segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

COLIBRI

o querubim chamou
abriu a porta
no teu mundo entrei
a porta
rangeu… gemeu
rangi… gemi
o sol cresceu…
.
que fulgência…em mim
vagueando… pelos vinhedos
sorvendo
as gotas de vinho dos deuses
descalça no teu sorriso
mar sertão…«farfalha»…
língua bailarina
paixão sem aviso!
.
cores gritantes…
nas águas de Fevereiro
gotas de cristal…
meu tempo teu
que perco em ti
ganhando tempo…
exótico colibri!
.
sabor de abacate
cor e polpa…crescente
que em mim fluiu
que em mim se abate…
.
nos teus braços
dos meus braços
dançamos
avançando…recuando…
e avançando…
numa espiral
estonteante
corpos nus
num volteio sensual!..
22.02.2011

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A MENINA DO MEU SONHO



Há uma criança sorridente
Que nos meus sonhos figura
Tem um aspecto diferente
Lê-se-lhe no olhar amargura.
Nos meus sonhos surge,
inesperadamente.
Tráz o passo sereno
Ri ocasionalmente
Quando lhe aceno.

Demasiado juvenil
Demasiado alegre
Às vezes um tanto infantil
Mas sempre meu sonho segue.

Com uma ingénua felicidade
E um aroma agridoce
Imagem de felicidade
E de saudade
Que essa menina me trouxe.

Catraia, humilde, sorriso no rosto
Olhos iluminados
Pontinhos esverdeados
E amarelo forte do sol-pôsto.

Do meu sonho se liberta
Risonha...risonha...risonha!
Deixo-lhe a porta do coração aberta
A menina do meu sonho,
Também  ela sonha.

Memória de mim.

rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog-imagens para decoupage

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

UM SONHO

-A UMA BRASILEIRA--

Sonhei, que nos teus lábios sorveria,
Distância dos mares que percorreste.
Sonhei, que d’entre os abrolhos sairia,
Pelas esperanças que tu me concedeste.

Sonhei, que nos teus lábios aspiraria,
A brisa ardente da terra onde nasceste.
Sonhei, que junto a ti eu viveria,
Muito feliz porque me compreendeste.

E sonhei, que junto a mim sempr’estava,
A mulher que eu outrora já amava;
A mulher que, em silêncio, sempre amei…

Mas…Óh dura desilusão que me vai ferir,
E me fará sofrer, porque tu vais partir,
Deixando-me apenas, sonho, que eu sonhei!...


(Veríssimo Salvador Correia 1933)

RAIZ QUE SOU

Oiço o barulho do tempo

Trazido na onda dos eternos silêncios

Oiço dos medos a amargura

Velada por palavras de candura

Vejo o que não vejo que esse tempo

Trazido por ventos de loucura

Trás sussurros do canto de uma mãe

Escuto em murmúrios de enlevo

Vozes que vêm de há muito

Consumidas da vida no enredo

Daquilo que são vestígios de mim.

Oiço remotos silêncios

De quando eu não era ainda

Chegam a mim como original momento

Essencial força feita raiz funda

Dessa árvore não medida

Em que o tempo me tornou,


Antonius

MORENA LINDA

Tive a dita de ver, linda morena,
Teus olhos negros; negros d’ encantar.
Tua rósea boquita, mui pequena,
Feita só p’ra cantar, beijar, amar!...

Francamente, eu digo, com que pena,
Te verei partir; a alma a soluçar.
Por numa, nem sequer, conversa amena,
Este amor meu, poder-te, confessar.

Partirás – De mim algo irá contigo,
Deixarás tua neste peito amigo,
A recordação grata e sedutora!...

E mesmo quando, já depois ausente,
Inda, em canção, ouvirei ardente,
A tua voz de linda sonhadora…




(Veríssimo Salvador Correia 1933)

EM BUSCA DE MIM

Há perguntas que me faço
Que me questionam
Me perguntam sobre mim
Ás vezes frenéticas
Querendo levar-me
Revestidas de ousadia
À essência daquele que sou.
Batem-me à porta de mim
Quase me embriagam
Na sede que eu próprio sinto
De saber quem deveras sou.
Às vezes, muitas vezes
Pressinto entreabrir-se-me a porta
E uma réstia de luz
Iluminar-me o caminho
Mas mal a curiosidade
De mim se levanta
Logo do mais fundo
Do meu ser se espanta
O poder de me ver
Com que ingénuo sonhei
E tudo leva a crer
Sonho e sonharei.

