Esbracejando deslizo
Sobre o mar dos meus pensamentos
Ignorante a meu respeito
Borbulha nesse mar
O mundo das minhas interrogações
Estranha consciência
De dois que fazem um
Sendo aquele que esbraceja
Sob o tecido aquático
Bem mais que isso
Mas infinitamente
Sou o que feito tornado
Fui construído pelo tempo
E pelo tempo que foi antes de mim
Um sem fim de flashes luminosos
Que se cruzam e entrecruzam
Feitos esse outro eu
Onde com inteireza
Habita num torvelinho
Aquele que deveras sou
Antonius
sábado, 5 de março de 2011
Soneto heróico
No mar jazem homens, como heróis
Lúgubre ausência, vil morte
Enlutada é, triste consorte
Admoestados ventos, castram sóis
Navegadores que a vida deram
Para conquistar outras paragens
Cheiros intensos, aves, aragens
Lugares, povos que enalteceram
O soneto veste-se de louvor
Sublime o acto que lhe assiste
Na arte, história que persiste
Mapa de sangue feito de amor
Cantam-se himos de saudade
De pé, aplausos, posteridade
Lúgubre ausência, vil morte
Enlutada é, triste consorte
Admoestados ventos, castram sóis
Navegadores que a vida deram
Para conquistar outras paragens
Cheiros intensos, aves, aragens
Lugares, povos que enalteceram
O soneto veste-se de louvor
Sublime o acto que lhe assiste
Na arte, história que persiste
Mapa de sangue feito de amor
Cantam-se himos de saudade
De pé, aplausos, posteridade
Barco de fuga
Sentado no litoral do imaginário
o poeta desenha um barco
com a madeira solitária dos versos
que guarda nas folhas amarrotadas
de um caderno negro
Desenha o mar distante da infância
e a paisagem costeira
de um secreto itinerário de espuma
com a água que lhe sobra
do olhar exausto e vencido
Aos confins longínquos da memória
resgata os traços trémulos do vento
com que acende a luz de um verão antigo
sobre um fundo azul
onde desenha o cais de onde nunca partiu
E espera pela subida da maré
para traçar os caminhos de fuga
por entre as quilhas da página vazia
onde o sol rasga vagas de névoa
e as sereias enredam viajantes perdidos
.
sexta-feira, 4 de março de 2011
OS DIAS POISAM EM MIM

A solidão é uma pedra no peito
O tempo esse passou
Ficou para trás em bocados feito
Como água no cais que enlodou.
Só meu coração
Ainda está quente
e sente,
a cada momento,
um novo alento.
Entre o tempo e a eternidade
Vive nele a caber
multiplicada a saudade.
Neste entretanto que é viver
e morrer.
De súbito vejo cair a tarde
É mais um dia que finda
Mais um que me trouxe a verdade
Que tudo é efemero, nesta vida
desavinda.
Raras vezes conseguida
a paz que tanto se anseia
Á espera dum sentido p'ra vida
Ao lusco-fusco volta e meia.
Há sempre um não sei quê
A vergar-nos os ombros
E eu insisto porquê?
Encher o peito de escombros.
Os dias poisam em mim
Tão velhos quanto eu
E este chegou ao fim
Levando um pouco do que é meu.
Nada sei...
Só sei!
Que o dia passou a correr
E eu aqui fiquei,
nesta solidão,
onde me invento e sinto a desvanecer.
Ou será ilusão?
Mas isso não importa,
Importa!
Que hoje ouvi o som do ribeiro
O chilrear do passaredo
Senti das mimoseiras o cheiro
Respirei o ar puro do arvoredo.
Assim me encontrei a sós comigo
Lembrei quantos amei verdadeiramente
Alguém me falou ao ouvido
Amanhã terás outro dia, de presente.
natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog-imagens para decoupage
Ai esta solidão!
ai esta estúpida solidão
que me morde a mão...
que me amassa névoas...
no recanto do espelho.
procuro na palavra...
uma terra de sílabas...
um frasco de frases...
para lavar a véspera de tudo.
não!..não partilho a minha embriaguez
com os gestos efémeros de um qualquer copo oxidado
nem dispo o nó cego que me atolaram na garganta
ergo no ar a guilhotina da rima
que me morde a mão...
que me amassa névoas...
no recanto do espelho.
procuro na palavra...
uma terra de sílabas...
um frasco de frases...
para lavar a véspera de tudo.
não!..não partilho a minha embriaguez
com os gestos efémeros de um qualquer copo oxidado
nem dispo o nó cego que me atolaram na garganta
ergo no ar a guilhotina da rima
que me faz renascer...
que me faz migrar...
na última estrofe com resíduos de insanidade.
que me faz migrar...
na última estrofe com resíduos de insanidade.
