andam
pela terra em mãos
d´azuis sem céu
bebem, comem,gozam
e dormem
em corpos de carne
sem alma
parece que também falam
prosas corroídas disparadas para o vácuo
não ouvem ninguém
escutar é demasiado
para tão ilustres cérebros
de ouvidos desconectados dos tímpanos
têm antenas ligadas a um só canal
o ego do poder e o poder do ego
sem exclamações - nossas !
e com todas as admirações - deles !
dos seus grandiosos feitos
que de tão pequeninos e insensíveis
são a desgraça em fila de espera
- sopa dos pobres ! -
e morte abrupta , antecipada
de tantas vidas
que ainda não viveram
mas eles persistem no querer
auditórios cheios
para as suas surdas e mudas retóricas
tempo em que é urgente ver
alargar a visão
mas eles, que vêem tudo,
trocaram os olhos
por estranha e mui moderna telepatia ,
comunicam-se pela via da insensibilidade
será que não possuem o cheiro ?
do tacto já muitos sabem
que o cambiaram por tudo o que é imóvel
e do resto ...
e do que resta ...
falta o que faz mais falta ...
Luiz Sommerville Junior , 190220121216
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
CÁ POR DENTRO...
Janelas que se abrem para um universo
Que portas encerram
De um modo perverso!
Dentro o abrigo, o quarto, a mesa, o
sofá
Palco íntimo de achados
Por aqui e por acolá!
Livros, filmes, música, imagens
Cosmogonia particular
Fragmentos de interseção
Construindo uma identidade peculiar
De combinações contraditórias de divagação!
Rituais de revoltas cismadas…
Socar, enganar, perfurar, esfaquear
Mente, sexo, veias…pulsões
estranguladas!
A violência e depois o abandono
A mão sobre o dorso da outra
A mão no pé, na perna, no regaço
Um imenso cansaço
O cotovelo no joelho, as pernas
cruzadas
O braço entre as pernas
Prostradas!
Entre o desassossego e a letargia
No dia após dia!
Etiquetas:
CÁ POR DENTRO - MARISA SOVERAL
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
trovas...dias cinzentos
Começa a chuva a bater
bate o coração no peito
é o inverno a acontecer
e esta saudade sem jeito.
bate no vidro da janela
não me deixa ver o rosto
que eu amo através dela
de manhã ao sol posto...
já são as horas tardias,
nada me traz as respostas
luzes nos vidros sao
frias
angústias me são impostas
sugam a alma num estertor
óh...estes dias tão
cinzentos!
embaciado anda nosso amor
são cinza os
sentimentos...
desfazem-se palavras a
medo
já não sabem nem que
dizer!
abrandam-me a dor em
segredo
ah...não deixa a chuva de
bater!
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
...nas mãos esbeltas d`um louco amor errante
A manha enlouquece nas mãos esbeltas
d`um louco amor errante cativo do tempo
e as pétalas nos corpos brancos resvalam-se
despindo-os sôfregas numa volúpia quente
São horas de despudorados aconchegos mil
nas bocas salivantes gemendo momentos,
e os asteriscos saltitantes, perdem-se nús
nos olhos chamejantes de aromas, do rosto teu
A voz embarga-se num rouco vagir, ciciado
nos lençóis cobertos dum querer escarlate
e as horas inundam pueris os corpos desnudos
num precipício alucinante da doce palavra “céu”
Escrito 12/12/12
Ano Novo
Além
O sino tocou
O nascer do menino
Tocou
O morrer do velhinho
Tocou
À bênção do Senhor
Tocou
À chegada do Salvador.
Dlim dlão
Toca o sino de novo
Dlim dlão
Vem aí um ano novo
Dlim dlão.
Que dê pão
A quem tem fome
Que se unam e abracem
Os povos em guerra
Que haja bom senso
Nos homens da terra.
Que a luz ilumine
Os corações carentes
E haja paz e amor
Entre as gentes.
