Escorrem em mim as palavras,
Sinto o sangue,
Como um rio
Brotando a alma.
É o verso,
Que ondula suavemente,
Germinando em rosas,
Que perfumam as minhas mãos
Fecundando o poema.
Deixo-me levar,
Velejando nesta paixão
Que conquista o meu ser
Ardósia que regista,
Os gestos de sentimento.
Afinal escrevo…
Fluindo letras e letras vãs
Forjam uniões
Que conquistam as folhas vazias
Onde repousam para um olhar.
Um dia…
Assim espero,
Serei voz e música
Abençoado pelo sonho
Que ousei ter.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Teias
Fez-se noite na madrugada
guiam-me os reflexos cegos
no infinito corredor
dos espelhos.
Tombo ou prossigo?
Desço ao pôr-do-sol dos instantes
onde me reconheço
nos ponteiros dos assuntos pendentes.
Há um espaço demorado
mudo tardio oxidado
onde o frio agride a face
e os passos quebram as asas
na ausência do olhar.
Brotam teias da janela
deixo a vidraça sangrar.
Recolho o vento entre os dedos
escoa-se o tempo
alheio ao chamamento da moldura
inacabada.
Marialuz
guiam-me os reflexos cegos
no infinito corredor
dos espelhos.
Tombo ou prossigo?
Desço ao pôr-do-sol dos instantes
onde me reconheço
nos ponteiros dos assuntos pendentes.
Há um espaço demorado
mudo tardio oxidado
onde o frio agride a face
e os passos quebram as asas
na ausência do olhar.
Brotam teias da janela
deixo a vidraça sangrar.
Recolho o vento entre os dedos
escoa-se o tempo
alheio ao chamamento da moldura
inacabada.
Marialuz
Conta-me sobre esse amor…
Conta-me sobre esse amor…
Conto-te
Sobre o sentimento ardente
A fluir no peito…
Conto-te
Sobre as minhas asas ocultas
Que me permitem vislumbrar
Realidades esquecidas
Outras desconhecidas…
Conto-te
Sobre o aconchego interior
Depois do pleno da paixão
Reflectido na lágrima
Que escorre pela face
Deixando-me ainda mais
Irradiante…
Conto-te
Sobre o preenchimento
Que me invade…
Sobre a solidão que partiu
E a chegada d’ alegria
A luz em cada dia…
Conto-te
Sobre a relatividade
De todas as coisas
Perante a companhia…
O olhar em sintonia
E o sorriso subtil
Que dele resulta…
Conto-te…
Conto-te…
Mas sinto muito mais.
Conto-te
Sobre o sentimento ardente
A fluir no peito…
Conto-te
Sobre as minhas asas ocultas
Que me permitem vislumbrar
Realidades esquecidas
Outras desconhecidas…
Conto-te
Sobre o aconchego interior
Depois do pleno da paixão
Reflectido na lágrima
Que escorre pela face
Deixando-me ainda mais
Irradiante…
Conto-te
Sobre o preenchimento
Que me invade…
Sobre a solidão que partiu
E a chegada d’ alegria
A luz em cada dia…
Conto-te
Sobre a relatividade
De todas as coisas
Perante a companhia…
O olhar em sintonia
E o sorriso subtil
Que dele resulta…
Conto-te…
Conto-te…
Mas sinto muito mais.
Clarisse Silva
Ás vezes me corto, me drogo e me hipnotizo,
Ás vezes me corto, me drogo e me hipnotizo, faço da tristeza o riso pra suportar a vida que me julga e me condena e por isso declamo bocados de poesia que vou atirando ao ar e que o vento transportando deixa cair no mar profundo como é o pensamento. Ás vezes quero tudo e ás vezes me desiludo e por isso declamo bocados de poesia, que são palavras do mundo.
lobo
lobo
terça-feira, 2 de novembro de 2010
DIA INÚTIL
nasce o sol e passo pela
superfície da árvore
que tem no tronco o anseio do sonho.
talvez seja o meu destino
a falar nos ruídos das folhas,
ou talvez seja o mundo
que me passa como teia.
todos os dias nasce o sol
e passo-lhe rente
como quem tem um só chão como dia inútil.
irei por aí procurar no rumo da luz
a vertigem da noite...
o frio do sono...
quando atiro ao ar
a realidade da nuvem cinzenta.
