quinta-feira, 23 de junho de 2011

O MEU QUERER



Queria seguir a corrente
Das águas do teu mar
E aprisionar-me a ti únicamente
Rendida ao teu amor ficar.
E viver em ti e contigo
Desde o ressurgir ao morrer do dia
Até ao levantar das estrelas
Até que a lua sorria.

Dois corpos que se incendeiam
Que morrem no mesmo abraço
Queria ficar nessa teia
Seguir contigo teu passo.
Ser ave livre de repente
Nessa luz amanhecida
Ser tua água transparente
Ser teu poema, tua vida.

Ser a paisagem do teu olhar
O horizonte da tua memória
Ser a fuga e o aproximar
Renascer de novo na tua desmemória.
Percorrer o teu corpo, sedenta
Reacender o alento apagado
Esquecer as rugas, como quem inventa
Que o Sol entrou em nós inesperado.

Banhar as palavras em insanidade
Lançá-las do alto dos rochedos
Fazê-las brotar em fontes azuis de saudade
E rodopiá-las na febre dos meus dedos.
E eu continuo a querer!
Estar contigo até ao esquecimento
Deixar os anos decorrer
Em fantasias ébrias
Largar o pensamento.

rosafogo
natalia nuno

O poema que nunca havia sido terminado



Ecos de tinta negra
chegam de um poema que nunca terminei,
quando tropeço numa inesperada rebentação
de folhas velhas e amarrotadas.
Um emaranhado de sílabas que sacode
a clausura bafienta
de uma inércia de fundo de gaveta,
recordando uma dor antiga
que nenhum parágrafo pôde finalizar.
Palavras esquecidas,
fechadas num silêncio mutilado,
num sono profundo e lazarento,
esvaindo-se num vazio de raízes,
acorrentadas à ferrugem de um grito incompleto.

Numa vertigem de nostalgia,
sopro do papel a poeira amarelecida
onde o poema rumina a réstia de memória
que se desmoronou na lentidão sufocante dos dias,
e junto-lhe as palavras que lhe faltam
para que se liberte, finalmente,
de uma dor que já não me pertence.

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terça-feira, 21 de junho de 2011

Só Com Deus


(Imagem google)




Por entre silvados
caminhaste ao vento
Perdida entre labirintos
Perdida em pensamentos
Caminhaste só
Só, contigo e com Deus
Tentaste abrigar-te
nos braços Seus
Estavas carente
triste, desesperada
precisavas um colo
sentir-te acarinhada
E nesse torpor
caíste cansada
a noite se findo
já era madrugada
Por entre silvados
caminhaste ao vento
Só, mas com deus
superaste o lamento.

domingo, 19 de junho de 2011

Lembras-te amor?

Lembras-te amor
quando dançaram borboletas
nos nossos peitos nús
carícias esvoaçantes
em mãos sedentas de ter

Lembras-te
quando a nossa voz
aprisionou-se na boca agitada
e o corpo estremecia
em gemidos descontínuos
libertos no leito feito de querer

Lembras-te
quando o tempo
deslizava rapidamente
ao encontro da tarde
enlouquecendo nos nossos braços
ávido de ficar em nós parado
esquecido do entardecer

Lembras-te
quando os nossos corpos
segredavam-se numa redoma invisível
bafejando o ardor frenético da paixão
no desassossego louco de ser doação

Lembras-te? foi ontem amor

PARA SEMPRE….

Naquele mundo nebuloso e à margem… amo-te tanto!..

Suavemente o teu corpo percorro com beijos insaciáveis

Deixando a tua pele humedecida de saliva

E as mãos num corrupio a percorrer-te incansáveis…

,

Palavras sussurradas como sopros de lume

Agitam-te como uma cana abanada pelo vento

Nas planícies fulgentes e excitantes do deleite

Nossos corpos dançando em ritmo turbulento…

.

Contigo atinjo a paz, o universo prometido!..

Depois de tantas palavras trocadas, envolventes

O encontro carnal desejado, tantas vezes esculpido…

.

Fico nua na essência, pelos teus braços abraçada

Com o desejo de aderir a ti, para sempre

Pelo teu amor, protegida e aconchegada.

.

Junho-2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Cansada

Cansada

 
Um quebra-gelo glaciar
Que quebre sem esforçar
Ou que o derreta de uma vez
E perceba a lucidez.

Estou cansada…
Cansada de pensar
Cansada de remar
Contra a maré…
Que apenas encontra
Verdades obstruídas
Tentativas suicidas
Actividades furtivas
De supostas felicidades
Compostas no exterior
Onde não existe amor.
 
 
Estou cansada…
Cansada de filosofias
De breves poesias
Profundamente ensaiadas
Estou cansada…
Cansada de teorias
Dia após dia
Sem vislumbrar a realidade
E expandir a claridade.


Cansada
Com sede
Com fome
Desacreditada
Nos homens
Sem crença.


