sábado, 18 de agosto de 2012

A Metafísica Do Amor



Amo-te hoje
tanto quanto te amei ontem
amar-te-ei amanhã
tanto quanto te amo hoje
supor que algum dia te amei menos
seria reconhecer que nunca te amei
assim como supor que é possível amar mais
equivaleria a admitir que não se ama o suficiente
então ...
amo-te sem comparação com tempo algum
neste amor em que todo ele é
incomparável



à Dani , com amor


Teu , Jou

Luiz Sommerville Junior(JouElam) , 180820121505

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

é este o céu que piso
























Já a tarde vai madura
já o sol afrouxou
cantam os pássaros com ternura
e a vida serenou
percorro a estrada do viver
palavras semeio ao vento
a saudade me veio ver
lá vem de novo lamento!
hoje ignoro minha descida
esqueço até a encruzilhada
amanhã se me achar perdida?
nem me darei por achada.

Já a tarde vai madura
no horizonte se despenha
logo vem a noite escura
a saudade de mim desdenha,
fecho o coração por ora
aqui onde sou, e sei ser
deixo a tristeza de fora
sou giesta a reverdecer.

Já a tarde vai madura
eu com medo de quebrar
este sonho de profundura
com rios de amor pra dar,
um rumor, a ventania
olhos orvalhados de medo
outro sonho se inicia
fica suspenso é segredo!
Prefiro seguir caminho
cai a noite bruscamente...
guardo os olhos num cantinho
e regresso á nascente,
e é este o céu que piso
minha paz é o que era
neste meu tempo inpreciso
quero sonhar...sonho é dávida
que me espera...
quero correr como um menino
mandar parar o verão
fazer das palavras meu destino
e amar sem hesitação.

natalia nuno
rosafogo
imagem da net

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Último Encontro



Breve é o tempo
Sagaz lembrança
Em pétalas roxas
Formas de luas
Firmando a noite

Cores de céu
Pintam os silêncios
Proscritos 
Na minha voz
Mas ouvem-se 
Ecos estranhos
Em fundos distantes

Acontece por fim
O último encontro
Das flores rosadas
E dos lírios brancos
Na manhã acabada
De chegar ainda agora

E eu e tu
Sem chão
Sem um não
Sem ar
Sem mar
Sem um céu
Sem um véu
Na madrugada
Enlaçados
A seguir a corrente
Dum rio


domingo, 12 de agosto de 2012

Alto enredo


Os lábios se descolam dos seus
De uma forma tão delirante
Os dele tornam a colar aos seus
Quando já lhes diziam adeus
Perante desejo palpitante

Assim se encostam os narizes
Entre as ondas da sofreguidão
Revigorando pelas raízes
Sonho colorido de matizes
Empolgadas pelo coração

Adiante gestos de afeição
No abraçar sem quaisquer limites
Lufadas de plena imensidão
Sem se questionar por contenção
Por onde salpicam apetites

Envoltos de alegria e dor
Apetrechos da massa humana
Exultando ao máximo valor
A que damos o nome de amor
Ante rubor que dela emana

Revolvem-se os plenos sentidos
Naquele cenário de afagos
Entre os corpos tão perdidos
Não escutando outros pruridos
Senão os seus arfares tão vagos

Culmina o sensual enredo
Perante as estrelas cadentes
Que germinam de tamanho medo
Escondido no rico vinhedo
Nos resquícios adjacentes


António MR Martins

domingo, 5 de agosto de 2012

Hematoma

Sobrepõem-se os hematomas
Num crânio omisso de sonhar
São as duras cabeçadas da vida
Marcas que vêm para ficar

Implode o choro sufocado
Na foz dum rio de emoções
À tona a alma amargurada
Estravasa a dor da solidão

Não importa o tempo assim parado
mágoa que inibe a felicidade
num futuro preso ao passado

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

PARA ALÉM DA MORTE


Pode parecer aos outros impossível
Pode ninguém acreditar
Mas eu acabo de morrer.
Morri quase sem dar por ela
Não ainda a morte integral
Essa está a acontecer gradualmente
Na medida em que os neurónios
Esses portadores do facho da vida
Quais pirilampos mágicos
Um a um se vão apagando.
E eles são tantos, tantos!
Agora que pouco falta
Para que se apague de uma vez por todas
A chama que me deu vida
Tomo particular consciência desta
Num estranho processo de absoluta extinção.
Sim, agora vou apagar-me mesmo.
Apaguei-me!
Mas oh deuses
Da banda de lá da morte
De um tempo já sem tempo
Porque deixara de o ser,
Porque embarcara num infinito,
Que o transporta e lhe retira o sentido
Desse mesmo tempo,
A noite é a mais total que conheci,
A que é alheio  ténue indício das estrelas.
Destas guardo algo de que
Os resquícios que me sobram da memória
Não logram agarrar definição.
Entretanto, decorrido este tempo
Que viajou já pela negritude total
Que não conheceu barreiras,
Acontece o impensável:
Um muito vago ponto luminoso,
Anuncia-se-me ao longe através da escuridão
Que tinha indeléveis as cores da morte
Essa que eu sabia existir
Mas não estava certo ainda
Que fosse o fim absoluto.
Esse ponto de luz chega até mim
Cada vez mais intenso
Impregnado de sons distantes
Que eu tinha já esquecido
Esses sons capazes de despertarem
Remotos e celestiais mantras
Começaram a emitir
Para mim verdadeiros flashes de vida.
Conscientizei-me de que
Noutra rota, noutros caminhos
Porventura mais auspiciosos ainda
Acabara de entrar a minha pessoa.
Num já quase êxtase
Pressenti a proximidade daqueles
Que haviam  partido antes de mim.
Tomei consciência numa serena euforia
De que para mim, para o homem
A morte se extinguira.
ANTOBER

