domingo, 13 de fevereiro de 2011

PARA TI

Não soube nunca não sei ainda

A que edénica fonte atribuir meu sonho

Mergulhei meu Estro no rio das águas mansas

Olhei a lua desnudada e bela

Retive meus passos e deslumbrado

Abri meu coração num assombro e senti

Despontar nas profundas do meu ser

O porquê do meu sonhar – o Amor


Antonius

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Instantes

Há instantes que são eternidades, e é no mundo fantástico das emoções que eles acontecem. Por isso são exclusivo do animal homem.
Não são coisa que se procure se se quer encontrar, mas dádiva gratuita que acontece, se acontece. Se a buscamos, se lhe vamos no encalço, ela escapa-se-nos. Volatiliza-se.
Foi nessa cálida noite de junho, a roçar já a madrugada, que a tua voz veio ao meu encontro, quente e cristalina. No embalo dolente e deliciosamente bucólico de " Una Sañosa porfia", que inspirado autor medievo compôs para atravessar o tempo e encantar o gélido e sofisticado homem do século XX. Será que te lembras?
Recordas-te que, enquanto cantavas, a Lua deteve-se, também ela deslumbrada e enormemente cheia, no cucuruto da capelinha de S. Cristóvão, lá no alto da preciosa Penha? Ela, a Lua, recorda-se como se recorda de a ter escutado noutros tempos, noutras paragens, porventura nesta mesma viela desta velha cidade, por outras vozes, outras gentes.
Há instantes que são eternos. Mas que fugases eles são.
Nessa noite a tua voz chegou até mim com a frescura do orvalho das manhãs que prometem Sol. Transparente, líquido, na fluidez da água que se espraia e se esvai, enquanto tangia o núcleo esconso do meu sentir profundo, cravava em mim a lança cruenta e subtil do efémero, daquilo que precioso, no instante seguinte, definitivamente, não é já mais. Mas recordação dinâmica, que fica, que prevalece como valência enriquecedora do acervo que faz o nosso mundo interior e lhe determina o equilíbrio.
Que é feito de ti amiga minha? Que é feito da tua voz que me enfeitiçou e de que ouço ainda hoje em gratas ressonâncias?
Nos dias dessa noite eu atravessava o "grande deserto". Em redor de mim eram areias e pedras. Tudo o mais ou era recordação que me dilacerava, ou rumores de esperança num ainda possível amanhã. Porque estava no deserto, nessa noite foi Oásis. Não terás dado por ele porque não caminhavas no deserto. É que deserto é coisa que só se conhece quando pisamos o seu árido pântano e lhe respigamos o travo escaldante. Só então, também, os nossos pés estão em condições de sentirem e entenderem a frescura do Oásis.
Nessa noite, por instantes, os meus pés pisaram a relva.

Antonius

NADA DE NÓS

Odeio o lado vazio da cama onde me deito. Durmo de braços atados para que não transponham os limites do encaixe silencioso que o meu corpo moldou no colchão. Preciso de tréguas da dor da tua ausência que envenena cada inspirar expirado.
Porém, mal adormeço, o meu coração implora aos braços que se estiquem e te procurem na infinitude do vazio, na esperança inútil de te sentir. Acordo cada dia com o sabor caústico da saudade no peito e os braços debulhados em lágrimas. Nesse árido instante a realidade castra-me os sentidos. Não há mais beijos. Não há mais sorrisos suados. Não há mais frémitos de emoções, nem palavras exaladas em murmúrios. Nada de nós.
A inútil existência de mim remeteu-me a um vácuo mórbido que dilata a cada hora que passo sem ti.
E o vazio do outro lado da cama olha-me pétreo e inabalável.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Fonte Inicial

Quem – mas quem sou eu afinal?
Que origem me vem escrita no sangue,
Que misteriosa fonte dita o homem?
- Em que prodigioso manancial
sorveu ele a vida e brotou o Amor?

Morará o meu princípio no Acaso
Filho de matéria inerte e da noite,
Por seu turno saídos do Nada?
- Será que por detrás dos ventos se acoite
Portentoso Zero que à vida deu azo?

Ao Nada rendo a minha homenagem
E em nome do Ser a gratidão
- Não foras tu ó grande Ausência
Que em arroubo de dantesca potência
O mundo arrancaste à eterna solidão!

