Transformar o nosso olhar num lugar inóspito, onde o sol despeja todos os detritos luminosos, e não abrirmos os olhos para a segunda metade de nós. Ir ao encontro do mar onde guardamos os restos mortais de um corpo que quer a todo o custo vencer a tormenta.
Resíduos que se afogam num mar de lágrimas que não sabem onde mora a fonte de todas as abnegações.
Dolores Marques; (Dakini - Ilusorium/11)
Foto: DM: Bem perto do mar
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Sem palavras ou gestos, e gemidos de dor
A noite resvala na
densidade do tempo
de obscuro é o odor, acobreado ao vento
na taça repleta de
sons incompreendidos
embebeda-se os
silêncios em cúpulas de ti
os lírios
sufocados na intensão conseguida
amarfanhados na
subtileza das mãos evasivas
desmaia na luz
dispersa das carumas vividas
e as vestes
soltam-se do corpo fingido
na terra pisam-se
a simplicidade da cor
mágoa que destrói
o ventre sofrido
sem palavras ou
gestos, e gemidos de dor
terça-feira, 5 de novembro de 2013
o meu vôo...
Concluí que tenho medo
medo do desconhecido
medo...medo...medo!
não sei como viver
não sei o que fazer
sei...que o futuro é temido.
A vida caminha, até durante o sono
e a noite de temor me agita
deixo nela a vida ao abandono
aflita...aflita...aflita.
De onde venho?
Cantei madrigais,
agora estou cansada e nada levo
apenas tenho
alguns anos a mais...
que a contar não me atrevo.
Mas nada tão cruel
como aguardar o desconhecido
que vai enrugando nossa pele
em troca do tempo vivido.
Labirinto que ameaça profundo
o coração dolorosamente
mas o caminho está em aberto
e não acabaram no céu as constelações
o sonho está presente... por perto,
e o vento agita e troca desilusões
por ilusões.
natalia nuno
rosafogo
domingo, 3 de novembro de 2013
As casas perfiladas
As casas perfiladas
os rebanhos nos olhos alucinados.
Chegou o viajante tocando as árvores
e imaginando que são gigantes
As casas perfiladas
e os tanques que esmagam
Chegou o viajante tocando a água
e imaginando uma sede solar.
As casas perfiladas
os rebanhos nos olhos alucinados
Chegou o viajante tocando os cabelos
de um anjo que lhe aparecia em sonhos
As casas perfiladas
e os tanques que esmagam
Chegou a breve noticia
desses que morrem frios e tristes.
As casas perfiladas
os rebanhos nos olhos alucinados
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
entre ser ou não ser
há sempre uma hora que morre
deixa meu coração ermo
e minha face amadurecida
na escuridão,
minhas mãos me parecem alheias
de rabiscos cheias
com poesia inacabada
entre ser e não ser nada.
ao redor a solidão me cerca,
como um corredor sombrio
meu tempo se enche de vazio
e frialdade...
sou solidão e saudade!
mais uma hora morta
como impedi-la de passar?
ouço os passos do tempo,
deste tempo que teima meu sonho
quebrar.
esta hora é tudo que resta
vejo passar os dias um a um
e já nem sei a idade
e como se não restasse nenhum,
meu sonho
permanece na obscuridade
tudo parou na tarde que morre
parar o tempo como queria!
rente à sombra das àrvores a escuridão
a noite desce, não há saída
morreu o dia,
o sono traz-me o sonho p'la mão
amanhã haverá novo sentido
para a vida.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
O olhar ficou água
O olhar ficou água
e o homem pobre
pela cidade vai se arrastando
Ninguém sabe como fica
também a madrugada.
Por causa do medo
por causa da fome há gente em luta
e a vida de cada um não sabe
que todas as outras são aquela força
que nenhuma indiferença vai eliminar.
O olhar ficou água
e o homem ignorado
continua a dissipar as nuvens escuras
e segue pela cidade e fala com o mar
Quando a solidão parece crescer
antes do dia que vem a seguir
ele quer ouvir, ele quer abraçar
e a vida de cada um não sabe
que todas as outras são aquela força
que nenhuma indiferença vai eliminar.
Lobo
e o homem pobre
pela cidade vai se arrastando
Ninguém sabe como fica
também a madrugada.
