Nas palavras…
O momento que fica,
Que marca…
Entre os sonhos habitados
Que percorrem as naus do meu lar.
A imensidão…
De uma aura destinada,
Além dos tempos
Que gerem emoções,
Sentimentos,
Na missão de quem escreve.
Sou tudo o que escrevo,
Não sou nada afinal…
Poeta na aspiração das letras
Que falam em silêncio
Numa ânsia… somente presunção
Entre conquistas
Numa visão…
De o ser.
Nas palavras…
Retrato o quadro,
Como a tela de sentimentos
No encanto…
Entre o perfume das cores.
No poema…
Os farrapos que me vestem
Na leveza dos sabores
Escorre a tinta nos rabiscos que deixo
Mostrando o quando nu estou.
Sou o que gostava de ser…
E assim fico…
Vagueado no horizonte
Muito além do pensamento
Quiçá, o meu destino.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Nas águas paradas
De um rio morto
Sem nascente
Nem afluente
Lancei o meu velho barco
Sem remos
Nem velas
Suspenso nas brumas
Indiferente ao vento
Imóvel...
Rumei à fronteira da minha mente
Nos limites do entendimento
Prisão obscura
Demente...
Onde não existe o ontem
Nem o amanhã
No espaço aberto do esquecimento...
Estiquei o meu braço inerte
E toquei o sino da morte
Chamando os corvos da noite
Desligando-me assim
Do tempo...
Impulsos (Lurdes Dias - Cleo)
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Os Esquecidos de Sempre
Oiço os passos da verdade
com emoção repartida...
em conflito com a realidade
no contorno da própria vida!...
Paradigma de contextos
anunciados num momento,
revolvidos na memória
vazia de outros pretextos
entregues ao lamento
dos esquecidos da História!...
António MR Martins
com emoção repartida...
em conflito com a realidade
no contorno da própria vida!...
Paradigma de contextos
anunciados num momento,
revolvidos na memória
vazia de outros pretextos
entregues ao lamento
dos esquecidos da História!...
António MR Martins
Eclipse
Acorda os sentidos molhados de lágrimas
nó na garganta
rouca
a solidão
perpetuada
em risadas infantis.
O Verão chega de mansinho
ora numa manhã abafada
ora chuvosa
infiltra-se no peito
amargura(n)do
o dia
em que os sonhos desistiram de ser.
Corre solta
a dormência da memória
inibidora
de momentos gloriosos
vilões assaltantes
curiosos
breves
intensos
salgados
espelho de mim
em lu(g)ares inventados.
Noite enfim.
nó na garganta
rouca
a solidão
perpetuada
em risadas infantis.
O Verão chega de mansinho
ora numa manhã abafada
ora chuvosa
infiltra-se no peito
amargura(n)do
o dia
em que os sonhos desistiram de ser.
Corre solta
a dormência da memória
inibidora
de momentos gloriosos
vilões assaltantes
curiosos
breves
intensos
salgados
espelho de mim
em lu(g)ares inventados.
Noite enfim.
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12 Junho 2009; Caderno Novo
terça-feira, 23 de junho de 2009
ANDORES NO DESERTO...

Sou peregrino no Cosmos do deserto...
Sombra cansada, vertendo sangrenta areia...
Sombra cansada, vertendo sangrenta areia...
Vislumbrando-te ao longe...tão perto...
*
*
Arrasto-me erguido em calor...
Na vibração que a terra anseia...
Na vibração que a terra anseia...
De joelhos carrego este andor...
*
*
Com seu peso me enterro...
Em dunas planas da Eritreia...
Pegadas circulares em desejo que encerro...
*
Pegadas circulares em desejo que encerro...
*
Seguidor da Igreja de ninguém...
Descanso em regaço de plebeia...
Onde nuvens de anjos negros são harém...
*
Onde nuvens de anjos negros são harém...
*
Que Deus atento a estas inatendíveis preces...
