E se o mar lhe pega a saia
e ela roda como um moinho.
E se a noite com a lua
uma canção ensaia
como uma moda de rua
...que aprendemos nos caminhos.
lobo 011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Luz...
Como transmitir o que se sente? Como dizer que se Ama? Como sentir que se ama?Como satisfazer a nossa fome e a nossa sede, sem cair na desordem de um monte de palavras que se cruzam para depois abalarem rumo ao centro onde moram todos os desenganos? Conseguir construir caminhos e movimentarmo-nos neles ao encontro de uma simples luz q...ue nos guie rumo aquele que nos faz sentir…
- A liberdade é um bem que reclamo a todos os momentos…
- A Liberdade é uma chama acesa no meu peito….é tantas vezes um monte de cinzas a adubar
a terra…e outras tantas, pó cimentando a poeira do caminho.
- A Liberdade é tudo o que o Amor precisa para se dizer - AMO-TE
- A Liberdade é tudo o que o Amor precisa para se dizer - AMO-TE
****************
Dolores Marques
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Antónia
Seria mais fácil odiá-lo. Reduzi-lo à insignificância de quem partiu por iniciativa própria sem deixar grande marca.
Talvez se se esforçasse um pouco conseguiria até rever mentalmente todos os seus defeitos, manias e vícios irritantes que davam com ela em doida.
Seria mais fácil esquecê-lo. Isso sim! Mandar para o diabo as recordações mornas ainda tão presentes. Desapertar os laços, os atavios, os nós que lhe castravam os modos. Obliterar de vez a dor excruciante que a falta dele lhe infligia sempre que ela caía em si.
Mas não. A cada gesto, a cada palavra, a cada pestanejar, era o azul-estrela do seu olhar que lhe banhava o pensamento e lhe compunha os dias. E ela, acomodada, não sabia viver de outro modo. Sequer tencionava mover um grão de areia que fosse para que as coisas ganhassem nova forma. Só assim sabia ser.
Talvez se se esforçasse um pouco conseguiria até rever mentalmente todos os seus defeitos, manias e vícios irritantes que davam com ela em doida.
Seria mais fácil esquecê-lo. Isso sim! Mandar para o diabo as recordações mornas ainda tão presentes. Desapertar os laços, os atavios, os nós que lhe castravam os modos. Obliterar de vez a dor excruciante que a falta dele lhe infligia sempre que ela caía em si.
Mas não. A cada gesto, a cada palavra, a cada pestanejar, era o azul-estrela do seu olhar que lhe banhava o pensamento e lhe compunha os dias. E ela, acomodada, não sabia viver de outro modo. Sequer tencionava mover um grão de areia que fosse para que as coisas ganhassem nova forma. Só assim sabia ser.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
DENUNCIA
Não me importa do universo a grandeza
Tão pouco da Via Láctea a imensidão
Interessa-me das estrelas a singeleza
Do puro bom senso o galardão
Não me interessa do mundo a opulência
Se quer a ostensiva mansão
Toca-me sim a eloquência
Dos que falam a voz da razão
Não me quero pelos proventos aviltado
Ao pobre incapaz de dar a mão
Jamais pelo fausto esmagado
Mísero sentir o do meu coração
Detesto este mundo em que pelejo
E nele grassa a fome inclemente
Por muito que abra os olhos não cotejo
Ver do novo homem a semente
Abomino a rota que levamos
Os que deste tempo temos a herança
Por certo que bem caro pagamos
Em instalada e vã bonança
O que faz de mim intolerante
E me diz que o mundo não avança
É ver os olhos negros da negra fome
No labial tremular duma criança
De corruptos a nuvem transbordante
Levem-na os ventos para longe sem retorno
Não tenha mais oportunidade o meliante
De ver vir às suas mãos o vil suborno
Antonius
Tão pouco da Via Láctea a imensidão
Interessa-me das estrelas a singeleza
Do puro bom senso o galardão
Não me interessa do mundo a opulência
Se quer a ostensiva mansão
Toca-me sim a eloquência
Dos que falam a voz da razão
Não me quero pelos proventos aviltado
Ao pobre incapaz de dar a mão
Jamais pelo fausto esmagado
Mísero sentir o do meu coração
Detesto este mundo em que pelejo
E nele grassa a fome inclemente
Por muito que abra os olhos não cotejo
Ver do novo homem a semente
Abomino a rota que levamos
Os que deste tempo temos a herança
Por certo que bem caro pagamos
Em instalada e vã bonança
O que faz de mim intolerante
E me diz que o mundo não avança
É ver os olhos negros da negra fome
No labial tremular duma criança
De corruptos a nuvem transbordante
Levem-na os ventos para longe sem retorno
Não tenha mais oportunidade o meliante
De ver vir às suas mãos o vil suborno
Antonius
Último voo
Recusas rever-te nos espelhos
onde já não te reconheces
e a sombra de uma metamorfose mórbida
se reflecte
como uma fotografia amachucada
que o pó lambeu
com o veneno enfeitiçado das noites.