Quero dormir
E repousar
E quando acordar
Voltar a sorrir.
16 de Novembro de 10

quarta-feira, 15 de junho de 2011

DOMINGO NA DOCA

(Video: Marisa Soveral)

Percorro o espaço solitário…

Os barcos são embalados

Pela inquietude das águas…

Tudo está suspenso…mas preparado…

De madrugada rasgarão o mar

De risos e mágoas…

O silêncio é quebrado

Pelo grito das gaivotas

E pelos ruídos das coisas

Que o vento agita…

Numa estranha melodia

Sem pauta, nem notas!

Daqui por umas horas

Será o burburinho, o alvoroço

A labuta de mais uma jornada…

Solitariamente faço um esboço

Coragem e medo

Alegria e tristeza…

Amanhã muito cedo

Partem transpirando de incerteza…

Mas atarefados na faina

Sem tempo para pensar

Será mais um dia para colher

O pão que lhes dá o mar!...


quarta-feira, 8 de junho de 2011

GAIVOTAS



Passam as gaivotas, voam rente à água

Batem asas... ouço seus gritos de carências

São gritos rudes, inquietantes de mágoa

Olhos esgazeados clamando sobrevivência

.

Olho e acompanho as suas deambulações

Em cada uma me vejo buscando alimento

E vou voando nas minhas divagações

Olhando o azul para além do firmamento

.

Gaivotas têm asas leves muito limitadas

Impedidas de voos de longa travessia

Suas zonas de acção estão demarcadas

Condenadas a um espaço de monotonia

.

Queria grandes asas, velozes e fortes

Que me levassem a todos os mundos

Que me levassem a todas as sortes

Aos lugares mais intensos e profundos!


Junho - 2011

sábado, 4 de junho de 2011

Sabores fortes


O amor pode ser comparado
a uma chávena de café,
fumegante e aromática.
Sento-me à mesa do desejo
e deixo-me levar pelos sabores fortes
que a minha imaginação tece
enquanto espero o café que pedi.

Se o levar aos lábios, no entanto,
sem lhe juntar um pouco de açúcar,
será um gosto amargo e intragável
aquilo que ele me irá devolver,
e nunca serei capaz de esvaziar a chávena
e apreciar toda a extensão do seu sabor,

assim como, sem o mel do teu corpo,
nunca saberei a que sabe o amor.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Paisagem na noite















No quarto enfarpelado de luta
desliza-me o olhar na paisagem abandonada
e na areia das gaivotas esvoaçantes
imagino na noite… errante
a silhueta do teu corpo andante
em passos deslumbrantes vestidos de cor

derramo pingos de sonho e ilusão
resvalando ao timbre do próprio coração

são momentos num momento de tempo
sonho liberto no casulo da alvorada
na noite que termino cansada
sonolento olhar na madrugada

MEU AMOR...


Respiro o odor dos teus cabelos

Agarro-me ao teu dorso

Aconchego-me,

Meu coração bate em ti…

E adormeço… no teu corpo generoso…

Entro no mundo onírico

E ouço ao longe

Uma música de flauta…

E o melro provocador

Canta em desafio…

Tudo é belo e…libertador!

Teus dedos de poesia...

Suaves e perfumados...

Vão-me acordando devagarinho

E entro na realidade

Num aconchego de ninho

Meu sorriso é de espanto...resplendor…

Alegre e feliz...sussurro ao teu ouvido:

MEU AMOR!...

domingo, 29 de maio de 2011

Na quadradura de si

Na quadradura do ser
existe uma vontade
caída no tempo
parapeito da vida
…vivendo mais além
na quadradura do tempo

Um ser indo pelo vento
sem tempo de ser tempo
permanecendo destino
fulgor em desatino
do irreal reflexo
espelhado no veio
do corpo em desalinho

Na quadradura do ser
prevalece a quadradura do tempo
nas laminadas esferas da vida
trajadas de destino
perdido na quadradura de si

quinta-feira, 26 de maio de 2011

ATÉ QUANDO?



O vento rodopia
Em torno do meu rosto
Será Setembro...será Agosto?
Já nem recordo o dia.
Voam as aves da lembrança
Meus olhos já não sabem chorar
Mataram  a minha esperança
Sigo caminho,
donde não posso voltar.

Até quando? Até quando?
Levo um lenço branco acenando.

Passa o vento com seus dedos
Zunindo aos meus ouvidos
Varre a morte e os medos
Liberta-me os sentidos.
Deixa um eco que perdura
E minha recordação se aviva
Lagos nos olhos, loucura
Nesta aventura à deriva.

Até quando? Até quando?
Levo um lenço branco acenando.

rosafogo
natalia nuno
imagem-blog para decoupage

Ninguém saberá de mim




Ninguém saberá de mim
Meu segredo comigo morrerá
Aquele amor que jamais terá fim
Em mim e em ti permanecerá.

