sábado, 10 de março de 2012

A vida é feita de muitas camadas

Deambulando fisíca e mentalmente


Vejo-me criança, sem pressas, brincando
Com deslumbres simples que estranhava
Sorria, pensava talvez… deambulando
Entre flores e animais que eu sondava!

Mais tarde, na adolescência, encantada
Descobria o outro, esse apelo romântico
Sonhava fantasias, queria ser amada
Enlevada por um promissor e suave cântico!

Cresci, cresci tanto, por dentro e por fora!
Como escrever sobre tanta vivência?
Difícil descodificar em palavras a memória!

Mas, bom e mau se misturam mesclados
Dores e alegrias nos dão a existência
A vida tem seus viras e seus fados!
Fev.2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

A Alma Do Horizonte











Você , meu amor
senhora absoluta
das estações
que dos dias todos sois
o melhor
eu vos medito ,
ó fruto bendito !
sua boca
falando aos meus lábios
o estremecer , gesto florido ,
da mais sentida e pura emoção

E... dos dias todos , ó senhora minha ,
escutai as mudanças que são milagres
no som da vossa imaculada respiração
e ... acreditai-me ,
sei que o seu nobre coração
dialoga com Deus
agradecendo-lhe , com a vida na mão ,
a benção
do pão que é a nossa alegria
- o amor

Por fim , somos onde ficamos
somos o tempo que mudamos
minha senhora querida
o seu vestido primaveril perfuma as asas dos pássaros
é reino do céu intenso que canta azuis nas vossas mãos
paraíso onde o verão eterniza a borboleta
então ...
ainda que nos violinos o outono empalideça
ainda que dos pianos o inverno se esqueça
a sua voz , senhora amada ,
é e sempre será
das estações
a melhor


À minha amada Dani

JouElam, 031020111441

Nota: Para o dia de hoje, é minha opinião que o presente poema se ajusta a este momento sublime das nossas vidas. Obrigado , meu amor.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres que não desistem de amar


As últimas flores do verão
recolhem as pétalas frágeis
num regaço de terra macia,
dobram o tronco exausto
pela carícia de uma luz ardente
e se preparam, em silêncio,
para a melancolia do outono;
a longa carruagem do frio
a atravessar a sombra dos dias.

Não choram nem lamentam,
o pólen desvanecido
e o estio que se enreda no corpo;
não reclamam o vigor despido
pelas unhas agrestes do tempo,
nem murcham
com o sopro bafiento do inverno.

Descalças desenham no chão
o perfume de um horizonte futuro
e nos braços do vento flutuam
sem nunca desistir de sonhar,
sabendo que sempre existe
um oculto caminho de regresso
à primavera e aos braços do amor.

Quando a aurora findar

Quando a aurora findar
no trilho cinzento do mármore
e o coração deixar de pulsar
o vento desabrochará
as pétalas do teu rosto
e em amoras salgadas
sulcarão
os mares longínquos
onde chispa o sangue
açoitado
no espumar ondulado
do corpo nú

O sentido de ser mulher

Há um brilho límpido humano
Na ânsia de tantas vidas
Entre ensaios da natureza
E o aroma das flores perdidas
No meio de tanta beleza

Há uma luz cambiante
Que alterna com a bonança
Tal como no céu uma estrela
Desencadeia a esperança
Que no olhar germina ao vê-la

Há a força que vem do íntimo
E uma sensibilidade suprema
Entre a razão e a sensatez
Que desfralda tanto lema
Em vínculos de amor e solidez

Há o caminho da vida
E o que nele se representa
Como símbolo da Humanidade
Que dando à luz alimenta
Um apelo à eternidade

Há uma luz no mundo
Que regozija também
Pela ternura que de ti vier
Elevada ao papel de mãe
No sentido de seres mulher


António MR Martins

2012.03.08
Dia Internacional da Mulher

quarta-feira, 7 de março de 2012

DEIXA-ME DIZER-TE (TUDO)

Deixa-me dizer-te
Porque sorriem as orquídeas no Outono
Se me aqueço do teu corpo no Inverno
No paraíso a dois só tu és meu dono
Só no teu peito encontro o calor (e)terno.

Deixa-me dizer-te
Todos os passos de fogo que dá a Lua
Quando serpenteias louco pela minha pele
E te vestes da minha carne (a tua) nua
Se lavo o sorriso nos teus olhos de mel.