De tanto crescer
o corpo mirrou por dentro
devorado
por um espasmo de primaveras corrompidas
e é, agora, apenas um sussurro de sémen,
um choro de criança moribunda
no quarto escuro da memória
onde não voltará a amanhecer.
O mapa enrugado das cidades perdidas
que te cobrem a cal cega da pele
é aquilo que te resta
de uma paisagem de luas adolescentes
que a sombra obscureceu
num eclipse de ossos doentes.
Agora, já só esperas o último voo.
O grande sono
que te levará num estertor alucinado
à cratera extinta onde repousa
a recordação febril das manhãs
e a luz branca de todos os mistérios.
.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
INSTANTE QUE SOU
Desde de sempre eu existi,
Remoto projecto na mente d’ Algo.
Há uma eternidade eu já era.
Nascem as pedras e os montes,
As estrelas no Firmamento.
Das montanhas nascem os rios
Em murmúrios de advento,
-E eu, mero projecto, distante…
Dos mares brota a vida,
E dos céus a ave que canta.
O ronco do leão rasga a floresta
E enquanto da esperteza o símio se ufana,
Um outro, dele, no intelecto se adianta.
Entretanto existe já o Tempo.
Tempo menino, criança,
Tempo que não anda – parado no Tempo
Mas o tempo avança, ainda que sem pressa,
Deixando para traz os anos, as centúrias, os milénios
-E eu, vago projecto ainda…
O homem não chegou ainda a homem.
Das planuras de Cro-Magnon
Vislumbra ao longe o Homem de Pequim.
Atarracado no porte e vesgo na inteligência
Prossegue o seu caminho, determinado,
Puxado por um tempo sem pressa
Feito de eternidades milenares.
A marca do futuro nas entranhas,
No sangue o gene da Evolução.
Ainda que por lapidar
Tomou já o comboio da Razão,
Que em marcha lenta
Percorre os caminhos da pré-História.
Vai só nas veredas do Futuro,
Tudo lhe ficando para traz
- Que ele é já Homem
-E eu, vago projecto remoto ainda…
Vencida a longa jornada que
Da pré-História traz o nome,
Ei-lo que faz a curva da História
A partir de onde,
Em doses mais e mais suculentas,
Lhe são servidas rações de civilização,
Que sorve entre frugal e ébrio.
São ainda as rectas milenares
Cruzadas por egípcios, gregos, persas.
Algures no Oriente Médio,
Surge nesta hora um Homem.
Os seus valores não são os dos outros homens,
A sua conduta intriga os do seu tempo.
Morrendo e vencendo a morte,
Subverte a ordem natural das coisas.
O seu elixir é o do amor
E o seu projecto é de Esperança.
-E eu, então, projecto ainda distante…
Ganhando velocidade,
Segue a sua rota o comboio da História
Galgando indómito as plagas do Tempo.
Celtas, Lusitanos, Árabes e Romanos
Os domínios se arrebanhando,
Em pleno e sucessivo derrubar.
