do preliminar
ao ventre
o sentido do querer
em afago bem profundo
líquido anestésico
de sublime paladar
abraço apertado
em busca de guarida
ali festejada
o prazer se subtrai
mas jamais se omite
nesta concordância sublime
da união dos corpos
em empatia radiosa
resta um sorriso pendente
até ao declinar
que nunca surge
tudo é inconsequente
quando comparado com o amor
António MR Martins
quinta-feira, 19 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
TU ÉS MELODIA
És o sol da minha vida
A estrela que me ilumina
Tu és a porta de entrada
No jardim que me anima
És sonho, és criatura
Néctar que me asfixia
És do humano a formosura
Estrela que ao criador se alia
És o sonho que eu sonhei
Desde que dei conta de mim
Aquele ente que abracei
Doirada peça de marfim
Se alta noite acontece
Por ventura eu despertar
Tudo que o mundo etéreo tece
Suspende o meu cotejar
É que algo de concreto
Acorda em mim sons dormentes
O mundo sedento de afectos
Tira de mim tons crescentes
A vida acorda em mim
Ao tocar-te lira amante
Tens cordas de cetim
És anelo delirante
A melodia que harpejo
De enlevo se reveste
É da harmonia ensejo
Doce cântico celeste
Antonius
A estrela que me ilumina
Tu és a porta de entrada
No jardim que me anima
És sonho, és criatura
Néctar que me asfixia
És do humano a formosura
Estrela que ao criador se alia
És o sonho que eu sonhei
Desde que dei conta de mim
Aquele ente que abracei
Doirada peça de marfim
Se alta noite acontece
Por ventura eu despertar
Tudo que o mundo etéreo tece
Suspende o meu cotejar
É que algo de concreto
Acorda em mim sons dormentes
O mundo sedento de afectos
Tira de mim tons crescentes
A vida acorda em mim
Ao tocar-te lira amante
Tens cordas de cetim
És anelo delirante
A melodia que harpejo
De enlevo se reveste
É da harmonia ensejo
Doce cântico celeste
Antonius
sábado, 14 de maio de 2011
SAFIRA
És o meu desatino
Quando irrompes para mim
És esmeralda ouro fino
Do amor eterno hino
Cantata de arlequim
Deslumbras-me se te cotejo
O norte se perde em mim
Infinito tornado desejo
Feito etéreo o harpejo
És angélico querubim
Se nua por ventura te vejo
Ébrio sinto o meu existir
Ao mais alto te elejo
Roçar teus seios meu ensejo
Num eterno perseguir
O teu corpo me abrasa
Se de meu ego se acerca
És fogo telúrica chama
Que num instante se inflama
Tornado divinal oferta
Antonius
Quando irrompes para mim
És esmeralda ouro fino
Do amor eterno hino
Cantata de arlequim
Deslumbras-me se te cotejo
O norte se perde em mim
Infinito tornado desejo
Feito etéreo o harpejo
És angélico querubim
Se nua por ventura te vejo
Ébrio sinto o meu existir
Ao mais alto te elejo
Roçar teus seios meu ensejo
Num eterno perseguir
O teu corpo me abrasa
Se de meu ego se acerca
És fogo telúrica chama
Que num instante se inflama
Tornado divinal oferta
Antonius
quarta-feira, 11 de maio de 2011
sóbrio
estou sóbrio.
já não bebo há dois minutos.
as minhas veias revoltam-se
pela falta que lhes faz o teu licor.
desse destilado sou um dependente eterno.
afinal prefiro ficar bêbado,
arrastando o pensamento nesta escrita
que pede mais de ti e
do teu líquido mágico.
ainda não descobri o porquê,
mas o álcool que me dás inebria-me
a existência neste papel onde escrevi,
vezes sem conta,
um poema gasto e volátil.
Ai como sinto o sangue a fervilhar
na loucura desta bebedeira,
e mais outra.
rasurei...