Gasta seu infinito Tempo...
Se em teu oásis me enlouqueces...
*
Gasta seu infinito Tempo...
Se em teu oásis me enlouqueces...
*
Contra mim se erguem temíveis elementos...
Contra mim sopra teu caloroso vento...
Contra mim sopra teu caloroso vento...
Navegam secos, perdidos lamentos...
*
*
Em fina areia esvoaça meu escrever...
Entre dedos planto profundo e inóspito rebento...
Em que te lembras de me esquecer...
Em que te lembras de me esquecer...
Darkrainbow
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Melodia Breve

Sei
a musica que me atraiçoa a memória
de momentos
separados
em que juntos
éramos um
corpo
em almas gémeas
superfície lunar
palavras a
l
i
b
e
r
t
a
r
em perpétuo movimento.
Sei
o sonho
que (a que) sabes
translúcido
vitral
musica em mim
canto tenor
jasmim
(ar)dor
princípio
de ti,
meu amor.
Sei
o amanhã sem lembranças
nossas
as promessas
sem rasto
o crime
da cobardia
sem fim
o sentir
fingir
não vivo
adormeço
nas madrugadas
porque a noite não (me) vence
apesar da ausência
e do vazio.
Luminosos os dias
em que brilhávamos juntos
tu ao piano
eu no sofá
da sala casa encantada
desencontro de mim
em bebedeiras de nós.
Sei
um amor proibido,
castrado,
destruído
pelo tempo
que jamais teremos
pela paz escolhida
em vez
de vida vivida
calma ambulante,
em vez
de paixão vibrante.
Sei
as escolhas
tranquilas
em imagens cinzentas.
Prefiro
o desassossego colorido
a
uma morte por escolha.
Mesmo que em paz necessária.
Sei
que te perdi
por não saber estar
ser
tranquilo
meu pesar.
Minha melodia por inventar.
Sei
a cor da traição
sem perdão.
Sei
o castigo
da solidão.
Sem ti.
Sei
que já não sou eu.
E assim, parti.
a musica que me atraiçoa a memória
de momentos
separados
em que juntos
éramos um
corpo
em almas gémeas
superfície lunar
palavras a
l
i
b
e
r
t
a
r
em perpétuo movimento.
Sei
o sonho
que (a que) sabes
translúcido
vitral
musica em mim
canto tenor
jasmim
(ar)dor
princípio
de ti,
meu amor.
Sei
o amanhã sem lembranças
nossas
as promessas
sem rasto
o crime
da cobardia
sem fim
o sentir
fingir
não vivo
adormeço
nas madrugadas
porque a noite não (me) vence
apesar da ausência
e do vazio.
Luminosos os dias
em que brilhávamos juntos
tu ao piano
eu no sofá
da sala casa encantada
desencontro de mim
em bebedeiras de nós.
Sei
um amor proibido,
castrado,
destruído
pelo tempo
que jamais teremos
pela paz escolhida
em vez
de vida vivida
calma ambulante,
em vez
de paixão vibrante.
Sei
as escolhas
tranquilas
em imagens cinzentas.
Prefiro
o desassossego colorido
a
uma morte por escolha.
Mesmo que em paz necessária.
Sei
que te perdi
por não saber estar
ser
tranquilo
meu pesar.
Minha melodia por inventar.
Sei
a cor da traição
sem perdão.
Sei
o castigo
da solidão.
Sem ti.
Sei
que já não sou eu.
E assim, parti.
domingo, 21 de junho de 2009
Hoje saí!
Hoje não estou!
Saí no silêncio das palavras
As que ouvi e não senti,
Ou
Não entendi…
As que gravei no peito…
Saí!
Parti sem destino
No refugio
Do meu interno sentir.
Ocultei cada sílaba
Do alfabeto grego…
Linguagem vã,
Insana e profana…
Hoje não estou!
