sábado, 17 de março de 2012

Entre mim e o vento
mais do que um acordo...
a cumplicidade andarilha,
a sabedoria ancestral
de alguém, sem idade
mas que não se tem
sobre um pedestal


Entre mim e o vento
o compromisso, a promessa
ele carrega a poeira,
o lixo da minha alma
e leva-os para longe
para as dunas dum tempo
que se esgueira da vida
que ainda me resta
e às vezes me esqueço
que fiz merecida


Entre mim e o vento
mais do que a alergia
às coisas mundanas
ele transporta o sonho
que me dá alento
e transforma em poesia
o que poderia ser ...
apenas um lamento.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Sinais


A lua trazia uma adaga prateada
escondida na dobra do vestido
quando surgia por detrás das árvores
projetando um luz ensanguentada;
sempre que caía a noite
e a sombra dos deuses se confundia
com o choro apocalíptico das hienas
a traçar os sinais de uma dor futura

______________________________________

O POEMA QUE NÃO TE LI



Não penses que me esqueci de ti.

Não esqueço que um dia ao teu leito pertenci
Um dia de cego e quente amor (tão tua) me perdi…

Na noite em que roubei o sol e me vesti
Ao teu íntimo murmurei e pedi
Leve, que me deixasses possuir-te, desci
Breve, soltei-te as vestes, renasci…
Não esqueço a flor de lótus que para o teu sorriso colhi
Numa era em que só aos teus olhos me (p)rendi
Partilhei, vivi, amei, sorri, chorei, aprendi
Tanto mendiguei nos teus braços
Tanto superei a tempestade
Quisera eu o calor daqueles abraços
Para navegar no mar em liberdade…

Não, não penses que me esqueci de ti.

Tanto que eu pedi para voltares
Tanto eu pedi para me amares
Que importa se dos olhos salgam gotas?
Se tu olhas e finges que não notas?!
Morreu-me ao canto dos lábios o poema que não te li…
No dia em que me esquecer de ti
Quando me faltar a palma unida
Meu amor, quando me faltar a vida
Morri.
07.03.2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Queda no Auge

Imagem: retirada da net (autor desc)

Perco-me por entre todas as folhas caídas no chão do pensamento. Vento que passa esvoaçando-as à reflexão presente, volvendo ao futuro que se quer perto. Eis a contradição da beleza morta, caída na realidade viva. Nada mais natural - penso. Caíssem também por terra - tal como as folhas das árvores -, os desvalores humanos orientados pela sede do ego. Fizessem germinar novas plantas fornecendo-nos oxigénio, tal como precisamos de Luz. Observo, como que de fora, todo o corrupio da cidade, pensando que tudo terá que ser diferente, continuando na imutável sabedoria de uma natureza que é Mãe.

30112011

terça-feira, 13 de março de 2012

Entardecer...

Diz como está hoje o pôr-do-sol
Enquanto me contas, eu penso
Como és lindo, e que sorte tenho em ser
A metade de um conto de entardecer
Que observo ao te escutar,
Porque meus olhos são tua voz…

Vem…chega aqui…sim… mais perto,
Quando estamos pele com pele
Minhas mãos te desenharão
Seu perfume me dirá seus segredos
Junto a ti…assim…unidos…
Sem saber porquê…
Com certeza perceberemos
O resplendor de uma ilusão
Por que a teu lado, e a meu lado…poderemos esquecer…

Para mim sempre é de noite, mais uma noite
Contudo essa noite é como um entardecer
Se consegues que a vida me toque, assim…num toque
Seus olhos são os que brilham
E a lua que te apague,
Que em minha eterna escuridão
O céu tem nome: teu nome
O que eu não faria por contemplar-te
Ainda que fosse um breve instante…

Não…por favor não…nunca mais te condenes
Por tentares amanhecer
Não se perca de novo…na noite…nessa noite
Por que sua alma
Brilha com mais força
Que um milhão de sóis
Mas, em sua eterna escuridão…em minha vã escuridão
Por vezes…às vezes se ouve a voz
Que não daria eu por contemplar-te?!
Ainda que fosse um breve instante…

