quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Abri a Porta à Saudade
(Imagem google)
Sem querer
abri a porta à saudade
atrevida e de mansinho
ela entrou
Acomodou-se
e no lugar de um sorriso
uma lágrima deslizou.
Molhou o teu retrato
aquele que tirámos os dois
quando ainda felizes
num olhar sorriamos.
Outra lágrima
retida no beiral de uma pestana
lembra o caminho vivido
aquele que tinha escolhido
onde tu sempre estarias.
Mas partiste
e na bagagem levaste
tudo aquilo que vivemos.
Levaste o meu amor e carinho
todo aquele que te dei,
o meu ser que te ofertei
e esse beijo onde bebemos.
Partiste!
E eu,
sem querer
abri a porta à saudade.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Cascata
| Parque Nacional Peneda Gerês - Clarisse Silva |
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Saudade
Lá…onde o silencio dos silêncios
grita silêncios confusos
Ao longe…onde o vento beija
os cumes adormecidos
O olhar geme … errante
no lapido fogo corpuscular
e liberta-se em fios de água
translúcidos de poesias ímpias,
esvoaçantes rasgando o horizonte
perdidas….nas tonalidades coloridas
de que são feitas as cores profundas
do profundo sonho
Algures no monte longínquo
onde o olhar desnuda
o galope do pensamento
o céu e a vida une-se na cor do desejo
liberto das profundezas da pele
no orvalho da selvática cor.
Saudade
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
RESTO DA JORNADA
Pálidas são as ondas do meu mar
Deste mar ofegante que não acaba
De contornos inquietos
E escuro ao olhar.
Ninguém escuta a sua dor
Nem o vazio que se abriu
Nem a solidão do corpo e da alma.
No peito se levanta a angústia
Pálidas são as ondas do meu mar
Nele terei partido entristecida
Vazia e silenciosa
Que o viver é sonhar.
Mas é também sofrer.
Ainda que já seja Outono
E a solidão me atinja?
No meu coração sem dono
Há amor...inda que finja.
rosafogo
natalia nuno
imagem retirada blog imagens vintage.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Proposta da Editora
Aqui…
Neste chão
Eu
Os pés
As mãos
O tudo
De nada
Aqui
Deixo
As raízes
Planto
Ilusão
A origem
Continuação
Do meu ser
O meu viver
No morrer
Aqui
Nesta cadeira
Penso
Sou
Movimento
Ar
Só pensamento
Livre
Ao vento
Aqui
Pertenço
Ao tempo
Incorporal
De mim
Intemporal
Do fim
Sou
Liquido
Na chuva
Que cai
Aqui
Nesta terra
Onde
Serei pó
Poeira
Na beira
Desta árvore
Crescerá
De mim
Outrora dor
A flor
Um jasmim
Aqui
Sou eu
A ilusão
Ar
O pó
Poeira de mim
A flor
O final
Continuado
Sem fim
Aqui
Eu
Para sempre
Um jardim.
MEU MAR DE ENLEIOS
Chorando e sorrindo…ouço o que o mar me diz…
fala-me de um fado…pungente e embriagado…
romance precípuo e tão perseverante
com perfume de sal etéreo, entranhado…
.
o sol na sua agonia pinta o mar de encarnado…
o mar segreda-me magias de dormir e de acordar…
voz de amor e de verdade, ao ouvido sibilada…
voz acre de saudade do que não foi feito…
voz de partir e fazer…tremente e ciciada…
.
o mar faz em mim eco…e no mar vejo o fruir…
vejo subtileza e mistério…vejo-te a ti…
pulsante…nas minhas veias túrgidas a tinir…
.
assim faz-se a noite…faz-se o dia…
e todos os dias olho o mar que pari…
em marés de todos os enleios de poesia…
.
Setembro - 2011
Fot.mssexta-feira, 9 de setembro de 2011
Palavras
(Imagem google)
Usa-as de qualquer modo
Desde que saibas usá-las.
Abre mentes
Cala gentes
Grita à fome
À guerra
À morte fria.
Escreve-as ensinando
Dita-as cantando
Faz delas sentimentos
Alegres, dor, lamento.
Faz flores
Sem jardim
Noites sendo dia
Faz sonhos acordada
Versos e poesia.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
ESPERO A CHEGADA…
amo-te com o fulgor,
imperecível do silêncio,
num espaço movediço…
tempo feito de muitas demoras
de mãos atadas, atrás das costas
sem voz nem gesto recalcitrante…
aflige-me este meu desterro
nesta terra flutuante sem estrada…
ausente estou…numa espera
como sopro de semente sem raízes…
que almeja a frescura do orvalho
para a vida acontecer inteira
respirando palavras, suor, seiva e sangue!
Setembro - 2011
foto - marisa soveral
O sopro
o sopro que de mansinho afaga a dor
e nas ervas que se soltam da terra
desenha-se a luz tremula do amor
É a chama que subjuga o sopro
onde sussurram os silêncios queridos
e nas ténues acrobacias sumidas
permanece cintilante na cor da vida
Derramam-se gotas vítreas
nos reflexos iluminantes da noite
são pérolas silenciosamente coloridas
que se perdem nas mãos da própria dor
E o sopro solta-se de mansinho
galopando no agitação do amor
afaga lentamente o teu rosto ferido
numa doce carícia trajada de cor
Escrito a 1/09/11
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
MURMÚRIOS DO MARÃO
Implorei ao tempo
Que contra-natura embora
Me tomasse e arremessasse
Às remotas horas da infância.
