ANA
Semente inesperada em ventre mimoso
Criança de sorriso fácil e folia em riste
Adolescente que sempre se achou pouco
Menina moldada mulher nos teus braços
Respeitável esposa, amante enlouquecida
Perdida na escuridão da tua ausência
Obstinada na procura do Sol em si
Mãe de um sonho em forma de rapazinho
Aquela que Nunca soube não te Amar
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
NINGUÉM VÊ

A vida é um jogo
vazio de emoções.
Dias passados
Palavras desbotadas
Logo...logo...
Surgem contrárias opiniões
Gastas de significado.
Surgem tristezas impensadas
Alegrias?! Desaparecidas!
Gargantas empoeiradas.
Ilusões adiadas.
Promessas esquecidas.
Que é feito de mim?
A Vida tráz-me o quê?
Se em momentos assim
Ninguém vê:
Que me alheei de tudo!
Esqueci tudo ao derredor
Meu Mundo ficou mudo
Estou em declínio como a tarde
Ao meu redor...
Só a saudade!
rosafogo
natalia nuno
imagem retirada do blog-imagens para decoupage.
Sáfara
Atrás dos olhos
Pendem leitos
Outrora:
Aletófilos e mui verdes
Dissimulam agora:
A sáfara
Calmamente
Cerra as pálpebras
Para a existência
Cai a última lágrima
Morta
João Mestre Portugal
Pendem leitos
Outrora:
Aletófilos e mui verdes
Dissimulam agora:
A sáfara
Calmamente
Cerra as pálpebras
Para a existência
Cai a última lágrima
Morta
João Mestre Portugal
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Uma lágrima não serve
Uma lágrima não serve
para saciar uma flor
nem com ela se escreve
longas cartas de amor
...Uma lágrima não serve
para fechar os olhos
aos soldados encontrados na neve
mas pode ser que num sorriso
vá nascer a Primavera.
Uma lágrima não serve
para beber como vinho
nem com ela se escreve
o que a vida já nos lê
quando ficamos sozinhos
Uma lágrima não serve
para saciar uma flor
Lobo 011
para saciar uma flor
nem com ela se escreve
longas cartas de amor
...Uma lágrima não serve
para fechar os olhos
aos soldados encontrados na neve
mas pode ser que num sorriso
vá nascer a Primavera.
Uma lágrima não serve
para beber como vinho
nem com ela se escreve
o que a vida já nos lê
quando ficamos sozinhos
Uma lágrima não serve
para saciar uma flor
Lobo 011
RELANCE NA MADRUGADA
Vai alta a noite e o luar inunda as paredes azul anil do meu quarto. Óbvia sombra vai conquistando a parede do meu lado. É que do outro lado da minha cama, percorrido o lençol pela minha mão tacteante não encontra as teclas da cor do mel que cobriam o teu corpo ondulante, de quando em quando, sempre, vibrando no frémito do amor que outrora ambos conhecíamos, vivíamos, nos engolfava corpo com corpo, alma com alma, até ao êxtase, e repousando na merecida serenidade.
Enquanto assim vivo na lembrança, a sombra avança na parede do meu lado, que do outro lado não há ninguém. Ausência em cicatriz, num gesto violento arremesso o lençol que me cobre e a cobriria a ela, se ela houvesse e assomo num lanço à janela. Atiro os meus pensamentos ao largo num esforço de reformular os meus caminhos desta noite, tento aperceber-me de coisas novas, de algo por descobrir. Nesta noite fujo por medo do amor de nele centrar o meu pensar. Ergo o meu olhar e olho as estrelas e revejo a lua e noto que esta desde que há pouco acordei, andou, prosseguiu a sua rota, porventura rota milenar. As estrelas mudaram de sítio, a folhagem remexe. O dique o meu cão ladrou e deu uma corrida pelo quintal. Algo chamou a sua atenção que não a minha. Quer dizer que muita coisa mudou de sítio. Concluo que durante este pequeno espaço de tempo, justamente aconteceu tempo, o tempo andou. E o tempo andou porque as coisas mudaram de sítio, porque o cão correu, porque as folhas mexeram, porque ouvi já o canto de um cuco madrugador, porque a lua percorreu um espaço da esfera celeste. Neste pouco tempo aconteceu tempo. Mas eu tenho pressa em que o tempo aconteça e altere os meus dias, sobretudo as minhas noites e me dê oportunidade de estender o meu braço e encontrar as preciosas colinas, o delicioso fundego, o inenarrável encantamento da mulher que quero voltar a ter envolta em mim enlaçando-me, com quem, preciosa harpa execute a mais bela melodia, o mais assombroso concerto.