Macau, 31 de Janeiro de 2011
já não bebo há dois minutos.
as minhas veias revoltam-se
pela falta que lhes faz o teu licor.
desse destilado sou um dependente eterno.
afinal prefiro ficar bêbado,
arrastando o pensamento nesta escrita
que pede mais de ti e
do teu líquido mágico.
ainda não descobri o porquê,
mas o álcool que me dás inebria-me
a existência neste papel onde escrevi,
vezes sem conta,
um poema gasto e volátil.
Ai como sinto o sangue a fervilhar
na loucura desta bebedeira,
e mais outra.
rasurei...
Macau, 31 de Janeiro de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Rainha por um dia

Senti-me uma rainha
Duma corte imaginária
Sorte a minha!
Ser Poeta de saudade lendária.
Saudade que é pedra preciosa
Verde esmeralda ou rubi
Bálsamo para minha alma chorosa
Safira, cor vinho onde me perdi.
Rodeada, duma pequena multidão
Extasiada e sorridente
Orgulhoso meu coração
Encheu-se de esperanças no presente.
Pérolas me foram oferecidas
E eu sentei numa poltrona
Ofereci aos convidados bebidas
Rainha duma saudade sem dona.
Rainha dos sonhos,
de pequena carruagem,
Arreios orvalhados de luar
Rainha de coragem!
Que sonha, sonha sem parar
Sonha com Lua de marfim
Com pérolas verdadeiras,
ao pesçoço em fieiras
Numa felicidade sem fim
Rainha de mil maneiras.
Numa alegria frenética de viver
Nos olhos uma sombra de melancolia
Era rainha ou fingia ser
Rainha por um dia.
Correram rios em mim
Dentro do meu coração
Saboreava uma felicidade sem fim
De repente acordei do sonho no salão.
Não cheguei atrasada
Se ergueram à minha passagem
De rainha não tinha nada
Sómente a minha coragem.
naralia nuno
rosafogo.
Foto de Maria Pinheiro.
Foste uma verdadeira Rainha da poesia! Beijo azul
Magia
Com a ponta da minha pena
lavro na página
todo o firmamento
cada letra é um astro
e o poema inscrito no espaço
é um colar d´estrelas
o punho imprimindo nela
todos os pulsares
como quem rasga o sol
para o amor atravessar o centro da luz
e depois ... selando-a com o beijo
das nossas bocas em forma de cruz
Luiz Sommerville Junior , 060520111949
lavro na página
todo o firmamento
cada letra é um astro
e o poema inscrito no espaço
é um colar d´estrelas
o punho imprimindo nela
todos os pulsares
como quem rasga o sol
para o amor atravessar o centro da luz
e depois ... selando-a com o beijo
das nossas bocas em forma de cruz
Luiz Sommerville Junior , 060520111949
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Garden - Joan MiróJARDIM…
Teci no alvoroço dos meus sentidos
De impetuosos anseios
Angústias lancinantes
E lamaçais de melancolia…
Uma corda até
Ao jardim onírico
Matizado de muitas cores
Sempre fluido
Em fluxos e refluxos
De sensual impulsividade
Moldado…
Danço contigo…
Improvisas, procuras,
Descobres, acrescentas
Para gemer contigo…
Expressão inaudível
Em movimentos
E tensões
Assimétricas, repetidas…
Emocionalmente poderosas
Convocando sensações…
Nos interstícios da fragilidade
Sorvo o teu travo agridoce…
Tomo o teu pulso…
Teus dedos deslizam
Pelas minhas costas
Que dizes ser de seda voluptuosa…
Jogo de sedução
Arrepiante de sensualidade
Na pele acariciada pela tua cegueira…
Apetece-me gritar até perder a voz
As mãos agitam-se em ímpetos tumultuosos
Nas ondulações rítmicas da fogueira…
07.05.2011
Monólogos de um louco
Os pensamentos
Que me chibatam
Constantemente
Estas já débeis
E tão frágeis
De carcomidas
Paredes
Em ruinas
Esborralhadas ruínas
Desta minha
Insana mente
Cujas fendas
Cada vez maiores
São passagens
Secretas
De bizarras demências
Que me vieram fustigar
A pacatez da vida
Passageiras clandestinas
Escondidas nos bolsos
Daquele outro
Que aos poucos
Me ocupou
O corpo
E me encarcerou
Para sempre
Nas masmorras
Do esquecimento
Despojando-me
De tudo aquilo
Que era meu!
