sábado, 16 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
MEMÓRIA SENTIDA!
Subo a montanha de pedras em busca de
água
Água da vida, para parir a vida no
meu corpo, seco
A água que escorrega, que limpa as
lágrimas negras
No meu solo sedento, na via-sacra da
minha sede
Quero voltar a mergulhar o meu rosto
nos teus cabelos
Perder-me nos teus olhos de água,
ciano e magenta
Tu que és mais quente que o sol, que
borbulhas de suor
E que me habitaste fundo, deixando-me
em chaga
Desvendaste os teus segredos, senti
os teus furores
Acariciaste os meus suspiros, de
solitário cio reprimido
E foste uma divina fonte de amor,
solidária e jorrante
Agora moras no meu castelo de sonhos,
que criei no anseio
Nos degraus do desejo pulsante nas
veias, que sinto latejar
E deixas-me entumecida
e delirante, no desejo cego de ti
TU QUE EXISTES LATENTE EM TUDO…
Só tu me amparas neste mundo
inóspito…
As vagas uivam, rugem furiosamente
O nevoeiro é cerrado e espesso
A ira do mar parece uma agonia
Enraivecida em catadupas de espuma
De violento excesso!
De cabelo emaranhado
Os olhos ficam parados no desvario do
pavor
Sinto a angústia do desamparo
E de coração rasgado
Corro para ti meu amor
E aperto nos meus braços
O teu corpo gelado
Tão faminto de enlaços!
O QUE DE AR SE FEZ PEDRA
Fonte de luz que faz da noite dia…
Cercas-me, abraças-me seguras-me,
prendes-me
E eu deliro…
Difícil suster a comoção
A lágrima deslizante
A emoção da felicidade….
Nasci nascendo em ti
Toda a vida anterior
Ficou perdida
Na musicalidade
Do teu corpo de cisne
Até ao nó cego…
Animo, atracção, desejo, tumulto
És a pessoa incontornável
À minha felicidade e
esperança
Que andou sempre adiada!
domingo, 3 de março de 2013
Já não me assusta o fantasma das horas
Já não me assusta o fantasma das horas
nem o amargo sabor da espera
sou como pássaro furtivo planando
numa candeia dispara de quimeras.
Já não me assustam as horas
os segundos pontiagudos do tempo
sou cântico boiando ao vento
nesse teu vento macio e quente
Já não me assusta o medo de ter medo
nem a saudade que sempre me espera
sou tronco enraizado em terra ardente
e nuvem deslizando no céu imenso
Já não me assusta o fantasma das horas
Escrito 2/03/13
sexta-feira, 1 de março de 2013
Crescimentos
Crescimentos
Assola-me um medo de desperdício
Sem vício
De oportunidades perdidas
Cem vidas
E quantas mais serão
Sem coração
Capaz de vencer a mente
Sem presente
E passados fustigados
Abandonados
E futuros avistados
Não concretizados.
Assola-me uma rotina
Sem retina
Em si mesma fechada
Acomodada
Ao conforto imaginário
É calvário
Para o ser interior
É superior
Mas posterior às obrigações
Perpetuações
De um crescimento universal
Mas…
Terá assim mal?
Rotina é vida
Mas vida é muito mais
Que rotina!
Clarisse Silva
Clarisse Silva
1 de Novembro de 2012 © Direitos de autor reservados.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Falha Sensorial
andam
pela terra em mãos
d´azuis sem céu
bebem, comem,gozam
e dormem
em corpos de carne
sem alma
parece que também falam
prosas corroídas disparadas para o vácuo
não ouvem ninguém
escutar é demasiado
para tão ilustres cérebros
de ouvidos desconectados dos tímpanos
têm antenas ligadas a um só canal
o ego do poder e o poder do ego
sem exclamações - nossas !
e com todas as admirações - deles !
dos seus grandiosos feitos
que de tão pequeninos e insensíveis
são a desgraça em fila de espera
- sopa dos pobres ! -
e morte abrupta , antecipada
de tantas vidas
que ainda não viveram
mas eles persistem no querer
auditórios cheios
para as suas surdas e mudas retóricas
tempo em que é urgente ver
alargar a visão
mas eles, que vêem tudo,
trocaram os olhos
por estranha e mui moderna telepatia ,
comunicam-se pela via da insensibilidade
será que não possuem o cheiro ?
do tacto já muitos sabem
que o cambiaram por tudo o que é imóvel
e do resto ...
e do que resta ...
falta o que faz mais falta ...