Eduarda
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Suspiros de amor
Cai-te um suspiro da alma
Pelo qual não me desapego
Suspiro que te traz calma
Em ritmo que não sonego
Cai-te a réplica do mesmo
Num sentir mais profundo
Salpicos proferidos a esmo
Sustentáculo do nosso mundo
Cai-te uma lágrima sentida
Em sentires que são intensos
Pela simples felicidade vertida
E dos suspiros a ela propensos
Cai-te um sorriso maroto
E um gesto assaz traquina
Como saída de totoloto
Na tabacaria de qualquer esquina
Cai-te a rubor da face
Como um intenso clamor
Não há suspiro que disfarce
O puro sentido do amor
António MR Martins
Pelo qual não me desapego
Suspiro que te traz calma
Em ritmo que não sonego
Cai-te a réplica do mesmo
Num sentir mais profundo
Salpicos proferidos a esmo
Sustentáculo do nosso mundo
Cai-te uma lágrima sentida
Em sentires que são intensos
Pela simples felicidade vertida
E dos suspiros a ela propensos
Cai-te um sorriso maroto
E um gesto assaz traquina
Como saída de totoloto
Na tabacaria de qualquer esquina
Cai-te a rubor da face
Como um intenso clamor
Não há suspiro que disfarce
O puro sentido do amor
António MR Martins
domingo, 31 de outubro de 2010
Por aqui há chuva...

Por aqui, há uma chuva que cai e vai alagando os caminhos... agora mais forte, sim, mas mais fortes são os laços que nos unem e as palavras que nos conduzem por muitos outros caminhos já em construção.
Gosto desta sensação de me encontrar entre um beiral e outro, e nos intervalos, deixar escorrer uma gota pela minha face, molhar as pontas dos dedos e riscar nas paredes um nome - Poesia
Dedicado à Saozinha pela apresentação do se livro "Longos São os Caminhos", ontem dia 30/10/10 em Libsoa
Ler mais:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=158099#ixzz13w37VOCa
sábado, 30 de outubro de 2010
A pobreza está a dormir
A pobreza está a dormir dentro da garrafa do vinho e a garrafa do vinho é a casa do mundo. A pobreza é uma mulher louca que anda pelas tabernas a mostrar as pernas aos homens disfarçados de anjos, mas na verdade são frustrados actores de cinema fumando cigarros de papel de jornal. A pobreza está a dormir no jardim municipal escutando a orquestra Africana. Na tecla do piano anda uma borboleta como um barco na água dos olhos. A pobreza está a dormir dentro da garrafa do vinho e a garrafa do vinho é a gruta do homem solidão. A pobreza escuta o ruído do comboio e ela desenha nos vidros os medos infantis dos gangsters Americanos.
A pobreza está a dormir dentro da garrafa do vinho e a garrafa do vinho é a casa do mundo.
Lobo
A pobreza está a dormir dentro da garrafa do vinho e a garrafa do vinho é a casa do mundo.
Lobo
Entre mundos paralelos
Cansada de um corpo que não é meu
fardo que carrego, karma vivo
na ânsia de voar até um céu
num mundo paralelo: um paraíso
Transpiro a densidade deste inferno
mas queria conhecer um outro brilho
sob o luar poder adormecer
sem medo de acordar de um castigo
Ser pluma feita de antimatéria
e flutuar despida desse estigma
que é a prisão que encerra a minha alma
pior que tudo...que controla a minha vida!
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Ascese
Entardecer
na vidraça , estilhaçada !
biliões de sóis , triliões de iões , de luas !
rasgados de golpeadas , finas !
sulcos amplos cortando o manto !
neblina , gelada !
deste não vir que tarda , a madrugada !
descobrem-me , finito !
abraço desencontrado contra a noite !
despregando o dia , breve !
do leito dourado
que de tão pouco repousado , cansou !
desorientando o Oriente do Ocidente , nublado !
horizonte fechado à esperança , sem alternativa !
espaço enclausurado no tempo , arrepiado !
erguem-se os muros em ambos , os lados !
ao centro , descentrado !
não há portas nem janelas , desfocagem !...
e ...
todavia ...
amanhece !
agora que cai a noite
eis o dia ...
