sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Quando digo de mim


                              
Quando digo de mim
há um bocal ofuscado que me suga
nos beirais dos olhos insanos
um ciclo perigoso cola-se ao peito
e desdiz as mares secas dos olhos

Quando digo de mim
da ponta do espinho solta-se
o reverso do tempo por onde escorre
enxames de beijos roubados
presos à boca.

Alucinando…

Quando digo de mim
o aço estremece
na lisura dos dedos febris
e as partículas adormecidas
gemem ao lado do vento
famintas de ti

Quando digo de mim
calo-me num rosário aceso
na sombra da noite

Escrito a 14/11/14

3 comentários:

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Que lindo Liliana!
Um poema forte e instigante, gostei muito de ler você.
Um abraço.

Edith Lobato disse...

Maravilhoso poema. Prazerosa leitura. Feliz semana.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Os poemas são pedaços das nossas
vidas. Gostei.
Bj.
Irene Alves