terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Renascer

O som do mar,


O encontro das ondas no beijo na praia


Escuto…


Abraçando a sua imensidão


Naquele momento


Onde renasço.





segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Está tudo ali



está com abraços

nos braços

está tudo ali

nas azinhagas


e eu rio

com um rio

ainda de prata



perco-me

nos labirintos frios

em cantos e prantos

dizem-me

das avenidas novas

tão perto

mas tão longe

das mulheres

de antes

que branqueiam os pátios

com as mãos enrugadas

e esperançadas

na nova cidade

que um rio cuida

e a noite descuida

Na confluência do tempo

Há na confluência do tempo
Um marejar doce de águas
Uma ponte iluminada de outros rios
Aqueles que se serpenteiam pelo mar
Na orla fresca da praia distante

Há na confluência de mim
Um soltar de estrelas findas
Na orla remota do cosmos
Numa colmeia de astros virginais

Há no corpo um rasgar doce
Dos traços suaves de poemas vadios
Lavrando a beira pura da semente
Estendida no húmido sol do querer

E são os teus olhos ….amor
que me confluem no etéreo lusco-fusco
da infinidade dialéctica de ser dor

Escrito a 25/02/12

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Nos teus braços

A menina dos teus olhos, queria ser
Iludia o coração enquanto te amava
E adormecia enquanto te embalava
Com eles podia olhar só para te ver.

E a alma do teu peito, eu queria ter
Iludia a vida com amor continuava
E adormecia, enquanto me deitava
Assim bem podia, deixar de sofrer.

A saudade de amar, só eu podia sentir
Iludia a verdade por tudo o que é teu
E com ela eu vivia, sempre a sorrir.

A vontade de voltar, só eu podia ter
Iludia a ansiedade, a que já se perdeu
E com ela me perdia morta por morrer.

Depois da tempestade


Que memória restará do clarão branco
do relâmpago que acende a imensidão nocturna
quando a voz cega do trovão
rugir sobre o dorso sombrio das colinas?

E das águas que caem em bátegas possessas
saciando a sede profunda das valetas,
que recordações sobrarão pela manhã
quando o sol se incendiar num aforismo de luz?

Gastei todas as vidas a atravessar pontes
só para ver se me esperavas do outro lado do rio.
Com que mãos vou agora agarrar a eternidade
sabendo que nada restará da transparência do teu rosto
depois de passar o cortejo fúnebre da tempestade?


________________________________________________

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O teu amor e um maço de cigarros

O teu amor
e um maço de cigarros
enquanto ficas na janela
passam os carros
com a musica alta
e o vento descarrega as suas canções
na curva das estradas

O teu amor
e uma garrafa de vodka
Enquanto a madrugada
não se levanta
alguém espera que acordes
para ouvir as tuas musicas
O teu amor
e um pacote de chocolate
o termómetro marca a tua febre
a tua temperatura é uma canção rock

O teu amor
e um maço de cigarros
A chuva é uma cobra
que deita veneno
no tempo vago das coisas

Enquanto a madrugada
não se levanta
alguém espera que acordes
para ouvir as tuas musicas

lobo 012

Porque te escrevo assim

Porque te escrevo assim
Na espera dos meus anseios
Ao início de cada noite
Ao alvorecer do novo dia
Entre o voo de tantas aves

Porque te escrevo assim
À luz da tua sombra
À mesa da sobrevivência
Com aromas vitalícios
Entre o vento que ora passa

Porque te escrevo assim
Neste meu estar sem jeito
Na história que se não conta
Pelo sorriso de uma criança
Entre versos nunca escritos

Porque te escrevo assim
Na demora do tempo breve
Na origem desconhecida
Pelos gestos de magia
Entre as lágrimas vertidas

Porque te escrevo assim
Das memórias que eram nossas
Ao sentido que nos impele
Nas conquistas do nosso mundo
Entre abraços de ternura

Porque te escrevo assim
Sem saber o que dizer
Amando-te sem nada querer
No sentir mais profundo
Entre o passado e o futuro


António MR Martins

Há asas gigantes
da cor da liberdade
chuviscos ondulados,
disformes
no agrilhoar do tempo

Mas quebra-se o voo
do sonho livre
e os anais da luta navegam
nos purpúreos veios da alma
das pardacentas alamedas
do filamento da vida

E quebra-se o arrojo
em asas partidas
e a liberdade morre
no umbral da porta cerrada



Escrito a 25/02/12

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Infância adiada


as crianças sentam-se no banco
onde não tem jardim
a brincar com o verde
onde não corre a esperança
na manhã que desperta
onde não brilha o sol
num lugar de encruzilhadas
onde não existem caminhos
num sonho de asas inchadas

onde já não há crianças


__________________________________________

Inconfidências

Dou comigo a pensar...
Exercício mental que me persegue
Nem sempre o raciocínio é vital
Também me enreda nas teias da morte
E é dela que eu fujo em cada verso
Tal é o poder da poesia!