Luiz Sommerville Junior , 190220121216
pela terra em mãos
d´azuis sem céu
bebem, comem,gozam
e dormem
em corpos de carne
sem alma
parece que também falam
prosas corroídas disparadas para o vácuo
não ouvem ninguém
escutar é demasiado
para tão ilustres cérebros
de ouvidos desconectados dos tímpanos
têm antenas ligadas a um só canal
o ego do poder e o poder do ego
sem exclamações - nossas !
e com todas as admirações - deles !
dos seus grandiosos feitos
que de tão pequeninos e insensíveis
são a desgraça em fila de espera
- sopa dos pobres ! -
e morte abrupta , antecipada
de tantas vidas
que ainda não viveram
mas eles persistem no querer
auditórios cheios
para as suas surdas e mudas retóricas
tempo em que é urgente ver
alargar a visão
mas eles, que vêem tudo,
trocaram os olhos
por estranha e mui moderna telepatia ,
comunicam-se pela via da insensibilidade
será que não possuem o cheiro ?
do tacto já muitos sabem
que o cambiaram por tudo o que é imóvel
e do resto ...
e do que resta ...
falta o que faz mais falta ...
Luiz Sommerville Junior , 190220121216
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
CÁ POR DENTRO...
Janelas que se abrem para um universo
Que portas encerram
De um modo perverso!
Dentro o abrigo, o quarto, a mesa, o
sofá
Palco íntimo de achados
Por aqui e por acolá!
Livros, filmes, música, imagens
Cosmogonia particular
Fragmentos de interseção
Construindo uma identidade peculiar
De combinações contraditórias de divagação!
Rituais de revoltas cismadas…
Socar, enganar, perfurar, esfaquear
Mente, sexo, veias…pulsões
estranguladas!
A violência e depois o abandono
A mão sobre o dorso da outra
A mão no pé, na perna, no regaço
Um imenso cansaço
O cotovelo no joelho, as pernas
cruzadas
O braço entre as pernas
Prostradas!
Entre o desassossego e a letargia
No dia após dia!
Etiquetas:
CÁ POR DENTRO - MARISA SOVERAL
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
trovas...dias cinzentos
Começa a chuva a bater
bate o coração no peito
é o inverno a acontecer
e esta saudade sem jeito.
bate no vidro da janela
não me deixa ver o rosto
que eu amo através dela
de manhã ao sol posto...
já são as horas tardias,
nada me traz as respostas
luzes nos vidros sao
frias
angústias me são impostas
sugam a alma num estertor
óh...estes dias tão
cinzentos!
embaciado anda nosso amor
são cinza os
sentimentos...
desfazem-se palavras a
medo
já não sabem nem que
dizer!
abrandam-me a dor em
segredo
ah...não deixa a chuva de
bater!
natalia nuno
rosafogo
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
...nas mãos esbeltas d`um louco amor errante
A manha enlouquece nas mãos esbeltas
d`um louco amor errante cativo do tempo
e as pétalas nos corpos brancos resvalam-se
despindo-os sôfregas numa volúpia quente
São horas de despudorados aconchegos mil
nas bocas salivantes gemendo momentos,
e os asteriscos saltitantes, perdem-se nús
nos olhos chamejantes de aromas, do rosto teu
A voz embarga-se num rouco vagir, ciciado
nos lençóis cobertos dum querer escarlate
e as horas inundam pueris os corpos desnudos
num precipício alucinante da doce palavra “céu”
Escrito 12/12/12
Ano Novo
Além
O sino tocou
O nascer do menino
Tocou
O morrer do velhinho
Tocou
À bênção do Senhor
Tocou
À chegada do Salvador.
Dlim dlão
Toca o sino de novo
Dlim dlão
Vem aí um ano novo
Dlim dlão.
Que dê pão
A quem tem fome
Que se unam e abracem
Os povos em guerra
Que haja bom senso
Nos homens da terra.
