quinta-feira, 20 de junho de 2013
há um não sei quando...
trémula a última estrela
soltam-se palavras na memória
a dor ri de mim
é tanta a sombra que me envolve
no escuro
debalde a claridade procuro
no tempo que me tem,
e só é a saudade que vem
do tempo de além.
tiro da gaveta o linho
com o olhar turvado
morro como um passarinho
com seu cântico acabado.
trago o silêncio na garganta
e já nada me espanta
há um não sei quando
que me persegue
e um não sei onde me leva
há uma loucura de saudade imensa
uma coragem que se nega
e um frio que se faz presença.
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Adormeço lagrima esguia
Adormeço lagrima esguia gota ansiada na boca seca blasfemos sentires desgarrados devorando o sonho agonizante no hiato do medo transforma-se em marasmos incorporados nas aselhas profundas da iris em confluências de desacatos neurais quimeras oxigenadas de bolores libertas na ferrugem das ondas nuances de cores, rascunhando o corpo albergue d`amor. Escrito a 12/06/13 |
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Goimbrassa
Loytyi taas vihdoin nettipaikka. Tata paasi kayttamaan kun naytti passia, ottivat jotain tietoja ylos.
Toissailta meni vahan pitkaksi kun innostuttiin pelaamaan biljardia paikallisten biljardihaitten Josen ja vaimonsa Katarinan kanssa. Esa voitti Josen kerran ja miesparka jarkyttyi kovasti.
Eilen sitten ajeltiin aivan upeissa maisemissa. Braga oli hiljainen, kaunis kaupunki. Niin hiljainen, etta kuvasimme valilla puluja uimassa suihkulahteissa. Mutta kun kaupungin 60 kirkkoa alkoivat soittamaan kelloja, oli hiljaisuus kaukana. Lahella Bragaa kavimme ihailemassa Bom Jesuksen kirkkoa ja varsinkin sen vieressa olevaa puistoa.
Seuraavaksi suuntasimme Guimaraesiin ja siellahan kaikki olivat pikkuruisessa kaupungissa. Meilla on jostain syysta tapana osua paikallisille juhlille ja tietysti taallakin oli sellaiset. Tykit jyskyivat, rummut ja muut soittimet pauhasivat ja kulkue kulki pitkin kaupunkia, lopussa varmaan kaikki guilmaerilaiset laulaen ja turistit ihmetellen. Suuntasimme keskusaukiolle, jossa varsinainen juhla oli.
Yopaikkamme oli upealla nakymalla vuoristossa jossain pikkukylassa.
Tanaan ajoimme aamupaivan pienia vuoristoteita, sitten moottoriteita kohti Goimbraa, jossa taas tungimme automme hotellin parkkihalliin. Muuten edellisessa tallissa Portossa autoa oli ottamassa viisi (5) henkea pois parkista ja siina meni noin 15 minuuttia. Kolme senttia taakse, kaksi eteen... Olisi varmaan ollut helpompi kantaa se parkista ulos.
Toissailta meni vahan pitkaksi kun innostuttiin pelaamaan biljardia paikallisten biljardihaitten Josen ja vaimonsa Katarinan kanssa. Esa voitti Josen kerran ja miesparka jarkyttyi kovasti.
Eilen sitten ajeltiin aivan upeissa maisemissa. Braga oli hiljainen, kaunis kaupunki. Niin hiljainen, etta kuvasimme valilla puluja uimassa suihkulahteissa. Mutta kun kaupungin 60 kirkkoa alkoivat soittamaan kelloja, oli hiljaisuus kaukana. Lahella Bragaa kavimme ihailemassa Bom Jesuksen kirkkoa ja varsinkin sen vieressa olevaa puistoa.
Seuraavaksi suuntasimme Guimaraesiin ja siellahan kaikki olivat pikkuruisessa kaupungissa. Meilla on jostain syysta tapana osua paikallisille juhlille ja tietysti taallakin oli sellaiset. Tykit jyskyivat, rummut ja muut soittimet pauhasivat ja kulkue kulki pitkin kaupunkia, lopussa varmaan kaikki guilmaerilaiset laulaen ja turistit ihmetellen. Suuntasimme keskusaukiolle, jossa varsinainen juhla oli.
Yopaikkamme oli upealla nakymalla vuoristossa jossain pikkukylassa.