Eduarda
Deixa-me ler-te à luz da vela

No deserto do tempo impune
Arranquei labaredas dos teus olhos
Sem saber se as algas
Que me salgavam o rosto
Tinham o mesmo sabor frio
Das mazelas que pintei no teu corpo
Quem me dera poder apagá-las
Num simples traço a carvão
Sucumbindo em seguida
Sob os braços da Mendiga Romana
Talvez o lamaçal d’ escuridão
Que carrego nesta pena incondicional
Partisse com o clarão de luz
Que atravessa esta cela de barro
Deixa-me ler-te à luz da vela
Quando o dia se acabar
Conceição Bernardino
quinta-feira, 3 de março de 2011
Atenção a todos (Antologia - Urgente)
Ainda não recebemos todas as participações dos autores que irão integrar a Antologia.
Solicita-se que os façam chegar até ao final da próxima semana, para que se possa organizar o ficheiro no sentido de vos ser enviado para verificação e/ou correcção, após o que se enviará para a Editora. Só assim se poderá ter a proposta para ser analisada por todos.
Nota: Enviem o documento em formato WORD
Solicita-se que os façam chegar até ao final da próxima semana, para que se possa organizar o ficheiro no sentido de vos ser enviado para verificação e/ou correcção, após o que se enviará para a Editora. Só assim se poderá ter a proposta para ser analisada por todos.
Nota: Enviem o documento em formato WORD
No centro de mim.
No centro de mim.
Se me encontrares aqui
neste lado do mundo
onde me encontro
...na nudez do corpo
na paz e na calma
que o silêncio
me traz
se eu te procurar ali
no cimo de tudo
no topo do mundo
nas guerras vencidas
nas lutas perdidas
na força de ser
a coragem
de viver.
Se nos encontrarmos
nas voltas da terra
no centro do meu silêncio
na frágeis flores
testemunhas expostas
ao vento.
se tu e eu
formos a força dos céus
o amanhecer rasgando horizontes
a esperança vencida
a junção do corpo e espírito
num todo que gira
a volta da terra
no incessante procura
que sou EU.
São Gonçalves
Se me encontrares aqui
neste lado do mundo
onde me encontro
...na nudez do corpo
na paz e na calma
que o silêncio
me traz
se eu te procurar ali
no cimo de tudo
no topo do mundo
nas guerras vencidas
nas lutas perdidas
na força de ser
a coragem
de viver.
Se nos encontrarmos
nas voltas da terra
no centro do meu silêncio
na frágeis flores
testemunhas expostas
ao vento.
se tu e eu
formos a força dos céus
o amanhecer rasgando horizontes
a esperança vencida
a junção do corpo e espírito
num todo que gira
a volta da terra
no incessante procura
que sou EU.
São Gonçalves
TU
Nos teus lábios
Impossibilidade possível
De reinventar a suprema subtileza
Sentindo a essência
brisa abrasiva em lufadas
hálito apelativo
polpa de cereja
voz de emoção
Bela e inquietante
Titubeando comoção!...
.
Nos teus olhos…
viagens
feitiço do mar profundo…
magia da montanha
cheia de assombros…
a descobrir…
laços de cumplicidade
expurgação da sombra
interioridade!
.
No teu corpo conceptual
exercício musical
de contornos ondulantes
Sortilégio lírico invulgar
entidade sensível
paraíso clandestino
de tudo aquilo que é
de tudo aquilo que me completa
de tudo aquilo que quero
de tudo aquilo que acalma
a minha alma inquieta!...
28.02.2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
Grande Curva.