Maria Antonieta Oliveira
sábado, 29 de dezembro de 2012
Ilusão
Trago uma mão cheia de verdade
Faço dela o farol dos meus dias
Na alma um sol de alegrias
Caminho que me leva à liberdade
Desconheço o conceito de mentira
Creio que é apenas ilusão
Nunca me movi pela ambição
Nem vou me abalar por quem me fira
Não me cabem juízos de valores
Nem pretensos falsos moralismos
O bem é a luz universal
A verdade não é coisa de doutores
É abrangente e não tem preciosismos
Já a ilusão é o sinónimo do mal
Faço dela o farol dos meus dias
Na alma um sol de alegrias
Caminho que me leva à liberdade
Desconheço o conceito de mentira
Creio que é apenas ilusão
Nunca me movi pela ambição
Nem vou me abalar por quem me fira
Não me cabem juízos de valores
Nem pretensos falsos moralismos
O bem é a luz universal
A verdade não é coisa de doutores
É abrangente e não tem preciosismos
Já a ilusão é o sinónimo do mal
sábado, 22 de dezembro de 2012
Por Um Pedaço De Terra III

O rodopio forte da ventania
fez desaparecer na atmosfera
as letras do poeta
de seguida ...
a chuva ! implacável !
um caminhante
que por ali passava
sentiu-se loucamente embriagado
pelo cheiro irresistível
da terra húmida
e com um largo sorriso no rosto
clamou :
- este é um bom chão
para semear poemas .
Luíz Sommerville Junior , 221220120023
Nota : será reeditado com uma ligeira modificação , pois esqueci de colocar o primeiro
verso e de acrescentar um outro, de qualquer das formas, mantenho o texto , por enquanto,
sem acrescentar a frase em falta que é o seguinte: Neste lugar sem paternidade .
Para todos : Admin, colaboradores, autores e leitores, votos de continuação de Festas Felizes e de Ano Bom de 2013 . Fiquem bem .
261220121705
Etiquetas:
JouElam,
Luíz Sommerville Junior,
poesias
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Ilimitadas sensações
Nessa pele, remendada de
carícias amorfas, onde se enrugam as esperas consumadas. Nesse condimento
revelado pelas intenções omitidas em ânsias de tanta espera. Nesse subtil corpo
decorado pelo rubor de uma qualquer cereja, estendida na plenitude de toda a
contemplação. Nesses poros sequiosos, onde manobram as glândulas de toda a
exposta sensualidade em metamorfoses de movimentos inesperados, mas
determinantes. Nesse perjúrio revoltante cintila a luz de todo o fragor,
regurgitado pela adjacente exteriorização. Nesse todo clamam as fontes das
águas onde prima a clarificação do teu ser. Torna-se inebriante esse expoente
sem mácula e o sagaz efeito de tanto desejo. Há prazeres que as palavras não
conseguem justificar, nem sequer enunciar.
António MR Martins
sábado, 15 de dezembro de 2012
Encontro de amantes
No
largo se encontraram
Numa
manhã de domingoEncontro premeditado
Por entre a multidão
Que despercebida
Ali os deixou sós
Questionaram
seu anseio
Por
entre seus quentes corposAlheios à sua paixão
Que a tanto respondeu
Ruídos
vaguearam
Nas
pedras daquele chãoE a voz que vinha da gente
Fez silêncio para eles
Deram-se
nas suas mãos
E
sorriram-se loucamenteNum abraçar que tanto aperta
Enquanto o sol se despedia
À chegada da nova lua
Naquela praça já deserta
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Lá fora
A profundidade é algo que não tem fundo, sendo que todos os fundos são a espera até que se defina em qual deles se quer despejar todas as vontades de se ser uno ou por vontade própria, indivisível numa multiplicidade de formas. A grandiosidade está na forma como nos despimos e nos vestimos para algo que desconhecemos, mas sabemos existir na forma mais grandiosa, mas que não se vê. Eu tento abrir os olhos para essa grandiosidade mas quanto mais os abro, mais eles se fecham para que a veja cá dentro e não lá fora. La fora estão os gestos corrompidos e amaldiçoados por todos os olhares que se esforçam por multiplicar-se, não sem antes se fecharem para a verdade residual e plena que existe desde que o mundo é mundo, ainda mesmo antes de dele sabermos.
