?
Doravante quero todas as casas da minha rua pintadas de branco
E em todas as janelas cortinas brancas
De um branco intencional, como as cortinas da minha janela
E todos os carros devem ser brancos também, sem excepção.
[Então, com a rua toda de branco, de tão previsível que será
Será única, saberei que é a minha sem precisar olhar para ela.]
E esta comodidade, sem que ninguém desconfie
Far-me-á sentir cómodo, com as brancas do meu pensamento.
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domingo, 17 de março de 2013
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Cada vez que assomo à janela e o vento bate assim
?
Cada vez que assomo
à janela e o vento bate assim
[fresco na cara
Ah, sinto o meu
mundo todo estremecer, sinto um arrepio
[no corpo inteiro.
Das savanas de
África aos néones de Tóquio
Tudo me diz quem
sou e que o meu lugar é aqui.
Aquilo que sei de
mim e do mundo, é porque não fui, indo
[porque nunca me
esqueci.
Apesar de todas as
viagens
Nunca chego a
esquecer a transparência do que me leva
E as viagens são
como o vento que bate fresco na cara
As partidas
espontâneas, os percursos com todos os seus tesouros
Os regressos onde o
pó do caminho se torna origem de novo
Mas, cada vez que
assomo à janela, é sempre aqui que me encontro
Que estremeço e
tenho esta certeza de fazer parte de tudo.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
?
Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
Trago-os nos sulcos da pele, como vida nas mãos
Com os que já morreram e com os que em mim ainda irão nascer
E tocando-lhes, percorro-os com os dedos
Seguindo novos caminhos, novos sentidos
Pois cada ruga da minha pele é água e terra
É corrente e paisagem da vida que vivi
Sinto-lhes o norte, o sul, e sei para onde vou
Assim será até ao dia que morrer, e se entretanto me olharem
Se de mim falarem, não digam que sou velho
Digam antes que sou um coleccionador de rios.
Cabem no meu corpo todos os rios do mundo
Trago-os nos sulcos da pele, como vida nas mãos
Com os que já morreram e com os que em mim ainda irão nascer
E tocando-lhes, percorro-os com os dedos
Seguindo novos caminhos, novos sentidos
Pois cada ruga da minha pele é água e terra
É corrente e paisagem da vida que vivi
Sinto-lhes o norte, o sul, e sei para onde vou
Assim será até ao dia que morrer, e se entretanto me olharem
Se de mim falarem, não digam que sou velho
Digam antes que sou um coleccionador de rios.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Copos vazios
?
Por trás da luz, fomos noites intermináveis
Esquecemos palavras no barulho das tabernas de Lisboa
Bebemos rotinas em rituais silenciosos
Onde as horas são um líquido amargo
E foi tão fácil desistir.
No cinzento das calçadas, perdemos o sol
Cedemos ao feitiço no fumo negro das madrugadas
Que travessas estas nos transformaram
Por trás da luz, em sombras do passado
Somos agora, copos vazios.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Não prometas poesia
?
Foram vertigens que alimentaram o fogo
Preso às mãos
No cansaço do corpo, na rendição do tempo
O rescaldo dos dias quentes
No esforço de derrubar o castelo que construímos
Dissolvemos lágrimas de pólvora
Incendiamos as ruínas de tudo
São memórias de uma guerra não declarada
Que travamos em silêncio
E em silêncio depusemos o sonho
Não prometas poesia
Não digas que vens
No cansaço do corpo as mãos repousam
Sobre o vento do amanhã
Sopra-me seco para longe.
Foram vertigens que alimentaram o fogo
Preso às mãos
No cansaço do corpo, na rendição do tempo
O rescaldo dos dias quentes
No esforço de derrubar o castelo que construímos
Dissolvemos lágrimas de pólvora
Incendiamos as ruínas de tudo
São memórias de uma guerra não declarada
Que travamos em silêncio
E em silêncio depusemos o sonho
Não prometas poesia
Não digas que vens
No cansaço do corpo as mãos repousam
Sobre o vento do amanhã
Sopra-me seco para longe.
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