Do mal o menos
repetia
baixinho
o homem que alimentava pombos
com migalhas de pão seco.
baixinho
o homem que alimentava pombos
com migalhas de pão seco.
As aves vinham
confiantes
como se cada migalha fosse a promessa
de que o mundo
ainda podia ser simples.
como se cada migalha fosse a promessa
de que o mundo
ainda podia ser simples.
O homem observava o voo breve
as asas
as asas
a riscarem o ar
a escreverem
a escreverem
sem tinta
uma esperança discreta.
uma esperança discreta.
E
enquanto o pão se desfazia
entre os dedos gastos
o homem pensava que talvez a vida
fosse isso mesmo.
enquanto o pão se desfazia
entre os dedos gastos
o homem pensava que talvez a vida
fosse isso mesmo.
Um gesto pequeno
um cuidado anónimo
um instante de paz
no meio do ruído.
um instante de paz
no meio do ruído.
Do mal o menos
repetia.
E
naquele murmúrio
naquele murmúrio
cabia tudo o que ainda o mantinha de pé.
Sem comentários:
Enviar um comentário