Antonius
Antonius
Sabe o que é a tristeza?
- Sabe o que é a tristeza?
- É aquele lugar.
- Aquele lugar...
- Está dentro da cabeça.
- A água não pode faltar
- É o que falta mais nesta terra.
- A tristeza são os olhos cheios de água.
- Essa água que nos abandona.
- Temos sempre sede
- Temos sempre culpa.
- Onde vive?
- Ali naquela casa
- Sozinho?
- Sim
- Tem filhos?
- Tenho
- Onde estão?
- No estrangeiro.
- Que quer fazer?
- Gostava de escrever cartas, não sei escrever, sei lavrar, sachar o milho, agora já não faço, não tenho a companhia da terra, nem a companhia dos filhos
- Nunca andou na escola?
- Nunca, mas sei somar, multiplicar e dividir, sei contar pelos dedos, a vida foi uma professora, apanhei muita palmatória do destino.
- Que idade tem?
- Oitenta e dois
- Já esteve fora daqui?
- Já estive
- Onde?
- Nas ilhas.
- Nas nossas ilhas?
- Sim
- Tem saudades
- Não tenho.
- Gosta de falar?
- É bom, a solidão é como as armas de fogo, é assim como a guerra...
- De onde vem esses pensamentos?
- Da minha cabeça
- Conhece muitas histórias
- Contei muitas para adormecer os filhos
- E eles lembram essas histórias?
- Não sei, o único ser que me toca os pés é o rio.
- Tem por aqui uma taberna?
- A loja da Zulmira.
- Que bebe?
- Um tinto fresco e uma sardinha, o medico diz que faz bem ao coração
- Deve ser como o amor
- Deve ser...
Lobo 011
- É aquele lugar.
- Aquele lugar...
- Está dentro da cabeça.
- A água não pode faltar
- É o que falta mais nesta terra.
- A tristeza são os olhos cheios de água.
- Essa água que nos abandona.
- Temos sempre sede
- Temos sempre culpa.
- Onde vive?
- Ali naquela casa
- Sozinho?
- Sim
- Tem filhos?
- Tenho
- Onde estão?
- No estrangeiro.
- Que quer fazer?
- Gostava de escrever cartas, não sei escrever, sei lavrar, sachar o milho, agora já não faço, não tenho a companhia da terra, nem a companhia dos filhos
- Nunca andou na escola?
- Nunca, mas sei somar, multiplicar e dividir, sei contar pelos dedos, a vida foi uma professora, apanhei muita palmatória do destino.
- Que idade tem?
- Oitenta e dois
- Já esteve fora daqui?
- Já estive
- Onde?
- Nas ilhas.
- Nas nossas ilhas?
- Sim
- Tem saudades
- Não tenho.
- Gosta de falar?
- É bom, a solidão é como as armas de fogo, é assim como a guerra...
- De onde vem esses pensamentos?
- Da minha cabeça
- Conhece muitas histórias
- Contei muitas para adormecer os filhos
- E eles lembram essas histórias?
- Não sei, o único ser que me toca os pés é o rio.
- Tem por aqui uma taberna?
- A loja da Zulmira.
- Que bebe?
- Um tinto fresco e uma sardinha, o medico diz que faz bem ao coração
- Deve ser como o amor
- Deve ser...
Lobo 011
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Naquele prédio
Naquele prédio
havia assédio
e havia patifaria.
E ás tantas da madrugada
veio a patrulha
...e a vizinhança
e o repórter que perguntava
o que aquela gente sabia?
e respondiam: A gente não sabe nada
mas havia assedio
havia patifaria, ele era médico
ela doméstica
e veio no noticiário
aquele caso que ninguém sabia
mas havia assedio
havia patifaria.
lobo 010
havia assédio
e havia patifaria.
