O olhar ficou água
e o homem pobre
pela cidade vai se arrastando
Ninguém sabe como fica
também a madrugada.
Por causa do medo
por causa da fome há gente em luta
e a vida de cada um não sabe
que todas as outras são aquela força
que nenhuma indiferença vai eliminar.
O olhar ficou água
e o homem ignorado
continua a dissipar as nuvens escuras
e segue pela cidade e fala com o mar
Quando a solidão parece crescer
antes do dia que vem a seguir
ele quer ouvir, ele quer abraçar
e a vida de cada um não sabe
que todas as outras são aquela força
que nenhuma indiferença vai eliminar.
Lobo
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Este lugar nao é meu
Este lugar não é meu
mas o corpo no entanto está
este estar e não ser
não sei como responder
não sei como perguntar
Imaginemos a onda
não ser do mar e no entanto
ser como ele uma coisa funda
um imenso pranto a difícil definição
das coisas simples do amor
Este lugar não é meu
mas o corpo no entanto está
com a alma pronta, preparada para ver
o invisível Deus que me habita de poesia o meu coração.
Este lugar não é meu
mas mesmo assim eu gostaria
que este meu corpo desencontrado
não fosse desencontrado da poesia
mas eu sei mesmo assim
que não estou do lado errado
que não estou no fim
Este lugar não é meu
mas eu também não sei
se haverá crime se não houver lei
este estar e não ser
não sei como perguntar
não sei como responder
lobo
Sabe mal o vinho
Sabe mal o vinho
não tem travo nem melodia
Acabaram-se os malmequeres
os cavalos a galopar
não oiço dizer palavras assim
do tipo ainda me queres.
Sabe mal o vinho
tu já não és capaz
Os espelhos já não adivinham
as cartas não fazem a sorte
e tu pensas que as coisas más
estão no bolso das calças da morte.
O vinho não tem mesmo gosto
e tu és mesmo infeliz
Há uns que usam o fracasso
para provocar o susto
nas almas criadoras
e esses vivem como ratos dando aos outros
o veneno que lhes foi destinado.
O vinho está mesmo podre
e nem a musica vale alguma coisa
não há malmequeres
nem lábios pintados no retrovisor.
Tu és uma bruxa, uma ave super
tens medo do amor e inventas historias
para o desacreditar
não tem travo nem melodia
Acabaram-se os malmequeres
os cavalos a galopar
não oiço dizer palavras assim
do tipo ainda me queres.
Sabe mal o vinho
tu já não és capaz
Os espelhos já não adivinham
as cartas não fazem a sorte
e tu pensas que as coisas más
estão no bolso das calças da morte.
O vinho não tem mesmo gosto
e tu és mesmo infeliz
Há uns que usam o fracasso
para provocar o susto
nas almas criadoras
e esses vivem como ratos dando aos outros
o veneno que lhes foi destinado.
O vinho está mesmo podre
e nem a musica vale alguma coisa
não há malmequeres
nem lábios pintados no retrovisor.
Tu és uma bruxa, uma ave super
tens medo do amor e inventas historias
para o desacreditar
Lobo
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Ao redor do fogo
Ao redor do fogo
podes desperdiçar as palavras
inventar as tempestades
ou agarrar as asas
alguma nuvem irás seguir
mas não te deixes torturar em nome do amor
Ao redor do fogo
podes ferir os teus pensamentos
estragar os mais sublimes planos
engendrar os mais sangrentos crimes
inventar gostos estranhos
agarrar as asas que vão dentro de ti
adiando esse espaço feliz
Alguma nuvem irás seguir
mas não te deixes torturar em nome do amor.
lobo
podes desperdiçar as palavras
inventar as tempestades
ou agarrar as asas
alguma nuvem irás seguir
mas não te deixes torturar em nome do amor
Ao redor do fogo
podes ferir os teus pensamentos
estragar os mais sublimes planos
engendrar os mais sangrentos crimes
inventar gostos estranhos
agarrar as asas que vão dentro de ti
adiando esse espaço feliz
Alguma nuvem irás seguir
mas não te deixes torturar em nome do amor.