Luiz Sommerville , 29102010,18:30
(Imagens google-2-, Edição LSJ)
na vidraça , estilhaçada !
biliões de sóis , triliões de iões , de luas !
rasgados de golpeadas , finas !
sulcos amplos cortando o manto !
neblina , gelada !
deste não vir que tarda , a madrugada !
descobrem-me , finito !
abraço desencontrado contra a noite !
despregando o dia , breve !
do leito dourado
que de tão pouco repousado , cansou !
desorientando o Oriente do Ocidente , nublado !
horizonte fechado à esperança , sem alternativa !
espaço enclausurado no tempo , arrepiado !
erguem-se os muros em ambos , os lados !
ao centro , descentrado !
não há portas nem janelas , desfocagem !...
e ...
todavia ...
amanhece !
agora que cai a noite
eis o dia ...
Luiz Sommerville , 29102010,18:30
(Imagens google-2-, Edição LSJ)
Lembra das crianças
Lembra das crianças que sabiam lendas, no tempo da rua, no tempo do circo ambulante, quando a musica que o palhaço tocava mudava o zangado semblante do Senhor importante. Lembra das histórias que o avõ contava, dos berlindes e do pião, as escondidas quando eu brincava encontrando o teu perdido coração
Lobo
Lobo
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Para ti alma errante
A seres alma errante, junta-te a mim...
Quem sabe fazemos das duas uma só, a atingir a plenitude dos desejos mais consentâneos com a nossa essência de sermos mais do que almas errantes....
Para ti...alma errante
Quem sabe fazemos das duas uma só, a atingir a plenitude dos desejos mais consentâneos com a nossa essência de sermos mais do que almas errantes....
Para ti...alma errante
Soneto sem fé
Esfuma-se a fé na ribalta dos sonhos
Na película seda das nuas folhagens
Há um verde em meus olhos tristonhos
Cristal humedecido, sombra de ramagens
Pluviam-se rios de lágrimas contrafeitas
Arrastam-se dores no leito dos tempos
Almas aturdidas. esperanças desfeitas
Música que oiço sempre a contratempo
Há um limbo emergente, feito de nada
Sírios sem padroeira, ateus de memória
Um devir ausente pela madrugada
Roaçndo a apatia, entregue à sorte
Resta agora a vida que se vê lá fora
É noiva de luto, boda sem consorte
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
O silêncio é a morte, travestida de sedas
O silêncio é a morte, sabes, travestida de sedas…Quando ela chega, sabes?, adianta o relógio para a hora certa, e acende as luzes falsas do camarim a cheirar a humidade mofenta e dores arrancados de fresco à terra revolvida.
Chega iludindo, por isso tu não sabes, como poderias saber?... Chega deludindo o marulhar das vozes piedosas, do chocar dos sinos, dos gritos em parto. E enquanto tudo se distrai, num círculo fechado de murmúrios que explodem sons que não se reconhecem, mas são de sempre; enquanto a plateia se acomoda, cega ainda de silêncios, ela veste-se à luz do camarim oculto, algures por trás dum cerrar de reposteiro negro. Veste-se de silêncio puro, tecido por suas próprias mãos, e derramado a frio sobre a sua nudez de círio extinto.
O silêncio é a morte. Quando vieres depositar-me flores, não lhe traias a figuração estática com palavras que a não comovem. Respeita-lhe antes as sedas…
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Solstício de inverno

Ao fim do dia, a mente exausta
já só encontra palavras gastas
para seguir o declínio aparente
da derradeira luz que se extingue
num equinócio de primaveras corrompidas.
As pálpebras rangem
seguindo a cadência dos relógios
pendurados na monotonia das paredes,
num arrastado bocejo
à volta dos 12 signos do dia.
No hemisfério gélido das marés
a cinza derretida do luar
tinge veias rasgadas
de um caudal de anjos decapitados,
afundados
no estuário sombrio do meu voo.
O que resta de mim
é aquilo que a insónia do vento
deixou nos rebordos da pedra,
as longas noites de sombra
cobrindo a face do horizonte,
um ocaso de ruínas
engolindo meu corpo fatigado,
e interrompidas quimeras
de um solstício de moinhos petrificados
Dor de mim
(imagem google)Esse som que se arrasta incólume
Essas gotas de orvalho miudinho
Esse deslocamento da retina
Em frente ao sol maior
Essas gotas de orvalho miudinho
Esse deslocamento da retina
Em frente ao sol maior
Esse lado obscuro do silêncio
Esse marasmo
De se entregar ao medo
De se entregar ao medo
E enfrentar a nova corrente
Sobre um corpo molhado
Esse toar revelador
De silêncios antigos
Um afago pela manhã
Sempre que a noite
Se vai de mansinho
Se vai de mansinho
E a dor de mim
Por não me sentir
A cair num abismo
A cair num abismo
Longe, tão longe
Quanto o meu sonho
Quanto o meu sonho
A quebrar todos os cansaços
O Nascer Do Poente
Suponho
que já não penso
suponho
que já não sou
suponho
o verso extenso
do poema para onde vou ...
suponho
que supus
imaginando...
entretanto ...
do tanto que me transpirou
deste que me fui porque te sou
a luz voando ...