E ás tantas da madrugada
veio a patrulha
...e a vizinhança
e o repórter que perguntava
o que aquela gente sabia?
e respondiam: A gente não sabe nada
mas havia assedio
havia patifaria, ele era médico
ela doméstica
e veio no noticiário
aquele caso que ninguém sabia
mas havia assedio
havia patifaria.
lobo 010
domingo, 13 de fevereiro de 2011
MELANCOLIA SERENA

Estremecem papoilas ao vento
Insinuam-se na imensidão dos prados
Há borboletas felizes no meu pensamento
E reflexos de luz na alma aos brados.
Luz que se oferece para me conduzir
Borboletas batem silenciosamente
Na manhã que nasce,
na noite que há-de vir?
A tristeza se espalha no sol poente.
No frio da alma
Cresce a emoção,
e o musgo é verde,
Em meu coração.
Meus olhos são janelas cerradas
Ruas silenciosas, portas fechadas
No meu coração há o crepitar duma brasa
Fico atenta ao que ouço e que vejo
E num golpe de asa
Sou Poeta, que capta o odor da flor
e o eco do desejo.
Crio meu Universo de fantasia
e amor
Onde tudo floresce e se anima
Dia após dia.
Há lilases que a mim se abraçam
Jasmins que a mim se entrelaçam,
com um perfume que vem de cima
É DEUS que me estende as mãos e sorri!
E eu Lhe agradeço por tudo que vivi.
natalia nuno
rosafogo
imagem retirada do blog
imagens para decoupage.
Agora e na hora da nossa morte
O tiro disparado das palavras agora e na hora da nossa morte.
Chegam os pássaros para a despedida, até a lua fecha os olhos para não ver o teatro deplorável das noticias.
O tiro disparado das palavras agora e na hora da nossa morte. No quarto de hotel a noite inventa um crime... tu dormes tranquilamente como uma pedra sobre a voz daqueles que se anulam.
Agora e na hora da nossa morte.
O tiro disparado das palavras, o medo entrelaçado nos dedos como um rosário, um comando pronto a desligar a respiração. Aquela montanha que se vê grande como um olhar que deixa a terra. Agora e na hora da nossa morte.
E de novo chegam os pássaros e todas as coisas comuns como se fossem as mais profundas. A morte é uma coisas pestilenta que sai como um tiro, infame destino dos que se divertem a pensar verdadeira tão grande mentira.
Agora e na hora da nossa morte
Lobo 011
Chegam os pássaros para a despedida, até a lua fecha os olhos para não ver o teatro deplorável das noticias.
O tiro disparado das palavras agora e na hora da nossa morte. No quarto de hotel a noite inventa um crime... tu dormes tranquilamente como uma pedra sobre a voz daqueles que se anulam.
Agora e na hora da nossa morte.
O tiro disparado das palavras, o medo entrelaçado nos dedos como um rosário, um comando pronto a desligar a respiração. Aquela montanha que se vê grande como um olhar que deixa a terra. Agora e na hora da nossa morte.
E de novo chegam os pássaros e todas as coisas comuns como se fossem as mais profundas. A morte é uma coisas pestilenta que sai como um tiro, infame destino dos que se divertem a pensar verdadeira tão grande mentira.
Agora e na hora da nossa morte
Lobo 011
Marioneta
Exaustos,
esgaçam-se os fios
suspensos
por sonhos baços
Cai secamente
a marioneta
em esgar de agonia
E na tábua estéril
jaz sombria figura,
traje coçado,
olhar sepultura.
esgaçam-se os fios
suspensos
por sonhos baços
Cai secamente
a marioneta
em esgar de agonia
E na tábua estéril
jaz sombria figura,
traje coçado,
olhar sepultura.
Ubiquidade
Podias ter vindo hoje,
como quem chega de longe,
rompendo o silêncio da manhã
num voo de velas desfraldadas
ou num canto súbito de rouxinol
anunciando a primavera.
Podias não ter vindo hoje,
perdida numa maré de nevoeiro,
sem encontrar o caminho,
deixando-me preso à margem deserta
de um rio de águas estagnadas
como um barco sem rumo.
Podias ou não ter vindo hoje,
encher meu dia de luz ou sombra,
que não impedirias a noite de cair
nem o vento de bater nas janelas
ou que os cães latissem à lua
incapazes de compreender o futuro.