Tudo que me resta
É deixar-me invadir
Por precioso lampejo
De esperança.

Antonius

Um simples olhar...















Há no trajecto labial
um sorriso provocante
que me seduz,
adormecendo-me
nas asas do tempo
rasgando o passado presente

No olhar o aroma do incenso
serpenteando as brumas vazias
do permanente viajante do tempo

Nos cabelos o ondular do rio
feito mar bravio
que corre nos veios da alma
nas noite envoltas em fastio

Nas mãos a serenidade inquieta
de ser pleno na imperfeição de si

É neste olhar que reencontro
a beleza de ser tão somente
sentires meigamente envoltos
na translucidez das cores…
as tuas

Ah Como é Grande o Meu Sonho


Grande que foi o meu sonho
Grande o meu divagar
Pensar teu rosto risonho
Foi o teu amor anelar

É já de si sem medida
Ouvir da cotovia o canto
Quanto mais levar de vencida
A voz terna do quebranto

Mas o sonho tem tempo e medida
Singular sopro de vida
Do frio suave manto

Doloroso é vê-lo esvair-se
No infinito diluir-se
Um ser render-se num pranto

Olema

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

NUM CANTO DA MEMÓRIA



Lembro que chorei
Chorei desabaladamente,
Longamente...
E à distância soava uma melodia
Ao meu ouvido soava
E ao céu ascendia.
Assim meu sonho partia,
jamais voltava.

Esperei em sonhos,
O que esperava?!
Jamais voltou!
O coração me gelou
Dum gelo quebrado,
Triste e fatigado.

O retrato, não me sai da mente
Acalento a esperança.
Por detrás dos olhos fechados
Vejo-a sorridente
Criança...
Já só lembrança,
de sonhos despreocupados.

Esperei em sonhos
Dei-lhe a mão
E murmurei...
Se de ti não me afastei?!
Te afastaste de mim,
porque razão?

Olha aí!
O caderno de poemas encetados
Não os perdi!
Deixei-os em ti guardados.

Trago meu rosto adormecido
E nunca, nunca sei!
Se me terás esquecido

Nem se já te perdoei.

Estranho não te ter encontrado
Porque te haverei perdido?
Ainda que volte ao passado
Vou esquecer-te, está decidido.

Memória de mim.

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog - imagens para decoupage

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eternos Laços

Há um sentir que eu sinto
Cá dentro, dentro de mim
É que cá dentro de mim
Oh Deuses
Há um sentir que eu sinto
Esse sopro vital
Tornado virginal arroubo
É tudo aquilo que sou
O que deveras quero ser
Fogo aceso se tornara no meu peito
Jardim das flores que mais anelo
Fogo que arde e que eu elejo
Palpitante razão do meu viver
Esse sentir que eu sinto
E às vezes me tira de mim
É raiz, é fonte
È sempre e sempre a ponte
Que no mais prendado fulgor
Me embrenha nos laços
Do teu Amor

Antonius

O que está dentro da minha alma

O que está dentro da minha alma, o que faz mover as minhas mãos, quem fez a tempestade e quem deu a calma? O bater de um coração, o nascer de uma criatura e esta canção pela cidade.
O que está dentro da nossa cabeça, o que nos faz resistir, guerras e crimes mas também a musica para ouvir, esse amor sublime em todos os lugares, em todos os países, as canções mais tristes que guardam os momentos mais felizes.

O que está dentro da minha alma, as coisas que aprendi na filosofia. O meu olhar no teu, riscar a flor e acender o céu. Todas as estrelas e todos os bichos. O amor é assim mais bonito sem as palavras dificeis da vida.