Foi à procura das lágrimas
Que já não sinto…
Dos sorrisos do meu rosto…
Saí!
Na busca das silhuetas…
Neste dia vazio de sol e dor,
Sem chuva ou aguaceiros.
Hoje não estou!
Pois saí…
Nos vagabundos sentidos,
Momentos que engolem
A saliva agridoce…
Hoje não estou!
Nem para mim…
Ana Coelho
Sete

Adormece na madrugada tardia
em que a (tua) voz se nega à evidência
do Ser
só
enquanto
disfarça amores permitidos
pelo cansaço do proibido.
(En)canta as tarde de Verão
em subtilezas da
alma
(im)pura
a
razão
com que tece lençóis de linho
numa cama de nupcias
sem noite
sem nada,
inventada
a verdade que se quer
em momentos de musica
aberta
a janela sem cortinas
a sala sem sofá
o piano abandonado na praia
e
os corações dilacerados
mergulhados no mar
em esquecimento
tentando resistir
à partida
sem regresso
numa maré
de Lua Cheia.
Pequena
a concha
que a acolhe
sete mares,
sete vagas
sete escravas
de prata
envoltas no corpo
estático
pés firmes na areia movediça
que lhe engole a alma
por jamais
entender
porque desistiu,
quando
a noite
era a mudança
da morte
em vida.
em que a (tua) voz se nega à evidência
do Ser
só
enquanto
disfarça amores permitidos
pelo cansaço do proibido.
(En)canta as tarde de Verão
em subtilezas da
alma
(im)pura
a
razão
com que tece lençóis de linho
numa cama de nupcias
sem noite
sem nada,
inventada
a verdade que se quer
em momentos de musica
aberta
a janela sem cortinas
a sala sem sofá
o piano abandonado na praia
e
os corações dilacerados
mergulhados no mar
em esquecimento
tentando resistir
à partida
sem regresso
numa maré
de Lua Cheia.
Pequena
a concha
que a acolhe
sete mares,
sete vagas
sete escravas
de prata
envoltas no corpo
estático
pés firmes na areia movediça
que lhe engole a alma
por jamais
entender
porque desistiu,
quando
a noite
era a mudança
da morte
em vida.
sábado, 20 de junho de 2009
No corrimão bolorento da vida
Gente que vagueia por mim
no corrimão bolorento da vida
toco-lhes com um olhar
ao de leve, sinto-os
gente estéreis de sonhos
errantes na penumbra existencial
deslizando em céus pardacentos
Gente, tão-somente gente
faltos de quereres
sem tempo para desejar
Movem-se meramente
em labirintos ociosos
ombros descaídos
em semblantes obscurecidos
alimentam o corpo
com a vida parca de viver
esquecidos na imensidão do ser
Gente que apenas permanecem
no tempo intemporal
falecendo na ignorância
essencial de viver
“no nós”
no corrimão bolorento da vida
toco-lhes com um olhar
ao de leve, sinto-os
gente estéreis de sonhos
errantes na penumbra existencial
deslizando em céus pardacentos
Gente, tão-somente gente
faltos de quereres
sem tempo para desejar
Movem-se meramente
em labirintos ociosos
ombros descaídos
em semblantes obscurecidos
alimentam o corpo
com a vida parca de viver
esquecidos na imensidão do ser
Gente que apenas permanecem
no tempo intemporal
falecendo na ignorância
essencial de viver
“no nós”
quinta-feira, 18 de junho de 2009
O meu destino
Não procurei…
Nunca o fiz… com medo do nada
Que preenchia o meu espaço
Indiferente ás linhas da palma da mão
Às estradas e caminhos cruzados que lia,
Que percorri sem metas anunciadas,
Entre a névoa dos abismos.
Carreguei o fardo da vida…
Nos trilhos sinuosos que se abriam
Passo a passo… á medida que caminhava
Entre os sonhos e as promessas escondidas
Nos desejos que brotaram na fonte,
Como gotas de orvalho que escorriam
No caule de uma flor pela manhã.