Que a luz ilumine
Os corações carentes
E haja paz e amor
Entre as gentes.
Maria Antonieta Oliveira
sábado, 29 de dezembro de 2012
Ilusão
Trago uma mão cheia de verdade
Faço dela o farol dos meus dias
Na alma um sol de alegrias
Caminho que me leva à liberdade
Desconheço o conceito de mentira
Creio que é apenas ilusão
Nunca me movi pela ambição
Nem vou me abalar por quem me fira
Não me cabem juízos de valores
Nem pretensos falsos moralismos
O bem é a luz universal
A verdade não é coisa de doutores
É abrangente e não tem preciosismos
Já a ilusão é o sinónimo do mal
Faço dela o farol dos meus dias
Na alma um sol de alegrias
Caminho que me leva à liberdade
Desconheço o conceito de mentira
Creio que é apenas ilusão
Nunca me movi pela ambição
Nem vou me abalar por quem me fira
Não me cabem juízos de valores
Nem pretensos falsos moralismos
O bem é a luz universal
A verdade não é coisa de doutores
É abrangente e não tem preciosismos
Já a ilusão é o sinónimo do mal
sábado, 22 de dezembro de 2012
Por Um Pedaço De Terra III

O rodopio forte da ventania
fez desaparecer na atmosfera
as letras do poeta
de seguida ...
a chuva ! implacável !
um caminhante
que por ali passava
sentiu-se loucamente embriagado
pelo cheiro irresistível
da terra húmida
e com um largo sorriso no rosto
clamou :
- este é um bom chão
para semear poemas .
Luíz Sommerville Junior , 221220120023
Nota : será reeditado com uma ligeira modificação , pois esqueci de colocar o primeiro
verso e de acrescentar um outro, de qualquer das formas, mantenho o texto , por enquanto,
sem acrescentar a frase em falta que é o seguinte: Neste lugar sem paternidade .
Para todos : Admin, colaboradores, autores e leitores, votos de continuação de Festas Felizes e de Ano Bom de 2013 . Fiquem bem .
261220121705
Etiquetas:
JouElam,
Luíz Sommerville Junior,
poesias
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Ilimitadas sensações
Nessa pele, remendada de
carícias amorfas, onde se enrugam as esperas consumadas. Nesse condimento
revelado pelas intenções omitidas em ânsias de tanta espera. Nesse subtil corpo
decorado pelo rubor de uma qualquer cereja, estendida na plenitude de toda a
contemplação. Nesses poros sequiosos, onde manobram as glândulas de toda a
exposta sensualidade em metamorfoses de movimentos inesperados, mas
determinantes. Nesse perjúrio revoltante cintila a luz de todo o fragor,
regurgitado pela adjacente exteriorização. Nesse todo clamam as fontes das
águas onde prima a clarificação do teu ser. Torna-se inebriante esse expoente
sem mácula e o sagaz efeito de tanto desejo. Há prazeres que as palavras não
conseguem justificar, nem sequer enunciar.
António MR Martins
sábado, 15 de dezembro de 2012
Encontro de amantes
No
largo se encontraram
Numa
manhã de domingoEncontro premeditado
Por entre a multidão
Que despercebida
Ali os deixou sós
Questionaram
seu anseio
Por
entre seus quentes corposAlheios à sua paixão
Que a tanto respondeu
Ruídos
vaguearam
Nas
pedras daquele chãoE a voz que vinha da gente
Fez silêncio para eles
Deram-se
nas suas mãos
E
sorriram-se loucamenteNum abraçar que tanto aperta
Enquanto o sol se despedia
À chegada da nova lua
Naquela praça já deserta
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Lá fora
A profundidade é algo que não tem fundo, sendo que todos os fundos são a espera até que se defina em qual deles se quer despejar todas as vontades de se ser uno ou por vontade própria, indivisível numa multiplicidade de formas. A grandiosidade está na forma como nos despimos e nos vestimos para algo que desconhecemos, mas sabemos existir na forma mais grandiosa, mas que não se vê. Eu tento abrir os olhos para essa grandiosidade mas quanto mais os abro, mais eles se fecham para que a veja cá dentro e não lá fora. La fora estão os gestos corrompidos e amaldiçoados por todos os olhares que se esforçam por multiplicar-se, não sem antes se fecharem para a verdade residual e plena que existe desde que o mundo é mundo, ainda mesmo antes de dele sabermos.