Por causa do medo
por causa da fome há gente em luta
e a vida de cada um não sabe
que todas as outras são aquela força
que nenhuma indiferença vai eliminar.
O olhar ficou água
e o homem ignorado
continua a dissipar as nuvens escuras
e segue pela cidade e fala com o mar
Quando a solidão parece crescer
antes do dia que vem a seguir
ele quer ouvir, ele quer abraçar
e a vida de cada um não sabe
que todas as outras são aquela força
que nenhuma indiferença vai eliminar.
Lobo
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Este lugar nao é meu
Este lugar não é meu
mas o corpo no entanto está
este estar e não ser
não sei como responder
não sei como perguntar
Imaginemos a onda
não ser do mar e no entanto
ser como ele uma coisa funda
um imenso pranto a difícil definição
das coisas simples do amor
Este lugar não é meu
mas o corpo no entanto está
com a alma pronta, preparada para ver
o invisível Deus que me habita de poesia o meu coração.
Este lugar não é meu
mas mesmo assim eu gostaria
que este meu corpo desencontrado
não fosse desencontrado da poesia
mas eu sei mesmo assim
que não estou do lado errado
que não estou no fim
Este lugar não é meu
mas eu também não sei
se haverá crime se não houver lei
este estar e não ser
não sei como perguntar
não sei como responder
lobo
Sabe mal o vinho
Sabe mal o vinho
não tem travo nem melodia
Acabaram-se os malmequeres
os cavalos a galopar
não oiço dizer palavras assim
do tipo ainda me queres.
Sabe mal o vinho
tu já não és capaz
Os espelhos já não adivinham
as cartas não fazem a sorte
e tu pensas que as coisas más
estão no bolso das calças da morte.
O vinho não tem mesmo gosto
e tu és mesmo infeliz
Há uns que usam o fracasso
para provocar o susto
nas almas criadoras
e esses vivem como ratos dando aos outros
o veneno que lhes foi destinado.
O vinho está mesmo podre
e nem a musica vale alguma coisa
não há malmequeres
nem lábios pintados no retrovisor.
Tu és uma bruxa, uma ave super
tens medo do amor e inventas historias
para o desacreditar
não tem travo nem melodia
Acabaram-se os malmequeres
os cavalos a galopar
não oiço dizer palavras assim
do tipo ainda me queres.
Sabe mal o vinho
tu já não és capaz
Os espelhos já não adivinham
as cartas não fazem a sorte
e tu pensas que as coisas más
estão no bolso das calças da morte.
O vinho não tem mesmo gosto
e tu és mesmo infeliz
Há uns que usam o fracasso
para provocar o susto
nas almas criadoras
e esses vivem como ratos dando aos outros
o veneno que lhes foi destinado.
O vinho está mesmo podre
e nem a musica vale alguma coisa
não há malmequeres
nem lábios pintados no retrovisor.
Tu és uma bruxa, uma ave super
tens medo do amor e inventas historias
para o desacreditar
Lobo
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Ao redor do fogo
Ao redor do fogo
podes desperdiçar as palavras
inventar as tempestades
ou agarrar as asas
alguma nuvem irás seguir
mas não te deixes torturar em nome do amor
Ao redor do fogo
podes ferir os teus pensamentos
estragar os mais sublimes planos
engendrar os mais sangrentos crimes
inventar gostos estranhos
agarrar as asas que vão dentro de ti
adiando esse espaço feliz
Alguma nuvem irás seguir
mas não te deixes torturar em nome do amor.
lobo
podes desperdiçar as palavras
inventar as tempestades
ou agarrar as asas
alguma nuvem irás seguir
mas não te deixes torturar em nome do amor
Ao redor do fogo
podes ferir os teus pensamentos
estragar os mais sublimes planos
engendrar os mais sangrentos crimes
inventar gostos estranhos
agarrar as asas que vão dentro de ti
adiando esse espaço feliz
Alguma nuvem irás seguir
mas não te deixes torturar em nome do amor.
lobo
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Os Sons do Silêncio
Que saudades eu tenho do silêncio das ruas. do chiar do eléctrico do sonoro tilintar Da calma e tranquilidade de passear na cidade E o silêncio do autocarro que parou Da porta que se abriu Da menina que sorriu E o silêncio da fava- rica que passa da boa castanha assada e do toc-toc da chinela da varina com os restos na canastra. Que silêncio! Que saudades! Do dlim-dlam do sino da igreja Do gri-gri dos grilos, nas noites de verão E do pipilar das aves O silêncio das vidas em segredo nem as ruas os sabiam O silêncio da bota grossa da tropa dos magalas que passavam E do apito do policia sinaleiro. Que saudades destes sons que eu ouvia no silêncio que existia. Que saudades! Maria Antonieta Oliveira
Quando ela sai de entre as folhas
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal a esconder o rosto, a chuva é forte e a terra cobre a pele como um vestido transparente de inverno.
