Passas a língua sobre o rio que parou de correr
Procuras ávida o que o mar não devorou,
Chagas, amantes ocasionais degradam-se
Nas flores ressequidas que alguém te ofereceu
Sossega o vómito, a luz levanta-se
Das palavras cuspidas em surdina
A dor aperta, amputei as marés dos teus braços,
Da ausência, da timidez dos santos
Na suave ansa do grito espelha-se o lume
Deixemo-nos aquecer nas incuráveis
Preces do inferno antes que arrefeça
Carlos Val
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domingo, 11 de março de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Ainda ouço as lágrimas de Shubert
O sol enterra-se na areia
Temo que a luz se apague
Dentro do meu corpo
E o mar se afogue perto
Da boca dos peixes
As ruas pintam-se de cinza
Numa paleta manchada de óleo
Derramado por um petroleiro
Feito de ondas de néon
Restam as traças que copulam
Sobre as flores plásticas
Que enfeitam as montras
Despidas dos meus olhos
Ainda ouço as lágrimas de Shubert
Cravadas no negro d’ Ave Maria
Carlos Val
domingo, 5 de fevereiro de 2012
As pálpebras desidratadas da paisagem
Na veia óssea da noite a cal endurece
Os meus olhos tingidos de negro
O pavio da vela mastiga as fotografias
Onde nos olhamos como heras na sombra
Das pálpebras desidratadas da paisagem
A noite agasalha-se nas memórias
Da lareira apagada onde aqueço
A presença dos nossos corpos agitados
Invade-me o desejo, nos teus lábios
Brilha um fio de azeite por trás
Das zígnias que guardo nos bolsos
Carlos Val
Os meus olhos tingidos de negro
O pavio da vela mastiga as fotografias
Onde nos olhamos como heras na sombra
Das pálpebras desidratadas da paisagem
A noite agasalha-se nas memórias
Da lareira apagada onde aqueço
A presença dos nossos corpos agitados
Invade-me o desejo, nos teus lábios
Brilha um fio de azeite por trás
Das zígnias que guardo nos bolsos
Carlos Val
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