terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Meu para sempre...

Uma noite destas vi a eternidade
A me envolver em breu – intemporal e espesso
Num abraço desigual, cumplicidade
Que por minha alma insubjugável agradeço.

Infinito coração, infinita felicidade…
Quando penso que tu és meu para sempre…
Carla Costa (01/09/2011)

Entre tudo e nada...

Apatia, sensatez, beleza ágil
Tal qual vidro que se estilhaça tu és frágil…
Teu olhar disperso no vago, no vazio
Espelha memórias de outrora
Essa paz, serenidade, essa calma!!
Nova aurora?!
Ficas aí, imóvel…entregue ao mundo
És obra feita, palco pisado, pano de fundo
És aplausos, daqueles que se dão de pé
Teu olhar hoje é vazio…
Mas tua vida?! Cheia de emoção, cheia de fé!
Quem te olha bem, olhos de ver ou de sentir
Esboças sorrisos, novo dia a emergir
Tudo começa, tudo se vive, tudo se acaba
Tu sabes bem, que na verdade….
Sim, na verdade…somos TUDO e somos NADA.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Num aspergir sem fim

Há dor tamanha, empoleirada no cume
das ramagens delirantes no centro vazio do céu

Não há secura que seque o gotejar das verdes ramas
aspergidas de sal, pigmentadas de calor

Não há sol tamanho que aqueça a clorofila… exausta

Não há rio que alcance as gementes águas
na dor espelhada das águas inertes

Mas há um olhar diáfano da cor vítrea da alma
num aperto infinito que dói em foliáceos timbrados
num aspergir sem fim

Multidatas

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Faz tempo, que não me vejo por aí

Parei naquele espaço de tempo
Onde se apeiam pensamentos.
Um espaço no tempo que torna memórias
As viagens que fiz.

Momentos, aqueles que antes os veneraram
Hoje não podem ver, cegaram.
São muros erguidos.
São muros obscuros
Construídos dentro de uma lâmpada e partidos
Reconstruídos em ruas desertas, pelas mãos da solidão.

A multidão que se perdeu na hora incerta
E eu… eu, sempre fui atrás a encurtar distâncias.

Nas minhas botas nascem flores
Dos lugares por onde passei
Crescem-me, tatuados pelo corpo
Os nomes das pessoas que amei.

A tentação, na acção que se impõe
Correr…
Corri com olhos nos pés, mas não vi.
A ilusão, na sombra que se sobrepõe
Adormecer…
Adormeci nos buracos onde cai e fiquei.

Percorri meio mundo, já trago nos pés um jardim
E nas mãos, todos os rostos do amor que toquei.

Distante esse mundo que desistiu de mim
O imaginário… as realidades caídas
Que me puxam ao profundo do tempo
Por mais de mil vidas.

Faz tempo, que não me vejo por aí.

JOGOS DE ÁGUA



Sou tão feliz que nem sei onde colocar a alegria!
Soprei para longe culpas e pecados
Dilui-me nos bosquejos da ternura
Não me pertenço, dou-me, gota a gota
Num manancial sem fundo
Viajando pelos arabescos da tua pele exsudada!

Quero tempo para sentir tudo devagar
Sempre há mais mundo
A descobrir
Quando o corpo se faz alma!
Tacteio
O jorro de um lago imenso
Que verte do teu corpo
E me inunda como uma corrente!
Em ti me deito
E respiro teu beijo
Que se fluidifica na minha boca!

O teu abraço protege-me do mundo
Em ti esqueço o sótão do desânimo
Onde o desamparo se compactou em pó
Contigo as poeiras se levantaram desatinadas
Como peixes a girar famintos e sequiosos!