O que te queria mesmo dizer,
tivesses ou não ter vindo hoje,
é que sempre estarás dentro de mim,
mesmo nos dias em que nunca vens.
.
A Brisa
Ó meu amor
que eu tanto queria
falar-te ! ,
que da canção onde o silêncio
verte , a dobra de teu lençol
é feita de beijos bordados
na boca que os olhos saboreiam ,
desprendo o meu ... ai destino !
ó círculos que entoais brancura
cruzada nos punhos rendados , a galope ! ,
da minha camisa onde a tua marca
me proteje dos monstros
de todas as noites que eu rejeito
mas que teimam em suas feições , disformes !,
em atormentarem a candura do sonho
que tu , qual tapete florido ,
estendes à minha entrada , inesperada !
ó , e no entanto , toda a vida , guardada !
e ainda há quem possua a certeza
que os corações não sabem ou desconhecem
a razão das razões
como se fosse possível ver a cor , da flor ! ,
por dentro do vermelho que a glorifica ...
para quê , amada minha , buscar faces
que não trajam a nossa roupa ?
para quê , minha doce sinfonia ,
querer a partitura na gaveta
dum tempo sem maestro ?
ah , música do meu tão súbito acorde !
e ... quase a descair na tua sagrada fonte
o pescoço a pender
na tua água !
ah triunfo ! que te exclamo fusão redentora
desta minha tão trémula mão , ó minha senhora !
nem que hoje
eu morra ...
aqui !
nem que hoje
eu não seja mais ...
alegria ou pranto
erguerei na alumiação cristalina
deste céu de rubis , a tua grinalda , ó ventura !
Ah , palavras ... modos ...
todas e todos tão redigidos sem nexo
por mim !
que do sentido e coerência do feito
nunca nada soube e no meu tão desorientado percurso
nunca o nunca foi tão sempre ...
ah , que me reviro , no rebentar dos canhões !
destas armas que Camões tão nobremente enalteceu !
e eu que dele nada aprendi
a Vaz endosso mil perdões
por tão indigno representante
da lusíada eu o ser
vês , ó amor , ó querida que me és , tudo !
Vês porque a bandeira grita a meia-haste ?
implora-me o estandarte rubro da minha escola :
"cala-te , ó alijador do canto primeiro ! "
Sim , calar-me-ei ...
todavia , "a terra move-se"
e move-me ...
o meu amor
por ti ...
A Madrugada Das Flores , 130220111657
PARA TI
Não soube nunca não sei ainda
A que edénica fonte atribuir meu sonho
Mergulhei meu Estro no rio das águas mansas
Olhei a lua desnudada e bela
Retive meus passos e deslumbrado
Abri meu coração num assombro e senti
Despontar nas profundas do meu ser
O porquê do meu sonhar – o Amor
Antonius
A que edénica fonte atribuir meu sonho
Mergulhei meu Estro no rio das águas mansas
Olhei a lua desnudada e bela
Retive meus passos e deslumbrado
Abri meu coração num assombro e senti
Despontar nas profundas do meu ser
O porquê do meu sonhar – o Amor
Antonius
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Instantes
Há instantes que são eternidades, e é no mundo fantástico das emoções que eles acontecem. Por isso são exclusivo do animal homem.
Não são coisa que se procure se se quer encontrar, mas dádiva gratuita que acontece, se acontece. Se a buscamos, se lhe vamos no encalço, ela escapa-se-nos. Volatiliza-se.
Foi nessa cálida noite de junho, a roçar já a madrugada, que a tua voz veio ao meu encontro, quente e cristalina. No embalo dolente e deliciosamente bucólico de " Una Sañosa porfia", que inspirado autor medievo compôs para atravessar o tempo e encantar o gélido e sofisticado homem do século XX. Será que te lembras?
Recordas-te que, enquanto cantavas, a Lua deteve-se, também ela deslumbrada e enormemente cheia, no cucuruto da capelinha de S. Cristóvão, lá no alto da preciosa Penha? Ela, a Lua, recorda-se como se recorda de a ter escutado noutros tempos, noutras paragens, porventura nesta mesma viela desta velha cidade, por outras vozes, outras gentes.