lobo
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Os Sons do Silêncio
Que saudades eu tenho do silêncio das ruas. do chiar do eléctrico do sonoro tilintar Da calma e tranquilidade de passear na cidade E o silêncio do autocarro que parou Da porta que se abriu Da menina que sorriu E o silêncio da fava- rica que passa da boa castanha assada e do toc-toc da chinela da varina com os restos na canastra. Que silêncio! Que saudades! Do dlim-dlam do sino da igreja Do gri-gri dos grilos, nas noites de verão E do pipilar das aves O silêncio das vidas em segredo nem as ruas os sabiam O silêncio da bota grossa da tropa dos magalas que passavam E do apito do policia sinaleiro. Que saudades destes sons que eu ouvia no silêncio que existia. Que saudades! Maria Antonieta Oliveira
Quando ela sai de entre as folhas
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal a esconder o rosto, a chuva é forte e a terra cobre a pele como um vestido transparente de inverno.
Quando ela sai de entre as folhas parece um animal envergonhado e inocente. A chuva é forte e as flores estão fracas e não conseguem respirar o perfume subentendido das palavras de amor.
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal rasgando o sol que desperta os olhos de uma cria
o sabor quente de um frio nascimento.
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal a esconder o rosto.
A chuva é forte e a dança fica por fazer
no abismo infinito dos olhos.
parece um animal a esconder o rosto, a chuva é forte e a terra cobre a pele como um vestido transparente de inverno.
Quando ela sai de entre as folhas parece um animal envergonhado e inocente. A chuva é forte e as flores estão fracas e não conseguem respirar o perfume subentendido das palavras de amor.
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal rasgando o sol que desperta os olhos de uma cria
o sabor quente de um frio nascimento.
Quando ela sai de entre as folhas
parece um animal a esconder o rosto.
A chuva é forte e a dança fica por fazer
no abismo infinito dos olhos.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Navego
NAVEGO
Nesse mar navego
que me leva…
Meu corpo desliza nas ondas
Meu ser perdido na terra
O coração, esse,
perdi-o ontem,
quando ao monte subi.
Perdi-o, perdi-me, esqueci.
Ouvi teu corpo gemendo
Vi teus braços erguidos ao Céu
suplicando baixinho a Deus.
Tentei erguer-te
e lavar tua alma negra
Tentei dar-te carinho
e limpar o teu caminho
Tentei tudo o que podia
Tu,
nada quiseste ou fizeste
E eu,
que nada sou, nada sabia
Orei por ti.
Meu corpo deslizando nas ondas
Desse mar que me leva
Navego…
Maria Antonieta Oliveira
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos e uma longa viagem.
Amanhã voltará o tempo da chuva.
O teu gesto são as flores
essa marca no corpo fraco
O teu gesto são esses segredos
uma distancia que se encurta
essa luta corpo a corpo
não pode ser o amor.
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos
Amanhã voltará a ser outro espaço
e uma longa viagem...
O teu gesto são as flores a ondular
um pressentimento adiado dessa despedida
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos e uma longa viagem.
Amanhã voltará o tempo da chuva.
lobo
certos segredos amargos e uma longa viagem.
Amanhã voltará o tempo da chuva.
O teu gesto são as flores
essa marca no corpo fraco
O teu gesto são esses segredos
uma distancia que se encurta
essa luta corpo a corpo
não pode ser o amor.
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos
Amanhã voltará a ser outro espaço
e uma longa viagem...
O teu gesto são as flores a ondular
um pressentimento adiado dessa despedida
O teu gesto são as flores a ondular
certos segredos amargos e uma longa viagem.