A velocidade é agora vertigem,
Porque de vertigem passou a ser o Tempo
-E eu ainda, não mais que projecto…
Entretanto, subitamente, eu sou!
De projecto que fui por toda uma eternidade,
Do sonho que ainda era ontem,
Neste momento, eu sou... existo !
Momento único e inestimável
Este cruzar da Vida
Com a estrada desmedida do Tempo.
-Luz que mal brilha na noite da Eternidade,…
Até quando este instante ?
Antonius
Remoto projecto na mente d’ Algo.
Há uma eternidade eu já era.
Nascem as pedras e os montes,
As estrelas no Firmamento.
Das montanhas nascem os rios
Em murmúrios de advento,
-E eu, mero projecto, distante…
Dos mares brota a vida,
E dos céus a ave que canta.
O ronco do leão rasga a floresta
E enquanto da esperteza o símio se ufana,
Um outro, dele, no intelecto se adianta.
Entretanto existe já o Tempo.
Tempo menino, criança,
Tempo que não anda – parado no Tempo
Mas o tempo avança, ainda que sem pressa,
Deixando para traz os anos, as centúrias, os milénios
-E eu, vago projecto ainda…
O homem não chegou ainda a homem.
Das planuras de Cro-Magnon
Vislumbra ao longe o Homem de Pequim.
Atarracado no porte e vesgo na inteligência
Prossegue o seu caminho, determinado,
Puxado por um tempo sem pressa
Feito de eternidades milenares.
A marca do futuro nas entranhas,
No sangue o gene da Evolução.
Ainda que por lapidar
Tomou já o comboio da Razão,
Que em marcha lenta
Percorre os caminhos da pré-História.
Vai só nas veredas do Futuro,
Tudo lhe ficando para traz
- Que ele é já Homem
-E eu, vago projecto remoto ainda…
Vencida a longa jornada que
Da pré-História traz o nome,
Ei-lo que faz a curva da História
A partir de onde,
Em doses mais e mais suculentas,
Lhe são servidas rações de civilização,
Que sorve entre frugal e ébrio.
São ainda as rectas milenares
Cruzadas por egípcios, gregos, persas.
Algures no Oriente Médio,
Surge nesta hora um Homem.
Os seus valores não são os dos outros homens,
A sua conduta intriga os do seu tempo.
Morrendo e vencendo a morte,
Subverte a ordem natural das coisas.
O seu elixir é o do amor
E o seu projecto é de Esperança.
-E eu, então, projecto ainda distante…
Ganhando velocidade,
Segue a sua rota o comboio da História
Galgando indómito as plagas do Tempo.
Celtas, Lusitanos, Árabes e Romanos
Os domínios se arrebanhando,
Em pleno e sucessivo derrubar.
A velocidade é agora vertigem,
Porque de vertigem passou a ser o Tempo
-E eu ainda, não mais que projecto…
Entretanto, subitamente, eu sou!
De projecto que fui por toda uma eternidade,
Do sonho que ainda era ontem,
Neste momento, eu sou... existo !
Momento único e inestimável
Este cruzar da Vida
Com a estrada desmedida do Tempo.
-Luz que mal brilha na noite da Eternidade,…
Até quando este instante ?
Antonius
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
De ti faço…. vida

Há um luar no meu olhar
na cegueira do teu corpo
há um brilho crepuscular
no meu peito feito… corvo
Há um querer e um deixar
nas brumas da incerteza
e um frágil frio glaciar
que emerge em doce certeza
Das pedras faço o meu andar
das lágrimas o meu carinho
no papel esculpo o horizonte
na tristeza minha….o desatino
Então… de ti faço vida
no meu peito…. ferida
onde as asas do destino
perdem-se …. desnorteadas
no entrelaçado caminho.
