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sexta-feira, 8 de março de 2013

MEMÓRIA SENTIDA!


Subo a montanha de pedras em busca de água
Água da vida, para parir a vida no meu corpo, seco
A água que escorrega, que limpa as lágrimas negras
No meu solo sedento, na via-sacra da minha sede

Quero voltar a mergulhar o meu rosto nos teus cabelos
Perder-me nos teus olhos de água, ciano e magenta
Tu que és mais quente que o sol, que borbulhas de suor
E que me habitaste fundo, deixando-me em chaga

Desvendaste os teus segredos, senti os teus furores
Acariciaste os meus suspiros, de solitário cio reprimido
E foste uma divina fonte de amor, solidária e jorrante

Agora moras no meu castelo de sonhos, que criei no anseio
Nos degraus do desejo pulsante nas veias, que sinto latejar
E deixas-me entumecida e delirante, no desejo cego de ti

TU QUE EXISTES LATENTE EM TUDO…


Só tu me amparas neste mundo inóspito…
As vagas uivam, rugem furiosamente
O nevoeiro é cerrado e espesso
A ira do mar parece uma agonia
Enraivecida em catadupas de espuma
De violento excesso!

De cabelo emaranhado
Os olhos ficam parados no desvario do pavor
Sinto a angústia do desamparo
E de coração rasgado
Corro para ti meu amor
E aperto nos meus braços
O teu corpo gelado
Tão faminto de enlaços!

O QUE DE AR SE FEZ PEDRA


Fonte de luz que faz da noite dia…
Cercas-me, abraças-me seguras-me, prendes-me
E eu deliro…
Difícil suster a comoção
A lágrima deslizante
A emoção da felicidade….
Nasci nascendo em ti
Toda a vida anterior
Ficou perdida
Na musicalidade
Do teu corpo de cisne
Até ao nó cego…
Animo, atracção, desejo, tumulto
És a pessoa incontornável
À minha felicidade e esperança
Que andou sempre adiada!