Pedras e pedras ergui…
Tantas as barreiras que venci,Nos mistérios de um tempo que sorria
Interferindo abertamente na união
Construídas em letras e em escritas.
Nos delírios mais profundos,
Raros são os deuses que me tem escutado…
Atento… no silêncio, não ousei dizer
Com medo dos sonhos que fingi ter…
Louca, esta odisseia em que me encontrava
Nesta procura do próprio amanhecer.
Afinal…
Descobri em mim, o que sentia
Libertei a minha alma ao vento…
Sem medo de naufragar
Saciei a fome desta crença desgraçada
Vivendo para o amor doentio que me prendia.
Supus… que um dia
Entre as palavras imerecidas que escrevia
Com orgulho do destino que me abraçava
Que o meu pecado
A frase… treme ao ser dita
Ser… poeta!!!
Nunca o fiz… com medo do nada
Que preenchia o meu espaço
Indiferente ás linhas da palma da mão
Às estradas e caminhos cruzados que lia,
Que percorri sem metas anunciadas,
Entre a névoa dos abismos.
Carreguei o fardo da vida…
Nos trilhos sinuosos que se abriam
Passo a passo… á medida que caminhava
Entre os sonhos e as promessas escondidas
Nos desejos que brotaram na fonte,
Como gotas de orvalho que escorriam
No caule de uma flor pela manhã.
Pedras e pedras ergui…
Tantas as barreiras que venci,Nos mistérios de um tempo que sorria
Interferindo abertamente na união
Construídas em letras e em escritas.
Nos delírios mais profundos,
Raros são os deuses que me tem escutado…
Atento… no silêncio, não ousei dizer
Com medo dos sonhos que fingi ter…
Louca, esta odisseia em que me encontrava
Nesta procura do próprio amanhecer.
Afinal…
Descobri em mim, o que sentia
Libertei a minha alma ao vento…
Sem medo de naufragar
Saciei a fome desta crença desgraçada
Vivendo para o amor doentio que me prendia.
Supus… que um dia
Entre as palavras imerecidas que escrevia
Com orgulho do destino que me abraçava
Que o meu pecado
A frase… treme ao ser dita
Ser… poeta!!!
quarta-feira, 17 de junho de 2009
RESPIRO EM TI...
Um sentimento anárquico que te domina as entranhas…
Um lapso de memória ordinária, que no teu silêncio ouvi…
Dominada pela escuridão, pelas suas hediondas manhas…
...Respiro em ti...
A voz rasgada da vida, penitenciada em ardor…
Uma vila povoada de seres oriundos de babel…
Que descreves em fugazes rabiscos que não seguras no papel…
Que te fazem tremer as mãos…
Em que teus ouvidos transparecem para teus roxos lábios…
…O gosto do vinagre… O gosto inquisitório do fel…
...Respiro em ti...
Um augúrio de liberdade…
Lanço-te a corda sem nós, esquece-te de tua tenra idade..
...Respiro em ti...
Um passado manifesto de dor…
À tua volta uma voz sentida de horror…
Uma respiração que aniquilou teu próprio respeito…
Palavras intimidatórias para teu colorido e inocente jeito..
...Respiro em ti...
Um grito meu que te ensurdece…
Que emudece essa voz, de que tua alma padece…
...Respiro em ti...
Solidão em mim, um sonho teu que acompanho…
Minha admiração te sorri…
...Respiro em ti...
A entrega de teu corpo ao desejo vagabundo…
O teu fechar de olhos que acorda o teu obscuro mundo…
...Respiro em ti...
Um cinzento de loucura…
Que se clarifica a cada nascer do sol…
Uma esperança de ao toque sentir ternura…
Onde na tua noite o toque te lembra repulsa…
Onde minhas cores são mais intensas…
Onde minha distante e próxima presença torna tua mágoa apenas avulsa…
...Respiro em ti...