Quando as palavras envolvem


Pelos lábios do seu encanto
se aprimoram tantos clamores
que já não elevam mais espanto
entre os efeitos sonhadores

trinam-se melodias mais raras
duma beleza inconfundível
revendo-se expressões nas caras
entre o vislumbrar invisível

como entoam outros pruridos
perante olhares consentidos
por onde enreda a perfeição

mexem-se valores e sentidos
significados dos mais batidos
que empolgam qualquer coração



António MR Martins

terça-feira, 31 de julho de 2012

súbitas mudanças



já o largo se esvaziara
do sonho da descoberta
e da partilha das sensações

todas as imagens
permaneciam acesas
e ainda não se sentia a transformação

quando
a um dado tempo
nos situamos em nós
e sós
então descortinámos

há um vaso comunicante
entre o pleno e o vazio


António MR Martins

A fria realidade dos poemas sem calor

Vamos brincar de dizer coisas sem sentido
De escrever na imaginação dos loucos.
O peso da vida é pesado que chegue
E nos dias cinzentos de tempestade
A chuva não nos molha o pensamento.

Sou o palhaço mais triste deste circo armado
E sei, na arena não se chora a tenda deserta
Revela-se apenas aquela lágrima malabarista 
A deslizar pelo rosto para morrer no silêncio.

É no fim, quando se apagam as luzes
Que a máscara cai e a vida faz sentido.
Apresentei-me ao mundo sempre despido
E mesmo que ninguém aplauda o truque
Terei realizado o sonho e sido feliz.
 
Vamos brincar de escrever coisas sem sentido
Dizer do vento na imaginação dos loucos
Porque a vida já pesa que chegue
E nos dias cinzentos de tempestade
O calor que emana dos teus olhos, quando lês
É o bastante para aquecer a fria realidade deste poema.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Gente do campo

Homem que semeia no campo, o pão
Mulher sua, de cansaço na colheita
Filhos ao brincar unidos pelo cordão
Que mostram ser gente satisfeita.


Gentes que vivem da antiga tradição
Que sentem a humildade perfeita
Que nasceu do trabalho árduo união
E tempo de lazer também se ajeita.


Nos corais verdejantes da floresta
Vivem unidos e sempre em festa
Como se não tivessem mais fadiga.


Nos caminhos da vida de percalços
Vestem poucas roupas e descalços
Finam com menos olhos que barriga.

sábado, 28 de julho de 2012

VIAGEM


Caminhamos fora dos caminhos conhecidos
fora das barreiras asfixiantes
num deserto branco e sem fim.
É preciso correr o risco do perigo
perdermo-nos das fronteiras
abolir os limites do proibido
numa aventura cega
mergulhando na água estonteante das cachoeiras.

O espaço é todo nosso, rasgado
dentro de nós, num abismo de silêncio
que quer gritar. Um núcleo de prazer, para
desbravar até ao esgotamento
das veias pulsantes,
com o exato esplendor da música
 cordas distendendo-se
acossadas por dedos tateantes.
Mundo desbordante
De águas poderosas
sibilando como a chuva forte, que
rasga veios na secura extrema.
O impossível  intrinsecamente possível
na revelação do estilhaço, dos gestos
 iniciais, níveos, mas incandescentes na pele
e que enchem os corpos de forma iniludível!



sexta-feira, 27 de julho de 2012

No adro d`um corpo

Serás silêncio falado
sonho debruado
de crisântemos alados
crepúsculos perfumados
em cânticos de searas
madrigais nocturnos
em olhos mudos
prefácio d`um livro
inacabado

 Serás água
 sede
d`um jardim escondido
no adro d`um corpo
pólen pairando
na tortura do tempo
 pretérito escrito
nas paginas do vento

Serás fogo rubro
abraço quente
fluindo solto
na aura do pensamento
em mim

Escrito a 25/07/12

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ilusões

Imagem retirada da internet; autor desc.

Não estava triste, nem alegre. Não sofria, nem estava feliz. Estava, mas não estava, era o que não era. Um estado empedernido. O relógio parou, o coração continuou a bater, mas tudo parou. As fábricas deixaram de fazer-se notar ao longe com o seu ruído de fundo; os carros pararam nas estradas; as pessoas pararam nas ruas; as folhas de árvores pararam de bater ao sabor do vento - pois o vento também ele parou. O sol desapareceu. O azul do céu deu lugar ao cinzento das nuvens num dia de Outono, por meses a fio. Tudo era nada, pois o “tudo” não existia. Vazio completo. Não era de noite, mas também não era bem de dia. Tanto estava acordada, como depressa adormecia. Tudo fazia sentido porque existia, mas nada daquilo era real.


