domingo, 1 de maio de 2011

PERDA...

Será que alguma vez voltarei a encontrar-te naquela floresta encantada que me constrói os sonhos? Sinto-me triste…sinto a tua ausência…tu entrastes nos mais belos sonhos, nas mais intensas imagens, nos sentimentos mais puros e completos.As flores que brilhavam na tua presença, a chuva miudinha e leve que nos molhava lentamente e nos deixava melancólicos e os raios brilhantes e suaves que nos acariciavam, penetrando por entre as folhas verdes das árvores, enviados pelo sol para nos iluminarem...

Toda a Natureza, que os nossos sonhos construíram para nós, está triste e pálida. Quero voltar a ver-te… A última vez que estavas no meu jardim encantado senti-te distante. Estavas a boiar no lago dos nenúfares. Quando sentiste a minha presença moveste-te e apareceste ao meu lado, com o teu sorriso húmido. Sentia a tua pureza a dissolver-se lentamente e a entrar na minha alma sob a forma de paz.Há imagens fixas na minha mente, um céu azul com nuvens brancas que se movem languidamente num rodopio sensual, o mar azul por baixo, imenso e assustadoramente infinito. O sol a brilhar como uma bola de fogo pronta a incendiar a minha alma.

Disseste adeus à medida que desaparecias, deixando um rasto de luz que parecia não ter fim...Uma lágrima de dor percorreu-me a face lentamente e vários sentimentos me percorreram por dentro. Os teus lábios murmuraram: “Adeus.” Começou a chover suavemente. As folhas das árvores ficaram acastanhadas e cobriram a relva verde. À medida que nos meus olhos a chuva se misturava com as lágrimas disse baixinho: “Adeus”… Tu foste-te embora e eu fiquei no meu pequeno mundo sem ti, mas tão dentro da minha alma…Estarás sempre no meu Universo de...

A vida é complexa, mas bela, porque nos dá os instrumentos para superarmos tudo, quando pensamos que nem sempre somos capazes. Mas temos que ter a coragem de preservar... E de repente não se olha para trás ou para os lados, para o passado ou para o futuro, apenas se mergulha para o coração da onda, para aquele centro que parece perfeito e onde entretanto o caos reina. A própria vida é uma essência desse caos. Qualquer coisa que nos envolve, nos aperta, às vezes nos dá vontade de gritar, outras de sorrir e sempre vontade de chorar, seja de alegria ou de tristeza...Agora é tempo de chorar, digerir e ganhar forças para o caminho que se segue. Não é fácil, mas nada o é. Vão ser precisos, muitos momentos, mas sempre presente que a vida se faz caminhando.


O Que Me Falta


Dupliquei a luz
acendi todas as velas.

Não me perguntem o que tenho.

Éramos tantos
já fomos tantos...

Faltam-me rostos
rostos com alma.
Faltam-me mãos
as mãos que amassavam e me deslumbravam.
Faltam-me braços
braços que sorriam
e me afagavam
e me adormeciam.
Faltam-me os olhos
que me agarravam e me seguiam
olhos que me reconheciam
única
entre tanta gente.

Não me perguntem o que tenho.

Perguntem-me
antes
o que me falta.