Amanhã voltará o tempo da chuva.
lobo
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades irão ler as tuas cartas
quando vieres de longe tentando esquecer
essas cruéis guerras
Outro dia escreverás
se o olhar não se fechar
e se o outono for longo os viajantes tu acalmarás
quando vieres de longe tentando acordar os pássaros.
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades tu acalmarás
se os pássaros regressarem dessa cidade
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades vão empurrar
de ti o fogo
quando vieres tentando esquecer
essa cruel duvida do amor
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades irão ler as tuas cartas
quando vieres de longe tentando esquecer
essas cruéis guerras
lobo
se o outono for longo
e as tempestades irão ler as tuas cartas
quando vieres de longe tentando esquecer
essas cruéis guerras
Outro dia escreverás
se o olhar não se fechar
e se o outono for longo os viajantes tu acalmarás
quando vieres de longe tentando acordar os pássaros.
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades tu acalmarás
se os pássaros regressarem dessa cidade
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades vão empurrar
de ti o fogo
quando vieres tentando esquecer
essa cruel duvida do amor
Outro dia escreverás
se o outono for longo
e as tempestades irão ler as tuas cartas
quando vieres de longe tentando esquecer
essas cruéis guerras
lobo
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Banco de jardim
Zona Envolvente do Nabão, em Ansião (parte recente),
foto de António MR Martins.
No isolamento da simples solidão
te encontrei só, à minha passagem,
por ti passei sem qualquer intenção,
descobrindo-te na mera paisagem.
Olhei
de frente, de lado e para trás
nessa
quietude que por aqui implantas,vínculo tão forte que tanto satisfaz
quem se cansa de observar as plantas.
Aconchego
pra muitas caminhadas
acolhimento
de leituras dispersasdescanso de tantas pernas cansadas.
Picam-se
aos topos anseios às avessas
és
cenário com pessoas enamoradase também palco de muitas conversas.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Levei o meu mundo
Imagem da net, em: www.redballoon1.com.br
Levei o sol no bolso da camisa
e a lua na capa presa às costas,
nuvens no cinto de forma precisa
água num cantil para as respostas.
Levei
as estrelas como lanternas
e
o ar em balões de muitas cores,o vento seguiu-me junto às pernas
num saco cheiro de todas as flores.
Levei
também a noite e o dia
e
a madrugada e a tarde quente,juntinhas à manhã da ousadia.
Levei
sementes do verde ausente
e
os paladares duma frutariacom a natureza da minha gente.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Livre solidão
Caído
Sobre
a mesaO chão
O
piso
Que
não conhecesE tentas desvendar
Mas
não sabes como fazê-lo
Não
entendes sua composição
Não
te queiras enganar
Lá
fora
Também
há um solo
Uma
terra assente
No
pressuposto da negação
Por
lá
Tudo
é mais ferozPelo menos
Altera-se a voz
Lá
fora
É
outro pólo
Não
o queiras deslindar
E
a mesa
É
bem diferenteCom muita gente
Uma
outra
SofreguidãoAté à exaustão
Peço-te
Para
permaneceresNesta solidão
Neste
chão
À
nossa mesa
Aqui
podes prevaricar
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
crédula esperança
estou dos versos esquecida
me anima uma crédula esperança
que o que me resta de vida
é esta saudade nua e crua
que de lembrar não me cansa.
e este ânimo constante
que me vem ao semblante
que sempre assim em mim esteja.
quero que todo o mundo veja
que aos versos não ando atada
mas anda louco o pensamento
e a alma arrebatada...
a morrer sentenciada
anda a minha poesia
no silêncio e esquecimento...
se pudesse a pouparia.
já fui moça...moça ardente
já fiz versos de repente
estou dos versos esquecida
eles que foram meus amantes
deram golpes ficou a ferida
já nada é como dantes...
versos que eram raridade
onde conservava a saudade
hoje resta a aparência
nada tinham de ciência
quem sabe...a eternidade!