Lá fora é o mundo a querer endireitar o mundo,
é a vida que corre,
é a dor que se encolhe,
é a felicidade pintada de fresco nos rostos que passam,
é o amor desenhado nas paredes de betão,
é o desamor pela falta de pão,
é a verdade que se cruza com a mentira em cada esquina,
é a perfeição catalogada nas mãos estendidas,
é a desordem natural dos mais crentes
é a crença na desordem natural,
é naturalmente a ordem inscrita na desordem também natural
Lá fora está tudo o que compõe um belo quadro, enquadrando tudo o que é uno e por si só se desintegra no espaço que o próprio espaço criou
é a metafísica existente,
é o lado obscuro da mente,
e a mente disfarçada de forma eloquente,
é o negro e o escuro,
é a noite e o dia....
Lá fora está tudo menos a vontade de ser feliz, porque é cá dentro a morada onde todos os fogos ardem e se consomem, onde todos os amores se conhecem e se fundem num só.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
sonhando de novo...
estendo a manteiga,
numa fatia de pão
faço chá, com casca de limão,
os pedaços de pão que levo à boca,
são coisa pouca...
tão pequenos quanto eu.
meu rosto reflecte vários
sentimentos,
estou no céu...no meu céu!
tendo esta saudade presente
de quando era dez réis de gente.
extasio-me diante das brasas
da lareira,
o fumo provoca cegueira,
os olhos fazem arder!
dou uma olhadela ao relógio
e relaxo com prazer...
que quadro realista,
voltar à antiga cozinha...
por mais que o sonho insista
não regresso sem ver os parentes,
que por ora estão ausentes,
irei à horta das traseiras,
onde passei manhãs inteiras
a ver crescer os gerâneos
e as margaridas,
curarei da saudade
e suas feridas.
exala um aroma fresco e amargo
da folhagem que sussurra,
e meu sonho não largo,
sem uma ponta de amargura.
na saboneteira
resta ainda um pouco de sabão,
o santo na cómoda carunchosa
e é tanto o amor
que meu coração,
fica pregado ao chão...
as vidraças têm os caixilhos negros,
já não ouvem minha voz, nem minhas
aventuras,
já não lhes conto segredos...
por preço algum deixaria de sonhar,
meu rosto fresco e são
cantarolando baixinho,
neste meu amado cantinho
que bela recordação...
Impossível melhor coisa p'ra lembrar..
natalia nuno
rosafogo
imagem da net
A tez branca da nudez
Contorce-se -nos os corpos em vultos vivos
na manhã que nos espia arregalada de espanto
na manhã que nos espia arregalada de espanto
e em lençóis vadios, acaricia-mo-nos delirantes
no vaivém sedento dos corpos, blasfémicos
As mãos percorrem a tez branca da nudez
em soluços trémulos, deliram insaciáveis
nos corpos orvalhados de rubra avidez
As bocas devoram-se em saborosas iguarias
desejos acre-doces de exímias poesias
em desnudas bússolas de mapas corporais
desbravam livres tesouros ancestrais.
E o tempo dá-nos o tempo de ser tempo
num momento do tempo sem nada mais
os corpos saboreiam o bónus do destino
num caminhar fugaz de simples peregrino
Escrito a 04/11/12
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
O vão do poeta
Com a minha voz d’ emoção
Eu canto com liberdade
Os versos desta canção
Como o fado da saudade
Que tenho na minha mão.
Com a minha pena em ação
Eu faço com a lealdade
A rima do meu refrão
Com efeitos d’ amizade
Que trago no coração.
Com a minha vida ou não
Eu faço com a vaidade
Mil gestos d’ ilusão
Castrados e sem verdade
Por tudo aquilo que são.
Com a minha poesia então
Eu toco tudo à vontade
Em momentos de tensão
Já cansados pela idade
Não sabem por onde vão.
E o vão do poeta em questão
Só escreve aquilo que sabe.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Lar de idosos
Um sótão de eternas velharias
guarda uma paisagem virada do avesso
as cores exíguas de uma sina exilada
sem porta nem janelas
por onde a claridade possa respirar
A aranha cerca os cantos da casa
corroendo a geometria das paredes
lado a lado com a poeira empilhada
onde numa lenta insónia colige
suas teias de fio de baba e alabastro
Sombras de uma luz esvaída
na intimidade oxidada da ruína
flores secas mirram à ponta da mesa
sobre a toalha enrugada
numa jarra branca de porcelana
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Árias do vento
tanto tempo vazio e mudo
nesta tarde formosa de estio,
árias dos ventos escuto
como se fossem meus dedos
a executa-las em cadência,
sonoridade de gotas de orvalho,
múrmurios de paz ao ouvido,
ecos de saudade
que fazem a vida ter sentido...