De tudo aquilo
Que era eu...
Daquele que fora
Nada restou
Tudo da mente se foi
Se apagou...
Só o oco da razão
Ficou!
E por esse que eu já não sou
Não respondo
Nada digo
Pois que também
Nada sei
Deixem-me...
Exijo silêncio!
Que aqui
Agora
Mora um louco!
Um respeitável louco
Ainda que varrido
Da sua própria
Memória...
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Tremular das pálpebras

Quando brotam gritos
assim…da palma das mãos
dos dedos que cantam
em olhos que se declinam
no tremular das pálpebras
nas lágrimas pousadas no corpo nú
Quando as horas se alongam
nas demoras bravias
das noites adormecidas
no recanto da estrada ….fria
E quando o sol espreitar
preguiçoso na linha do horizonte
Tu apareces na fragilidade de mortal
imergir-me no calor dos teus silêncios
assim …. Inebriantemente
e no calar das horas, amas-me…
Depois… sem pudor
vais-te nos silêncios aguçados
de fera amansada
cativo do orvalhar da noite
E as gotas deslizam
nas palmas das mãos
brotando vagidos,
em dedos que cantam
a eterna canção
terça-feira, 3 de maio de 2011
Desespero
Desespero numa espera
que não me é grata
por não saber onde encontrar-me;
se no meu início
se no meu fim
se na grandeza que me faz estar em todos os lugares
se na esperança de me ver nas nascentes das estrelas
se nas tuas mãos, quando me tocas os pontos altos do meu corpo
E eu não Te encontro também
domingo, 1 de maio de 2011
Filosofia de merceeiro
Ao fim do dia,
antes de fechar a loja,
o merceeiro debruça-se
sobre os caixotes de fruta
colhendo a fruta tocada,
separando-a da fruta boa,
para que esta
não seja contaminada
pela sua baba peçonhenta.
Ao contrário de Deus
que, nos caixotes do mundo,
teima
em misturar as almas tocadas
com as almas purificadas
para que estas se redimam
de suas impurezas
e possam de novo ser penduradas
na árvore da vida,
o merceeiro sabe
que o mesmo nunca acontecerá
com a fruta
que, uma vez contaminada,
jamais voltará a ser sã.
Por essa razão, todas as manhãs,
quando volta a estender
os caixotes de fruta no passeio,
apenas a fruta boa
é exposta
ao olhar cioso da clientela,
que nada quer saber
da improvável redenção
da fruta estragada.
_____________________________________________
PERDA...
Será que alguma vez voltarei a encontrar-te naquela floresta encantada que me constrói os sonhos? Sinto-me triste…sinto a tua ausência…tu entrastes nos mais belos sonhos, nas mais intensas imagens, nos sentimentos mais puros e completos.As flores que brilhavam na tua presença, a chuva miudinha e leve que nos molhava lentamente e nos deixava melancólicos e os raios brilhantes e suaves que nos acariciavam, penetrando por entre as folhas verdes das árvores, enviados pelo sol para nos iluminarem...
Toda a Natureza, que os nossos sonhos construíram para nós, está triste e pálida. Quero voltar a ver-te… A última vez que estavas no meu jardim encantado senti-te distante. Estavas a boiar no lago dos nenúfares. Quando sentiste a minha presença moveste-te e apareceste ao meu lado, com o teu sorriso húmido. Sentia a tua pureza a dissolver-se lentamente e a entrar na minha alma sob a forma de paz.Há imagens fixas na minha mente, um céu azul com nuvens brancas que se movem languidamente num rodopio sensual, o mar azul por baixo, imenso e assustadoramente infinito. O sol a brilhar como uma bola de fogo pronta a incendiar a minha alma.