não deixo que nada me entristeça
a vida é cruel ameaça
só a lembrança me estremeça
para esquecer qualquer desgraça
e se a vida me consente
caminhar sem receio
a minha metade igualmente!?
então:
farei da caminhada passeio.
natalia nuno
rosafogo
terça-feira, 20 de agosto de 2013
Calo-me para que não oiças o gemido
Calo-me para que não oiças o gemido
nem sintas o uivo do vento na tua
face ausente
para que eu te possa escutar, fecunda
dum olhar… quente
Calo-me…de tantas vezes que choro,
sem soluços
como quem pede uma prece, calando o
verbo inerte
no sepulcro silente dos meus
lábios, incongruentes
Calo-me no fulgor da palavra,
despindo a madrugada
numa quietude perigosa, lavrando o
poema cansado
e no silencio visto-me subtilmente,
do verbo ainda quente.
fluindo centelhas nos olhos
esquecidos, longínquos de ti
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Toca a figura que caminha
desenha a figura sobre a água
inventa uma linha
para cortar o corpo
e faz aquela dança mas não convides a morte
mesmo que não tenha par.
Toca a figura que caminha
o sangue que corre vai pintar a lua
inventa uma linha
sobre a pele nua
uma flor e um cântico antigo
e faz aquela dança quando se aproxima a liberdade
Toca a figura que caminha
e cruza os dedos e faz a jura
inventa uma linha para cortar a noite
a sorte levando o jogo
para a sorte que não tem o amor
Toca a figura que caminha
desenha a figura sobre a terra
uma sombra vai abrigar a canção
e proteger-te das feridas da guerra
Toca a figura que caminha
desenha a figura sobre a água
inventa uma linha
para cortar o corpo
e faz aquela dança mas não convides a morte
mesmo que não tenha par.
lobo
o é o homem que decide, não é guiado pelo
pensamento, a emoção ou a racionalidade existe mas não decide, o que decide é a
maquina, é a maquina que indica o que fazer como fazer, o momento de rir, o
momento de chorar, as horas de trabalho, o tempo de lazer. A maquina está
instalada, indica os programas que devemos ver, os livros que temos de ler, as
vezes que devemos fazer sexo. O homem não decide, o que decide nele é o
mecanismo de prazer que é o mecanismo de submissão, o casamento social formaliza
essa submissão, todo o homem está dependente de um contrato, não há liberdade
quando se compromete a fazer o socialmente certo, é tudo contabilizado, os
ruídos da respiração, tudo está cronometrado, os beijos que dá, os desabafos,
as declarações de rendimentos, o perfume que usa, as vezes que chamou filho da
puta ao patrão e bebeu sumo sem gaz . A máquina decide, decide tudo, o
capitalismo decide tudo, como te vestes, como te controla, está tudo medido,
sempre os mesmos ingredientes, a maquina faz te bonito, jovem produtivo e
depois vais avariando, ficas velho, doente, fraco, os fios da televisão nos
pulsos, queres que desliguem a máquina? Não tu não queres, estás feliz, eles
tratam de ti
lobo
Imagino o gato que vê o frio dentro das pessoas.
Imagino que podias tocar para mim uma musica é suficiente que te esqueças das
palavras e te lembres do café quente, imagino que passas na igreja e que todos
os homens sabem a oração do teu corpo e o gato que eu imagino fica amigo dos
ratos e não percebe os homens a comer os homens, saberá um gato o que significa
capitalismo. Imagino o gato que vê o frio dentro das pessoas, imagino que
podias inventar uma musica, que pudesses lançar na terra e isso seria a tua
resposta quando te perguntassem como nascem as flores, imagino o gato que vê
dentro das pessoas. As janelas todas fechadas e uma pessoa estranha, era como se
estivesse ali o mar, uma relação intima entre a minha distancia e as coisas que
não entendo, imagino que podias tocar para mim uma musica, imagino que afinal
não sabes nenhuma musica nem nenhuma palavra mas que tens uma maneira de dar
confiança e de compartilhar uma bebida e uma pedra para a construção de uma
casa. Imagino o gato que vê o frio dentro das pessoas, imagino que passas na
igreja e que todos os homens sabem a oração do teu corpo
lobo
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
poema de amor também...