Marialuz

1 De Maio - Pela memória dos nossos apelidos

Foi
ainda ontem
que nós eramos as carruagens
do comboio dos sonhos
na pista em que accionávamos
o trem
sumiu...
as viagens
nas trilhas sem fim
dos nossos olhares
essas
não cessam
d´alastrar
no destino comum
dos nossos neurónios
mas
as serenatas nos lençóis abandonados
-o odor escarlate de violões , envelhecidos !-
silenciados ao mofo aprisionados , ninguém ...
... as ensaiava ...
lá onde a sereia morreu apaixonada
pelo capitão que travaja na lapela
um lenço bordado de lábios , cravados !
pelo bâton que reflecte a imortalidade
há quem lhe chame arma
há quem lhe chame flor d´abril
- é apenas a carne rasgada da traição
que ainda insiste em repetir o bordão
ou refrão duma só palavra
- revolução !
e ...
ainda é tempo
d´abrir os livros que são entradas
ainda é momento
de fechar aquelas bocas que jamais aprenderão
a beijar !
sim , vou rasgar o meu voto
à entrada da urna que sentencia o nosso funeral
sim , vou teimar no sonho na portada
do ventre que grita ensaguentado
pela luz - dia !
por que ...
os abandonados sem leito são hinos , rejuvenescidos !
onde o tudo o que é caduco morre para que soe a balada
abraçada ao perfume que da vida é libertada , alguém ...
a encarnará , aqui ... onde uma noiva se entrega ao castelo
d´útero aberto à formação daquele que da pátria faz a nação
e acena à boca amada com o lenço de gala
manchado com o lindo arabesco que das núpcias verteu
afinal , ontem , num lar dilacerado pelo divórcio , foi abril ...
e hoje numa terra engalanada pela boda da esperança
é maio ...
daquela menina que dá as mãos ao menino ,
sim , são pequeninos , são crianças
os olhos maravilhados que entregam aos noivos as alianças
e ela sorri e imortaliza-se no ouvido dele :
- sou tua ! sou a tua terra , e tu
estás disposto a ser o meu país ?


Luiz Sommerville Junior , 010520110741
(ao meu irmão)

sábado, 30 de abril de 2011

PARTIR PARA O AMOR




Local de passagem
Espaço de interrupção
Potencial liberdade
Escapando às convenções
Para alcançar
O núcleo secreto
Da partida de uma vida
Para outra vida enlaçar!..

Agito meus medos
Aos teus apelos…
Calcando enganos e desilusões
Convites explícitos
No sequioso tributo
À entrega plena
De muitas efusões!

Os teus olhos
São bússolas de orientação
E de absoluto arrebatamento …
Avançamos…
Recuamos e avançamos…
Até à serenidade da quietude
Íntima comunhão elementar
No sopro interior da plenitude!

Noite de muitas madrugadas
Em todas as ruas abertas
Pela música dos devaneios
Sulcados…
Noite sobre águas
Crescendo
E alagando
Os óbices amarfanhados!

Tensão permanente
Intensidade concertante
Exuberante empolgamento
Beleza de luz tépida
Sem culpa, nem pecado…
Com a inocência
De pássaros na boca
Cantando
Num delírio «nonsense»
De descoberta constante
Da leveza do ser
Exultante!..

30.04.2011

OH!DESESPERO.



Passa um vento lento
Aragem  lenta e doce
E o céu cinzento,
de nostalgia pesado
Se esta vida simples e clara fosse
Não seria  o ventre dum tornado!?

Há flores que florescem em Maio
Sulcando o chão em liberdade
No meu céu perpassa a saudade
A ela me entrego, nela caio.

Desacerto o passo...
Nasce o cansaço
O meu chão já flores não dá
E  o sonho jamais renascerá.

Alegre já me chamaram
De Poeta me fadaram
Mas tudo isto é tão pouco!
Já fui raio, já  fui trovão
Como foi meu dia louco!
Talvez o vento tenha razão

Vejo-me menina  ainda
A quem o vento o cabelo alinda.
Vejo-me  menina no largo
Ao domingo da missa voltando
Chega a mim o travo amargo
É apenas sonho, estava sonhando.
Recordo a tarde que caía
O toque da Avé-Maria
E o luar que chegava, cedo demais
Recordo tudo com ternura
E às vezes dá-me a loucura
De seguir o odor dos laranjais.

E o vento perde-se no caminho
E o céu magoado num pungente sofrer
E meu sonho que estava tão pertinho
De novo me deita  tudo a perder.

natalia nuno
rosafogo

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CÀNTICO

Hoje eu canto a árvore
Esse milagre que se eleva
Das profundas da terra mãe
Insondável alquimia
A fez germinar
E decidida brotar
Da negritude do nada
Feita vida irradiante
Por escatológico poder
Também ele impenetrável
Certo é que frondosa
Se ergue em galhos
Que ousados
Rasgam as malhas do azul do céu.
A árvore toca-me
No mais fundo do meu ser
Porque logra de alguma maneira
Falar-me da essência do amor
Que mora por detrás
De todas as coisas
E se a sua robustez
Tem a marca do tempo
Eu venero-lhe a memória.
Daí que olhando hoje
As três viçosas árvores
De que os meus filhos
Há muito
Foram entusiastas plantadores
Eu ajoelho à natureza
Por ver nela emergir
Aquele Poder que tudo pode.