Quando ela sai de entre as folhas parece um animal envergonhado e inocente. A chuva é forte e as flores estão fracas e não conseguem respirar o perfume subentendido das palavras de amor.
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal rasgando o sol que desperta os olhos de uma cria
o sabor quente de um frio nascimento.
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal a esconder o rosto.
A chuva é forte e a dança fica por fazer
no abismo infinito dos olhos.
parece um animal a esconder o rosto, a chuva é forte e a terra cobre a pele como um vestido transparente de inverno.
Quando ela sai de entre as folhas parece um animal envergonhado e inocente. A chuva é forte e as flores estão fracas e não conseguem respirar o perfume subentendido das palavras de amor.
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal rasgando o sol que desperta os olhos de uma cria
o sabor quente de um frio nascimento.
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal a esconder o rosto.
A chuva é forte e a dança fica por fazer
no abismo infinito dos olhos.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Navego
NAVEGO
Nesse mar navego
que me leva…
Meu corpo desliza nas ondas
Meu ser perdido na terra
O coração, esse,
perdi-o ontem,
quando ao monte subi.
Perdi-o, perdi-me, esqueci.
Ouvi teu corpo gemendo
Vi teus braços erguidos ao Céu
suplicando baixinho a Deus.
Tentei erguer-te
e lavar tua alma negra
Tentei dar-te carinho
e limpar o teu caminho
Tentei tudo o que podia
Tu,
nada quiseste ou fizeste
E eu,
que nada sou, nada sabia
Orei por ti.
Meu corpo deslizando nas ondas
Desse mar que me leva
Navego…
Maria Antonieta Oliveira
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos e uma longa viagem.
Amanhã voltará o tempo da chuva.
O teu gesto são as flores
essa marca no corpo fraco
O teu gesto são esses segredos
uma distancia que se encurta
essa luta corpo a corpo
não pode ser o amor.
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos
Amanhã voltará a ser outro espaço
e uma longa viagem...
O teu gesto são as flores a ondular
um pressentimento adiado dessa despedida
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos e uma longa viagem.
Amanhã voltará o tempo da chuva.
lobo
certos segredos amargos e uma longa viagem.
Amanhã voltará o tempo da chuva.
O teu gesto são as flores
essa marca no corpo fraco
O teu gesto são esses segredos
uma distancia que se encurta
essa luta corpo a corpo
não pode ser o amor.
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos
Amanhã voltará a ser outro espaço
e uma longa viagem...
O teu gesto são as flores a ondular
um pressentimento adiado dessa despedida
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos e uma longa viagem.
Amanhã voltará o tempo da chuva.
lobo
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades irão ler as tuas cartas
quando vieres de longe tentando esquecer
essas cruéis guerras
Outro dia escreverás
se o olhar não se fechar
e se o outono for longo os viajantes tu acalmarás
quando vieres de longe tentando acordar os pássaros.
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades tu acalmarás
se os pássaros regressarem dessa cidade
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades vão empurrar
de ti o fogo
quando vieres tentando esquecer
essa cruel duvida do amor
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades irão ler as tuas cartas
quando vieres de longe tentando esquecer
essas cruéis guerras
lobo
se o outono for longo
e as tempestades irão ler as tuas cartas
quando vieres de longe tentando esquecer
essas cruéis guerras
Outro dia escreverás
se o olhar não se fechar
e se o outono for longo os viajantes tu acalmarás
quando vieres de longe tentando acordar os pássaros.
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades tu acalmarás
se os pássaros regressarem dessa cidade
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades vão empurrar
de ti o fogo
quando vieres tentando esquecer
essa cruel duvida do amor
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades irão ler as tuas cartas
quando vieres de longe tentando esquecer
essas cruéis guerras
lobo
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Banco de jardim
Zona Envolvente do Nabão, em Ansião (parte recente),
foto de António MR Martins.