Disseste adeus à medida que desaparecias, deixando um rasto de luz que parecia não ter fim...Uma lágrima de dor percorreu-me a face lentamente e vários sentimentos me percorreram por dentro. Os teus lábios murmuraram: “Adeus.” Começou a chover suavemente. As folhas das árvores ficaram acastanhadas e cobriram a relva verde. À medida que nos meus olhos a chuva se misturava com as lágrimas disse baixinho: “Adeus”… Tu foste-te embora e eu fiquei no meu pequeno mundo sem ti, mas tão dentro da minha alma…Estarás sempre no meu Universo de...
A vida é complexa, mas bela, porque nos dá os instrumentos para superarmos tudo, quando pensamos que nem sempre somos capazes. Mas temos que ter a coragem de preservar... E de repente não se olha para trás ou para os lados, para o passado ou para o futuro, apenas se mergulha para o coração da onda, para aquele centro que parece perfeito e onde entretanto o caos reina. A própria vida é uma essência desse caos. Qualquer coisa que nos envolve, nos aperta, às vezes nos dá vontade de gritar, outras de sorrir e sempre vontade de chorar, seja de alegria ou de tristeza...Agora é tempo de chorar, digerir e ganhar forças para o caminho que se segue. Não é fácil, mas nada o é. Vão ser precisos, muitos momentos, mas sempre presente que a vida se faz caminhando.
Toda a Natureza, que os nossos sonhos construíram para nós, está triste e pálida. Quero voltar a ver-te… A última vez que estavas no meu jardim encantado senti-te distante. Estavas a boiar no lago dos nenúfares. Quando sentiste a minha presença moveste-te e apareceste ao meu lado, com o teu sorriso húmido. Sentia a tua pureza a dissolver-se lentamente e a entrar na minha alma sob a forma de paz.Há imagens fixas na minha mente, um céu azul com nuvens brancas que se movem languidamente num rodopio sensual, o mar azul por baixo, imenso e assustadoramente infinito. O sol a brilhar como uma bola de fogo pronta a incendiar a minha alma.
Disseste adeus à medida que desaparecias, deixando um rasto de luz que parecia não ter fim...Uma lágrima de dor percorreu-me a face lentamente e vários sentimentos me percorreram por dentro. Os teus lábios murmuraram: “Adeus.” Começou a chover suavemente. As folhas das árvores ficaram acastanhadas e cobriram a relva verde. À medida que nos meus olhos a chuva se misturava com as lágrimas disse baixinho: “Adeus”… Tu foste-te embora e eu fiquei no meu pequeno mundo sem ti, mas tão dentro da minha alma…Estarás sempre no meu Universo de...
A vida é complexa, mas bela, porque nos dá os instrumentos para superarmos tudo, quando pensamos que nem sempre somos capazes. Mas temos que ter a coragem de preservar... E de repente não se olha para trás ou para os lados, para o passado ou para o futuro, apenas se mergulha para o coração da onda, para aquele centro que parece perfeito e onde entretanto o caos reina. A própria vida é uma essência desse caos. Qualquer coisa que nos envolve, nos aperta, às vezes nos dá vontade de gritar, outras de sorrir e sempre vontade de chorar, seja de alegria ou de tristeza...Agora é tempo de chorar, digerir e ganhar forças para o caminho que se segue. Não é fácil, mas nada o é. Vão ser precisos, muitos momentos, mas sempre presente que a vida se faz caminhando.
O Que Me Falta

Dupliquei a luz
acendi todas as velas.
Não me perguntem o que tenho.
Éramos tantos
já fomos tantos...