Antonius

Memórias de afectos

No rugido do esplendor
se enobrece o carinho,
desfraldando tanto amor
em abraços de mansinho.

Tocam as vias perfeitas
pelos enredos sensuais,
na memória das receitas
entre doces conventuais.

Nos anais da história
se retiram as ilações
dos afectos saliência.

Ecoam gritos vitória
extenuadas seduções,
paixões em envolvência.

António MR Martins

2011.04.28

Grassa sem graça

Foto: Clarisse Silva

Grassa a injustiça
Sem graça
Que atiça
Ainda mais
A corrupção.
 
 
Grassa sem graça
A injustiça
A preguiça
Do povo
Que atiça
Ainda mais
A corrupção.
 
 
O esgotamento
À porta
Que aborta
Mas comporta
Ainda mais
Perversão.
 
 
Grassa sem graça
O fim…
No princípio
O precipício
Como resultado
Da decomposição …


Grassa sem graça
A desumanização…
Jazem os valores
Impera a impunidade
No cemitério da verdade
Aos pés da Humanidade!



quarta-feira, 27 de abril de 2011

Despedida


O mundo inteiro
a calar-se dentro de uma lágrima. Não sabia o lugar
de um poente luminoso e o silêncio parado
era um grito invisível
dentro do tempo a desistir.

Era a chuva e o peso dos meus passos
nos olhos da manhã
era a noite de um pássaro
na solidão das árvores.

Era a sombra de uma pedra
inquieta ausência de mim
memórias de musgo a planar sobre o abismo
dos meus braços
informe dor
nos gestos vagos
das palavras.


Marialuz

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Voa para alem do limbo

Teço gerberas no teu corpo nú
em rotas bravas de sol e maresia
decanto o sabor selvagem da tua boca
em lábios de cristal embriago-me
no canto da cama por fazer

É o sol que penetra em carícia na pele
lavra a terra infecunda, carente…
ameiga as tempestades silenciosas
inunda os peitos de açucenas mil

E num voo precipitado, amamo-nos
no silêncio do mundo, falamo-nos
assim…. em sussurros espasmódicos
nos murmúrios imperceptíveis das bocas

Delineamos os contornos dos corpos
em mapas celestiais, sucumbimos mortais
em grades momentâneas, aprisionamo-nos
neste amor falcão…..liberto no rio da vida.

Gosto-te, sinto-te, liberto-te na eternidade da alma
Voa para alem do limbo, meu amor tempestade.

domingo, 24 de abril de 2011

OCEANO É A VIDA


Denso oceano é a vida

Que um mundo de coisas guarda em si

Curta que seja ou desmedida

É caminhando nela que vivi

Prosseguir nesse caminho é o que me resta

Ganhar e perder nela inscritos

Não nos iluda fazer dela mera festa

Tão pouco obra apenas de eruditos

Coisas mil lhe enchem os dias

Impulsos muitos os predilectos

Estar atenta ao risco, a novas vias

Ciente de que o importante são os afectos


Olema




sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sem Olhar Atrás

Entre um golo de Baileys e um tique-taque matei-te. Deixei-te à deriva no onirismo insano em que pairávamos e escolhi alcançar a razão, subi degrau a degrau de olhar inviezado, na esperança de te ver surgir entre as nuvens de areia. Hesitei por um momento ao chegar ao limiar ténue entre o sonho e a vida, mas tive que ser mais forte do que eu: chamei-me bem alto pelo nome, trepei o último degrau, agarrei no copo, olhei o relógio e desatei a correr atrás de mim. Desta vez sem olhar para trás.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Enquanto te amo

Não há mais nada
Que te possa mostrar
Se não abrires os olhos
E os deixares assim
Como quem sabe
Que há um novo horizonte
Para lá dum movimento cerrado
Uma brisa solta
Um rajada de vento
A quebrar todas as forças
Que me tomam
De um jeito tão seu
E me dizem de um modo
Tão meu
Enquanto te amo
E te desejo num espaço fechado
Onde os silêncios também têm voz

domingo, 17 de abril de 2011

QUEM É ESTA MULHER?