Deixa-me dizer-te
Porque só enlaço as minhas mãos com as tuas
Se nossos lábios se juntam num poema maior
Sempre que estou perto e nos meus braços suas
Gritando à tempestade não há sensação melhor
Deixa-me dizer-te
De que cor pintei as águas do Rio Mondego
Pela pureza ruiva que roubei ao teu olhar
No teu leito sinto o doce aconchego
Onde não me perco, só me sei encontrar

Deixa-me dizer-te
Corrigi o itinerário das minhas asas
Ao encontrar um voo de sol em teu redor
Ate(e)i a nossa paixão em plenas brasas
E no teu ventre tatuei a palavra amor

Deixa-me dizer-te
Não é coincidência ouvirmos a mesma canção
O que nos rodeia é mais do que terra, é (a)mar
Nunca te negarei o bater do meu coração
Porque só tu sabes como o completar!

Deixa-me dizer-te TUDO...
Num (só) verso mudo.

A FUGA DO TEMPO



Neste dia quanta coisa por dizer
As palavras se repetem
Mas escrevo, escrevo e assim
a morte, nada intenta contra mim.
Nos olhos as lágrimas se metem
Como os últimos raios nas vidraças
batendo, batendo como ameaças.

Queria tanto ser uma garça
Ou uma narceja!
E num vôo adensar por entre nuvens
correr mundo.
É tudo que meu olhar deseja!
Aproveitar o vigor
Seguir o suspiro do vento
Abandonar-me ao amor
Que ainda no coração acalento.

Trago os olhos húmidos de emoção,
e na noite de repente caída,
uma lágrima rebelde incontida,
de tristeza e confusão.
A fuga do tempo me acompanha
Levo no coração confiança,
deixo-me ir na corrente,
sou como em criança.

Vou sonhando sómente...

natalia nuno
rosafogo

Qual o sabor do luar?


Existem luares salgados
que rasgam a boca
no uivar do céu.
São peitos encrespados
pelo sal das lágrimas
que escorrem em gritos
entre as estrelas.
De braços abertos
a terra recebe
o fruto do medo
enquanto os olhos se fecham,
um a um…
A esperança está em ti,
que sente o luar doce,
e recebe o amor em segredo,
como a brisa que se recolhe
na face quente.

Vanda Paz (6.03.12)

Manifesto Outono Milenar

Outono Milenar.
Árvore despida no canto da nuvem.
Folha seca, caída.
Tapete de chão, agitado no vento.
Vento seco, queimado.
Sopro do peito deserto.
Húmido, cinza molhado.
Brisa de céu encoberto.
Corpo caído…
Galho quebrado na força da vida.
Ninho desfeito.
Ave perdida…
Murmúrio, lamento de tempo.
Chuva miúda, suicida.
Prédio molhado, sente passos.
Passos de gente na avenida.
Estrada aberta, artéria que aperta.
Som de silêncio.
Alma calada…
Olhos fechados, janela esquecida.
Pedra lançada.
Eterno segundo, vidraça partida.
Tempestade, trovão.
Boca no grito, credo na mão.
Hora…
Raio de choro, seduz sem luz.
Cheiro de terra pela manhã.
Taça vertida.
Licor negro, adormecido.
Calma…
Sabor de vida.
Calma…
Véu transparente, brilho no ar.
Manifesto!
Manifesto.
Outono Milenar.

Mirrada

Lá no alto a Penha - Guimarães

Dependurei-me na árvore a descansar depois de a escalar. Tarefa difícil foi esta. Os ramos estavam despidos e secos, a uma altura acima do alcance dos meus braços. Com manobras, umas mais, outras menos decididas lá me espetei nela, como se fosse mais um ramo mirrado à espera que chegasse a primavera. Esta tardava a chegar. Os dias eram pequenos e as noites longas demais.


terça-feira, 6 de março de 2012

Ser Mulher














Ser Mulher é...trazer nos genes a força, a coragem,dar incondicionalmente de si,amar sem pedir nada em troca,parir para perpetuar a vida,sofrer calada,dançar, cantar, sorrir,mesmo que a dor lhe estrangule a alma,espalhar esperança onde ela já não exista,esgotar-se em dobradas tarefas,cuidar primeiro dos outrose abdicar, por amor, dos direitos mais elementares,nada exigir dos demaise exaltar a Deus o pouco que lhe foi destinado.
Ah, mas ser Mulher, pode também serbeleza, alegria, paixão!Tudo isto num só dia...Este ser, perfeito e únicofaz da vida uma festae não se cansa de agradecer ao Senhor.

A SC

Subindo as escadas
Percorro salas
Paro aqui e ali
Leio e observo!
.
Tu estás e não estás!
.
Corre a brisa
Da tua essência
Da tentativa conseguida
De deixares algo de ti,
Penetrando
Fundo nas gavetas da alma!
.
Olho em volta
E numa revolta
Dou uma reviravolta
E olho através da janela…
Uma estrela brilha
E num fio de música
Solto-me da gente envolta!


domingo, 4 de março de 2012

Ao som do amor

Torrentes de areia fina
Vem em direcção ao amor
No olhar desta menina
Que o abraça com rigor!

