quinta-feira, 1 de setembro de 2011

MURMÚRIOS DO MARÃO



Implorei ao tempo
Que contra-natura embora
Me tomasse e arremessasse
Às remotas horas da infância.
Aquiescente foi o tempo
Que num rasgo fraterno
Ao meu desafio acedeu.
Num repente não sonhado
Figura que me era então cara
Providencial se me depara
Num pasmo que me esmaga.
É Pascoais!
Ao tempo já
Insigne Homem da palavra
Que evidencia na poética
E no saudosista
E fecundo pensamento,
De Unamuno se irmanando
Na identidade de ideais.
Mero cidadão em que se tem
Encontra no simples jogo de bilhar
Valioso lúdico instante.
Mas porque o sonho é fecundo
E o tempo mostra ter tempo
O meu devaneio
Passa pela paleta
Que para mim, criança
Se mostra translúcida
Do seu patrício já então saudoso
E que obra de mérito também deixou
Amadeu Sousa Cardoso.

Grato hei-de estar
Eternamente ao Tempo
Por ao meu apelo aceder.

Antonius




5 comentários:

Kiro Menezes disse...

Tanta ternura pode transcender de versos tão cálidos e insinuosos à irrealidade de cada pedacinho de seu tempo!

Lindo, lindo momento...

Eduarda disse...

Antonius,

lembrar Marão e tantos por quem lá passaram e nos deixaram um legado, só mesmo de ti este grande poema.

bj

Artes e escritas disse...

Um belo poema. Um abraço, Yayá.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Um bom momento dedicado a um
grande poeta e a um sítio lindo
de Portugal.Um abraço

Borboletas no Estômago disse...

grande abraço e boa semana!