Clarisse Silva
Fev 2008 © Direitos de autor reservados.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Salpicos de ti



Sinto o teu cheiro perfume
penetrando o meu semblante
desafio por novo lume
neste caminhar por diante

em êxtase que se modela
entre sentidos sonhadores
como quem está à janela
a descobrir os seus amores

um sorriso que desemboca
num afago em gentileza
por um beijo em tua boca
é o melhor da natureza

saúdo-te a qualquer hora
neste tempo que é o nosso
tudo de ti me enamora
fragrância cheiro colosso

a tua tez tão carinhosa
nos olhares por entre sinais
tua simpatia generosa
assim não há outras iguais

alto rubor ou cabisbaixo
perante olhar mais sedutor
em ti todo eu me encaixo
meu sentido e grande amor


António MR Martins

terça-feira, 24 de julho de 2012

O Amor mora no Alto



O amor habita essa cabana
Que pintei de um branco muito branco
E revesti  de safiras, rubis e alabastro
A cabana fica no gume da montanha
Para que os olhos dos homens
Quando buscam o amor
Sempre olhem para cima.

O amor vive dentro dessa cabana
Mas portentoso que ele é
Num ímpeto que lhe rasga a parede frágil
E se coloca do outro lado do mundo.
É que ele é denso, absorvente
Envolve e revolve aquele a quem abraça.
Sinto-o no gume da montanha
Quase ao meu alcance,
Que só uma polegada nos separa.

Mas eu quero vê-lo e senti-lo
Com os meus olhos buscando
O cume das montanhas.
Do amor rejeito o declínio,
Dai que subir a montanha
É imperativo de quem
O reconhece sublime, luminoso
Irradiante no sonho.

Encanta-me pressentir-te
Quiçá devorar-te,
Mas tal só acontece
Nesses instantes
Que nunca podem ser muitos
Em que te soltas de ti mesmo
E te me dás desinteressada
Nesse amplexo que é feito
De carne e indizível sentir.

ANTOBER

Quadras Simples...DELÍRIOS



Obra se faz pedra a pedra
com persistência e suor
também a vida só medra
com serenidade e amor...


Nunca fui rica nem pobre
e o tempo sempre correu
ser-ser pobre é se-ser nobre
foi Deus que honra me deu


Livro velho bom de ler
acaba com um bom final
todo o Poeta tem o querer
sentir sua Poesia imortal...


Dormem pássaros ao relento
na minha memória cansada
folhas se agitam ao vento
está o Outono de abalada.


Solto palavras por aí...
criança a fazer de conta
a fazer de conta que morri
que a vida vai a uma ponta.


natalia nuno
rosafogo
imagem da net



Assim Nasce Um Poema

No sangue
entranha-se um poema
Percorre as veias do sentimento
Solta plaquetas de amor
partilhadas no coração sofredor
Pequenas moléculas elevam-se
no cérebro já esquecido
no tempo perdido
da vida que passou

Mas,
nesse sangue que corre
e percorre
o corpo já findo
As palavras já fracas
fluem
soltam-se
E,
nasce um poema!
Maria Antonieta Oliveira

segunda-feira, 23 de julho de 2012

o sopro das labaredas



a árvore desfalece
pelas chamas do infortúnio
impregnadas de incontidos sopros
que o vento  lhes incute

um fervilhar constante
eclode
por entre insondáveis matas
tornando-as mais limpas
em tristes tonalidades acinzentadas
simplesmente a eito

os soldados da paz
seguram nas mangueiras
desesperadamente
expelindo delas o sagrado incolor líquido
que atenua
por momentos
tal remessa maléfica
e incontrolável

a imprudência lançou
as chamas ao campo
e o campo descompôs-se
sem apelo nem agravo


António MR Martins

domingo, 22 de julho de 2012

Resquícios da ventura adormecida



Soam bitolas perdidas
Nos rastos da incongruência
Bandeiras do esquecimento

Ultraje compensador
Ultimando outros lavores
Na doença assaz patente
Que invade tantos corpos
Metamorfoseados no tempo

Dissabores de alimento
Onde se secam as sílabas
Em percalços de tanta dor
Por tanto assentimento

Paladares sem outro sabor
Que não sejam amargura
Nesta gesta demais sofrida
Respirando aos soluços
Numa contenção desmedida
Intragável a cada segundo
Onde a espera então suscita
O receio de tanta demora



António MR Martins

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ainda virgem


Nasceu um sonho
Perpetuou-se num olhar baço

A mulher que sucumbiu a seus pés
A verdade que a faz ser mulher
Entre as mulheres
E única na sua vontade

Mulher de todos os tempos
Musa de todos os lugares
Fora de tempo
Ainda vive nesse esconderijo
Em busca do homem
Que diz ser seu
E a faça sentir-se
Dona do mundo
Que criou para si

Ter um sonho ainda virgem
A crescer no seu ventre