Aquiescente foi o tempo
Que num rasgo fraterno
Ao meu desafio acedeu.
Num repente não sonhado
Figura que me era então cara
Providencial se me depara
Num pasmo que me esmaga.
É Pascoais!
Ao tempo já
Insigne Homem da palavra
Que evidencia na poética
E no saudosista
E fecundo pensamento,
De Unamuno se irmanando
Na identidade de ideais.
Mero cidadão em que se tem
Encontra no simples jogo de bilhar
Valioso lúdico instante.
Mas porque o sonho é fecundo
E o tempo mostra ter tempo
O meu devaneio
Passa pela paleta
Que para mim, criança
Se mostra translúcida
Do seu patrício já então saudoso
E que obra de mérito também deixou
Amadeu Sousa Cardoso.
Grato hei-de estar
Eternamente ao Tempo
Por ao meu apelo aceder.
Antonius
Ciclos
Abra-se Setembro ao novo ciclo que se aproxima
Abra-se a terra para receber novas fragrâncias
Abram-se as gentes:
- ao novo caminhar das águas,
- aos novos rumos dos ventos,
- às novas fragrâncias de Inverno
Sinta-se no corpo, o aconchego da nova energia quente a ultimar os sentidos mais profundos do Ser – esse lugar afrodisíaco que renova a fonte de prazer até que chegue de novo a Primavera e com ela tudo o que a terra fecundou e afundou.
sábado, 27 de agosto de 2011
DESEJO
SONHO E REALIDADE
Mulher e Rosas - Marc Chagall
«Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo».
TABACARIA poema do heterónimo de Fernando Pessoa, Álvaro de Campos
Gosto…
De sonhar todos os sonhos que sou capaz de agarrar…
Da mulher violentada que ainda sonha com um grande amor…Do homem velho ainda carregado de sonhos…
Da criança que sonha, sem saber o que isso é…
Das pessoas que conseguem voar sem asas…
E das que de mãos vazias sonham…
Do gato que olha não sei para onde e parece sonhar…
Daquele olhar que parece parado e caminha no sonho…
Dos pensamentos num estado de sonolência…suspensos...
Gosto…
Do sofrimento que se torna leve…
Da liberdade dentro da prisão…Do homem pobre que já não quer ser rico…
Do esforço que cria sem ambição…
Da morte que passou a ter o mesmo sentido da vida…
Das lágrimas que se misturam aos risos…
Do sábio que sabe que é ignorante…
Do ignorante que não se esconde…
De todas as histórias de amor…
Do meu voo de amanhã de manhã…
Do silêncio que vem depois da música…
Gosto…
De ficar a divagar por dentro de mim…até me esquecer de mim…
AGOSTO - 2011
Simplesmente voz
no esvoaçar dos lábios
inquietos
sou tonalidade esguia
que te enfada as pálpebras
húmidas de dor
sou simplesmente… voz
dispersa no vento da vida
calada por um olhar
esquecido de mim
sou sopro remoto
no vendaval de um peito
….o teu
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Em mim
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
SOBERBA VISÃO
Adivinhei-te na silhueta
Que a luz da outra banda
Desenhava no azul poente
Na luminosa e radiante poeira
Que o núcleo de sol que se exauria
Emprestava à última réstia
Do esplendoroso Astro.
Mais do que reconhecer-te
Senti viva a tua presença
Nas cores da penumbra que te vestiam
No passo cadenciado
E de uma elegância sem limites
Só podia ser o teu,
No desenho que se estampava
Nesse azul que se esbatia
E apontava já para a noite.
Mas esse desenho
Falava-me do belo
Do belo feminino
Da beleza feita mulher
Das curvas soberbamente desenhadas
Obra-prima de mestre
Que só poderiam ser,
Sonhei ver-te deter o passo
Porventura deliciosamente
Prostrares-te diante de mim
Acordar-me para um mundo
Feito das coisas sublimes.
Mas como o sublime
Nunca se eterniza
Nesse instante que acreditei glorioso
Fez-se noite
E nem do céu as estrelas
Escutaram a minha prece.
antónio bernardino da fonseca
AS PESSOAS PRECISAM DE FIOS…
As pessoas precisam de fios
Para dar sentido à vida...
A vida é perversa
É uma loucura do avesso e do direito!
Sou dependente do direito
Sou fascinada pelo avesso
E pelos dois me disperso…
As pessoas precisam de fios
Porque os fios dão sentido à vida...
Mesmo os fios que se quebram
Que se enchem de nós
Que não levam a parte nenhuma...
Apesar de tudo
Sempre andamos atrás de fios…
Não me canso da vertigem de me enrodilhar
Em fios de cristal ou de navalha
Que dão sentido à vida
E estou sempre por um fio...
E depois?
O que há a seguir?
Não, não é o resto…
É o a seguir?
Divago e me extravio…
Agosto - 2011