Inscrição
ANA
Semente inesperada em ventre mimoso
Criança de sorriso fácil e folia em riste
Adolescente que sempre se achou pouco
Menina moldada mulher nos teus braços
Respeitável esposa, amante enlouquecida
Perdida na escuridão da tua ausência
Obstinada na procura do Sol em si
Mãe de um sonho em forma de rapazinho
Aquela que Nunca soube não te Amar
Semente inesperada em ventre mimoso
Criança de sorriso fácil e folia em riste
Adolescente que sempre se achou pouco
Menina moldada mulher nos teus braços
Respeitável esposa, amante enlouquecida
Perdida na escuridão da tua ausência
Obstinada na procura do Sol em si
Mãe de um sonho em forma de rapazinho
Aquela que Nunca soube não te Amar
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
NINGUÉM VÊ

A vida é um jogo
vazio de emoções.
Dias passados
Palavras desbotadas
Logo...logo...
Surgem contrárias opiniões
Gastas de significado.
Surgem tristezas impensadas
Alegrias?! Desaparecidas!
Gargantas empoeiradas.
Ilusões adiadas.
Promessas esquecidas.
Que é feito de mim?
A Vida tráz-me o quê?
Se em momentos assim
Ninguém vê:
Que me alheei de tudo!
Esqueci tudo ao derredor
Meu Mundo ficou mudo
Estou em declínio como a tarde
Ao meu redor...
Só a saudade!
rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog-imagens para decoupage.
Sáfara
Atrás dos olhos
Pendem leitos
Outrora:
Aletófilos e mui verdes
Dissimulam agora:
A sáfara
Calmamente
Cerra as pálpebras
Para a existência
Cai a última lágrima
Morta
João Mestre Portugal
Pendem leitos
Outrora:
Aletófilos e mui verdes
Dissimulam agora:
A sáfara
Calmamente
Cerra as pálpebras
Para a existência
Cai a última lágrima
Morta
João Mestre Portugal
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Uma lágrima não serve
Uma lágrima não serve
para saciar uma flor
nem com ela se escreve
longas cartas de amor
...Uma lágrima não serve
para fechar os olhos
aos soldados encontrados na neve
mas pode ser que num sorriso
vá nascer a Primavera.
Uma lágrima não serve
para beber como vinho
nem com ela se escreve
o que a vida já nos lê
quando ficamos sozinhos
Uma lágrima não serve
para saciar uma flor
Lobo 011
para saciar uma flor
nem com ela se escreve
longas cartas de amor
...Uma lágrima não serve
para fechar os olhos
aos soldados encontrados na neve
mas pode ser que num sorriso
vá nascer a Primavera.
Uma lágrima não serve
para beber como vinho
nem com ela se escreve
o que a vida já nos lê
quando ficamos sozinhos
Uma lágrima não serve
para saciar uma flor
Lobo 011
RELANCE NA MADRUGADA
Vai alta a noite e o luar inunda as paredes azul anil do meu quarto. Óbvia sombra vai conquistando a parede do meu lado. É que do outro lado da minha cama, percorrido o lençol pela minha mão tacteante não encontra as teclas da cor do mel que cobriam o teu corpo ondulante, de quando em quando, sempre, vibrando no frémito do amor que outrora ambos conhecíamos, vivíamos, nos engolfava corpo com corpo, alma com alma, até ao êxtase, e repousando na merecida serenidade.