Tanaan ajoimme aamupaivan pienia vuoristoteita, sitten moottoriteita kohti Goimbraa, jossa taas tungimme automme hotellin parkkihalliin. Muuten edellisessa tallissa Portossa autoa oli ottamassa viisi (5) henkea pois parkista ja siina meni noin 15 minuuttia. Kolme senttia taakse, kaksi eteen... Olisi varmaan ollut helpompi kantaa se parkista ulos.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Só resta a luz
Avisto ao longe a desgraça
O mundo resvala contra a corrente
Só resta a luz…
Solta-se das varandas e das janelas
Abertas para o mar
Avançam orquídeas em direção ao sol
Enquanto a noite se veste de branco
Do céu, chovem pétalas de cristal
Rituais que se confundem
Com o abismo profundo
Transportam-me para lá da vida
Enquanto a cidade dorme
E a luz…
Um novo movimento
Qual sémen delicado
No ventre do universo
(2009)
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Absurdo
a noite
companheira
de todos
os poetas
o absurdo!
com receio
de se acabar
no dia
caiu
e nunca mais
se viu
ficaram todos
os poetas mortos
de fome
e já nem sentiam
frio
nunca mais
o absurdo
se descuidou
e até
se procurou
num poema
nu
o absurdo
de todos
os absurdos
estava ali
caído
preparado
para todas
as noites
quinta-feira, 18 de abril de 2013
O que tirei da cartola
Na minha audaz fantasia
Plagio versos sem receio
E com eles faço a poesia
Mesmo a saber que é feio.
Leio livros sempre pronta
Para alguma coisa copiar
E a seguir faço de conta
Que sou eu a inventar.
Copio um pouco de tudo
Porque quero ser alguém
E com tudo isto me iludo
E iludo outros também.
E até plagio as ideias
Daqueles que vou seguindo
Subo aos palcos e das plateias
Ninguém vê que estou fingindo.
E chego ao alto patamar
E lá ficarei suspensa
Até que há-de chegar
O dia da minha sentença.
Mesmo assim não vou parar
Porque quero muito e mais
Eu continuarei a plagiar
E não desistirei, jamais.
domingo, 14 de abril de 2013
TROPEÇAR
Não sabia como atravessar a parede de
vidro
Tropeçava na memória, na mentira, na
traição,
Nas palavras e nos gestos, no momento
oportuno
Inquieta no aqui e agora…de pernas
trémulas!
Tropeçava na consciência da perda e
da ausência
Na dependência, no risco…como dizer e
fazer…
Tu desafiavas as emoções…os instintos…a
pulsão
E estávamos ali, em sorrisos que perscrutavam
A amálgama interior da nossa
identidade de abismo…
O que fomos, o que somos, do que
pomos e dispomos
O redemoinho frenético de ser ou não
ser eu
O ir sendo nos códigos das palavras e
dos olhares
Viajando receosa por um «mapa-mundi»
desconhecido
E de repente num
impulso desnorteado, aconteceu!
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Pro-Coração
terça-feira, 2 de abril de 2013
O mundo das formas
(Lá, onde a lua e o sol
Fazem acontecer
O mundo das formas
Eu estou)
Tão cheias as formas
Num perfil inventado
Um jeito multifacetado
Esse costume
Que também
É queixume
No fado cantado
E também chorado
(Lá, no universo
Das cores
A saber-me com graça
Eu vou)
Figuração d’ouro fino
No acabar dos andores
Que esteticamente consentem
E não desmentem
Quem sou
Nos frescos matinais
E nos remates
Das pias batismais
(Lá, no mundo
Da demanda
A cair na desgraça
Eu sou)
Na encruzilhada dos céus
Esse tom cinzelado
No azul
Fulgurado
Acalorado
Ruborizado
Reviravolta
Das cores
Dos amores
Das dores
Versando a disputa
Nas arcadas da praça
Pessoas em Pessoa
Poesia e chalaça
Abstratos e fatos
Na medida exata
Dum ato
Em relato
(Sou um retracto)
(Dolores Marques – Esfinges 2012)
segunda-feira, 25 de março de 2013
Domadora de borboletas
Abres os braços
e na ponta dos dedos
pousam-te borboletas azuis
Ou será que é o vento
a abraçar teu corpo
de porcelana?