Obrigado oh Nada pelo teu cuidado
Em dares vida ao vazio imenso.
-Que ondas do mar te inspiraram
- Que estrelas porventura te levaram
A dares provas de tão esplendoroso senso?! (…)

Antonius

Lista de participantes na Antologia; Tu Cá, Tu Lá II

Lista de Participantes confirmados até à data
Antologia Tu Cá, Tu Lá II
*

AnaMar
Antonio MR Martins
Avozita
Antonius
Ana Martins
ConceiçãoB
Clarisse Silva
Dolores Marques
Dark( JC Patrão)
Eduarda Mendes
FatimaSantos( Haeremai)
GLP
JoãoMestrePortugal
Liliana Jardim
Luiz Sommerville
Lobo
MariaLuz( Bi eL)
Marisa Soveral
Natalia Nuno
Nanda
Runa
São Gonçalves
Teresa (Sterea)
Veríssimo Salvador Correia (por Olema)
*
Após termos todos os autores confirmados, serão informados sobre os trabalhos a editar por cada autor e em que moldes será incluída na Antologia.
Solicita-se a cada autor que ainda queira confirmar a sua participação, que poderá fazê-lo através deste post, deixando a sua resposta em comentário, pelo que, a lista se actualizará.
Abraço a todos
Dolores Marques

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

AMO-TE

Amo-te.

Dum amor que me não cabe no peito,
Rio rebelde para quem não basta o leito
E se escapa nos poros da minha pele,
E se espraia no relevo do meu corpo...

Amo-te assim...

Como se o mundo parasse p'ra eu passar,
Como se o ar me custasse a respirar,
Porque só de amor o meu ânimo se alimenta
E o coração é só batel que busca o porto...

Amo-te tanto...

Que o sentimento transborda o meu olhar,
Que os meus sentidos se unem p'ra te cantar
Em versos que não encontram relicário
Ou nobre pena que mereça o que exorto...

Amo-te, enfim...

Mas não descubro palavras para polir,
Sublime azul onde eu possa fazer fluir
A essência rara que eu queria decantar!
Então escrevo só teu nome ... verbo amar!

À espera de um rasgo de inspiração


O inverno demora-se
nos lábios frios do poeta.
Um obscuro bater de portas
sacode os rebordos da folha vazia,
agora que a luz definha
ao fundo dos corredores decrépitos
onde o vento range
sob um poente de sombras gastas.


Alimento a sede dos tinteiros
com o sangue pisado das sílabas
e com os versos que restam
nos parapeitos cinzentos da memória,
debruçado sobre a madrugada solitária
das linhas que nunca escrevi,

à espera de um rasgo de inspiração.


:

DESENGANO

Não queiras abrigar uma gaivota de asa ferida porque mesmo guinchando de dor, buscará seu poiso no rochedo sulcado pelo mar. Sozinha.
Não queiras uma metade de laranja se não puderes sorver igualmente a outra metade.
Não me queiras. A vida fez-me onda selvagem embalada na força das marés e na folia dos ventos, não tenho costa nem mar. Sou nómada e feita de sal. O meu brilho perdeu-se na cinza.
Não me queiras porque te encanta meu sorriso, é o único que tenho, não o sei esboçar de outra forma.
Não me queiras porque te faço sentir menos só. Eu sou solidão trajada de mulher. Sou dor apaziguada por vezes ao por-do-sol, mas regresso todas as manhãs quando a vida se ergue.
Não me queiras pelo luar nos meus olhos. Sou perpétua amante da mais bela estrela, ao seu brilho minha alma consagrei.
Não me queiras, não... vidro não é cristal.

Esfarelar o pão

Esfarelar o pão.
O que é esfarelar o pão?
Roer as unhas ou dedilhar nas virilhas.
Esfarelar o pão é fugir á responsabilidade, olhar o calendário e ter o olhar num dia de sábado e desejar que todos os dias sejam sábado. Ser um verdadeiro agente imobiliário, um agente imóvel que só mexe os dedos ao telefone.
- Sim
- Não

E já era.

Quem sabe esfarelar o pão?

O exercito esfarela o pão, faz figurinhas em forma de bala.
Esfarelar o pão substitui o trabalho, esfarelar o pão dá trabalho, esfarelar o pão é como espremer borbulhas, não podemos fazer duas coisas ao mesmo tempo. Trabalho é trabalho, esfarelar o pão é o truque de parecer que se faz muito e mesmo não se fazendo nada saem nuvens de cansaço das bocas.

Esfarelar o pão é como guardar rebanhos, mesmo que os rebanhos não estejam lá, qualquer um pode guardar rebanhos. Esfarelar é ficar atrás de um balcão com a sensação inútil de que estivemos a pastar. Assim para fugir a esta sensação esfarelamos o pão, se não há pão para esfarelar olhamos uma pescada num saco de plástico e fazemos uma autopsia.
Esfarelar o pão é demorar o indesejado encontro. Os intelectuais são muito profissionais na arte de esfarelar o pão, esfarelar os livros e isso é muito devagar, como observar uma pessoa importante sempre no mesmo lugar, na mesma página, com a mesma cara, um grande vazio, um aplauso estrondoso.