Acentuada é a curva da história
Neste tempo não sonhado em que vivemos
Creio não haver registo nem memória
Não ter sido nunca o mundo como o vemos
O progresso chega a ser deslumbramento
Num pasmo vêem os homens o que acontece
Pressentido parece ser o fermento
De algo que vai ser grande ou fenece
Entrou incrédula a minha geração
Nessa curva pelos homens não sonhada
A sentir começa a ter boa razão
De se indagar porque forças é levada
Desconcertante a curva desenhada
Que o homem foi pobre em discernir
Séria se mostra a curva nesta estrada
Inquire-se o homem acerca do devir
Fácil foi para o homem de antanho
Ver o mundo que se lhe seguiria
Pouco mais do que das terras o amanho
Era o que o seu pensar ao longe via
Nestes tempos porém para seu desnorte
A curva faz-se de interrogação
Não sabe se vai para sul ou para norte
Na mente se lhe derrama a confusão
Se a curva está no termo se pergunta
Pressentindo parecer de maior tino
A sua sorte não quer ver defunta
Aforra a sua esperança no destino
Antonius
Neste tempo não sonhado em que vivemos
Creio não haver registo nem memória
Não ter sido nunca o mundo como o vemos
O progresso chega a ser deslumbramento
Num pasmo vêem os homens o que acontece
Pressentido parece ser o fermento
De algo que vai ser grande ou fenece
Entrou incrédula a minha geração
Nessa curva pelos homens não sonhada
A sentir começa a ter boa razão
De se indagar porque forças é levada
Desconcertante a curva desenhada
Que o homem foi pobre em discernir
Séria se mostra a curva nesta estrada
Inquire-se o homem acerca do devir
Fácil foi para o homem de antanho
Ver o mundo que se lhe seguiria
Pouco mais do que das terras o amanho
Era o que o seu pensar ao longe via
Nestes tempos porém para seu desnorte
A curva faz-se de interrogação
Não sabe se vai para sul ou para norte
Na mente se lhe derrama a confusão
Se a curva está no termo se pergunta
Pressentindo parecer de maior tino
A sua sorte não quer ver defunta
Aforra a sua esperança no destino
Antonius
Eu tive um sonho
Eu tive um sonho de amor feito
Ornado com pétalas de mil cores
Sonhei que esse sonho
Abarcasse o universo
Mas o sonho era tão grande
Que espaço minguava para o acolher
Reguei-o com dourada filigrana
E beijei-o com o beijar dos deuses
Esse beijo de fecundo
O universo fez sem medidas
Tornando-o pátria da beleza
Puxado pelo corcel da realeza
Infinitamente acolhedor
Regaço do mais extremado amor.
Olema
O AMOR ACONTECE

Quando o sol amadurece
Não quero nem saber porque morri
Uma tontura nova e doce acontece
E eu esqueço o muito que já vivi.
Volto ao aconchego das palavras
Morrer foi o que de bom senti
Perfumei o corpo que desvabras
E hoje de amor por ti morri.
O Amor é romã que se abre
Ao sol que a amadurece
É um querer bem
Que bem que sabe
Na margem doce de qualquer tarde
É mel que sempre apetece.
É um frémito de saudade.
Perdidos em mar profundo,
tu e eu,
Surdos ao Mundo
Nesse desejo ardente ,meu e teu.
A parede do quarto já sombria
O sol ainda bordejando a janela,
Suspiros de amor que se sacia
Lá fora a vida, nos esquecemos dela.
natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog-imagens para decoupage
Um simples sono
sou um simples sono de vida que tenho e ignoro onde vivo.
tive outras vidas e um só sonho.
na que vivo agora sou cor de mar e fujo da alma que tive
e das dores onde estou.
talvez as veja e as sinta, como vento do que ontem fui
e que enrolo hoje na rede da razão.
e já vi tantos sonhos e tantas dores,
que tenho a impressão que sou sono de tela
ou lama lacre do vento que me roça os dedos.
será inútil a mudança da cor, do que já não há
em tanto que supus, como coisa de sonho que tinha dentro
e já não sinto como sono.
quando acordar pergunto-me se sonhei real
ou apenas ébria no assombro lúcido do sono que sou enquanto sonho.