Enquanto assim vivo na lembrança, a sombra avança na parede do meu lado, que do outro lado não há ninguém. Ausência em cicatriz, num gesto violento arremesso o lençol que me cobre e a cobriria a ela, se ela houvesse e assomo num lanço à janela. Atiro os meus pensamentos ao largo num esforço de reformular os meus caminhos desta noite, tento aperceber-me de coisas novas, de algo por descobrir. Nesta noite fujo por medo do amor de nele centrar o meu pensar. Ergo o meu olhar e olho as estrelas e revejo a lua e noto que esta desde que há pouco acordei, andou, prosseguiu a sua rota, porventura rota milenar. As estrelas mudaram de sítio, a folhagem remexe. O dique o meu cão ladrou e deu uma corrida pelo quintal. Algo chamou a sua atenção que não a minha. Quer dizer que muita coisa mudou de sítio. Concluo que durante este pequeno espaço de tempo, justamente aconteceu tempo, o tempo andou. E o tempo andou porque as coisas mudaram de sítio, porque o cão correu, porque as folhas mexeram, porque ouvi já o canto de um cuco madrugador, porque a lua percorreu um espaço da esfera celeste. Neste pouco tempo aconteceu tempo. Mas eu tenho pressa em que o tempo aconteça e altere os meus dias, sobretudo as minhas noites e me dê oportunidade de estender o meu braço e encontrar as preciosas colinas, o delicioso fundego, o inenarrável encantamento da mulher que quero voltar a ter envolta em mim enlaçando-me, com quem, preciosa harpa execute a mais bela melodia, o mais assombroso concerto.
Antonius
Antonius
Sabe o que é a tristeza?
- Sabe o que é a tristeza?
- É aquele lugar.
- Aquele lugar...
- Está dentro da cabeça.
- A água não pode faltar
- É o que falta mais nesta terra.
- A tristeza são os olhos cheios de água.
- Essa água que nos abandona.
- Temos sempre sede
- Temos sempre culpa.
- Onde vive?
- Ali naquela casa
- Sozinho?
- Sim
- Tem filhos?
- Tenho
- Onde estão?
- No estrangeiro.
- Que quer fazer?
- Gostava de escrever cartas, não sei escrever, sei lavrar, sachar o milho, agora já não faço, não tenho a companhia da terra, nem a companhia dos filhos
- Nunca andou na escola?
- Nunca, mas sei somar, multiplicar e dividir, sei contar pelos dedos, a vida foi uma professora, apanhei muita palmatória do destino.
- Que idade tem?
- Oitenta e dois
- Já esteve fora daqui?
- Já estive
- Onde?
- Nas ilhas.
- Nas nossas ilhas?
- Sim
- Tem saudades
- Não tenho.
- Gosta de falar?
- É bom, a solidão é como as armas de fogo, é assim como a guerra...
- De onde vem esses pensamentos?
- Da minha cabeça
- Conhece muitas histórias
- Contei muitas para adormecer os filhos
- E eles lembram essas histórias?
- Não sei, o único ser que me toca os pés é o rio.
- Tem por aqui uma taberna?
- A loja da Zulmira.
- Que bebe?
- Um tinto fresco e uma sardinha, o medico diz que faz bem ao coração
- Deve ser como o amor
- Deve ser...
Lobo 011
- É aquele lugar.
- Aquele lugar...
- Está dentro da cabeça.
- A água não pode faltar
- É o que falta mais nesta terra.
- A tristeza são os olhos cheios de água.
- Essa água que nos abandona.
- Temos sempre sede
- Temos sempre culpa.
- Onde vive?
- Ali naquela casa
- Sozinho?
- Sim
- Tem filhos?
- Tenho
- Onde estão?
- No estrangeiro.
- Que quer fazer?
- Gostava de escrever cartas, não sei escrever, sei lavrar, sachar o milho, agora já não faço, não tenho a companhia da terra, nem a companhia dos filhos
- Nunca andou na escola?
- Nunca, mas sei somar, multiplicar e dividir, sei contar pelos dedos, a vida foi uma professora, apanhei muita palmatória do destino.
- Que idade tem?
- Oitenta e dois
- Já esteve fora daqui?
- Já estive
- Onde?
- Nas ilhas.
- Nas nossas ilhas?
- Sim
- Tem saudades
- Não tenho.
- Gosta de falar?
- É bom, a solidão é como as armas de fogo, é assim como a guerra...
- De onde vem esses pensamentos?
- Da minha cabeça
- Conhece muitas histórias
- Contei muitas para adormecer os filhos
- E eles lembram essas histórias?
- Não sei, o único ser que me toca os pés é o rio.
- Tem por aqui uma taberna?
- A loja da Zulmira.
- Que bebe?