Lobo 011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Sentir Que Me Invade

Mulher! Eu quero fugir à palavra mil vezes dita, à frase feita, àquela que todos usam e pela qual falam de si, dos seus sentires, às vezes ocultos no mais recôndito de nós. Mas por muito que queira fugir à palavra dita, à frase feita, não me é fácil inovar, fazer coisa minha, sobretudo no instante em que mais capaz me sinto para o fazer. Por muito que me esforce, aquilo que me surge em termos de palavras foi já dito ou pensado. Mas o que acontece e o que me importa nesta hora é o que eu diga ou pense, sobretudo o que sinta. Que me importa o que os outros tenham dito, pensado ou sentido? Eu só quero nesta hora, neste instante que quereria eterno dizer-te que te quero no limite do querer. Falar-te da força do sangue que invade os oráculos deste pobre coração – naquilo que foi mas já não é - , do quanto nessa mesma onda falam as veras da minha alma. Procuro e rebusco, quero encontrar mas apenas sinto, mas se sinto é isso o que me importa. Quero dizer por metáfora trazida até mim pelos caminhos da natureza e pelas rotas das estrelas, que não há lírios nos campos, não há urzes na montanha, não há ondas marinhas, nem cerros nevados que traduzam esse sentir profundo que nesta hora me invade. Mulher! Essa palavra mágica que transborda no coração do homem e só ele entende.

Antonius

Antologia Tu Cá Tu Lá II

Todos os participantes que deram resposta afirmativa à participação na antologia Tu Cá, Tu Lá II, irão receber um mail com todas as indicações necessárias, de como irá ser organizado o livro, baseado na escolha de cada um, que contará com 5 textos/poemas por autor.

A administração

E se o mar...

E se o mar lhe pega a saia
e ela roda como um moinho.
E se a noite com a lua
uma canção ensaia
como uma moda de rua
...que aprendemos nos caminhos.

lobo 011

Luz...

(Imagem google)


Como transmitir o que se sente? Como dizer que se Ama? Como sentir que se ama?Como satisfazer a nossa fome e a nossa sede, sem cair na desordem de um monte de palavras que se cruzam para depois abalarem rumo ao centro onde moram todos os desenganos? Conseguir construir caminhos e movimentarmo-nos neles ao encontro de uma simples luz q...ue nos guie rumo aquele que nos faz sentir…

- A liberdade é um bem que reclamo a todos os momentos…
- A Liberdade é uma chama acesa no meu peito….é tantas vezes um monte de cinzas a adubar
a terra…e outras tantas, pó cimentando a poeira do caminho.
- A Liberdade é tudo o que o Amor precisa para se dizer - AMO-TE
****************
Dolores Marques

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Antónia

Seria mais fácil odiá-lo. Reduzi-lo à insignificância de quem partiu por iniciativa própria sem deixar grande marca.
Talvez se se esforçasse um pouco conseguiria até rever mentalmente todos os seus defeitos, manias e vícios irritantes que davam com ela em doida.
Seria mais fácil esquecê-lo. Isso sim! Mandar para o diabo as recordações mornas ainda tão presentes. Desapertar os laços, os atavios, os nós que lhe castravam os modos. Obliterar de vez a dor excruciante que a falta dele lhe infligia sempre que ela caía em si.
Mas não. A cada gesto, a cada palavra, a cada pestanejar, era o azul-estrela do seu olhar que lhe banhava o pensamento e lhe compunha os dias. E ela, acomodada, não sabia viver de outro modo. Sequer tencionava mover um grão de areia que fosse para que as coisas ganhassem nova forma. Só assim sabia ser.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

DENUNCIA

Não me importa do universo a grandeza
Tão pouco da Via Láctea a imensidão
Interessa-me das estrelas a singeleza
Do puro bom senso o galardão

Não me interessa do mundo a opulência
Se quer a ostensiva mansão
Toca-me sim a eloquência
Dos que falam a voz da razão

Não me quero pelos proventos aviltado
Ao pobre incapaz de dar a mão
Jamais pelo fausto esmagado
Mísero sentir o do meu coração

Detesto este mundo em que pelejo
E nele grassa a fome inclemente
Por muito que abra os olhos não cotejo
Ver do novo homem a semente

Abomino a rota que levamos
Os que deste tempo temos a herança
Por certo que bem caro pagamos
Em instalada e vã bonança

O que faz de mim intolerante
E me diz que o mundo não avança
É ver os olhos negros da negra fome
No labial tremular duma criança

De corruptos a nuvem transbordante
Levem-na os ventos para longe sem retorno
Não tenha mais oportunidade o meliante
De ver vir às suas mãos o vil suborno

Antonius

Último voo


Recusas rever-te nos espelhos
onde já não te reconheces
e a sombra de uma metamorfose mórbida
se reflecte
como uma fotografia amachucada
que o pó lambeu
com o veneno enfeitiçado das noites.