Vá lá…vem…chega aqui…sim…mais perto
E sussurrando-me ao ouvido
Diz como está hoje o pôr-do-sol…

domingo, 11 de março de 2012

17 Mar - Porto - Carlos Val (Conceição Bernardino)

 
 
O autor, Carlos Val, pseudónimo literário de Conceição Bernardino, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Nono sentido” a ter lugar no Olimpo Bar Café, sito na Rua da Alegria, 26, no Porto, no próximo dia 17 de Março, pelas 17:00.

Obra e autor serão apresentados pela poetisa Rosa Maria Anselmo.

Palavras cuspidas em surdina

Passas a língua sobre o rio que parou de correr
Procuras ávida o que o mar não devorou,
Chagas, amantes ocasionais degradam-se
Nas flores ressequidas que alguém te ofereceu

Sossega o vómito, a luz levanta-se
Das palavras cuspidas em surdina

A dor aperta, amputei as marés dos teus braços,
Da ausência, da timidez dos santos

Na suave ansa do grito espelha-se o lume
Deixemo-nos aquecer nas incuráveis
Preces do inferno antes que arrefeça


Carlos Val

COMO INVENTAR SONHOS


Rumo a um porto que não existe
Na esperança de alcançar felicidade
O vento roda ... em levar-me insiste
À lonjura donde me vem a saudade.
Este longo inverno que já não termina
E o frio norte que não traz um sorriso!
Nos meus olhos a neblina
... E da infância chega uma doce brisa.

Voltarei ao ar perfumado
da minha gente
À primavera das amendoeiras em flor
Me entrego ao vento fervorosamente
ao seu fragor.
Rompe dos meus olhos a água
No meu rosto a inocência primeira
No coração a mágoa
Que brota sem fronteira.

Peço à esperança que viva sempre
em mim
Me traga dia a dia uma palavra nova
Um sorriso, um aroma a jasmim
E de estar viva me dê a prova.
Me deixe sentir o êxtase da felicidade
Não me deixe do tempo prisioneira,
ou sofra com sua voracidade.

E os silêncios se farão doçura
neste tempo maduro de viver
A vida me dará uma mão
cheia de ternura
E o terrível vazio vou esquecer.

natalia nuno
rosafogo

Em sonho

Eu fiz-me tão grande e repleta
Enquanto fui no Mundo, alguém
E sou a que tudo pode e tudo tem
E a que na vida, chegou á meta.

Eu fiz-me maior e mais completa
Enquanto pratiquei somente o bem
E sou a que fez e sem olhar a quem
E a que lançou ao cúpido, a seta.

E também me vi na maior mulher
Não conheci ninguém, igual a mim
E tem que ser assim, quem me quiser!...

Eu sou, a que fui mais e mais além
A que sonhou tanto, tanto e por fim
Acordei do sonho e não sou ninguém.

sábado, 10 de março de 2012

A vida é feita de muitas camadas

Deambulando fisíca e mentalmente


Vejo-me criança, sem pressas, brincando
Com deslumbres simples que estranhava
Sorria, pensava talvez… deambulando
Entre flores e animais que eu sondava!

Mais tarde, na adolescência, encantada
Descobria o outro, esse apelo romântico
Sonhava fantasias, queria ser amada
Enlevada por um promissor e suave cântico!

Cresci, cresci tanto, por dentro e por fora!
Como escrever sobre tanta vivência?
Difícil descodificar em palavras a memória!