- Um tinto fresco e uma sardinha, o medico diz que faz bem ao coração
- Deve ser como o amor
- Deve ser...
Lobo 011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Naquele prédio
Naquele prédio
havia assédio
e havia patifaria.
E ás tantas da madrugada
veio a patrulha
...e a vizinhança
e o repórter que perguntava
o que aquela gente sabia?
e respondiam: A gente não sabe nada
mas havia assedio
havia patifaria, ele era médico
ela doméstica
e veio no noticiário
aquele caso que ninguém sabia
mas havia assedio
havia patifaria.
lobo 010
havia assédio
e havia patifaria.
E ás tantas da madrugada
veio a patrulha
...e a vizinhança
e o repórter que perguntava
o que aquela gente sabia?
e respondiam: A gente não sabe nada
mas havia assedio
havia patifaria, ele era médico
ela doméstica
e veio no noticiário
aquele caso que ninguém sabia
mas havia assedio
havia patifaria.
lobo 010
domingo, 13 de fevereiro de 2011
MELANCOLIA SERENA

Estremecem papoilas ao vento
Insinuam-se na imensidão dos prados
Há borboletas felizes no meu pensamento
E reflexos de luz na alma aos brados.
Luz que se oferece para me conduzir
Borboletas batem silenciosamente
Na manhã que nasce,
na noite que há-de vir?
A tristeza se espalha no sol poente.
No frio da alma
Cresce a emoção,
e o musgo é verde,
Em meu coração.
Meus olhos são janelas cerradas
Ruas silenciosas, portas fechadas
No meu coração há o crepitar duma brasa
Fico atenta ao que ouço e que vejo
E num golpe de asa
Sou Poeta, que capta o odor da flor
e o eco do desejo.
Crio meu Universo de fantasia
e amor
Onde tudo floresce e se anima
Dia após dia.
Há lilases que a mim se abraçam
Jasmins que a mim se entrelaçam,
com um perfume que vem de cima
É DEUS que me estende as mãos e sorri!
E eu Lhe agradeço por tudo que vivi.
natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog
imagens para decoupage.
Agora e na hora da nossa morte
O tiro disparado das palavras agora e na hora da nossa morte.
Chegam os pássaros para a despedida, até a lua fecha os olhos para não ver o teatro deplorável das noticias.
O tiro disparado das palavras agora e na hora da nossa morte. No quarto de hotel a noite inventa um crime... tu dormes tranquilamente como uma pedra sobre a voz daqueles que se anulam.
Agora e na hora da nossa morte.
O tiro disparado das palavras, o medo entrelaçado nos dedos como um rosário, um comando pronto a desligar a respiração. Aquela montanha que se vê grande como um olhar que deixa a terra. Agora e na hora da nossa morte.
E de novo chegam os pássaros e todas as coisas comuns como se fossem as mais profundas. A morte é uma coisas pestilenta que sai como um tiro, infame destino dos que se divertem a pensar verdadeira tão grande mentira.
Agora e na hora da nossa morte
Lobo 011
Chegam os pássaros para a despedida, até a lua fecha os olhos para não ver o teatro deplorável das noticias.
O tiro disparado das palavras agora e na hora da nossa morte. No quarto de hotel a noite inventa um crime... tu dormes tranquilamente como uma pedra sobre a voz daqueles que se anulam.
Agora e na hora da nossa morte.
O tiro disparado das palavras, o medo entrelaçado nos dedos como um rosário, um comando pronto a desligar a respiração. Aquela montanha que se vê grande como um olhar que deixa a terra. Agora e na hora da nossa morte.
E de novo chegam os pássaros e todas as coisas comuns como se fossem as mais profundas. A morte é uma coisas pestilenta que sai como um tiro, infame destino dos que se divertem a pensar verdadeira tão grande mentira.
