos corpos
Metamorfoseados no tempo
Dissabores
de alimento
Onde
se secam as sílabasEm percalços de tanta dor
Por tanto assentimento
Paladares
sem outro sabor
Que
não sejam amarguraNesta gesta demais sofrida
Respirando aos soluços
Numa contenção desmedida
Intragável a cada segundo
Onde a espera então suscita
O receio de tanta demora
António MR Martins
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Ainda virgem
Nasceu um sonho
Perpetuou-se num olhar
baço
A mulher que sucumbiu a
seus pés
A verdade que a faz ser
mulher
Entre as mulheres
E única na sua vontade
Mulher de todos os tempos
Musa de todos os lugares
Fora de tempo
Ainda vive nesse
esconderijo
Em busca do homem
Que diz ser seu
E a faça sentir-se
Dona do mundo
Que criou para si
Ter um sonho ainda virgem
A crescer no seu ventre
terça-feira, 17 de julho de 2012
Solidão II
"Solidão arrasta nove idosos para a morte em 12 horas"
In DN Portugal
Quando das palavras
aqueles que as glorificam
transformam-nas
em sorrisos d´infância
em baloiços de felicidade
em brincadeiras d ´enternecer
em jogos que são do lazer - alegria !
acontece - delas -
o que não podia
deixar d´acontecer :
- o momento melhor !
Mas , quando o ser
morre sozinho
sem ninguém
que o queira ver
não foram as palavras
que falharam
mas as presenças
que delas
se ausentaram !
(e o divórcio das palavras , não é o silêncio ,
mas a cegueira casada com a falsa semântica)
Luíz Sommerville Junior , 170720121701
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Sonho que em mim ficou
Danço no fogacho do teu corpo
no sonho que em mim ficou
pintura atiçada dum sopro
que o tempo sem tempo
me doou
Salto no sonho encoberto
no silencio das órbitas fechadas
ameigo o teu nome liberto
no sussurro soluçante da palavra
Na augura nua do instante
arrebata-se vocábulos inquietantes
num sonambulismo atordoante
as bocas murmuram ruborizadas
o fonema amo-te
E as abertas órbitas vazam-se
no vento fresco do presente
na memória perdura incessante
o sussurro ainda existente
O real regressa dum tempo,
algures… no cérebro amante
e os lençóis compõem-se de sílabas
dos tons das madrugadas distantes.
Escrito 30/06/12
no sonho que em mim ficou
pintura atiçada dum sopro
que o tempo sem tempo
me doou
Salto no sonho encoberto
no silencio das órbitas fechadas
ameigo o teu nome liberto
no sussurro soluçante da palavra
Na augura nua do instante
arrebata-se vocábulos inquietantes
num sonambulismo atordoante
as bocas murmuram ruborizadas
o fonema amo-te
E as abertas órbitas vazam-se
no vento fresco do presente
na memória perdura incessante
o sussurro ainda existente
O real regressa dum tempo,
algures… no cérebro amante
e os lençóis compõem-se de sílabas
dos tons das madrugadas distantes.
Escrito 30/06/12
CÂNTICO DA VIDA
Des Menschen Seele Gleicht dem
Wasser: Vom Himmel kommt es, Zum Himmel steigt es, Und wieder nieder Zur Erde
muß es, Ewig wechselnd. GOETHE
Como um murmúrio longínquo
Surpreende-me os ecos
Vibrantes da paisagem
Que me domina em perceção e sonho
Assaltam-me reminiscências da vida
Cenas trágicas e líricas
Ordem e desordem
Suavidade e violência
Receio e coragem na espuma dos dias
Luz e trevas em clareiras de luz
sombria!
Abro os olhos
Ainda envolta na bruma noturna
Ouvindo o murmúrio dos regatos,
Na polpa colorida do horizonte da
aurora
Suave perfume campestre
Frescura do orvalho que caiu
Pela calada da noite!
As árvores erguem-se num amplexo
Oferecendo-se ao sol
Desafiando a distância
Sobre a transparência iluminada
Nas águas quietas.
Sinto multifacetados estados de
espírito
O mar repousa no regaço
Lúcido do poente
Há tranquilidade e intranquilidade
Movimento doce e instável
E as formas emergem
Com o rosto vagamente desfeito
Pelo véu da neblina que as abraça!
À noite vem o prodígio
A teatralidade e o transcendente
Onde brilham fogos sangrentos
Labaredas inflamadas
Luz fascinante e violenta
Limbo abrasador de sonhos feiticeiros!
As sombras adormecem nos rios do
horizonte.
Magia e quietude,
Calor do ventre da terra
Recriado entre mãos
Sonho diáfano das viagens
maravilhosas
Às fontes da luz cúmplice da lua
Aos castelos mágicos dos dias que
virão
Às longínquas arquiteturas do futuro
Às seivas ocultas a irromper
Palpável substância de súbitos
arco-íris
Numa explosão de mundividência íntima
Osmose e cântico,
Turbilhão de sentimentos,
Paixão e ascensão
Voo, perfume e mistério!
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Eterno Agora
| Foto: CS |
Mais do que
qualquer outra coisa, penso em tudo e nada ao mesmo tempo. Quero o agora, quero
o para sempre. Quero o eterno transformado no fugaz, rapidamente o fugaz se
torne eterno, para que o meu sentir o seja eternamente fugaz. Quero bombas a
explodirem no meu peito transformando-se na correnteza que me leva e me faz
boiar até à foz, como fonte e destino se misturam na realidade, fazendo-nos
descobrir que afinal se trata da mesma coisa. Quero o olhar voltado
constantemente para o azul de cima, enquanto me delicio, deitada, madrugada a
madrugada, a sentir as ondulações das marés que me fazem viajar, que tanto quero
sonhar, e conseguir lá chegar, enquanto a minha pequenez me assombra e me impede
de lá voltar.
Clarisse Silva 17 de Janeiro de
2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)