Mas, bom e mau se misturam mesclados
Dores e alegrias nos dão a existência
A vida tem seus viras e seus fados!
Fev.2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

A Alma Do Horizonte











Você , meu amor
senhora absoluta
das estações
que dos dias todos sois
o melhor
eu vos medito ,
ó fruto bendito !
sua boca
falando aos meus lábios
o estremecer , gesto florido ,
da mais sentida e pura emoção

E... dos dias todos , ó senhora minha ,
escutai as mudanças que são milagres
no som da vossa imaculada respiração
e ... acreditai-me ,
sei que o seu nobre coração
dialoga com Deus
agradecendo-lhe , com a vida na mão ,
a benção
do pão que é a nossa alegria
- o amor

Por fim , somos onde ficamos
somos o tempo que mudamos
minha senhora querida
o seu vestido primaveril perfuma as asas dos pássaros
é reino do céu intenso que canta azuis nas vossas mãos
paraíso onde o verão eterniza a borboleta
então ...
ainda que nos violinos o outono empalideça
ainda que dos pianos o inverno se esqueça
a sua voz , senhora amada ,
é e sempre será
das estações
a melhor


À minha amada Dani

JouElam, 031020111441

Nota: Para o dia de hoje, é minha opinião que o presente poema se ajusta a este momento sublime das nossas vidas. Obrigado , meu amor.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres que não desistem de amar


As últimas flores do verão
recolhem as pétalas frágeis
num regaço de terra macia,
dobram o tronco exausto
pela carícia de uma luz ardente
e se preparam, em silêncio,
para a melancolia do outono;
a longa carruagem do frio
a atravessar a sombra dos dias.

Não choram nem lamentam,
o pólen desvanecido
e o estio que se enreda no corpo;
não reclamam o vigor despido
pelas unhas agrestes do tempo,
nem murcham
com o sopro bafiento do inverno.

Descalças desenham no chão
o perfume de um horizonte futuro
e nos braços do vento flutuam
sem nunca desistir de sonhar,
sabendo que sempre existe
um oculto caminho de regresso
à primavera e aos braços do amor.

Quando a aurora findar

Quando a aurora findar
no trilho cinzento do mármore
e o coração deixar de pulsar
o vento desabrochará
as pétalas do teu rosto
e em amoras salgadas
sulcarão
os mares longínquos
onde chispa o sangue
açoitado
no espumar ondulado
do corpo nú

O sentido de ser mulher

Há um brilho límpido humano
Na ânsia de tantas vidas
Entre ensaios da natureza
E o aroma das flores perdidas
No meio de tanta beleza

Há uma luz cambiante
Que alterna com a bonança
Tal como no céu uma estrela
Desencadeia a esperança
Que no olhar germina ao vê-la

Há a força que vem do íntimo
E uma sensibilidade suprema
Entre a razão e a sensatez
Que desfralda tanto lema
Em vínculos de amor e solidez

Há o caminho da vida
E o que nele se representa
Como símbolo da Humanidade
Que dando à luz alimenta
Um apelo à eternidade

Há uma luz no mundo
Que regozija também
Pela ternura que de ti vier
Elevada ao papel de mãe
No sentido de seres mulher


António MR Martins

2012.03.08
Dia Internacional da Mulher

quarta-feira, 7 de março de 2012

DEIXA-ME DIZER-TE (TUDO)

Deixa-me dizer-te
Porque sorriem as orquídeas no Outono
Se me aqueço do teu corpo no Inverno
No paraíso a dois só tu és meu dono
Só no teu peito encontro o calor (e)terno.

Deixa-me dizer-te
Todos os passos de fogo que dá a Lua
Quando serpenteias louco pela minha pele
E te vestes da minha carne (a tua) nua
Se lavo o sorriso nos teus olhos de mel.

Deixa-me dizer-te
Porque só enlaço as minhas mãos com as tuas
Se nossos lábios se juntam num poema maior
Sempre que estou perto e nos meus braços suas
Gritando à tempestade não há sensação melhor
Deixa-me dizer-te
De que cor pintei as águas do Rio Mondego
Pela pureza ruiva que roubei ao teu olhar
No teu leito sinto o doce aconchego
Onde não me perco, só me sei encontrar

Deixa-me dizer-te
Corrigi o itinerário das minhas asas
Ao encontrar um voo de sol em teu redor
Ate(e)i a nossa paixão em plenas brasas
E no teu ventre tatuei a palavra amor

Deixa-me dizer-te
Não é coincidência ouvirmos a mesma canção
O que nos rodeia é mais do que terra, é (a)mar
Nunca te negarei o bater do meu coração
Porque só tu sabes como o completar!