os sorrisos confundem-se com
as lágrimas
e a felicidade com raio de sol,
a tristeza com chuva matinal
e tudo vai na paz do Senhor,
enquanto não chega o final...
folhas levadas pela corrente,
flores de laranjeira lembrando
noivado...
e o céu um grande toldo azul,
bordado...
uvas maduras, longas parras,
meu olhar é de curiosidade!
só tu, saudade, me agarras
neste sonho de saudade!
e o vento canta notas que ninguém
lhe ensinou,
e diz tanta coisa ao coração,
tanto prazer ao ouvido,
ecos de saudade
que fazem a vida ter sentido.
nesta tarde distraída e fria
surge o negro no horizonte,
acabou o estio, o sonho, o dia
ficou minha esperança a monte,
meu coração, pássaro que tenta
voar,
ou bola de neve pronta a desfazer
à falta de amor que o possa suster.
o vento é companheiro vivo
da minha solidão,
e diz-me tanta coisa ao coração,
tanto prazer ao ouvido,
ecos de saudade
que fazem a vida ter sentido...
natalia nuno
rosafogo
A foz do fim do dia
Pôs-se o sol quase ao fim do dia
E sereno o tempo se calava
Pusera-se a noite a cantar
O sonho que à muito trazia
No silêncio que em mim pairava
Viera a trote e sem parar
A onde já nada bulia
E por fim o dia que deixava
De ser na noite que rompia
Em gritos mudos a minha voz
Com a arte modesta e nobre
Como um refugio do povo a sós
E nas garras de quem é pobre
Que em luta anda por nós
E não há grito que ocorre
Para chegar com o ar feroz
É mais uma brisa que já corre
Pela corrente nua do dia para a foz.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Estou presa na bestialidade
Foto: Clarisse Silva |
Estou presa na bestialidade
Surpresa com a infantilidade
De uma inteireza com a idade
Na certeza da futura realidade.
É ridícula mais uma vírgula
Sou dois pontos à espera
De uma lista que não se iniciou
Um ponto final que se afastou.
Inteira é marca certeira
Parca em espaço preenchido
Baço o presente tido.
Eis o futuro detido
Num presente ausente
De um passado indiferente.
Clarisse Silva
27 de Outubro de 2011
Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
trajei-me de luar, apaguei as estrelas
deliciei-me no teu corpo…sôfrega
provando o desejo, descaradamente nua
e em orgasmos vítreos, fiz-me tua
Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
estremeci no areal em seiva pura
e aspergi a noite de sublime loucura
Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
o desejo morreu asfixiado de beijos
e em delírios palatais gemi solfejos
Ah! Tu vieste cobrir-me de palavras nuas
e o meu olhar projectou a cor tingida da lua
Escrito a 20/10/12
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
um sonho apenas
Lá no alto
está pousado um
pardal
atiro-lhe uma
pedrinha
sem o intuito de
acertar
fico assim em
sobressalto
foi só vontade de
atirar
sinto ganas de
rebolar no chão
de dizer parvoíces,
gritar...
meus gestos ficaram
na criança
ainda por lá
estão...
balouço as pernas
pendentes
meus cabelos são
chuva de verão
e meus olhos são
como batentes
em tudo pousam com
sofreguidão
vou buscar os
brinquedos
à casa da avó...
trago-os em segredo
pra não me sentir
só.
o cão preso à
corrente
ao longe o uivo da
locomotiva
e eu sinto-me gente
sinto-me viva!
o que me falta está
ausente
meu pai e minha mãe
e minha avó também
corajosamente,
prossigo sozinha
levo sonhos
nas mãos nodosas
e a criança em mim
adormece
sente falta das
mãos carinhosas
deita a cabeça
sobre um pedaço de
bolo
mas que sonho tão
tolo!
atrás duma cortina
de cores desbotadas
me vejo menina
de faces coradas
faço o caminho de
regresso,
sem interesse
ah...se eu pudesse
lá ficar
se pudesse!
lá no alto continua
pousado o pardal
e a lua
e eu criança sei
quando faço
algo mal,
prometo não atirar
mais pedrinha
deixem-me ficar
por favor, nesta
infância minha
natalia nuno
rosafogo
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