Cruéis sensações que me despem em sexo banal, em retraídas masturbações hórridas, não quero um corpo. Não quero que o meu corpo se misture na conformidade de uma simples penetração sem que a arte o envolva em lirismo, em espasmos poeticamente concedidos.
Sei que os olhos por onde me passeio libam o meu peito atrevido, de uma menina com impaciência de mulher.
Que se encarnicem todos esses olhares!
Todos eles me olham com o mesmo sentido, fornicar como se fornica uma cadela com cio. Chega de me censurar, se me procuro entre olhares desejosos, quase tão cegos de gozo quanto os meus.
E agora?
Condenem-me ou chamem um padre que exorcize este ardor que sinto, quando me esguio nos lençóis devassos, mutilados pelo sexo. Quando penso que todo este cenário não passa de uma ilusão carnal, o meu sonho morre da mesma forma arcaica como o pintei. A impotência mora no descarnar de rostos fingidos onde definho os meus gemidos quase tão decrépitos como os palhaços que nunca chegaram a sorrir.
Parto sem me vir, como outra qualquer prostituta, onde o adeus é um pronuncio de versos fúteis, dentro de uma garrafa de álcool qualquer. Dou um “xuto” e a solidão avança sem me condenar às exigências da linha recta onde pendurei as minhas veias.
Conceição Bernardino
domingo, 24 de julho de 2011
Adeus Amy WineHouse…
sábado, 23 de julho de 2011
ENCONTRO NA NOITE ESCURA
Onde o vento se acoite
Longe do sol nascer
Estrelado estava o céu
Que a noite era de breu
Olhos não tinha para ver
Mas a noite me fascina
E não sei se é por sina
Tenho que a encarar
É nela que os meus intentos
Vitorias ou desalentos
Deveras vou confrontar
O que tinha dentro de mim
Aconselhava-me sim
A discreto ser no agir
Que o amor em mim arfava
Era força que animava
Intento que me movia
Procurei na noite escura
Esgotei-me até à secura
Já que na noite não via
Confiei na intuição
Em súplica pedi a mão
A quem me pudesse ajudar
Um anjo caído do céu
Retirando à noite o breu
Ofertou-me mulher amante
Reconquistado o amor
Colhi a mais bela flor
E num beijo lha ofertei
Ganhador me senti ser
Por ver que voltava a ver
A mulher que tanto amei
Antonius
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Talvez

quinta-feira, 21 de julho de 2011
Naufrágio da emoção
Numa onda d’ amor
Navegou a minha ilusão
De mui’ estranha dor
Feri o meu coração
E na cabana da solidão
Viveu a minha ousadia
De mui’ contente o refrão
Cantou a chorar nesse dia
E numa nuvem de magia
Voava azul a minha cor
Cheia de vida e alegria
No jardim da emoção em flor
Que se distinguia ao Sol-pôr
E rumava por tradição
Sobre a onda deste amor
Que naufragava de emoção.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Sinto-te nas águas vivas do Mondego

Deslumbro-me na visão nobre do Mondego
em gestos ansiosos, semicerro as pálpebras
sinto as ondas rebolam no meu corpo translúcido
e os gemidos murmurantes da folhagem algures
funde-se com o grasnar das gaivotas
testemunhas de mim
Permaneço nessa êxtase estonteante
ausento-me na lonjura dos corpos
e na fundura da minha pele ouço-te gemer
num acariciar fecundo de um sol apaixonante
que me envolve num estado de emoção
e os vagidos do meu corpo dançam no teu corpo
em abraços longínquos que se perdem
na minha louca agitação
O ciciar do vento beija em laivos de ternura
os meus olhos encurralados no tempo
e no alaranjado entardecer de mim
sinto-te amor, nas minhas mãos paixão
em caudais de doces canduras
na foz do teu corpo vulcão
domingo, 10 de julho de 2011
Cem horas, a contar os minutos
Gritassem as flores rios de vento
na subtracção das horas ao tempo
a um batalhão de campas desarmadas
na bandeira de uma nação.
Gritassem as dores salvas de amor
pelas lágrimas derramadas.
Pudessem, todas as balas disparadas
fazer o percurso inverso
e vergariam as próprias armas
aos olhos dos homens
que deixam cair o mundo dos braços.
Pelo Planisfério, o atrito duma borracha
e uma guerra de girassóis
a desenhar fronteiras sobre as ruínas
de dias bombardeados com nuvens.
Cala-se o tempo…
sem horas a contar os minutos.
Cala-se o grito, ao tempo dos homens.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
SOMBRA DA AUSÊNCIA