Há instantes que são eternos. Mas que fugases eles são.
Nessa noite a tua voz chegou até mim com a frescura do orvalho das manhãs que prometem Sol. Transparente, líquido, na fluidez da água que se espraia e se esvai, enquanto tangia o núcleo esconso do meu sentir profundo, cravava em mim a lança cruenta e subtil do efémero, daquilo que precioso, no instante seguinte, definitivamente, não é já mais. Mas recordação dinâmica, que fica, que prevalece como valência enriquecedora do acervo que faz o nosso mundo interior e lhe determina o equilíbrio.
Que é feito de ti amiga minha? Que é feito da tua voz que me enfeitiçou e de que ouço ainda hoje em gratas ressonâncias?
Nos dias dessa noite eu atravessava o "grande deserto". Em redor de mim eram areias e pedras. Tudo o mais ou era recordação que me dilacerava, ou rumores de esperança num ainda possível amanhã. Porque estava no deserto, nessa noite foi Oásis. Não terás dado por ele porque não caminhavas no deserto. É que deserto é coisa que só se conhece quando pisamos o seu árido pântano e lhe respigamos o travo escaldante. Só então, também, os nossos pés estão em condições de sentirem e entenderem a frescura do Oásis.
Nessa noite, por instantes, os meus pés pisaram a relva.
Antonius
Não são coisa que se procure se se quer encontrar, mas dádiva gratuita que acontece, se acontece. Se a buscamos, se lhe vamos no encalço, ela escapa-se-nos. Volatiliza-se.
Foi nessa cálida noite de junho, a roçar já a madrugada, que a tua voz veio ao meu encontro, quente e cristalina. No embalo dolente e deliciosamente bucólico de " Una Sañosa porfia", que inspirado autor medievo compôs para atravessar o tempo e encantar o gélido e sofisticado homem do século XX. Será que te lembras?
Recordas-te que, enquanto cantavas, a Lua deteve-se, também ela deslumbrada e enormemente cheia, no cucuruto da capelinha de S. Cristóvão, lá no alto da preciosa Penha? Ela, a Lua, recorda-se como se recorda de a ter escutado noutros tempos, noutras paragens, porventura nesta mesma viela desta velha cidade, por outras vozes, outras gentes.
Há instantes que são eternos. Mas que fugases eles são.
Nessa noite a tua voz chegou até mim com a frescura do orvalho das manhãs que prometem Sol. Transparente, líquido, na fluidez da água que se espraia e se esvai, enquanto tangia o núcleo esconso do meu sentir profundo, cravava em mim a lança cruenta e subtil do efémero, daquilo que precioso, no instante seguinte, definitivamente, não é já mais. Mas recordação dinâmica, que fica, que prevalece como valência enriquecedora do acervo que faz o nosso mundo interior e lhe determina o equilíbrio.
Que é feito de ti amiga minha? Que é feito da tua voz que me enfeitiçou e de que ouço ainda hoje em gratas ressonâncias?
Nos dias dessa noite eu atravessava o "grande deserto". Em redor de mim eram areias e pedras. Tudo o mais ou era recordação que me dilacerava, ou rumores de esperança num ainda possível amanhã. Porque estava no deserto, nessa noite foi Oásis. Não terás dado por ele porque não caminhavas no deserto. É que deserto é coisa que só se conhece quando pisamos o seu árido pântano e lhe respigamos o travo escaldante. Só então, também, os nossos pés estão em condições de sentirem e entenderem a frescura do Oásis.
Nessa noite, por instantes, os meus pés pisaram a relva.
Antonius
NADA DE NÓS
Odeio o lado vazio da cama onde me deito. Durmo de braços atados para que não transponham os limites do encaixe silencioso que o meu corpo moldou no colchão. Preciso de tréguas da dor da tua ausência que envenena cada inspirar expirado.
Porém, mal adormeço, o meu coração implora aos braços que se estiquem e te procurem na infinitude do vazio, na esperança inútil de te sentir. Acordo cada dia com o sabor caústico da saudade no peito e os braços debulhados em lágrimas. Nesse árido instante a realidade castra-me os sentidos. Não há mais beijos. Não há mais sorrisos suados. Não há mais frémitos de emoções, nem palavras exaladas em murmúrios. Nada de nós.