De tanto crescer
o corpo mirrou por dentro
devorado
por um espasmo de primaveras corrompidas
e é, agora, apenas um sussurro de sémen,
um choro de criança moribunda
no quarto escuro da memória
onde não voltará a amanhecer.

O mapa enrugado das cidades perdidas
que te cobrem a cal cega da pele
é aquilo que te resta
de uma paisagem de luas adolescentes
que a sombra obscureceu
num eclipse de ossos doentes.

Agora, já só esperas o último voo.
O grande sono
que te levará num estertor alucinado
à cratera extinta onde repousa
a recordação febril das manhãs
e a luz branca de todos os mistérios.

.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

INSTANTE QUE SOU

Desde de sempre eu existi,
Remoto projecto na mente d’ Algo.
Há uma eternidade eu já era.
Nascem as pedras e os montes,
As estrelas no Firmamento.
Das montanhas nascem os rios
Em murmúrios de advento,
-E eu, mero projecto, distante…

Dos mares brota a vida,
E dos céus a ave que canta.
O ronco do leão rasga a floresta
E enquanto da esperteza o símio se ufana,
Um outro, dele, no intelecto se adianta.
Entretanto existe já o Tempo.
Tempo menino, criança,
Tempo que não anda – parado no Tempo
Mas o tempo avança, ainda que sem pressa,
Deixando para traz os anos, as centúrias, os milénios
-E eu, vago projecto ainda…

O homem não chegou ainda a homem.
Das planuras de Cro-Magnon
Vislumbra ao longe o Homem de Pequim.
Atarracado no porte e vesgo na inteligência
Prossegue o seu caminho, determinado,
Puxado por um tempo sem pressa
Feito de eternidades milenares.
A marca do futuro nas entranhas,
No sangue o gene da Evolução.
Ainda que por lapidar
Tomou já o comboio da Razão,
Que em marcha lenta
Percorre os caminhos da pré-História.
Vai só nas veredas do Futuro,
Tudo lhe ficando para traz
- Que ele é já Homem
-E eu, vago projecto remoto ainda…

Vencida a longa jornada que
Da pré-História traz o nome,
Ei-lo que faz a curva da História
A partir de onde,
Em doses mais e mais suculentas,
Lhe são servidas rações de civilização,
Que sorve entre frugal e ébrio.
São ainda as rectas milenares
Cruzadas por egípcios, gregos, persas.

Algures no Oriente Médio,
Surge nesta hora um Homem.
Os seus valores não são os dos outros homens,
A sua conduta intriga os do seu tempo.
Morrendo e vencendo a morte,
Subverte a ordem natural das coisas.
O seu elixir é o do amor
E o seu projecto é de Esperança.
-E eu, então, projecto ainda distante…

Ganhando velocidade,
Segue a sua rota o comboio da História
Galgando indómito as plagas do Tempo.
Celtas, Lusitanos, Árabes e Romanos
Os domínios se arrebanhando,
Em pleno e sucessivo derrubar.
A velocidade é agora vertigem,
Porque de vertigem passou a ser o Tempo
-E eu ainda, não mais que projecto…

Entretanto, subitamente, eu sou!
De projecto que fui por toda uma eternidade,
Do sonho que ainda era ontem,
Neste momento, eu sou... existo !
Momento único e inestimável
Este cruzar da Vida
Com a estrada desmedida do Tempo.
-Luz que mal brilha na noite da Eternidade,…
Até quando este instante ?

Antonius

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

De ti faço…. vida
















Há um luar no meu olhar
na cegueira do teu corpo
há um brilho crepuscular
no meu peito feito… corvo

Há um querer e um deixar
nas brumas da incerteza
e um frágil frio glaciar
que emerge em doce certeza

Das pedras faço o meu andar
das lágrimas o meu carinho
no papel esculpo o horizonte
na tristeza minha….o desatino

Então… de ti faço vida
no meu peito…. ferida
onde as asas do destino
perdem-se …. desnorteadas
no entrelaçado caminho.