Luiz Sommerville , 26102010
que já não penso
suponho
que já não sou
suponho
o verso extenso
do poema para onde vou ...
suponho
que supus
imaginando...
entretanto ...
do tanto que me transpirou
deste que me fui porque te sou
a luz voando ...
Luiz Sommerville , 26102010
Há no silêncio
No silêncio das palavras, que grito o sentimento
Da dor do corpo, petrifica a alma...
A mente em bloqueio, inóspito pela razão
Que escasseia,
À primeira vista
À segunda vista
Ao pensamento mais estudado e aprofundado
Desconhecida...
Há no silêncio a dor, a escuridão, e esperança
Que viajou sem hora para regressar.
Há no silêncio as palavras que não foram ditas
Pela obrigação do encorajamento.
Há no silêncio o olhar nos olhos, lânguido
A resignação à realidade, a angústia.
Há no silêncio a força que findou
Aos pés do pedido de socorro.
Há no silêncio o princípio e o fim
O regresso após esta passagem.
No silêncio
Clarisse Silva
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
COMO NUM SONHO...
…bonito
Tu eras borboleta a rainha das estrelas-do-mar
Extraías a minha morte ao inferno que a queria para de mim se saciar
Calavas os relâmpagos que se estendiam na minha direcção
Quando sentia
Eras um anjo a voar na brisa da manhã
Os teus dedos as sandálias a percorrerem-me numa carícia imã
Tu devias ser borboleta
Ou a rainha das estrelas-do-mar
Coisas da vida
A saída
As coordenadas dos meus rituais
Na boca a falar amar a partir dos nossos quintais
E havia
Um clarão de anjos perfumados pela presença dos nossos ideais
Dois corpos jogados na órbita de Saturno como Pandora e Prometeu
Enrolados reflectindo a luz do sol fazendo acontecer…
E de novo numa infinda canção
A minha alma pluma de embalar
Tu deves ser borboleta
Ou a rainha das estrelas-do-mar
Tu eras borboleta a rainha das estrelas-do-mar
Extraías a minha morte ao inferno que a queria para de mim se saciar
Calavas os relâmpagos que se estendiam na minha direcção
Quando sentia
Eras um anjo a voar na brisa da manhã
Os teus dedos as sandálias a percorrerem-me numa carícia imã
Tu devias ser borboleta
Ou a rainha das estrelas-do-mar
Coisas da vida
A saída
As coordenadas dos meus rituais
Na boca a falar amar a partir dos nossos quintais
E havia
Um clarão de anjos perfumados pela presença dos nossos ideais
Dois corpos jogados na órbita de Saturno como Pandora e Prometeu
Enrolados reflectindo a luz do sol fazendo acontecer…
E de novo numa infinda canção
A minha alma pluma de embalar
Tu deves ser borboleta
Ou a rainha das estrelas-do-mar
Miragem
Foi como se o teu sorriso trouxesse nos lábios
os sonhos da lua
instantes quentes de uma verdade
que tens para me contar
não sei o que fazer com esta vontade
que me é estranha
mapeada de pontos de interrogação
invento uma tela em branco
em que teço os passos leves
de uma aragem de loucura
num tempo
que não é meu nem teu
quisera eu de horas ser escultora
sorver o momento
libertá-lo da sua temporal sujeição
penduro no meu chão
a porta entreaberta
fecho à chave o teu nome
e despeço-me
só desta vez... mais uma vez.
Marialuz
os sonhos da lua
instantes quentes de uma verdade
que tens para me contar
não sei o que fazer com esta vontade
que me é estranha
mapeada de pontos de interrogação
invento uma tela em branco
em que teço os passos leves
de uma aragem de loucura
num tempo
que não é meu nem teu
quisera eu de horas ser escultora
sorver o momento
libertá-lo da sua temporal sujeição
penduro no meu chão
a porta entreaberta
fecho à chave o teu nome
e despeço-me
só desta vez... mais uma vez.
Marialuz
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