Quem é esta mulher
Desajeitada?
Que comigo não se parece em nada.
Que é como outra qualquer
Maria com outro apelido
Que anda à toa sem saber
E para quem a vida não faz sentido.

Quem é esta mulher
Desajeitada e infantil?
Talvez tenha algo a ver
Com a que sonha, sonhos mil.
Apaixonada pela magia
Do Mundo que a rodeia
E pela poesia,
que a prende em sua teia.

Quem é esta mulher?
É personagem antiga, reza a lenda!
Que à poesia vai recorrer,
e ao orvalho caído das alturas.
A que procura alguém que a entenda
Nas fantasias e loucuras.

Já sei quem é esta mulher!
A quem os sonhos foram desflorados
Que revela não ser compreendida
Nos sonhos mágicos encantados
E se queixa do salto vertiginoso da vida.

Já sei quem é esta mulher!
Que abre sem cessar caminho
À conquista do seu dia
Despreza tudo o que é mesquinho
Escreve a tristeza, vive a alegria.
À conquista do seu destino,
Que um dia cintila
E no outro vacila
Com passos de peregrino
Um dia vai moribunda
No outro o Sol a circunda
Que a mim não se parece em nada.
Mas é nela a minha morada.


natalia nuno
rosafogo

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A Dança da Luz


Talvez habite um rio

onde sei de cor a utopia das pedras

ungidas de silêncio. Talvez celebre

o encontro quando depurar

de falas turvas as horas

perdidas entre nítidas veias de lodo.


A sombra espera que a voz

dos sinais desvende

o brilho das palavras.


Talvez nesse dia inscreva no ventre da terra

os fios de luz que

um por um

dançarão os caminhos

e reinventarão o sol nas raízes da casa.



Marialuz

terça-feira, 12 de abril de 2011

Catarse


As casas dormem ainda
ensaiando um silêncio de morte improvisada.
Nas janelas fechadas
oculta-se um rumor de luzes estranguladas.
O fogo adormecido da quimera
envelhece sob um céu sem luar
junto à rebentação das sombras
onde decifro a solidão fria do inverno
no crepitar da memória incandescente.

Personagem de encruzilhada, busco
um elo que faça ainda sentido
com qualquer coisa conhecida,
enquanto assisto ao desgaste lento das horas
a cavarem um fosso de incertezas
no parapeito arruinado da esperança.
Respiro todos os segredos da escuridão
no mármore arruinado onde repousa
um silêncio de asas mortas
e o gemer surdo do sono adiado.


Ao fundo do corredor
no átrio vago da demora
range a porta da alvorada
a abrir-se para a claridade inesperada do dia.

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ESSÊNCIA DA NATUREZA

fotog. marisa soveral
Sim ou não, como saber?

O importante é sentir, viver

não desistir…

não, não posso

seria um vazio em mim

e eu quero prosseguir…


Não faço mais perguntas,

não interessam as respostas!..

Basta sentir e eu sinto

é tudo o que sei – SENTIR!

A sublimação construiu a ponte

por onde passam

as tuas e as minhas águas

seguindo juntas

na força ardente de persistir!


Chegou a Primavera, que regozijo

o meu corpo, a florescer nas tuas mãos…

Na tela, a mistura de amarelo e azul

ficou verde! Corremos de pés nus

rolando na erva húmida,

lacerada

pelos corpos de musgo e terra,

numa luta enfeitiçada!


Tudo mudou, na profecia divina

que senti nos olhos de água…

Fonte de inspiração,

hímen carnal temperado,

com gosto e cheiro a pimenta!