No isolamento da simples solidão
te encontrei só, à minha passagem,
por ti passei sem qualquer intenção,
descobrindo-te na mera paisagem.
Olhei
de frente, de lado e para trás
nessa
quietude que por aqui implantas,vínculo tão forte que tanto satisfaz
quem se cansa de observar as plantas.
Aconchego
pra muitas caminhadas
acolhimento
de leituras dispersasdescanso de tantas pernas cansadas.
Picam-se
aos topos anseios às avessas
és
cenário com pessoas enamoradase também palco de muitas conversas.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Levei o meu mundo
Imagem da net, em: www.redballoon1.com.br
Levei o sol no bolso da camisa
e a lua na capa presa às costas,
nuvens no cinto de forma precisa
água num cantil para as respostas.
Levei
as estrelas como lanternas
e
o ar em balões de muitas cores,o vento seguiu-me junto às pernas
num saco cheiro de todas as flores.
Levei
também a noite e o dia
e
a madrugada e a tarde quente,juntinhas à manhã da ousadia.
Levei
sementes do verde ausente
e
os paladares duma frutariacom a natureza da minha gente.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Livre solidão
Caído
Sobre
a mesaO chão
O
piso
Que
não conhecesE tentas desvendar
Mas
não sabes como fazê-lo
Não
entendes sua composição
Não
te queiras enganar
Lá
fora
Também
há um solo
Uma
terra assente
No
pressuposto da negação
Por
lá
Tudo
é mais ferozPelo menos
Altera-se a voz
Lá
fora
É
outro pólo
Não
o queiras deslindar
E
a mesa
É
bem diferenteCom muita gente
Uma
outra
SofreguidãoAté à exaustão
Peço-te
Para
permaneceresNesta solidão
Neste
chão
À
nossa mesa
Aqui
podes prevaricar
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
crédula esperança
estou dos versos esquecida
me anima uma crédula esperança
que o que me resta de vida
é esta saudade nua e crua
que de lembrar não me cansa.
e este ânimo constante
que me vem ao semblante
que sempre assim em mim esteja.
quero que todo o mundo veja
que aos versos não ando atada
mas anda louco o pensamento
e a alma arrebatada...
a morrer sentenciada
anda a minha poesia
no silêncio e esquecimento...
se pudesse a pouparia.
já fui moça...moça ardente
já fiz versos de repente
estou dos versos esquecida
eles que foram meus amantes
deram golpes ficou a ferida
já nada é como dantes...
versos que eram raridade
onde conservava a saudade
hoje resta a aparência
nada tinham de ciência
quem sabe...a eternidade!
não deixo que nada me entristeça
a vida é cruel ameaça
só a lembrança me estremeça
para esquecer qualquer desgraça
e se a vida me consente
caminhar sem receio
a minha metade igualmente!?
então:
farei da caminhada passeio.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Calo-me para que não oiças o gemido
Calo-me para que não oiças o gemido
nem sintas o uivo do vento na tua
face ausente
para que eu te possa escutar, fecunda
dum olhar… quente
Calo-me…de tantas vezes que choro,
sem soluços
como quem pede uma prece, calando o
verbo inerte
no sepulcro silente dos meus
lábios, incongruentes
Calo-me no fulgor da palavra,
despindo a madrugada
numa quietude perigosa, lavrando o
poema cansado
e no silencio visto-me subtilmente,
do verbo ainda quente.
fluindo centelhas nos olhos
esquecidos, longínquos de ti
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Toca a figura que caminha
desenha a figura sobre a água
inventa uma linha
para cortar o corpo
e faz aquela dança mas não convides a morte
mesmo que não tenha par.
Toca a figura que caminha
o sangue que corre vai pintar a lua
inventa uma linha
sobre a pele nua
uma flor e um cântico antigo
e faz aquela dança quando se aproxima a liberdade
Toca a figura que caminha
e cruza os dedos e faz a jura
inventa uma linha para cortar a noite
a sorte levando o jogo
para a sorte que não tem o amor
Toca a figura que caminha
desenha a figura sobre a terra
uma sombra vai abrigar a canção
e proteger-te das feridas da guerra
Toca a figura que caminha
desenha a figura sobre a água
inventa uma linha
para cortar o corpo
e faz aquela dança mas não convides a morte
mesmo que não tenha par.
lobo
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