A inútil existência de mim remeteu-me a um vácuo mórbido que dilata a cada hora que passo sem ti.
E o vazio do outro lado da cama olha-me pétreo e inabalável.
Porém, mal adormeço, o meu coração implora aos braços que se estiquem e te procurem na infinitude do vazio, na esperança inútil de te sentir. Acordo cada dia com o sabor caústico da saudade no peito e os braços debulhados em lágrimas. Nesse árido instante a realidade castra-me os sentidos. Não há mais beijos. Não há mais sorrisos suados. Não há mais frémitos de emoções, nem palavras exaladas em murmúrios. Nada de nós.
A inútil existência de mim remeteu-me a um vácuo mórbido que dilata a cada hora que passo sem ti.
E o vazio do outro lado da cama olha-me pétreo e inabalável.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Fonte Inicial
Quem – mas quem sou eu afinal?
Que origem me vem escrita no sangue,
Que misteriosa fonte dita o homem?
- Em que prodigioso manancial
sorveu ele a vida e brotou o Amor?
Morará o meu princípio no Acaso
Filho de matéria inerte e da noite,
Por seu turno saídos do Nada?
- Será que por detrás dos ventos se acoite
Portentoso Zero que à vida deu azo?
Ao Nada rendo a minha homenagem
E em nome do Ser a gratidão
- Não foras tu ó grande Ausência
Que em arroubo de dantesca potência
O mundo arrancaste à eterna solidão!
Obrigado oh Nada pelo teu cuidado
Em dares vida ao vazio imenso.
-Que ondas do mar te inspiraram
- Que estrelas porventura te levaram
A dares provas de tão esplendoroso senso?! (…)
Antonius
Que origem me vem escrita no sangue,
Que misteriosa fonte dita o homem?
- Em que prodigioso manancial
sorveu ele a vida e brotou o Amor?
Morará o meu princípio no Acaso
Filho de matéria inerte e da noite,
Por seu turno saídos do Nada?
- Será que por detrás dos ventos se acoite
Portentoso Zero que à vida deu azo?
Ao Nada rendo a minha homenagem
E em nome do Ser a gratidão
- Não foras tu ó grande Ausência
Que em arroubo de dantesca potência
O mundo arrancaste à eterna solidão!
Obrigado oh Nada pelo teu cuidado
Em dares vida ao vazio imenso.
-Que ondas do mar te inspiraram
- Que estrelas porventura te levaram
A dares provas de tão esplendoroso senso?! (…)
Antonius
Lista de participantes na Antologia; Tu Cá, Tu Lá II
Lista de Participantes confirmados até à data
Antologia Tu Cá, Tu Lá II
*
AnaMar
Antonio MR Martins
Avozita
Antonius
Ana Martins
ConceiçãoB
Clarisse Silva
Dolores Marques
Dark( JC Patrão)
Eduarda Mendes
FatimaSantos( Haeremai)
Antologia Tu Cá, Tu Lá II
*
AnaMar
Antonio MR Martins
Avozita
Antonius
Ana Martins
ConceiçãoB
Clarisse Silva
Dolores Marques
Dark( JC Patrão)
Eduarda Mendes
FatimaSantos( Haeremai)
GLP
JoãoMestrePortugal
Liliana Jardim
Luiz Sommerville
Lobo
MariaLuz( Bi eL)
Marisa Soveral
Natalia Nuno
Nanda
Runa
São Gonçalves
Teresa (Sterea)
Veríssimo Salvador Correia (por Olema)
JoãoMestrePortugal
Liliana Jardim
Luiz Sommerville
Lobo
MariaLuz( Bi eL)
Marisa Soveral
Natalia Nuno
Nanda
Runa
São Gonçalves
Teresa (Sterea)
Veríssimo Salvador Correia (por Olema)
*
Após termos todos os autores confirmados, serão informados sobre os trabalhos a editar por cada autor e em que moldes será incluída na Antologia.
Solicita-se a cada autor que ainda queira confirmar a sua participação, que poderá fazê-lo através deste post, deixando a sua resposta em comentário, pelo que, a lista se actualizará.
Abraço a todos
Dolores Marques
Após termos todos os autores confirmados, serão informados sobre os trabalhos a editar por cada autor e em que moldes será incluída na Antologia.