lanço a rede ao fundo,
para vislumbrar o poema
feito de palavra de nada
ou do que não foi dito ainda,
talvez da palavra calada,
duma porta fechada ou aberta,
alento de minha boca
uma dor que aperta,
memória dum tempo
ou da minha força, já pouca.
será o poema pássaro
que voa para o poente
de asas fatigadas
tocando as águas do mar
rumando à eternidade
docemente,
levando com ele meu olhar?
este poema é cego
e causa-me calafrio!
os seus resignados olhos,
são os meus,
às vezes são rio
que já corria
no ventre de minha mãe,
num sussurro morno
onde não há volta.
mas ainda assim me alegro,
porque este poema
é de amor também.
natalia nuno
rosafogo
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Submundos
Cometi um erro, ao permitir-me entrar num sonho que não era meu. Deixei-me conduzir por caminhos que me levaram ao abismo – esse submundo, onde só quem lá chega, sabe definir na derradeira viagem, a tormenta que se manifesta em lugares isentos da verdade.
Enquanto o meu corpo era amofinado por uma densidade estática, eu, viajante em outros mundos, não sabia como inverter o ciclo, e ser dona deste meu querer - ser de novo, no lugar onde medram todos os seres em corpos virgens e imaculados. Completava-se já a imagem que iria ser o protótipo de mim, e do outro lado, eu nem conseguia fazer acontecer um novo sonho, para voltar, e ver com os meus próprios olhos, o que estava a ser programado para dar nova vida ao meu corpo inanimado. Fiz-me então ao caminho - o mesmo caminho que me levara, e abandonei o sonho. Decidi assim, terminar com aquele cenário macabro, de me quererem transformar em algo, que nem o meu sonho permitia.
(Era um sonho devoto, mas desabrigado de todos os temporais, que por sua vez surripiavam até das copas das árvores, todos os ninhos, para que nada fosse criado e nem nascido naquele lugar).
Completava-se assim um ciclo. Na terra, cresciam já as novas tulipas brancas – a marca do futuro de todos os homens, com vontade de criarem novos sonhos de verdade. Na noite, nascia um vento miudinho, a fecundar-se na luminosidade crescente. Vi então claramente nos intervalos da luz, muitos pontos luminosos, que esperam ainda para nascer e difundirem-se como a luz forte de um farol.
Dolores Marques – Eventos Ônix 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
o passar dos dias...
o sol inaugura o dia,
luminoso
e eu de negro intenso
e nada se apaga do que penso...
gosto do outono chuvoso
e ameno
entrego ao passado o pensamento
e tudo ao redor fica sereno,
não tenho ambições
nem vaidade
e creio que a solidão é
minha liberdade.
sinto a vida em mim
e a morte pouco importa,
hei-de cantar um sem fim
de refrãos que lembro,
tanta dor sentida
ou pensada,
tendo tudo e não tendo nada.
hei-de procurar o campo por companhia,
receber no rosto o hálito dos salgueiros,
no fundo será mais um dia
um, entre tantos,
a lembrar-me os primeiros.
hei-de ouvir as horas, no badalar
do sino o som duro
porque alguém morreu,
talvez o sol por cima do muro?!
ou quem sabe... também EU!
trago o olhar poisado sobre os dias
levo alguns versos para o caminho
olho as aves que sulcam os céus
deixo-me a flutuar em fantasias
o coração em descaminho,
fala por mim o olhar
levo sonhos a transbordar
e o vento traz consigo
este rumor sereno...
onde me abrigo.
natalia nuno
rosafogo
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