Deixa-me dizer-te TUDO...
Num (só) verso mudo.

A FUGA DO TEMPO



Neste dia quanta coisa por dizer
As palavras se repetem
Mas escrevo, escrevo e assim
a morte, nada intenta contra mim.
Nos olhos as lágrimas se metem
Como os últimos raios nas vidraças
batendo, batendo como ameaças.

Queria tanto ser uma garça
Ou uma narceja!
E num vôo adensar por entre nuvens
correr mundo.
É tudo que meu olhar deseja!
Aproveitar o vigor
Seguir o suspiro do vento
Abandonar-me ao amor
Que ainda no coração acalento.

Trago os olhos húmidos de emoção,
e na noite de repente caída,
uma lágrima rebelde incontida,
de tristeza e confusão.
A fuga do tempo me acompanha
Levo no coração confiança,
deixo-me ir na corrente,
sou como em criança.

Vou sonhando sómente...

natalia nuno
rosafogo

Qual o sabor do luar?


Existem luares salgados
que rasgam a boca
no uivar do céu.
São peitos encrespados
pelo sal das lágrimas
que escorrem em gritos
entre as estrelas.
De braços abertos
a terra recebe
o fruto do medo
enquanto os olhos se fecham,
um a um…
A esperança está em ti,
que sente o luar doce,
e recebe o amor em segredo,
como a brisa que se recolhe
na face quente.

Vanda Paz (6.03.12)

Manifesto Outono Milenar

Outono Milenar.
Árvore despida no canto da nuvem.
Folha seca, caída.
Tapete de chão, agitado no vento.
Vento seco, queimado.
Sopro do peito deserto.
Húmido, cinza molhado.
Brisa de céu encoberto.
Corpo caído…
Galho quebrado na força da vida.
Ninho desfeito.
Ave perdida…
Murmúrio, lamento de tempo.
Chuva miúda, suicida.
Prédio molhado, sente passos.
Passos de gente na avenida.
Estrada aberta, artéria que aperta.
Som de silêncio.
Alma calada…
Olhos fechados, janela esquecida.
Pedra lançada.
Eterno segundo, vidraça partida.
Tempestade, trovão.
Boca no grito, credo na mão.
Hora…
Raio de choro, seduz sem luz.
Cheiro de terra pela manhã.
Taça vertida.
Licor negro, adormecido.
Calma…
Sabor de vida.
Calma…
Véu transparente, brilho no ar.
Manifesto!
Manifesto.
Outono Milenar.

Mirrada

Lá no alto a Penha - Guimarães

Dependurei-me na árvore a descansar depois de a escalar. Tarefa difícil foi esta. Os ramos estavam despidos e secos, a uma altura acima do alcance dos meus braços. Com manobras, umas mais, outras menos decididas lá me espetei nela, como se fosse mais um ramo mirrado à espera que chegasse a primavera. Esta tardava a chegar. Os dias eram pequenos e as noites longas demais.


terça-feira, 6 de março de 2012

Ser Mulher














Ser Mulher é...trazer nos genes a força, a coragem,dar incondicionalmente de si,amar sem pedir nada em troca,parir para perpetuar a vida,sofrer calada,dançar, cantar, sorrir,mesmo que a dor lhe estrangule a alma,espalhar esperança onde ela já não exista,esgotar-se em dobradas tarefas,cuidar primeiro dos outrose abdicar, por amor, dos direitos mais elementares,nada exigir dos demaise exaltar a Deus o pouco que lhe foi destinado.
Ah, mas ser Mulher, pode também serbeleza, alegria, paixão!Tudo isto num só dia...Este ser, perfeito e únicofaz da vida uma festae não se cansa de agradecer ao Senhor.