O teu corpo é como se fosse
o meu único destino,
quando não sei
como encontrar-te.
O meu olhar te rodeia repentino
E no vazio do meu corpo
vou vivendo para amar-te.
Assim vou tropeçando e caindo
Neste destino cansado
E no meu peito sentindo
Este amor arrebatado.
Inquieta, cega
e desmemoriada
Teu corpo é minha terra, o meu mar
A luz dos meus olhos incendiada
És meu tempo, minha vida, meu respirar
Corro alegre na vastidão do Outono
Em plenitude e alvoroço
Iluminada me deixo ao abandono
Sou jovem, a desejar-te
Quando no silêncio te ouço.
No silêncio,
onde não sei encontrar-te.
A sombra da tua ausência
Deixa em mim!
Uma ferida em permanência
Uma inquietude sem fim.
rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog imagens para
RECORDAR ISTAMBUL
Cidade que és três vezes cidade
Ante tua grandeza, oh Istambul
Deteve-se o tempo
Que em aparente, absurdo advento
Impotente se mostrou em deter-te o passo.
Tu Istambul três vezes cidade
Memória guardas de Bizâncio e Constantino
Do remoto burgo guardas a saudade
Aos guardas do império empolgada cantas
As glorias e feitos em inspirado hino.
Em cálida noite de Junho me enfeitiçaste
Sob a luz de lua cheia esplendorosa
Portentosa aos olhos do homem te mostraste
Cidade meeira de três impérios
Que fronteira de dois mundos te tornaste.
Das tuas Mesquitas e Minaretes
Enternecedores cânticos chegam até mim
Em ressonâncias de lírica oração
Neles te sinto o palpitar da alma
Inebriando-me o idílico do silêncio
Nas estrelas reflectindo a tua história.
Sinto-me abraçar-te oh Istambul
Nas entranhas de incontida emoção.
Luciusantonius
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Quem...
com adagas de frio,
me golpeou o ar
e me apagou os traços em fios...
quem entre aspas,
me devorou o silêncio,
como pássaro cruel,
calcando-me os passos de lume,
dobrando-me a boca
com punhos em redor...
quem me espadejou os pés,
enterrando-os no coalho da areia,
no vento alto e cavo
com os versos molhados,
atirados para dentro do espelho...
Eduarda
terça-feira, 5 de julho de 2011
HAIKAIS

I
Ocultam um sol quente
Tocarão todas as teclas
do meu piano?
JULHO - 2011
domingo, 3 de julho de 2011
Na rebeldia de sabores
Nas pinceladas enleadas
com que pinto
os amores-perfeitos
desenhados
repousa a alegoria
da cor dos olhos teus
São traços aprimorados
pelos odores do corpo teu
tintas matizadas
na rebeldia de sabores
dos lábios meus
Dedos esculpindo-se
no ímpeto da alma minha
em esguios pincéis
escrevo na entrelinha
da tela rendilhada de cor
E no suspiro da manhã
o céu cobre-se de sol
a fisga e as tranças
Deixa-me ser a miúda das tranças que te sorri com ternura, e cúmplice, te pisca o olho enquanto levas a reprimenda da professora, a que te ajuda a tratar as feridas depois do pugilato, e ainda diz que da próxima vez é que vai ser! Ah, pois vai! Da próxima vez vamos arquitectar uma estratégia de contra-ataque absolutamente perfeita. E vamos fazer a folha ao gajo! Ideias largadas na prateleira da nossa inocência que sabem bem acalentar.
Era bom se a vida se fizesse apenas de dança, sorrisos e ternuras… Mas não, às vezes parece que faz até questão de nos atormentar, de não deixar que nos sintamos tranquilos. Nem felizes. Como se ser feliz não fosse vencer na vida, mas sim vencer à vida.
Todavia, essa mesma vida castrante que tão mal pode fazer, de quando em vez traz-nos um punhado de coisas boas, que ficam, que amaciam e adoçam o caminho… Há que saber segurá-lo de mão firme para nada se esvaia entre os dedos. É onde te seguro: na palma, de encontro ao peito.
E perde essa mania irritante de dizeres que me aborreces! Sempre contigo no dia a seguir, lembras-te? Porque só assim sei ser junto de quem me faz bem.
(E se voltas a repetir a mesma cantiga, juro solenemente pelas minhas tranças, que te atiro a fisga ao ribeiro e digo a todos na escola que ainda usas chupeta para dormir! Podem nem acreditar, mas fazem pouco de ti na mesma!)
Marina do Freixo, Junho de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
NEGO QUE TE AMO

