sexta-feira, 20 de maio de 2011

MITIGO A SOLIDÃO




Não vale a pena amargurar
nem sofrer
Outro momento ninguém vai oferecer
é preciso viver.
Auguravam na minha infancia
que viria a ser
Senhora do meu destino
E assim num querer divino
Se revelou de verdade
A infância já da memória se escoa
Mas ainda a contemplo com saudade.

Entrego-me a um sono bemfazejo
Reflito sobre a minha identidade
E em mim fica o desejo
De paz e tranquilidade.
Agora os dias são serenos
Só meus olhos andam nublados
Mergulho num mar de confusões
Meus dias são tão pequenos
E tantas as ilusões.

As rugas profundas me sulcam a cara
E no coração uma dor que não sara.

Perco-me num labirinto
Não consigo afrouxar a marcha
Meus olhos mortiços no vazio dos espelhos
Mas para mim minto
Não és tu! São eles que estão velhos.
Trago uma vida emprestada
Pungente de melancolia
Morrerei daqui a nada
Lá se vai a alegria
Que em meus olhos se lia.

Mas meu coração
é verdadeiro penedo
Mitigo a solidão
O esquecimento me traz medo
Deixei a juventude para trás...
Tantos anos faz!
Já perco o mundo de vista
Só a poesia é meu estado de graça
Só  ela não quer que desista
Sobre o muito que perdi
O tempo passa.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog para decoupage

1 comentário:

Loubah Sofia disse...

É...as vezes ficamos presas a esse sentir que por mais que expliquemos a nós mesmos, são perdidas as explicações, o coração não percebe e enquanto isso vamos nós passo a passo adiante.

Um abraço querida amiga.