Faltam-me rostos
rostos com alma.
Faltam-me mãos
as mãos que amassavam e me deslumbravam.
Faltam-me braços
braços que sorriam
e me afagavam
e me adormeciam.
Faltam-me os olhos
que me agarravam e me seguiam
olhos que me reconheciam
única
entre tanta gente.
Não me perguntem o que tenho.
Perguntem-me
antes
o que me falta.
Marialuz
1 De Maio - Pela memória dos nossos apelidos
Foi
ainda ontem
que nós eramos as carruagens
do comboio dos sonhos
na pista em que accionávamos
o trem
sumiu...
as viagens
nas trilhas sem fim
dos nossos olhares
essas
não cessam
d´alastrar
no destino comum
dos nossos neurónios
mas
as serenatas nos lençóis abandonados
-o odor escarlate de violões , envelhecidos !-
silenciados ao mofo aprisionados , ninguém ...
... as ensaiava ...
lá onde a sereia morreu apaixonada
pelo capitão que travaja na lapela
um lenço bordado de lábios , cravados !
pelo bâton que reflecte a imortalidade
há quem lhe chame arma
há quem lhe chame flor d´abril
- é apenas a carne rasgada da traição
que ainda insiste em repetir o bordão
ou refrão duma só palavra
- revolução !
e ...
ainda é tempo
d´abrir os livros que são entradas
ainda é momento
de fechar aquelas bocas que jamais aprenderão
a beijar !
sim , vou rasgar o meu voto
à entrada da urna que sentencia o nosso funeral
sim , vou teimar no sonho na portada
do ventre que grita ensaguentado
pela luz - dia !
por que ...
os abandonados sem leito são hinos , rejuvenescidos !
onde o tudo o que é caduco morre para que soe a balada
abraçada ao perfume que da vida é libertada , alguém ...
a encarnará , aqui ... onde uma noiva se entrega ao castelo
d´útero aberto à formação daquele que da pátria faz a nação
e acena à boca amada com o lenço de gala
manchado com o lindo arabesco que das núpcias verteu
afinal , ontem , num lar dilacerado pelo divórcio , foi abril ...
e hoje numa terra engalanada pela boda da esperança
é maio ...
daquela menina que dá as mãos ao menino ,
sim , são pequeninos , são crianças
os olhos maravilhados que entregam aos noivos as alianças
e ela sorri e imortaliza-se no ouvido dele :
- sou tua ! sou a tua terra , e tu
estás disposto a ser o meu país ?
Luiz Sommerville Junior , 010520110741
(ao meu irmão)
ainda ontem
que nós eramos as carruagens
do comboio dos sonhos
na pista em que accionávamos
o trem
sumiu...
as viagens
nas trilhas sem fim
dos nossos olhares
essas
não cessam
d´alastrar
no destino comum
dos nossos neurónios
mas
as serenatas nos lençóis abandonados
-o odor escarlate de violões , envelhecidos !-
silenciados ao mofo aprisionados , ninguém ...
... as ensaiava ...
lá onde a sereia morreu apaixonada
pelo capitão que travaja na lapela
um lenço bordado de lábios , cravados !
pelo bâton que reflecte a imortalidade
há quem lhe chame arma
há quem lhe chame flor d´abril
- é apenas a carne rasgada da traição
que ainda insiste em repetir o bordão
ou refrão duma só palavra
- revolução !
e ...
ainda é tempo
d´abrir os livros que são entradas
ainda é momento
de fechar aquelas bocas que jamais aprenderão
a beijar !
sim , vou rasgar o meu voto
à entrada da urna que sentencia o nosso funeral
sim , vou teimar no sonho na portada
do ventre que grita ensaguentado
pela luz - dia !
por que ...
os abandonados sem leito são hinos , rejuvenescidos !
onde o tudo o que é caduco morre para que soe a balada
abraçada ao perfume que da vida é libertada , alguém ...
