segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Em transparências de âmbar








Na dobra secreta
da página
germinam constelações de tinta
a deslizarem pela pele
do papel
como se cada sílaba fosse um gesto antigo
a reacender o lume
das primeiras coisas.

O poema ergue-se então
frágil
mineral
um negativo de luz
onde o tempo repousa
em transparências de âmbar.

E caminhamos dentro dele
entre aromas de hortelã
e ramos que se inclinam
para ouvir um rumor
[o nosso nome]
ainda por inventar.

Ali
a noite abre a boca
num beijo a saber a terra molhada
e o silêncio
[esse animal paciente ]
encosta-se ao nosso ombro
como quem guarda o mundo
antes de o pronunciar. 





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