Uma força que te transmito…
Um dilacerante e possante grito…
Que te levanta a meio da tua noite…
Uma manhã de alegre luar…
Que o único fim é o teu acreditar…
...Respiro em ti...
A minha energia que isolada nada vale…
Respira-a em mim...
Sente agora na boca o suor em meu sal…
Um arco – íris matinal…
Um sol em teus olhos, sonolentos, abissal…
Uma chuva de água benta em teus sentidos…
Uma água de que há anos estás sedenta…
...Respiro em ti...
Respiro contigo…
Sou apenas um homem...
um humilde abrigo…
Vê no dicionário minha silhueta na palavra amigo…
...Respiro em ti...
Um balão colorido de ar quente…
Que nos céus azuis se quer elevar…
Que para o mundo quer escrever…
A quem não me comparo, nem que muito tente…
Em fascinantes livros descrever...
Um sofrimento transformado em alegres cores…
...Respiro em ti...
Todas as cessantes cores…
Que todos os sensíveis seres te suportaram…
Sem saberes, na famigerada noite te embalaram…
Doces esperanças sussurraram…
E sim!!! Acordar..??? Acordaste sozinha…!!!
Mas agora tua alma é como a minha…!!!
Acordada em tuas palavras, tuas mãos senti…
E agora que faço…???
...Respiro em ti…???!!!
Darkrainbow
terça-feira, 16 de junho de 2009
A noite cavalga no meu peito

A noite cavalga no meu peito
Neste peito prensado de luar
Galopando o meu corpo vagueia
Na arrojada essência de ficar
Percorro as areias movediças
Em equilibrados saltos mortais
Sinto-me um mero saltimbanco
Em plenas acrobacias sequenciais
Voo no prolongamento do tempo
Nos braços da divina loucura
Estonteando o meu corpo sedento
Orvalhado-o de suave ternura
A noite morre à beira do sol
Nas madrugadas sequiosas de cor
E nos meus olhos impregnados
O gosto salgado do teu sabor
Musica

Licor
odor
margem
aragem
janelas novas portas entreabertas
a verdadeira resistência na essência do existencial
dogma
cristal
tríptico vitral
musical o dia em que te sonho
voz
canto
querubim
(e sei, tenho-te só para mim)
egoísmo casual
amor mortal
anjo salvador
embala-me nos teus braços de lenhador
sem dor
olhar vento Norte
prenúncio de vida
em mim
assim
como quem toca o piano esquecido
rocha
fragmento
mar
sofrimento
gostar-te assim.
odor
margem
aragem
janelas novas portas entreabertas
a verdadeira resistência na essência do existencial
dogma
cristal
tríptico vitral
musical o dia em que te sonho
voz
canto
querubim
(e sei, tenho-te só para mim)
egoísmo casual
amor mortal
anjo salvador
embala-me nos teus braços de lenhador
sem dor
olhar vento Norte
prenúncio de vida
em mim
assim
como quem toca o piano esquecido
rocha
fragmento
mar
sofrimento
gostar-te assim.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Poema adormecido

Durante o sono caminho
Sobre as palavras difíceis da sede,
Embriago a terra com a seiva da lua
Entre espelhos vivos do branco da folha.
Sinto a nudez das palavras
Na claridade do olhar
Que em mim proclamam,
Brilho ou eco…
No silêncio descubro a sílaba redonda
Que embala a caneta na aridez da página.
Busco caminhos
Na distância sem destino,
Lavo as lágrimas
Num poema adormecido.
Ana Coelho
quinta-feira, 11 de junho de 2009
O Violino

No tempo que nasci,
Encontrei apenas um VIOLINO. ….
Já envelhecido,
Apenas o distinguia como um “L”.