Nego que te amo obstinadamente
Nego que te quero à boca cheia
No meu olhar o amor é transparente
E meu coração ao teu se enredeia.
Como é ingrato envelhecer!
Ver-me nos teus olhos e sentir
Que sou água que corre por correr
Não aquele rio de verdade
Que se perdeu no tempo e é saudade.
Nego que te amo arrebatadamente
E o tempo já não sorri pra mim
Trago sede do amor de antigamente
Que enchia os corações de odor a jasmim.
Agarro-me à lembrança do teu rosto
E meu coração ainda vibra e clama
Para mim o amor é ainda uva em mosto
Há fogo nas entranhas de quem te ama.
E a vida é chuva derramada no olhar
É noite em mim, apagada a esperança
Já os sonhos partem do cais, deixei de sonhar!
Sonhos são apenas minhas relíquias de criança.
Cantam nas minhas mãos melros em liberdade
Encandeio-me no sol que me queima
Meu pensamento fica inacabado
Só a saudade,
Teima
Neste amor engendrado
Nos teus braços,
ficou tudo o que sonhei
Ainda sigo teus passos
Deste amor não me libertei.
Vou lembrando-te, entre os aromas da tarde
E de pés descalços corro na saudade.
rosafogo
natalia nuno
ACORDAR...
Hoje o sol ainda não acordou…
mas eu acordei,
com a luz do teu sorriso,
sorri para o teu sorriso…
e neste sorriso trocado...
a brisa do amor
faz-me levitar de nuvem em nuvem...
É bom sentir-me feliz ao despertar…
e sentir-me dentro do teu espírito…
dentro dos teus fulgores
correndo nas tuas veias
sabendo que me guardas em ti
e que entre nós há caprichosas teias…
Eu tenho o sonho
e sei que faço parte de um sonho
teu e meu
essa é uma certeza…
assim sinto o caminho,
o caminho que nos escolheu...
o caminho
que estamos a percorrer
com dedos inquietos
e com a força de um sopro de brisa
em nossas almas a bater!
Há o carinho desejado
quando nos sentimos frágeis,
aquele colo…
o véu diáfano com que nos cobrimos
e o silencio da tranquilidade da paz interior…
Uma ilha aconchegante
tão perfumada e multicolor…
2.Julho.2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
Informação aos Participantes na Antologia
O meu abraço a todos
Dolores Marques
Face Oculta da Lua
domingo, 26 de junho de 2011
PÁSSAROS...
imagem - googleLembras-te como éramos pássaros
Irrequietos e sedentos
Saltitando de momento a momento
Alegremente…
Debicando sensações
Pelos nossos caminhos
E sempre esfomeados
Procurando sempre ir mais longe
Em rumos encantados?
Lembras-te como as nossas asas se uniam
E voávamos em uníssono
Conquistando novos terrenos
Perdendo a noção do tempo
E entrando pela noite escura
A embalar num mesmo tom a fantasia
Até o sono nos haurir e declinar
E dormirmos em perfeita harmonia?
Hoje os nossos voos
São arrevesados...
Não são a linha intangível...
São como cordas
enroladas...com nós...
Difíceis de desembaraçar...
Vais, partindo de desassossego
Vens depois com promessas
Mas basta uma nota desafinada
Para te distanciares
E o tudo delineado fica em nada!
Assim caminhamos pelo avesso
Sem conseguir vivermos desligados
Com uma anilha não visível
Mas sem cadência, desafinados…
Junho - 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
O MEU QUERER

Queria seguir a corrente
Das águas do teu mar
E aprisionar-me a ti únicamente
Rendida ao teu amor ficar.
E viver em ti e contigo
Desde o ressurgir ao morrer do dia
Até ao levantar das estrelas
Até que a lua sorria.
Dois corpos que se incendeiam
Que morrem no mesmo abraço
Queria ficar nessa teia
Seguir contigo teu passo.
Ser ave livre de repente
Nessa luz amanhecida
Ser tua água transparente
Ser teu poema, tua vida.
Ser a paisagem do teu olhar
O horizonte da tua memória
Ser a fuga e o aproximar
Renascer de novo na tua desmemória.
Percorrer o teu corpo, sedenta
Reacender o alento apagado
Esquecer as rugas, como quem inventa
Que o Sol entrou em nós inesperado.
Banhar as palavras em insanidade
Lançá-las do alto dos rochedos
Fazê-las brotar em fontes azuis de saudade
E rodopiá-las na febre dos meus dedos.
E eu continuo a querer!
Estar contigo até ao esquecimento
Deixar os anos decorrer
Em fantasias ébrias
Largar o pensamento.
rosafogo
natalia nuno
O poema que nunca havia sido terminado
Ecos de tinta negra
chegam de um poema que nunca terminei,
quando tropeço numa inesperada rebentação
de folhas velhas e amarrotadas.
Um emaranhado de sílabas que sacode
a clausura bafienta
de uma inércia de fundo de gaveta,
recordando uma dor antiga
que nenhum parágrafo pôde finalizar.
Palavras esquecidas,
fechadas num silêncio mutilado,
num sono profundo e lazarento,
esvaindo-se num vazio de raízes,
acorrentadas à ferrugem de um grito incompleto.
Numa vertigem de nostalgia,
sopro do papel a poeira amarelecida
onde o poema rumina a réstia de memória
que se desmoronou na lentidão sufocante dos dias,
e junto-lhe as palavras que lhe faltam
para que se liberte, finalmente,
de uma dor que já não me pertence.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Só Com Deus
(Imagem google)
Por entre silvados
caminhaste ao vento
Perdida entre labirintos
Perdida em pensamentos
Caminhaste só
Só, contigo e com Deus
Tentaste abrigar-te
nos braços Seus
Estavas carente
triste, desesperada
precisavas um colo
sentir-te acarinhada
E nesse torpor
caíste cansada
a noite se findo
já era madrugada
Por entre silvados
caminhaste ao vento
Só, mas com deus
superaste o lamento.