a encarnará , aqui ... onde uma noiva se entrega ao castelo
d´útero aberto à formação daquele que da pátria faz a nação
e acena à boca amada com o lenço de gala
manchado com o lindo arabesco que das núpcias verteu
afinal , ontem , num lar dilacerado pelo divórcio , foi abril ...
e hoje numa terra engalanada pela boda da esperança
é maio ...
daquela menina que dá as mãos ao menino ,
sim , são pequeninos , são crianças
os olhos maravilhados que entregam aos noivos as alianças
e ela sorri e imortaliza-se no ouvido dele :
- sou tua ! sou a tua terra , e tu
estás disposto a ser o meu país ?
Luiz Sommerville Junior , 010520110741
(ao meu irmão)
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sábado, 30 de abril de 2011
PARTIR PARA O AMOR

Local de passagem
Espaço de interrupção
Potencial liberdade
Escapando às convenções
Para alcançar
O núcleo secreto
Da partida de uma vida
Para outra vida enlaçar!..
Agito meus medos
Aos teus apelos…
Calcando enganos e desilusões
Convites explícitos
No sequioso tributo
À entrega plena
De muitas efusões!
Os teus olhos
São bússolas de orientação
E de absoluto arrebatamento …
Avançamos…
Recuamos e avançamos…
Até à serenidade da quietude
Íntima comunhão elementar
No sopro interior da plenitude!
Noite de muitas madrugadas
Em todas as ruas abertas
Pela música dos devaneios
Sulcados…
Noite sobre águas
Crescendo
E alagando
Os óbices amarfanhados!
Tensão permanente
Intensidade concertante
Exuberante empolgamento
Beleza de luz tépida
Sem culpa, nem pecado…
Com a inocência
De pássaros na boca
Cantando
Num delírio «nonsense»
De descoberta constante
Da leveza do ser
Exultante!..
Espaço de interrupção
Potencial liberdade
Escapando às convenções
Para alcançar
O núcleo secreto
Da partida de uma vida
Para outra vida enlaçar!..
Agito meus medos
Aos teus apelos…
Calcando enganos e desilusões
Convites explícitos
No sequioso tributo
À entrega plena
De muitas efusões!
Os teus olhos
São bússolas de orientação
E de absoluto arrebatamento …
Avançamos…
Recuamos e avançamos…
Até à serenidade da quietude
Íntima comunhão elementar
No sopro interior da plenitude!
Noite de muitas madrugadas
Em todas as ruas abertas
Pela música dos devaneios
Sulcados…
Noite sobre águas
Crescendo
E alagando
Os óbices amarfanhados!
Tensão permanente
Intensidade concertante
Exuberante empolgamento
Beleza de luz tépida
Sem culpa, nem pecado…
Com a inocência
De pássaros na boca
Cantando
Num delírio «nonsense»
De descoberta constante
Da leveza do ser
Exultante!..
30.04.2011
Etiquetas:
PARTIR PARA O MAOR - MARISA SOVERAL
OH!DESESPERO.

Passa um vento lento
Aragem lenta e doce
E o céu cinzento,
de nostalgia pesado
Se esta vida simples e clara fosse
Não seria o ventre dum tornado!?
Há flores que florescem em Maio
Sulcando o chão em liberdade
No meu céu perpassa a saudade
A ela me entrego, nela caio.
Desacerto o passo...
Nasce o cansaço
O meu chão já flores não dá
E o sonho jamais renascerá.
Alegre já me chamaram
De Poeta me fadaram
Mas tudo isto é tão pouco!
Já fui raio, já fui trovão
Como foi meu dia louco!
Talvez o vento tenha razão
Vejo-me menina ainda
A quem o vento o cabelo alinda.
Vejo-me menina no largo
Ao domingo da missa voltando
Chega a mim o travo amargo
É apenas sonho, estava sonhando.