As notas eram de vento
No seu filamento, o som era puro,
Palavras sagradas voavam
Sobre mim…
Ensinavam-me tudo o que uma criança pode saber…
Assim cresci.
Um dia, o VIOLINO calou-se.
Aprendi a chorar,
Mas eu multipliquei-me.
A magia voltou,
O VIOLINO voltou a tocar,
As notas ao princípio, eram apenas uma brisa.
Mas dia após dia, também elas voaram.
Elas e eles cresciam,
Tanto esplendor…
Afinal, eu também tocava.
As minhas notas também voavam…
Descobri que criança é toda igual,
E eu também lá estava…
Invisível.
Também as minhas iriam descobrir,
Que cada nota de nada vale…
Só juntas fazem milagres.
Fazem melodias,
Fazem famílias de notas,
Onde o som não é tudo.
Haverá dias, que o som se tornará apenas num toque,
E o amor será o seu guia
Onde apenas o belo tem som.
Mas eles crescem…
Cada dia são menos meus.
Como ensinar tudo?
Falar dos Deuses?
Ulisses,
Ele também ouviu notas falsas,
Mas o mar ainda é o mesmo.
Mas “estes marinheiros” ,
São meus…
Navegando em naus de BONDADE,
As cordas são notas da minha vida.
Passadas fio a fio com o saber do passado,
Experiências sempre entrelaçadas com o AMAR,
Serão elas capazes de resistir em continuar a navegar?
É tarde para mudar de oceano…
Resta-me que guardem o VIOLINO,
As notas continuam a ser de vento.
Serão sempre notas livres,
Terão lágrimas de SANGUE e SUOR,
Onde os “homens” que eu vi crescer,
Possam sem vergonha oferecê-las dizendo:
– São notas de família.
– São notas LIVRES e BELAS,
E de dentro do seu interior,
Todas as notas soarão a BELO.
Eu, poderei então colocar lá no alto uma cruz.
Também ela BELA,
E com palavras BELAS deixo escrito:
- Aqui, viveu um VIOLINO…
Com ele, aprendi a chorar em silêncio,
Mas de dentro dele,
Saíram todas as palavras belas
Que transformaram gerações de palavra em palavra.
Hoje, poderei partir em paz.
Hoje tudo será BELO.
Encontrei apenas um VIOLINO. ….
Já envelhecido,
Apenas o distinguia como um “L”.
As notas eram de vento
No seu filamento, o som era puro,
Palavras sagradas voavam
Sobre mim…
Ensinavam-me tudo o que uma criança pode saber…
Assim cresci.
Um dia, o VIOLINO calou-se.
Aprendi a chorar,
Mas eu multipliquei-me.
A magia voltou,
O VIOLINO voltou a tocar,
As notas ao princípio, eram apenas uma brisa.
Mas dia após dia, também elas voaram.
Elas e eles cresciam,
Tanto esplendor…
Afinal, eu também tocava.
As minhas notas também voavam…
Descobri que criança é toda igual,
E eu também lá estava…
Invisível.
Também as minhas iriam descobrir,
Que cada nota de nada vale…
Só juntas fazem milagres.
Fazem melodias,
Fazem famílias de notas,
Onde o som não é tudo.
Haverá dias, que o som se tornará apenas num toque,
E o amor será o seu guia
Onde apenas o belo tem som.
Mas eles crescem…
Cada dia são menos meus.
Como ensinar tudo?
Falar dos Deuses?
Ulisses,
Ele também ouviu notas falsas,
Mas o mar ainda é o mesmo.
Mas “estes marinheiros” ,
São meus…
Navegando em naus de BONDADE,
As cordas são notas da minha vida.
Passadas fio a fio com o saber do passado,
Experiências sempre entrelaçadas com o AMAR,
Serão elas capazes de resistir em continuar a navegar?
É tarde para mudar de oceano…
Resta-me que guardem o VIOLINO,
As notas continuam a ser de vento.