Jan-2011


Dúvida


A dúvida entrou de mansinho
Descalça … sem pés…
Instalou-se
Sentou-se
Fez do coração sua morada
Reteve o sentir da alegria
Da confiança, do ser
Na morada roubada tudo retirou
O coração esvaziou
Em nada ficou!
A dúvida permaneceu
Continuava a batalha do ser
De ganhar ou perder
Almejou sair
Mas como sair se a dúvida existia
nada a demovia,
nem a certeza de que já nada havia!

Lua cheia.


Trago a lua cheia nas mãos

... iluminando o espaço

são do tempo os traços

do tamanho do mundo

Trago sois escondidos

no fundo dos bolsos

para me iluminar

em caso de escuridão

Trago a esperança

escondida nas entrelinhas

de um poema

guardado na palma

da minha mão.


São Gonçalves

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A CHUVA E DEPOIS O SOL

vintage bird

Há sempre um par de lágrimas prontas a cair
Há pelo menos uma que cai
Preciso dum par de asas, quero ir
De onde a memória não me sai.
E cresce, cresce esta vontade
E vem soltando gritos
E são pranto de saudade
Parado nos meus olhos aflitos.

E se caem em desespero?
Não me arrependo de as perder
Pois se o choro é sincero?
Eu choro ... de tanto à vida querer.

Sob o sol que nasce a cada dia
Carrego aos ombros os anos
os desenganos,
e a esperança já tardia.
Mas outro outono virá!
Pondo nos meus olhos o sol
A serenidade a mim voltará
Os pássaros me esperarão
Voltarei a ser no campo um girassol.
E o meu sonhar não será em vão.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog imagens para decoupage

Eu em ti

(imagem da net)


Sinto a garganta seca, árida e ofegante
Como quem deseja um copo de água fria
Num deserto abrasador

Reparo na imagem imaculada
Faraónica e predadora do desejo voraz
Sanguinário do teu corpo
Fico fria, impávida e serena

Carne despida, mergulhada em suor incolor
Palpitante a serva do prazer carnal
Lúcida, atenta e pronta para o amor
Mas o coração fraco em batimento irregular

Amor eleva-me ao bradar de um salmo
Navega comigo na cauda de um cometa azul
Vai…leva este ser a viajar
Coloca-me na almofada do teu leito
E ajuda-me a não acordar do sonho
De mulher fonte do mundo sem fim

Energia do prazer invade o meu jardim!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Peditório Urgente


Caros cidadãos, venho por este meio prestar a minha solidariedade com o nosso amigo Aníbal e a sua Mariazinha, peço-vos encarecidamente que ajudem e contribuam com alguma coisinha. Este pobre homem só recebe onze mil trezentos e quarenta e dois euros mensalmente. É impossível com este rendimento aguentar o custo de vida, como pode este casal de desgraçadinhos viver com dignidade se não ganham o suficiente para pagarem as despesas no final do mês?

Enviei cartas a todas as instituições de caridade do nosso país até para o albergue dos sem-abrigo da Trindade que se prontificaram logo a dar-lhes uma sopinha quente o problema é que a Mariazinha não gosta de comer na marmita só sopas de pacote e o Aníbal faz alergias à couve lombarda só engole as de Bruxelas. Bem que eu andava desconfiada, porque o homem só abre a boca para dizer; “eu avisei que isto não andava nada bem”.

Por isso seja solidário envie para o Palácio Nacional de Belém o que puder, arroz carolino, santolas, cheques visados, cupões de descontos dos hipermercados, raspadinhas, lotarias, produtos de beleza para a Mariazinha, porque a verdade se diga a senhora anda muito mal das peles, eles aceitam tudo desde que o valor seja superior ao rendimento mensal.