Recordo a tarde que caía
O toque da Avé-Maria
E o luar que chegava, cedo demais
Recordo tudo com ternura
E às vezes dá-me a loucura
De seguir o odor dos laranjais.
E o vento perde-se no caminho
E o céu magoado num pungente sofrer
E meu sonho que estava tão pertinho
De novo me deita tudo a perder.
natalia nuno
rosafogo
quinta-feira, 28 de abril de 2011
CÀNTICO
Hoje eu canto a árvore
Esse milagre que se eleva
Das profundas da terra mãe
Insondável alquimia
A fez germinar
E decidida brotar
Da negritude do nada
Feita vida irradiante
Por escatológico poder
Também ele impenetrável
Certo é que frondosa
Se ergue em galhos
Que ousados
Rasgam as malhas do azul do céu.
A árvore toca-me
No mais fundo do meu ser
Porque logra de alguma maneira
Falar-me da essência do amor
Que mora por detrás
De todas as coisas
E se a sua robustez
Tem a marca do tempo
Eu venero-lhe a memória.
Daí que olhando hoje
As três viçosas árvores
De que os meus filhos
Há muito
Foram entusiastas plantadores
Eu ajoelho à natureza
Por ver nela emergir
Aquele Poder que tudo pode.
Antonius
Esse milagre que se eleva
Das profundas da terra mãe
Insondável alquimia
A fez germinar
E decidida brotar
Da negritude do nada
Feita vida irradiante
Por escatológico poder
Também ele impenetrável
Certo é que frondosa
Se ergue em galhos
Que ousados
Rasgam as malhas do azul do céu.
A árvore toca-me
No mais fundo do meu ser
Porque logra de alguma maneira
Falar-me da essência do amor
Que mora por detrás
De todas as coisas
E se a sua robustez
Tem a marca do tempo
Eu venero-lhe a memória.
Daí que olhando hoje
As três viçosas árvores
De que os meus filhos
Há muito
Foram entusiastas plantadores
Eu ajoelho à natureza
Por ver nela emergir
Aquele Poder que tudo pode.
Antonius
Memórias de afectos
No rugido do esplendor
se enobrece o carinho,
desfraldando tanto amor
em abraços de mansinho.
Tocam as vias perfeitas
pelos enredos sensuais,
na memória das receitas
entre doces conventuais.
Nos anais da história
se retiram as ilações
dos afectos saliência.
Ecoam gritos vitória
extenuadas seduções,
paixões em envolvência.
António MR Martins
2011.04.28
se enobrece o carinho,
desfraldando tanto amor
em abraços de mansinho.
Tocam as vias perfeitas
pelos enredos sensuais,
na memória das receitas
entre doces conventuais.
Nos anais da história
se retiram as ilações
dos afectos saliência.
Ecoam gritos vitória
extenuadas seduções,
paixões em envolvência.
António MR Martins
2011.04.28
Grassa sem graça
| Foto: Clarisse Silva |
Grassa a injustiça
Sem graça
Que atiça
Ainda mais
A corrupção.
Grassa sem graça
A injustiça
A preguiça
Do povo
Que atiça
Ainda mais
A corrupção.
O esgotamento
À porta
Que aborta
Mas comporta
Ainda mais
Perversão.
Grassa sem graça
O fim…
No princípio
O precipício
Como resultado
Da decomposição …
Grassa sem graça
A desumanização…
Jazem os valores
Impera a impunidade
No cemitério da verdade
Aos pés da Humanidade!
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Despedida

O mundo inteiro
a calar-se dentro de uma lágrima. Não sabia o lugar
de um poente luminoso e o silêncio parado
era um grito invisível
dentro do tempo a desistir.
Era a chuva e o peso dos meus passos
nos olhos da manhã
era a noite de um pássaro
na solidão das árvores.
Era a sombra de uma pedra
inquieta ausência de mim
memórias de musgo a planar sobre o abismo
dos meus braços
informe dor
nos gestos vagos
das palavras.
Marialuz
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