Serão sempre notas livres,
Terão lágrimas de SANGUE e SUOR,
Onde os “homens” que eu vi crescer,
Possam sem vergonha oferecê-las dizendo:
– São notas de família.
– São notas LIVRES e BELAS,
E de dentro do seu interior,
Todas as notas soarão a BELO.
Eu, poderei então colocar lá no alto uma cruz.
Também ela BELA,
E com palavras BELAS deixo escrito:
- Aqui, viveu um VIOLINO…
Com ele, aprendi a chorar em silêncio,
Mas de dentro dele,
Saíram todas as palavras belas
Que transformaram gerações de palavra em palavra.
Hoje, poderei partir em paz.
Hoje tudo será BELO.
José Luís Lopes
Traço um Desejo
Há sempre um sopro nas madrugadas...
sente-se o suave deslizar…
É onde os sonhos interrompidos tomam forma,
em pequenos bocejos
no aconchego das estrelas, aos nossos desejos.
O belo! Adornos cristalinos nas mãos que me afagam a alma.
sente-se o suave deslizar…
É onde os sonhos interrompidos tomam forma,
em pequenos bocejos
no aconchego das estrelas, aos nossos desejos.
O belo! Adornos cristalinos nas mãos que me afagam a alma.
É o mundo das estrelas que irrompe madrugadas
nas noites em que a solidão toma conta de mim
Mas não da esperança.
Embebida nas lembranças, forço as recordações a romper…
A chuva que ouço cair,
não são mais do que pétalas de estrelas a florir dentro de mim
Há um mundo a transbordar dentro de outro ainda maior.
Do meu peito soltam-se primaveras que se abrem a ti
E dum sorriso voltará a nascer o desejo
de poder partilhar todos os instantes que soltaste dentro de mim.
Neste caminho, que o destino traçou,
escreveremos a duas mãos, o mundo
Nas mãos traço o destino que me rouba um sonho trancado
em nuvens e algodão, e elas sentem o meu corpo já tão cansado…
Dueto: Dolores Marques e José Luís Lopes
nas noites em que a solidão toma conta de mim
Mas não da esperança.
Embebida nas lembranças, forço as recordações a romper…
A chuva que ouço cair,
não são mais do que pétalas de estrelas a florir dentro de mim
Há um mundo a transbordar dentro de outro ainda maior.
Do meu peito soltam-se primaveras que se abrem a ti
E dum sorriso voltará a nascer o desejo
de poder partilhar todos os instantes que soltaste dentro de mim.
Neste caminho, que o destino traçou,
escreveremos a duas mãos, o mundo
Nas mãos traço o destino que me rouba um sonho trancado
em nuvens e algodão, e elas sentem o meu corpo já tão cansado…
Dueto: Dolores Marques e José Luís Lopes
terça-feira, 9 de junho de 2009
Carinhosos passos
Retratei
com precisão...
tua foto permaneceu
resultado de
exactidão.
Seduzi
pelo olhar...
teu semblante
resistiu
conclusão
para resfriar.
Afirmei
com prontidão...
o que te levou,
rapidamente,
a tirar
a ilação.
Refinei
o paladar...
eis que num ápice
te deixas
saborear.
Alvitrei
a solução...
para pontos de vista
onde tardava
a resolução.
Continuei
a dissertar...
na perspectiva,
sempre sofrida,
de te poder
conquistar.
Finalizei
com comoção...
chegada a hora
de te abraçar
com devoção.
António MR Martins
com precisão...
tua foto permaneceu
resultado de
exactidão.
Seduzi
pelo olhar...
teu semblante
resistiu
conclusão
para resfriar.
Afirmei
com prontidão...
o que te levou,
rapidamente,
a tirar
a ilação.
Refinei
o paladar...
eis que num ápice
te deixas
saborear.
Alvitrei
a solução...
para pontos de vista
onde tardava
a resolução.