Eduarda
terça-feira, 1 de março de 2011
AMOR EM RÉ MENOR
Sou uma nesga de tempo projectada no desmesurado do Tempo
Meteorito em noite de estrelas cadentes
Madrugada de um dia que muito longe se anuncia
Mergulho no mais fundo de mim rondando a morte
Constelação sem estrelas, dormente
Sou um pedaço de mim que rasgou o tempo
Por fresta aberta no inicial magma
Rajada de vento que num momento
Serenou, pacificou, sem perda do fôlego
Sou mais forte do que eu, eu sei que sou
As minhas contas ultrapassei há muito
Perguntando-me se vou, sem saber se vou
Atrevo-me por caminhos não percorridos
Mais que em coragem invisto na suave brisa
Deixei de ser pedaço desse tempo sem medidas
Inteiro passei a ser cioso da inteireza
Vislumbrei constelações ainda ocultas
Pressenti por detrás do inicial meteoro
Acesas, incandescentes brasas
Do em ré menor, eternamente buscado amor
Antonius
Meteorito em noite de estrelas cadentes
Madrugada de um dia que muito longe se anuncia
Mergulho no mais fundo de mim rondando a morte
Constelação sem estrelas, dormente
Sou um pedaço de mim que rasgou o tempo
Por fresta aberta no inicial magma
Rajada de vento que num momento
Serenou, pacificou, sem perda do fôlego
Sou mais forte do que eu, eu sei que sou
As minhas contas ultrapassei há muito
Perguntando-me se vou, sem saber se vou
Atrevo-me por caminhos não percorridos
Mais que em coragem invisto na suave brisa
Deixei de ser pedaço desse tempo sem medidas
Inteiro passei a ser cioso da inteireza
Vislumbrei constelações ainda ocultas
Pressenti por detrás do inicial meteoro
Acesas, incandescentes brasas
Do em ré menor, eternamente buscado amor
Antonius
O que somos nós?
O que somos nós
figuras minúsculas
debaixo de um sol
abrasador
seremos apenas
pequenas poeiras
d'estrelas
perdidos entre
vários planetas?
Seremos pequenas luzes
migrantes nos espaços
mistério do universo
pensamos ser tanto
no espaço que nos rodeia
e somos um mundo inteiro
aos olhos
dos que dependem de nós
mas na verdade
não somos nada
comparando
as tempestades de areia
que se levantam
nos desertos
esquecidos
para alem do meu
olhar.
São Gonçalves
figuras minúsculas
debaixo de um sol
abrasador
seremos apenas
pequenas poeiras
d'estrelas
perdidos entre
vários planetas?
Seremos pequenas luzes
migrantes nos espaços
mistério do universo
pensamos ser tanto
no espaço que nos rodeia
e somos um mundo inteiro
aos olhos
dos que dependem de nós
mas na verdade
não somos nada
comparando
as tempestades de areia
que se levantam
nos desertos
esquecidos
para alem do meu
olhar.
São Gonçalves
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
COLIBRI
o querubim chamou
abriu a porta
no teu mundo entrei
a porta
rangeu… gemeu
rangi… gemi
o sol cresceu…
.
que fulgência…em mim
vagueando… pelos vinhedos
sorvendo
as gotas de vinho dos deuses
descalça no teu sorriso
mar sertão…«farfalha»…
língua bailarina
paixão sem aviso!
.
cores gritantes…
nas águas de Fevereiro
gotas de cristal…
meu tempo teu
que perco em ti
ganhando tempo…
exótico colibri!
.
sabor de abacate
cor e polpa…crescente
que em mim fluiu
que em mim se abate…
.
nos teus braços
dos meus braços
dançamos
avançando…recuando…
e avançando…
numa espiral
estonteante
corpos nus
num volteio sensual!..
22.02.2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
A MENINA DO MEU SONHO

Há uma criança sorridente
Que nos meus sonhos figura
Tem um aspecto diferente
Lê-se-lhe no olhar amargura.
Nos meus sonhos surge,
inesperadamente.
Tráz o passo sereno
Ri ocasionalmente
Quando lhe aceno.
Demasiado juvenil
Demasiado alegre
Às vezes um tanto infantil
Mas sempre meu sonho segue.
Com uma ingénua felicidade
E um aroma agridoce
Imagem de felicidade
E de saudade
Que essa menina me trouxe.
Catraia, humilde, sorriso no rosto
Olhos iluminados
Pontinhos esverdeados
E amarelo forte do sol-pôsto.