Solicita-se a cada autor que ainda queira confirmar a sua participação, que poderá fazê-lo através deste post, deixando a sua resposta em comentário, pelo que, a lista se actualizará.
Abraço a todos
Dolores Marques
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
AMO-TE
Amo-te.
Dum amor que me não cabe no peito,
Rio rebelde para quem não basta o leito
E se escapa nos poros da minha pele,
E se espraia no relevo do meu corpo...
Amo-te assim...
Como se o mundo parasse p'ra eu passar,
Como se o ar me custasse a respirar,
Porque só de amor o meu ânimo se alimenta
E o coração é só batel que busca o porto...
Amo-te tanto...
Que o sentimento transborda o meu olhar,
Que os meus sentidos se unem p'ra te cantar
Em versos que não encontram relicário
Ou nobre pena que mereça o que exorto...
Amo-te, enfim...
Mas não descubro palavras para polir,
Sublime azul onde eu possa fazer fluir
A essência rara que eu queria decantar!
Então escrevo só teu nome ... verbo amar!
Dum amor que me não cabe no peito,
Rio rebelde para quem não basta o leito
E se escapa nos poros da minha pele,
E se espraia no relevo do meu corpo...
Amo-te assim...
Como se o mundo parasse p'ra eu passar,
Como se o ar me custasse a respirar,
Porque só de amor o meu ânimo se alimenta
E o coração é só batel que busca o porto...
Amo-te tanto...
Que o sentimento transborda o meu olhar,
Que os meus sentidos se unem p'ra te cantar
Em versos que não encontram relicário
Ou nobre pena que mereça o que exorto...
Amo-te, enfim...
Mas não descubro palavras para polir,
Sublime azul onde eu possa fazer fluir
A essência rara que eu queria decantar!
Então escrevo só teu nome ... verbo amar!
À espera de um rasgo de inspiração
O inverno demora-se
nos lábios frios do poeta.
Um obscuro bater de portas
sacode os rebordos da folha vazia,
agora que a luz definha
ao fundo dos corredores decrépitos
onde o vento range
sob um poente de sombras gastas.
Alimento a sede dos tinteiros
com o sangue pisado das sílabas
e com os versos que restam
nos parapeitos cinzentos da memória,
debruçado sobre a madrugada solitária
das linhas que nunca escrevi,
à espera de um rasgo de inspiração.
:
Etiquetas:
http://seguindooescoardotempo.blogspot.com/
DESENGANO
Não queiras abrigar uma gaivota de asa ferida porque mesmo guinchando de dor, buscará seu poiso no rochedo sulcado pelo mar. Sozinha.
Não queiras uma metade de laranja se não puderes sorver igualmente a outra metade.
Não me queiras. A vida fez-me onda selvagem embalada na força das marés e na folia dos ventos, não tenho costa nem mar. Sou nómada e feita de sal. O meu brilho perdeu-se na cinza.
Não me queiras porque te encanta meu sorriso, é o único que tenho, não o sei esboçar de outra forma.
Não me queiras porque te faço sentir menos só. Eu sou solidão trajada de mulher. Sou dor apaziguada por vezes ao por-do-sol, mas regresso todas as manhãs quando a vida se ergue.
Não me queiras pelo luar nos meus olhos. Sou perpétua amante da mais bela estrela, ao seu brilho minha alma consagrei.
Não me queiras, não... vidro não é cristal.
Não queiras uma metade de laranja se não puderes sorver igualmente a outra metade.
Não me queiras. A vida fez-me onda selvagem embalada na força das marés e na folia dos ventos, não tenho costa nem mar. Sou nómada e feita de sal. O meu brilho perdeu-se na cinza.
Não me queiras porque te encanta meu sorriso, é o único que tenho, não o sei esboçar de outra forma.
Não me queiras porque te faço sentir menos só. Eu sou solidão trajada de mulher. Sou dor apaziguada por vezes ao por-do-sol, mas regresso todas as manhãs quando a vida se ergue.
Não me queiras pelo luar nos meus olhos. Sou perpétua amante da mais bela estrela, ao seu brilho minha alma consagrei.
Não me queiras, não... vidro não é cristal.
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