segunda-feira, 23 de abril de 2012

Faíscas púrpuras













Nos açaimes rubros do tempo
na garganta funda…
os ecos humedecidos
transviados, travestidos
aguçados sons da mágoa
zumbem em violinos gretados
de vagidos iluminados de sol
no areal encharcado
de uma qualquer praia sem mar

As areias mirram flechadas
por lágrimas amargas de sal
e o vento acoita o rosto
na revolta impotente das ondas
de todo o vasto areal

Caiem faíscas púrpuras
nos braços enevoados do vento
e a brisa trajada de pérolas
perde-se no amontoado tempo

20/03/12

3 comentários:

irene alves disse...

Gostei muito desta poesia.
Um bj.
Irene

Filipe Campos Melo disse...

Purpuro é todo o verso erguido na dor
São palavras salgadas
Areias transviadas
Violinos mirrados


Belíssimo, denso, profundo
Teu Poema

Bjo.

Natalia Nuno disse...

Excelente!
Beijinho Liliana.