Melodias da noite escura
Escuto no silêncio do dia
À margem do rio, tão só.

Sintonias da noite, pura
Já dotada de muita magia
Quando de mim não tem dó.

Sinfonias da noite ao luar
Eu sinto e o amor continua
Dentro de mim para ter.

Fantasias da noite a passar
Sobre a minha pele já nua
Quando ama sem saber!...
Caudais...
 
Já não desço as montanhas

já não sulco a terra

do centro das entranhas

... sou hoje o caudal denso

e farto de um rio

a serenidade das águas

na meia estação

vestida de verde

esperança renascida

correntes intensas

no sopé da vida.

São magestosas

as pontes que me abraçam

passagens aérias

nos céus desta cidade

e do casario plantado

nas margens do meu leito

cores vivas do mundo

erguidas nas encostas

do meu rio

pedaços de gente

fragmentos de tempo

memórias sem idade.

E a foz ali tão perto

águas mansas

abraçando o mar

e a paz

no convés de um navio

invisível da terra

neste meu longo

caminhar.

São Gonçalves

sábado, 3 de março de 2012


A autora, Maria Antonieta Oliveira, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Encontro-me nas palavras” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 24 de Março, pelas 18:30.

Obra e autora serão apresentadas pelo poeta Emanuel Lomelino.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Hora de partir


São horas de partir.

O sol dobra já as colinas do poente.
Os relógios marcam o tempo de dizer adeus.
Faz as malas e despede-te,
como quem se precipita das inadiáveis alturas
de um solitário pontão.

A casa fervilha de inquietas sombras.
Acendem-se lâmpadas frias no cais cinzento.
Os últimos ventos
dançam na penumbra das camas desfeitas.
É tarde para sonhar.

Azedam as horas no lume brando dos ponteiros.
Rangem dobradiças velhas na ferrugem dos portões
que se abatem sobre as rugas de um fôlego derradeiro.
São horas de partir.

O tempo não espera por ninguém.

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No mar revoltoso do teu corpo náufrago feliz


Marés vivas
Que afrontam a praia deserta
Paisagem turvada e violenta
Catarse que me revigora
Corpo e alma
Em cascatas de maresia!

Vagas incessantes
Ondas a explodirem
Cuspindo para o ar
Em fulgores de pujança!
Sinto a minha vulnerabilidade
Mas a tua mão na minha
Arrebata-me o medo
Das forças contraditórias da vida!

Apesar da tontura das expectativas
Ladeio todos os riscos
Olhando os teus olhos
E mergulho no teu mar amotinado
Cheio de promessas de purgação!

foto:google

quinta-feira, 1 de março de 2012

Gotas perdidas

Uma gota de água
escorre no sentido
da negação constante
como vaga de esperança

Outra gota
salgada
lágrima de tantas outras
inventa o que não consegue

Já não há gotas
que alimentem a sede
da secura de tantos sóis
e do frio desesperante

Os rios desaguam
menores
no mar que lhes cabe em foz

E os barcos deixaram de navegar


António MR Martins

SONETO: DO(RM)ENTE


E se minha alma ao compasso da carne ferve
Mordo a língua em cegas tiras de inquietação
Doença triste que o deserto sombrio me serve
Só um corpo amorfo me cabe na palma da mão

Sou renda desafinada tentando arranhar sedas
Ferida incurável em pele do(rm)ente
Aos olhos em cinzas ardendo entre labaredas
Quisera eu um dia neste mundo ser gente

Oh quimera ingénua, pureza de criança
Entre montes e vales havia um olhar risonho
Soltava-se a voz em timbre de esperança
 
Porque é que acordei daquele belo sonho?!
Arrepia-se a garganta, tenho foles nos dedos
Vendaram-me os olhos, tropeço nos meus medos.

20.02.2012


NOVELOS METAFÍSICOS


Entre a angústia e a estranheza
Sinto o espanto de estar viva!
Misto de medo, júbilo e inquietação
Com a diagonal presente
Da finitude inevitável!
Essa é a maior e mais esmagadora certeza
É o peso da temporalidade
Do grão passageiro
Descoordenado do sentido
Do fundamental além de si!

Desejo o infinito, a eternidade
Cair dentro da pulsação do Absoluto
Na claridade do invisível!
Busco o elementar
Na percepção de vozes desconhecidas
Para além do som!
O mistério além de mim, que mistério já sou!

Uma intuição, latente e implícita,
Do cerne do transcendente
Negado, acolhido,
Debatido, velado, configurado…
Motivando
Descontentamento e desassossego
Consciência de uma irremediável esfinge!
Além inatingível
No meu intrínseco limite
Sempre aquém
Do insondável conhecimento pleno da vida!

Marisa Soveral