Do meu sonho se liberta
Risonha...risonha...risonha!
Deixo-lhe a porta do coração aberta
A menina do meu sonho,
Também ela sonha.
Memória de mim.
rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog-imagens para decoupage
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
UM SONHO
-A UMA BRASILEIRA--
Sonhei, que nos teus lábios sorveria,
Distância dos mares que percorreste.
Sonhei, que d’entre os abrolhos sairia,
Pelas esperanças que tu me concedeste.
Sonhei, que nos teus lábios aspiraria,
A brisa ardente da terra onde nasceste.
Sonhei, que junto a ti eu viveria,
Muito feliz porque me compreendeste.
E sonhei, que junto a mim sempr’estava,
A mulher que eu outrora já amava;
A mulher que, em silêncio, sempre amei…
Mas…Óh dura desilusão que me vai ferir,
E me fará sofrer, porque tu vais partir,
Deixando-me apenas, sonho, que eu sonhei!...
(Veríssimo Salvador Correia 1933)
Sonhei, que nos teus lábios sorveria,
Distância dos mares que percorreste.
Sonhei, que d’entre os abrolhos sairia,
Pelas esperanças que tu me concedeste.
Sonhei, que nos teus lábios aspiraria,
A brisa ardente da terra onde nasceste.
Sonhei, que junto a ti eu viveria,
Muito feliz porque me compreendeste.
E sonhei, que junto a mim sempr’estava,
A mulher que eu outrora já amava;
A mulher que, em silêncio, sempre amei…
Mas…Óh dura desilusão que me vai ferir,
E me fará sofrer, porque tu vais partir,
Deixando-me apenas, sonho, que eu sonhei!...
(Veríssimo Salvador Correia 1933)
RAIZ QUE SOU
Oiço o barulho do tempo
Trazido na onda dos eternos silêncios
Oiço dos medos a amargura
Velada por palavras de candura
Vejo o que não vejo que esse tempo
Trazido por ventos de loucura
Trás sussurros do canto de uma mãe
Escuto em murmúrios de enlevo
Vozes que vêm de há muito
Consumidas da vida no enredo
Daquilo que são vestígios de mim.
Oiço remotos silêncios
De quando eu não era ainda
Chegam a mim como original momento
Essencial força feita raiz funda
Dessa árvore não medida
Em que o tempo me tornou,
Antonius
Trazido na onda dos eternos silêncios
Oiço dos medos a amargura
Velada por palavras de candura
Vejo o que não vejo que esse tempo
Trazido por ventos de loucura
Trás sussurros do canto de uma mãe
Escuto em murmúrios de enlevo
Vozes que vêm de há muito
Consumidas da vida no enredo
Daquilo que são vestígios de mim.
Oiço remotos silêncios
De quando eu não era ainda
Chegam a mim como original momento
Essencial força feita raiz funda
Dessa árvore não medida
Em que o tempo me tornou,
Antonius
MORENA LINDA
Tive a dita de ver, linda morena,
Teus olhos negros; negros d’ encantar.
Tua rósea boquita, mui pequena,
Feita só p’ra cantar, beijar, amar!...
Francamente, eu digo, com que pena,
Te verei partir; a alma a soluçar.
Por numa, nem sequer, conversa amena,
Este amor meu, poder-te, confessar.
Partirás – De mim algo irá contigo,
Deixarás tua neste peito amigo,
A recordação grata e sedutora!...
E mesmo quando, já depois ausente,
Inda, em canção, ouvirei ardente,
A tua voz de linda sonhadora…
(Veríssimo Salvador Correia 1933)
Teus olhos negros; negros d’ encantar.
Tua rósea boquita, mui pequena,
Feita só p’ra cantar, beijar, amar!...
Francamente, eu digo, com que pena,
Te verei partir; a alma a soluçar.
Por numa, nem sequer, conversa amena,
Este amor meu, poder-te, confessar.
Partirás – De mim algo irá contigo,
Deixarás tua neste peito amigo,
A recordação grata e sedutora!...
E mesmo quando, já depois ausente,
Inda, em canção, ouvirei ardente,
A tua voz de linda sonhadora…
(Veríssimo Salvador Correia 1933)
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