Escondo-me nesta ausência de mim
Só eu sei a falta que me faço
Na apatia dos invernos da minh’alma
Estação fria, insípida e letal
Onde me acobardo e subestimo

Sou o fim de todos os meus começos
Já o meio, em nada me satisfaz
É tudo ou nada!Tanto me faz...
O que eu tenho é pressa de chegar
Ao cais onde atracam os meus sonhos












Na rua não ficou nada

Na rua não ficou nada
mas o tempo deixou
coisas dispersas
A tempestade levou
os móveis, os retratos
... e aquelas peças de colecção
os discos antigos
e as receitas de pão de lo
mais o missal da tia católica
a garrafa de vinho nas mãos
do velho Jeremias e uma réstia de choro
no meio da reportagem.
Na rua não ficou nada
mas o tempo deixou coisas dispersas
a luta de uns contra ninguém
todos são iguais quando a morte
tenta jogar. A vida não fica por ali
e por ali anda um tronco
onde será possível o amor se agarrar.
A tempestade levou
os móveis, os retratos
e aquelas peças de colecção
os discos antigos
e as receitas de pão de lo
mais o missal da tia católica
a garrafa de vinho nas mãos
do velho Jeremias e uma réstia de choro
no meio da reportagem.

lobo 012

Eu perdi uma asa

Eu perdi uma asa
no tempo em que tinha medo
e quando á terra voltei
e quando voltei a casa
no corpo de homem acordei
muito cedo a este mundo.
Agora não sou mais Deus
não tenho asa de águia
tenho esta forma de homem
tenho esta forma de mágoa

Lobo 011

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A lua vi eu

A lua vi eu
desceu pela garganta
e no peito do homem rude adormeceu.

Agora é a água dentro dele que canta. As raízes são silabas que a terra bebe
como uma viagem pelos olhos.

Esse livro que dentro dele a paisagem escreve.

Lobo 010

PÉGADAS NA AREIA


Já nada é de verdade
Já tudo tive na vida
Mas levo comigo a saudade
Da Juventude perdida.
Já o vento desfolha os ramos
Palavras em mim arredias
Como sementes vazias

Caminhos que calcorreamos
sem saber p'ra onde vamos.

É tarde, já horas mortas
E nem sossego no leito!
O vento estremece as portas
do meu coração insatisfeito.
É Outono na minha vida
Foram-se as amoras silvestres
Trago a vida cumprida
Saudade nestes tempos agrestes..

Tempo que passou demais...
Mesmo morta me apego à vida!
Queixumes solto, em cantos banais
Sou flor à tarde pendida.
Morrendo... e não volta mais!

Noutro tempo me criei
Quando a vida se escoava lentamente
Que o tempo por mim passava, não pensei,
Trazia no coração fogo ardente.
Hoje está tudo mudado
Tudo se apaga como pégadas na areia
Restam as lembranças

Que a memória sempre ateia.

natalia nuno
rosafogo

Cortou a culpa

Despiu a roupa
vestiu a canção
cortou a culpa
atirou o medo ao chão

E fez da vontade a luta

depois tentou começar
com a força absoluta ser capaz de voar.
Despiu a roupa
vestiu a canção
cortou a culpa
e fez de novo aquela intenção.

O grande momento
a grande paixão
tentar renascer
sem pedir perdão ao tempo

lobo 011

Queria Fazer um Poema

Queria fazer um poema
Mas nada me vem à mente
Queria falar de flores
Do sorriso de meus amores
Do pipilar das aves
Dos teus beijos suaves
Da água das fontes
De todas as nossas pontes
Do rio que corre p’ro mar
Do sol, da lua, do ar
Do jardim florido
Onde te amei, querido
Das estrelas à noite no céu
Desse mundo só meu
Das nuvens brancas que passam
Dos teus braços que me abraçam
Da areia que trilha meu corpo
Do nosso sentir absorto
Queria falar
Do céu e da terra
Da paz, não da guerra
Do mar, da flor
E de ti meu amor
Queria fazer um poema

Escutas a água

Escutas a água
que fala com a terra
e dentro dela anda devagar
como as humidas mãos
que tocam o corpo.
... Escutas a água
que parece uma musica
é assim como quando mexes os lábios
ou quando os teus lábios
sugerem doces pensamentos
inspirados na filosofia.
Escutas a água
que fala com a terra
talvez como a dizer um segredo
um pequeno segredo de amor.
Escutas a água
a água a bater nas pedras é como um amor forte.
Tu andas por cima das vozes
a água é um canto diluido na atmosfera.
Escutas a água que fala com a terra
que faz uma jura, que lhe promete
eterna solidão.
Tu também andas transparente
os teus olhos se bebem frios
como uma canção.
Escutas a água
que parece uma musica
é assim como quando mexes os lábios
ou quando os teus lábios
sugerem doces pensamentos
inspirados na filosofia
lobo 012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Se Lisboa fosse assim

Se Lisboa fosse assim
o teu olhar atravessado no meu
uma ave que sobe ao fado
como a alma sobe a Deus.
Se Lisboa fosse ausente
desta dor que eu não sei
e fosse a forma da gente
no modo como cantei.
Havia de tentar
com a voz mais forte e dorida
chorar ás águas do rio
o vazio da minha vida.
Chorar num modo cantado
assim talvez imperfeito
neste modo de fado
que é o silencio no peito.
Se Lisboa fosse assim
o teu olhar atravessado no meu
uma ave que sobe ao fado
como a alma sobe a Deus

Lobo 011
 

A noite anda nos espelhos

 Aprisionados nos vidros os pássaros domésticos dos magos. A noite anda nos espelhos debicando os estilhaços como faz o pássaro quando bebe a água da madrugada. A noite solta um suspiro como se fosse um cão prostrado no nosso travesseiro. A noite anda nos espelhos fingindo nos olhos estranhos a sombra cega dos frutos. A noite anda assim oculta escondida tal uma raposa nos arbustos.
Lobo 012

Lançamento do Livro "Nono Sentido" de Carlos Val, pseudónimo literário de Conceição Bernardino



O autor, Carlos Val, pseudónimo literário de Conceição Bernardino, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro “Nono sentido” a ter lugar no Olimpo Bar Café, sito na Rua da Alegria, 26, no Porto, no próximo dia 17 de Março, pelas 17:00.

Obra e autor serão apresentados pela poetisa Rosa Maria Anselmo.