Continuei
a dissertar...
na perspectiva,
sempre sofrida,
de te poder
conquistar.
Finalizei
com comoção...
chegada a hora
de te abraçar
com devoção.
António MR Martins
Bússola do tempo
Escrevi o silêncio
na bússola do tempo
na cadência do interno ritmo,
melodia que só eu ouvia
movimentos impulsivos
íntimos vibrantes
sentidos, contidos,
expressivos verbos sem verso.
Decifrados expoentes
latentes no peito
pulsam pausadamente
à luz da mente,
guia estrela cadente
murmura no meu ouvido
arfar ávido
escondido no ventre,
misteriosos caminhos do corpo
ao som do tambor
marchar sem hesitar ou recuar.
A força do espírito
desperta no silêncio,
na quietude da alma tranquila.
Ana coelho
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Parabéns Francisco Coimbra
GRITO MUDO DE EXISTÊNCIA...

Assisti à queda dum anjo...
À sublimação de um homem…
Alguém como eu…
Que suas lágrimas na penumbra humana se somem…
Alguém que se manteve na quietude dum limbo entre sobriedade/devaneio…
Preso para sempre na liberdade do anseio…
Preso para sempre nas teias de algo alheio…
O seu amor, um simples e inerte travesseiro…
Toco-me inesperadamente e sinto que nunca existi…
Foi o sentido de humor distorcido de Deus que testou o que vivi, e sofri…
Fito o horizonte com semblante sério…
Em busca de felicidade nunca sentirei o tédio…
Para mim o outro lado do mundo não é impropério…
De almas paralelas sentirei sem desejo seu assédio…
Parado no Tempo… sorriso no vento…
Após minha última curva já não vislumbro qualquer lamento…
Diz-me, não me mintas…
Toca-me, não me sintas…
Fala-me, não me ouças…
Enlouquece-me com algo que invento…
Olha-me mas não me vejas…
Desenha-me em tua mente, através de sons que me trespassam…
Deixa-me desenhar-te através de teus sussurros que me enlaçam…
Não me beijes com teus lábios quentes…
Oscula minha face com tua alma…
Durante nossos sonhos que se misturam ardentes…
Enquanto dormes numa relaxante calma…
Que contemplo noutra existência…
Livre de qualquer sana coerência…
Sinto-me alegre, sinto-me triste, um ser bipolar…
Não há coração que resista a esta vontade pecaminosa de amar...
Depressiva sensação de querer fazer minha a tua mão…
De criares comigo letras que nunca ninguém viu…
Mas que qualquer um sonha e imagina que as sentiu…
Libertares comigo sentimentos nunca descritos…
Mistura de realidades, contos de fadas, sonhos restritos…
Químicos que invadem meu corpo, por um anjo superior ora prescritos...
Sombras afastadas do além, para ti, para mim, para sempre malditos…
Teu corpo é meu Mundo que percorro sem descanso…
Em teu deserto mato minha sede em teu sexo…
Dou-te sensações que em simples pensamento lhes falta nexo…
Dá-me o teu grito silencioso, acorda minha tempestade…
Juntos num Tempo eterno seremos nossa liberdade…
Juntos transformamos o nosso arco – íris numa ponte de fé…
Uma fé em nós, na cor, no abandono da escuridão…
Lá em baixo correm para o mar almas perdidas…
Que nos saúdam com sua negra ilusão…
Almas que inspiramos a nadar contra a maré…
Eu e tu só temos olhos para o brilho que emanamos,
e nos cega todos os sentidos…
Tu e eu esbarramos em nossa parede que nos soltou de tristes desvarios…
De incontáveis e solitários alaridos…
Nós somos a Lua, o Mar, o presente…
Sorrimos do passado, lugar ausente…
Construímos o futuro…
Agora somos dois corpos, uma alma…
Atrás do mesmo impenetrável muro…
DARKRAINBOW
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