Ninguém saberá de mim
Procurem-me para lá do horizonte
Procurem o que restar de mim
Nada encontrarão, nem minha fonte.

Fonte onde matava a sede
Onde buscava minha energia
Fonte onde desfiava a rede
Aquela onde sempre vivia.

Mas ninguém saberá de mim
Esconder-me-ei de tudo
Esse meu triste fim
Será como o acabar do mundo.

Ninguém saberá de mim!

terça-feira, 24 de maio de 2011

ao ouvido

se vieres comigo
prometo mostrar-te a lua
nas minha mãos.
seguiremos por ela
no caminho das estrelas
e, nessa altura,
direi-te ao ouvido
que te amo com a
plenitude de existir.

Macau, 6 de Janeiro de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Silêncios que ensurdecem


No avesso de mim
Existe um ente desesperado
Um ser esfaimado de vida
Sedento de novas sensações
A morder-me o pensamento

Escuto-lhe os passos
A galgarem as paredes
Da insatisfação
Do meu inconsciente

A mortificarem-me a vontade
De arriscar
Em nome de uma razão
Que não se compreende...

Sinto-lhe o respirar
O ofegar quente
Este martelar constante
Que me arrepia
Que me estrafega
Os ouvidos
Que me ensurdece...
Que me enlouquece...

E o pior
É que não tenho como calar
Este malvado silêncio!

sábado, 21 de maio de 2011

fumo

fumo
sozinho...

perdido nesta noite
que me engole a alma,
fumo um cigarro e
olho este fumo que
desenha o teu corpo.

por entre os dedos sinto
as curvas desse corpo nú,
deitado aqui na minha lembrança.

sou mais completo
quando te tenho,
mesmo à distância,
na imaginação que o fumo
deste cigarro me provoca.

Macau, 19 de Janeiro de 2011

“Diz que me amas… pediste-me amor”

















“Diz que me amas… pediste-me amor”


Na plenitude que oxigena o meu ventre
ânsia de ti….amo-te
neste desatino constante em te ter
em cada milésimo de segundo que te penso
….que te tenho
nos passos hesitantes que deixo marcados
na estrada da vida
nos dedos que afagam a almofada
onde descanso o cansaço do meu rosto
quando não te tenho

Amo-te
no desenho colorido
com que traço o salgado do teu corpo
no brilho do meu olhar que banha os teus
com a cor que se pintam os sonhos

Amo-te tão-somente, assim
na simplicidade com que te bebo
em inundações de sentires crepitantes
afogueando-me na avidez de ti, amor.

Sentes-me?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

MITIGO A SOLIDÃO




Não vale a pena amargurar
nem sofrer
Outro momento ninguém vai oferecer
é preciso viver.
Auguravam na minha infancia
que viria a ser
Senhora do meu destino
E assim num querer divino
Se revelou de verdade
A infância já da memória se escoa
Mas ainda a contemplo com saudade.

Entrego-me a um sono bemfazejo
Reflito sobre a minha identidade
E em mim fica o desejo
De paz e tranquilidade.
Agora os dias são serenos
Só meus olhos andam nublados
Mergulho num mar de confusões
Meus dias são tão pequenos
E tantas as ilusões.

As rugas profundas me sulcam a cara
E no coração uma dor que não sara.

Perco-me num labirinto
Não consigo afrouxar a marcha
Meus olhos mortiços no vazio dos espelhos
Mas para mim minto
Não és tu! São eles que estão velhos.
Trago uma vida emprestada
Pungente de melancolia
Morrerei daqui a nada
Lá se vai a alegria
Que em meus olhos se lia.

Mas meu coração
é verdadeiro penedo
Mitigo a solidão
O esquecimento me traz medo
Deixei a juventude para trás...
Tantos anos faz!
Já perco o mundo de vista
Só a poesia é meu estado de graça
Só  ela não quer que desista
Sobre o muito que perdi
O tempo passa.

rosafogo
natalia nuno
imagem ret. do blog para decoupage

EU...

Quem sou eu? Não sei…Sou um ponto no tempo!
Como me posso definir? Como me posso prever?
Que estarei eu fazer logo? Não sei…vivo o momento!..

Estou aberta à existência! À indefinível existência!..
Estou disponível para descobrir! Sou luz e sombra,
Direito e avesso e serei até cair, até à impotência!..

Com ou sem preconceitos, não quero ser julgada!
Nem quero fazer julgamentos, são desnecessários…
Não quero ficar dependurada no juízo de uma espada!

Só me interessa o presente e caminhar em frente.
Não sou corpo ambulante carregando o passado.
Eu quero a constante mudança, conhecer gente!

Não quero ser astuta nem tão pouco ser manipulada
Quero a verdade, mesmo quando dói e faz sangrar
E desvalorizar, ultrapassando, porque tudo é nada…

Marisa Soveral