Eu já fiz o meu donativo mandei-lhes um das Caldas bem grande para irem gozar com o caralho

Ajude, eles sempre foram tão poupadinhos, enviem-lhes o manual, “como viver com cento e cinquenta euros mensais

Viva a igualdade, viva o Presidente do choradinho

Conceição Bernardino

Pensamentos congelados

E este frio cortante
Que a cada noite se fortalece
Devassa-nos a concentração

O sentido das palavras
Em vãs exultações
Já não urde quaisquer perspectivas

E o frio mais empobrece
A resistência comum
Regelando tantos corpos amorfos

Alguns movimentos
Sacodem o mau estar
E o estado latente
Em que essa congelação acontece

As palavras continuam
Sem apoio valorativo
E tudo se esfuma
Velozmente

A inocuidade estabelece
Os próximos condimentos
Sem tempero nem paladar


António MR Martins

Os dias que passam….

revelações eminentes
realidades que se convertem em outras realidades
que nada tem a ver com o real

partes de um puzzle que muda a cada momento
mas mantém a causalidade
das suas elucubrações sombrias e tenebrosas!

visiono a existência a partir dessa outra realidade
fomentando a ideia de arbitrariedade

contida no meu espírito…
o pensamento nem tem tempo para parar
e olhar o tempo que passa,
vou vivendo e vendo
o que ainda terei mais para ver!
ms.jan.2012

sábado, 21 de janeiro de 2012

Limites

Pelos passos na noite fria
Onde a luz não retorna
E o som se confunde
Com a penumbra escondida

Se reclamam sentidos
De espectro inconsequente
No continuar do caminho
Pelo tempo de tanta espera

Há um limite para tudo

António MR Martins

ESCUTA


pedaços de sonho,
jardins para os meus olhos passearem emoções,
iluminações intermitentes, no bater do meu coração
palavras tresmalhadas, que abrem janelas da alma
e me deixam com uma acelerada pulsação.

encontro e desencontro…
solidão, ruído, eco,
ténue ponte
avistada na luz da madrugada,
marulhar da água na secura da paisagem,
fronteira entre o verde e o amarelo
para achar o azul…

por ti meu amor ando
voluptuosamente
em constante viagem sideral de desejo!

foto.ms

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Este país não é para totós





Contra-indicações: se sofre de gases, azia, urticária, varizes, hemorróidas, acne, enxaquecas, lombrigas, bicha-solitária, pés de galinha e outras coisas acabadas em inha não leia, caso sinta algum destes sintomas procure de imediato um totó.

Ando com um totó entalado no nariz, o raio do macaquinho entope-me as fossas nasais de tal forma que nem um balde de água do mar o afoga, já experimentei de tudo, pinças, cotonetes, lipoaspiração e imaginem só que até o tubo do aspirador tentou suga-lo mas a única coisa que aspirou, foi uma moeda de cinquenta cêntimos, fizeram-me cá um jeitaço dos diabos estava mesmo tesa que nem um jaquinzinho.

Existem vários tipos de totós, para cabelos compridos, curtos, ondulados e para carecas, confesso que o meu preferido é daquele mesmo totó até ao tutano que compra todos os manuais instrutivos para totós. Estou a pensar seriamente abrir uma instituição de apoio ao totó e para totonas e angariar umas croas à custa desta classe mais desfavorecida. Dói-me muito quando vejo um totó a chorar por maus tratos de foro cabeludo ou narigudo, tudo lhes pega é piolho, chato, sarna, carraça que dá cá umas comichões entrefolhos que nem vos conto. Pobres vítimas da civilização enfiados por baixo das carapuças e dos chapéus de palas circulam por todo o lado e se abanarmos muito a cabeça o coitado vomita, porque não consegue aguentar uma mexedela de consciência, precisa sempre de uma cabeça que o guie, nem que seja a do alfinete que é bom para furar balões em dias de festa, ou na procissão da nossa senhora dos caramelos sem açúcar para segurar no estandarte dos chupas. Ai por falar em chupas, já me esquecia de comunicar aos totós que já existe chupas à venda nas farmácias a custo baixo ou alto, conforme a medida do totó, são feitos de vaselina com sabor a arroz de pato, não vá alguém lembrar-se de prender os cabelos do cú.

Viva os totós, viva a liberdade dos caramelos!