Dentro dos meus braços

preenches-me sem fim

em afogueados gemidos

tão fundos em mim!


10.04.2011

VERBO REFLEXO




Nunca fui poeta.
Poeta é quem se serve da palavra,
Quem a usa como quem na pedra crava
A arte rebuscada do dizer,
Intuindo de forma inteligente
A forma do sentir
De toda a gente.

Nunca fui poeta.
Para mim foi sempre fácil diluir
Nas tintas que me foram sangue e rio,
Os sentimentos da minha própria fonte,
As lágrimas da minha própria dor,
Sem esforço de artista,
Sem pinga de suor.

Dizem que ser poeta é mais que isso,
É estar acima de si mesmo:

Erguer-se ao universo,
Erguer o verso
À dimensão de ser infinito,
À precisão sábia do escopro,
À abrangência de ser pão,
Ao sacramento de divino sopro
Que transforma o bruto sentimento
Em lapidadas peças de arte pura,
E excelência de plural emoção!

Erguer-se universo,
Erguer ao verso
O trivial chilreio das manhãs,
O riso e o que lhe fica por detrás,
A lágrima e a história que a precede,
A razão que, sofrida, às vezes cede,
O erro que não serve de desculpa,
O perdão que faz da máscara a própria culpa!

Sair de si mesmo
Para ser palavra pura,
Impoluta e livre,
Como quem está acima de quem vive!

Eu…?
Eu não sou poeta!
Os escritos com que teço o meu sudário
São restos que me sobejam da alma
E, simplesmente,
Trabalho em transe singular,
Como quem é instrumento e relicário
Das palavras que se dão por se querer dar,
Só por acaso,
E não por caso de engenho,
Sequer porque eu as queira dominar…

Não sou poeta.
Poeta é quem usa a palavra.
A mim são as palavras que me abusam.
Em apertado amplexo.
Tão cruel como meigamente,
Tão fel quanto mel corrente.
Me conjugam...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

MAIS UM DIA



Sinto-me tão cheia de vazios
Hoje fiquei com menos um dia
de vida
Tantos foram... perdi-os!
Ficou minha mágoa comprida.
Mais um dia que conta
Menos um dia na conta
Vou o tempo rasgando
Já me enegrecem as asas
Vai a Vida enfarruscando
Penas minhas são brasas.

Porque a verdade é só uma
Hoje mais um dia se foi!
Não é mais um, coisa nenhuma
É menos um ...e me doi!

Apelo aos meus sentidos
O ouvido não quer ouvir
Diz serem meus sonhos desmedidos
Não ouve, nem quer sentir.
Apelo ao tacto, ao olfacto
Todos no tempo distante
Ficaram-se p'lo vôo das andorinhas
Só meu coração amante
Ouve as tristezas minhas.

Às vezes me sinto com algum talento
Escrevo com alguma qualidade
Mas logo perco o alento
Se me ignora a saudade.

A Poesia é como um vitral
Ornado que se olha iluminado
Um altar numa catedral
Onde Deus mora e é amado.
Por isso a escrevo sem parar
Meus versos me bebem o sangue
Julguei ter forças para andar.

Vou escrever até me sentir exangue.

domingo, 10 de abril de 2011

NO DESPERTAR DO AMOR

À se me lembro mulher
Desse instante remoto em que me solto
E liberto de asfixiante carapaça
Feita de incontáveis e contidos impulsos
Pela primeira vez em ânsias
Deslizo sedento e sonhador
Sobre o teu corpo ululante
Vagos gemidos se anunciando
Para em dádiva desinteressada
Àquele que tanto e tanto te sonhou
Te dares nas primícias do amor
Ah como te sinto ainda ofegante
Num imperecível descontrolo
Ah como me afundo em ti
Cuidando atingir o inatingível
Como premindo as teclas do teu dorso
Que te comprimem até à medula
Como mergulhando-me em ti
Quase perco o sentido do eu
Afogando-me num fogo não sonhado
Imolando-me no calor escaldante
Feito de indizível amor

Antonius