Lá fora é o mundo a querer endireitar o mundo,
é a vida que corre,
é a dor que se encolhe,
é a felicidade pintada de fresco nos rostos que passam,
é o amor desenhado nas paredes de betão,
é o desamor pela falta de pão,
é a verdade que se cruza com a mentira em cada esquina,
é a perfeição catalogada nas mãos estendidas,
é a desordem natural dos mais crentes
é a crença na desordem natural,
é naturalmente a ordem inscrita na desordem também natural
Lá fora está tudo o que compõe um belo quadro, enquadrando tudo o que é uno e por si só se desintegra no espaço que o próprio espaço criou
é a metafísica existente,
é o lado obscuro da mente,
e a mente disfarçada de forma eloquente,
é o negro e o escuro,
é a noite e o dia....
Lá fora está tudo menos a vontade de ser feliz, porque é cá dentro a morada onde todos os fogos ardem e se consomem, onde todos os amores se conhecem e se fundem num só.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
sonhando de novo...
estendo a manteiga,
numa fatia de pão
faço chá, com casca de limão,
os pedaços de pão que levo à boca,
são coisa pouca...
tão pequenos quanto eu.
meu rosto reflecte vários
sentimentos,
estou no céu...no meu céu!
tendo esta saudade presente
de quando era dez réis de gente.
extasio-me diante das brasas
da lareira,
o fumo provoca cegueira,
os olhos fazem arder!
dou uma olhadela ao relógio
e relaxo com prazer...
que quadro realista,
voltar à antiga cozinha...
por mais que o sonho insista
não regresso sem ver os parentes,
que por ora estão ausentes,
irei à horta das traseiras,
onde passei manhãs inteiras
a ver crescer os gerâneos
e as margaridas,
curarei da saudade
e suas feridas.
exala um aroma fresco e amargo
da folhagem que sussurra,
e meu sonho não largo,
sem uma ponta de amargura.
na saboneteira
resta ainda um pouco de sabão,
o santo na cómoda carunchosa
e é tanto o amor
que meu coração,
fica pregado ao chão...
as vidraças têm os caixilhos negros,
já não ouvem minha voz, nem minhas
aventuras,
já não lhes conto segredos...
por preço algum deixaria de sonhar,
meu rosto fresco e são
cantarolando baixinho,
neste meu amado cantinho
que bela recordação...
Impossível melhor coisa p'ra lembrar..
natalia nuno
rosafogo
imagem da net
A tez branca da nudez
Contorce-se -nos os corpos em vultos vivos
na manhã que nos espia arregalada de espanto
na manhã que nos espia arregalada de espanto
e em lençóis vadios, acaricia-mo-nos delirantes
no vaivém sedento dos corpos, blasfémicos
As mãos percorrem a tez branca da nudez
em soluços trémulos, deliram insaciáveis
nos corpos orvalhados de rubra avidez
As bocas devoram-se em saborosas iguarias
desejos acre-doces de exímias poesias
em desnudas bússolas de mapas corporais
desbravam livres tesouros ancestrais.
E o tempo dá-nos o tempo de ser tempo
num momento do tempo sem nada mais
os corpos saboreiam o bónus do destino
num caminhar fugaz de simples peregrino
Escrito a 04/11/12
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
O vão do poeta
Com a minha voz d’ emoção
Eu canto com liberdade
Os versos desta canção
Como o fado da saudade
Que tenho na minha mão.
Com a minha pena em ação
Eu faço com a lealdade
A rima do meu refrão
Com efeitos d’ amizade
Que trago no coração.
Com a minha vida ou não
Eu faço com a vaidade
Mil gestos d’ ilusão
Castrados e sem verdade
Por tudo aquilo que são.
Com a minha poesia então
Eu toco tudo à vontade
Em momentos de tensão
Já cansados pela idade
Não sabem por onde vão.
E o vão do poeta em questão
Só escreve aquilo que sabe.
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