Conceição Bernardino

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

VIDA PEREGRINA

Se a gente sorri ou chora
É porque ter o coração quente,
Dá vontade de sorrir e de chorar!
Rir e chorar, é condição
Forma luminosa e comovente,
E é no exacto ponto da lágrima/sorriso
Que está o milagre da emoção!

Sorrindo e chorando se vive
Num abraço de consonância casual
Pela penumbra do que não se vê
Tão real e simultaneamente tão irreal!

Confronto nem sempre pacífico
Entre a humanidade e a transcendência;
Desenhando o quotidiano
Com lugares de memória,
Milagres da Natureza
Afagos do fado e do vento...
Com passos firmes para o desconhecido
Entre a voz aguda das inquietas gaivotas
E o piar jubiloso dos pássaros
No seu voo indefinido!

Mergulho na metafísica do coração
Nas cavidades onde se esconde o amor,
Que receia ser mostrado
E surge tímido, frágil, cheio de temor,
Pela vulnerabilidade de se dar
Com fingimentos de verdade,
Nas inquietantes ressonâncias
Das metáforas da vida peregrina
Até à saciedade!

O caminho faz-se num nó cego
Sempre de olhos em riste
Com mãos afeiçoadas
Num amor excelso!
A vida é sempre um provir e um devir!

jan.2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Ah se eu pudesse

Ah se eu pudesse, num sono profundo
adormecer os fios azuis, que colijam a alma
albergar o livre branco no meu olhar
então as vozes erguer-se-iam do ventre
em monossílabos consonantes pintados
do silêncio emudecido da dor

Afluiriam os rebentos virgens das vinhas
desgarradas das densas ervas carcomidas
e jorraria o vinho, do cálice sagrado da cruz

Pudera eu adormecer os fios azuis
que coarctam o meu peito e as vozes
clamariam em clamores de liberdade

10/1/12

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Horizontes

(Foto D.M. Moção uma aldeia esquecida em Castro Daire)


Sonho ser
Pardal do telhado
Nas manhãs
Soalheiras do Outono
Chilreando no parapeito
Da tua janela
Ao teu acordar

Sonho ser
Cantora de ópera
No teu coração
Em melodias
Ancestrais do amor

Sonho ser
Pintora das tuas
Telas pitorescas
Em jardins suspensos
De lírios brancos

Mas:
Triste o pardal
Que perdeu o encanto
Deixou de chilrear

Renegada a cantora
Que perdeu a voz
Deixou de cantar

Cega a pintora
Que perdeu a visão
Deixou de pintar

Pobre a sonhadora
Que perdeu a alma
Deixou de sonhar

sábado, 14 de janeiro de 2012

SÓIS DE OUTONO


Já se tecem sóis de Outono
Mornos... de sombra tecidos!
Fica o tempo ao abandono
Foram-se os tempos floridos.
É bem real esta ventura,
que me trouxe até aqui
Não esqueço a vida dura!
Mas foi bom o que vivi.

Nasci alecrim cheiroso
Nascido no coração da ribeira
Hoje coração rochoso,
morrendo de tanta canseira.
Ganhei na vida gavinhas,
a que hoje em dia me agarro
Quero ir longe...loucuras minhas!
Pois meus pés já são de barro.

Meus sonhos apenas migalhas
Têm ainda o seu sabor!
Meus sentidos cheios de falhas
Mas no coração trago amor!

Foi-se o solestício de Verão
Ficaram lânguidas as violetas
Na minha fonte a sequidão
Cicatrizes? Não curam no âmago dos
Poetas.

natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Corpos Soltos.

Corpos soltos


Corpos soltos
nas passereles do destino
fragilidades suspensas nas curvas
delineadas da esperança
sopros de vida
insuflados nas manhãs
da desventura

equilibrios transcendentais

e uma brisa suave
acariciando
os sonhos virgens
de uma alma de criança.

São Gonçalves