Levantas o vestido
como quem chama a noite
e há um sobressalto de estrelas
a incendiar o horizonte
Ou serão borboletas fugazes
simulando
com o celofane das asas
a metamorfose do teu corpo despido?
domingo, 17 de março de 2013
As brancas do meu pensamento
?
Doravante quero todas as casas da minha rua pintadas de branco
E em todas as janelas cortinas brancas
De um branco intencional, como as cortinas da minha janela
E todos os carros devem ser brancos também, sem excepção.
[Então, com a rua toda de branco, de tão previsível que será
Será única, saberei que é a minha sem precisar olhar para ela.]
E esta comodidade, sem que ninguém desconfie
Far-me-á sentir cómodo, com as brancas do meu pensamento.
Doravante quero todas as casas da minha rua pintadas de branco
E em todas as janelas cortinas brancas
De um branco intencional, como as cortinas da minha janela
E todos os carros devem ser brancos também, sem excepção.
[Então, com a rua toda de branco, de tão previsível que será
Será única, saberei que é a minha sem precisar olhar para ela.]
E esta comodidade, sem que ninguém desconfie
Far-me-á sentir cómodo, com as brancas do meu pensamento.
sábado, 16 de março de 2013
RIO
sexta-feira, 8 de março de 2013
MEMÓRIA SENTIDA!
Subo a montanha de pedras em busca de
água
Água da vida, para parir a vida no
meu corpo, seco
A água que escorrega, que limpa as
lágrimas negras
No meu solo sedento, na via-sacra da
minha sede
Quero voltar a mergulhar o meu rosto
nos teus cabelos
Perder-me nos teus olhos de água,
ciano e magenta
Tu que és mais quente que o sol, que
borbulhas de suor
E que me habitaste fundo, deixando-me
em chaga
Desvendaste os teus segredos, senti
os teus furores
Acariciaste os meus suspiros, de
solitário cio reprimido
E foste uma divina fonte de amor,
solidária e jorrante
Agora moras no meu castelo de sonhos,
que criei no anseio
Nos degraus do desejo pulsante nas
veias, que sinto latejar
E deixas-me entumecida
e delirante, no desejo cego de ti
TU QUE EXISTES LATENTE EM TUDO…
Só tu me amparas neste mundo
inóspito…
As vagas uivam, rugem furiosamente
O nevoeiro é cerrado e espesso
A ira do mar parece uma agonia
Enraivecida em catadupas de espuma
De violento excesso!
De cabelo emaranhado
Os olhos ficam parados no desvario do
pavor
Sinto a angústia do desamparo
E de coração rasgado
Corro para ti meu amor
E aperto nos meus braços
O teu corpo gelado
Tão faminto de enlaços!
O QUE DE AR SE FEZ PEDRA
Fonte de luz que faz da noite dia…
Cercas-me, abraças-me seguras-me,
prendes-me
E eu deliro…
Difícil suster a comoção
A lágrima deslizante
A emoção da felicidade….
Nasci nascendo em ti
Toda a vida anterior
Ficou perdida
Na musicalidade
Do teu corpo de cisne
Até ao nó cego…
Animo, atracção, desejo, tumulto
És a pessoa incontornável
À minha felicidade e
esperança
Que andou sempre adiada!
domingo, 3 de março de 2013
Já não me assusta o fantasma das horas
Já não me assusta o fantasma das horas
nem o amargo sabor da espera
sou como pássaro furtivo planando
numa candeia dispara de quimeras.
Já não me assustam as horas
os segundos pontiagudos do tempo
sou cântico boiando ao vento
nesse teu vento macio e quente
Já não me assusta o medo de ter medo
nem a saudade que sempre me espera
sou tronco enraizado em terra ardente
e nuvem deslizando no céu imenso
Já não me assusta o fantasma das horas
Escrito 2/03/13
sexta-feira, 1 de março de 2013
Crescimentos
Crescimentos
Assola-me um medo de desperdício
Sem vício
De oportunidades perdidas
Cem vidas
E quantas mais serão
Sem coração
Capaz de vencer a mente
Sem presente
E passados fustigados
Abandonados
E futuros avistados
Não concretizados.