Agora e na hora da nossa morte
Lobo 011
Marioneta
Exaustos,
esgaçam-se os fios
suspensos
por sonhos baços
Cai secamente
a marioneta
em esgar de agonia
E na tábua estéril
jaz sombria figura,
traje coçado,
olhar sepultura.
esgaçam-se os fios
suspensos
por sonhos baços
Cai secamente
a marioneta
em esgar de agonia
E na tábua estéril
jaz sombria figura,
traje coçado,
olhar sepultura.
Ubiquidade
Podias ter vindo hoje,
como quem chega de longe,
rompendo o silêncio da manhã
num voo de velas desfraldadas
ou num canto súbito de rouxinol
anunciando a primavera.
Podias não ter vindo hoje,
perdida numa maré de nevoeiro,
sem encontrar o caminho,
deixando-me preso à margem deserta
de um rio de águas estagnadas
como um barco sem rumo.
Podias ou não ter vindo hoje,
encher meu dia de luz ou sombra,
que não impedirias a noite de cair
nem o vento de bater nas janelas
ou que os cães latissem à lua
incapazes de compreender o futuro.
O que te queria mesmo dizer,
tivesses ou não ter vindo hoje,
é que sempre estarás dentro de mim,
mesmo nos dias em que nunca vens.
.
A Brisa
Ó meu amor
que eu tanto queria
falar-te ! ,
que da canção onde o silêncio
verte , a dobra de teu lençol
é feita de beijos bordados
na boca que os olhos saboreiam ,
desprendo o meu ... ai destino !
ó círculos que entoais brancura
cruzada nos punhos rendados , a galope ! ,
da minha camisa onde a tua marca
me proteje dos monstros
de todas as noites que eu rejeito
mas que teimam em suas feições , disformes !,
em atormentarem a candura do sonho
que tu , qual tapete florido ,
estendes à minha entrada , inesperada !
ó , e no entanto , toda a vida , guardada !
e ainda há quem possua a certeza
que os corações não sabem ou desconhecem
a razão das razões
como se fosse possível ver a cor , da flor ! ,
por dentro do vermelho que a glorifica ...
para quê , amada minha , buscar faces
que não trajam a nossa roupa ?
para quê , minha doce sinfonia ,
querer a partitura na gaveta
dum tempo sem maestro ?
ah , música do meu tão súbito acorde !
e ... quase a descair na tua sagrada fonte
o pescoço a pender
na tua água !
ah triunfo ! que te exclamo fusão redentora
desta minha tão trémula mão , ó minha senhora !
nem que hoje
eu morra ...
aqui !
nem que hoje
eu não seja mais ...
alegria ou pranto
erguerei na alumiação cristalina
deste céu de rubis , a tua grinalda , ó ventura !
Ah , palavras ... modos ...
todas e todos tão redigidos sem nexo
por mim !
que do sentido e coerência do feito
nunca nada soube e no meu tão desorientado percurso
nunca o nunca foi tão sempre ...
ah , que me reviro , no rebentar dos canhões !
destas armas que Camões tão nobremente enalteceu !
e eu que dele nada aprendi
a Vaz endosso mil perdões
por tão indigno representante
da lusíada eu o ser
vês , ó amor , ó querida que me és , tudo !
Vês porque a bandeira grita a meia-haste ?
implora-me o estandarte rubro da minha escola :
"cala-te , ó alijador do canto primeiro ! "
Sim , calar-me-ei ...
todavia , "a terra move-se"
e move-me ...
o meu amor
por ti ...
A Madrugada Das Flores , 130220111657
PARA TI
Não soube nunca não sei ainda
A que edénica fonte atribuir meu sonho
Mergulhei meu Estro no rio das águas mansas
Olhei a lua desnudada e bela
Retive meus passos e deslumbrado
Abri meu coração num assombro e senti
Despontar nas profundas do meu ser
O porquê do meu sonhar – o Amor
Antonius
A que edénica fonte atribuir meu sonho
Mergulhei meu Estro no rio das águas mansas
Olhei a lua desnudada e bela
Retive meus passos e deslumbrado
Abri meu coração num assombro e senti
Despontar nas profundas do meu ser
O porquê do meu sonhar – o Amor
Antonius
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