Assola-me uma rotina
Sem retina
Em si mesma fechada
Acomodada
Ao conforto imaginário
É calvário
Para o ser interior
É superior
Mas posterior às obrigações
Perpetuações
De um crescimento universal
Mas…
Terá assim mal?
Rotina é vida
Mas vida é muito mais
Que rotina!
Clarisse Silva
Clarisse Silva
1 de Novembro de 2012 © Direitos de autor reservados.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Falha Sensorial
andam
pela terra em mãos
d´azuis sem céu
bebem, comem,gozam
e dormem
em corpos de carne
sem alma
parece que também falam
prosas corroídas disparadas para o vácuo
não ouvem ninguém
escutar é demasiado
para tão ilustres cérebros
de ouvidos desconectados dos tímpanos
têm antenas ligadas a um só canal
o ego do poder e o poder do ego
sem exclamações - nossas !
e com todas as admirações - deles !
dos seus grandiosos feitos
que de tão pequeninos e insensíveis
são a desgraça em fila de espera
- sopa dos pobres ! -
e morte abrupta , antecipada
de tantas vidas
que ainda não viveram
mas eles persistem no querer
auditórios cheios
para as suas surdas e mudas retóricas
tempo em que é urgente ver
alargar a visão
mas eles, que vêem tudo,
trocaram os olhos
por estranha e mui moderna telepatia ,
comunicam-se pela via da insensibilidade
será que não possuem o cheiro ?
do tacto já muitos sabem
que o cambiaram por tudo o que é imóvel
e do resto ...
e do que resta ...
falta o que faz mais falta ...
Luiz Sommerville Junior , 190220121216
pela terra em mãos
d´azuis sem céu
bebem, comem,gozam
e dormem
em corpos de carne
sem alma
parece que também falam
prosas corroídas disparadas para o vácuo
não ouvem ninguém
escutar é demasiado
para tão ilustres cérebros
de ouvidos desconectados dos tímpanos
têm antenas ligadas a um só canal
o ego do poder e o poder do ego
sem exclamações - nossas !
e com todas as admirações - deles !
dos seus grandiosos feitos
que de tão pequeninos e insensíveis
são a desgraça em fila de espera
- sopa dos pobres ! -
e morte abrupta , antecipada
de tantas vidas
que ainda não viveram
mas eles persistem no querer
auditórios cheios
para as suas surdas e mudas retóricas
tempo em que é urgente ver
alargar a visão
mas eles, que vêem tudo,
trocaram os olhos
por estranha e mui moderna telepatia ,
comunicam-se pela via da insensibilidade
será que não possuem o cheiro ?
do tacto já muitos sabem
que o cambiaram por tudo o que é imóvel
e do resto ...
e do que resta ...
falta o que faz mais falta ...
Luiz Sommerville Junior , 190220121216
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
CÁ POR DENTRO...
Janelas que se abrem para um universo
Que portas encerram
De um modo perverso!
Dentro o abrigo, o quarto, a mesa, o
sofá
Palco íntimo de achados
Por aqui e por acolá!
Livros, filmes, música, imagens
Cosmogonia particular
Fragmentos de interseção
Construindo uma identidade peculiar
De combinações contraditórias de divagação!
Rituais de revoltas cismadas…
Socar, enganar, perfurar, esfaquear
Mente, sexo, veias…pulsões
estranguladas!
A violência e depois o abandono
A mão sobre o dorso da outra
A mão no pé, na perna, no regaço
Um imenso cansaço
O cotovelo no joelho, as pernas
cruzadas
O braço entre as pernas
Prostradas!
Entre o desassossego e a letargia
No dia após dia!
Etiquetas:
CÁ POR DENTRO - MARISA SOVERAL
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
trovas...dias cinzentos
Começa a chuva a bater
bate o coração no peito
é o inverno a acontecer
e esta saudade sem jeito.
bate no vidro da janela
não me deixa ver o rosto
que eu amo através dela
de manhã ao sol posto...
já são as horas tardias,
nada me traz as respostas
luzes nos vidros sao
frias
angústias me são impostas
sugam a alma num estertor
óh...estes dias tão
cinzentos!
embaciado anda nosso amor
são cinza os
sentimentos...
desfazem-se palavras a
medo
já não sabem nem que
dizer!
abrandam-me a dor em
segredo
ah...não deixa a chuva de
bater!
natalia nuno
rosafogo
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