Esfarelar o pão ou esfarelar a cara do fulano que não nos enche as simpatias.

entrou nas urgências todo esfarelado.
Há todo o tipo de esfarelado, conhecemos o desfarelado, o despenteado papo seco. Enquanto o turista vai esfarelando com a sua máquina fotográfica a cidade outras mãozinhas esfarelam nos bolsos. Esfarelar tanto dá para a virtude como dá não se sabe para onde.

Bem meus amigos vou esfarelar dentro de uns macios cobertores. Quando for grande quero fazer nada, esfarelar o pão como um poeta a divagar na repartição.
Na rua faz muito vento, está tudo esfarelado, parece que passou por aqui um doido varrido

Lobo 011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

VIAGEM NA ESTRADA DA VIDA

Reflexão necessária
Sobre a incógnita
Lugar de permanente tensão
E de um incomensurável questionamento…
.
Corpo comunicante
Corpo minha única propriedade!
Com a sua medida
No espaço e no tempo…
Road movie
Exercício de inquietação e intimismo
Corpo que canta…corpo que chora…
No efeito hipnótico
E profícuo do ritmo carnal
Das amplidões!
.
Viajas no meu corpo
Cheio de fantasia
E percorres à mão
Cantos e recantos
Espraiando nas ondulações!
Olho o teu rosto
As tuas expressões
As tuas crispações
Toco-te
De forma virtuose
Como se fosses Um violino!
E é na música do teu corpo
Que sinto a transcendência
Via láctea
De estrelas ofuscantes…
Dos lábios
Solta-se
O ai fundo
O alívio
Como se tivesse
Ultrapassado
O mundo!..
.
08.02.2011

Astro

Ó escuridão , escuridão
dia tão claro que não tem dó
do sentido precioso
que é a minha visão
Eu podia anular-te
correr todas as persianas
e trancar todas as portas
para ...
não ...
te ver ...
ó luz !
Mas fechar-te , lâmpada minha ,
que me és Sol
não apagaria do céu
a lucidez que não sou eu
que és tu,
ó astro
meu ...


Luiz Sommerville Junior , 090220111028

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Ontem e o Amanhã

Se o Futuro me interessa e sobre ele me interrogo, o Passado fascina-me.
O Futuro é anónimo, são mil hipóteses, não está assinado.
O Passado é rotundamente concreto. Aconteceu mesmo. Tem uma forma, tempo, espaço que estão escritos.
Tenho a esperança de pertencer ao Futuro (ainda que de breve futuro possa tratar-se), mas tenho a certeza de pertencer ao Passado. Vivi-o, senti-o, sofri-o.
O Passado está escrito em mim, vibra em mim nos delírios da infância, no sonhar inefável da juventude, na taça inebriante do Amor que me coube, na Ternura.
As frustrações os desencantos, as incompreensões, o drama – agrestes bastante para recusar um regresso no tempo se por absurdo me fosse proposto – a sua sombra nem por isso logra escurecer a luz que me chega das caras e eternas recordações do passado.
Ir ao Passado poderá significar ir buscar lágrimas. Mas como é a saudade que as dita, podem mesmo ser redentoras, reconfortantes. É que as lágrimas, filhas da saudade curtida, têm sentido. Vale a pena serem choradas.

Antonius

SONHOS LOUCOS



Tantos sonhos loucos
E realizados tão poucos.
Por mim o tempo passa
Para o meu olhar envelhecido?
A luz é uma ameaça.
O prazer e a felicidade
são uma urgência,
Peço ao tempo clemência.
Adoço as palavras com mel
e sorrisos artificiais
Trago as marcas na pele
Que à memória me acodem demais.

Agora quando dou por mim?!
Quando me procuro na memória?
Vestígios lá no fundo, bem no fim!

Sou passado... na minha história.

As lembranças são as tais
Que me trazem enternecida
Lembranças dos meus ideais
Que repousam quase esquecidas.

Hoje não abro as janelas
Já se foram minhas ambições
Recordo todas aquelas,
Efémeras, só ilusões.
De que serve procurar-me?
Se já não sei encontrar-me.

natalia nuno
rosafogo

imagem retirada (blog decoupage)

Prisioneira

(Imagem google)


Prendi-me de novo.
Deixei a liberdade
de ser eu na verdade…
Tenho-te sempre a meu lado,
a cada minuto, segundo…
Não sei andar…
Não sei viver…
Não sei sentir…
Quero voltar a ser livre
Correr atrás da vida,
na vida que me foge…
Quero sorrir ao dia,
que outra vida anuncia…
Quero fugir à prisão
que impus a mim mesma.
Quero deixar de ser,
prisioneira de mim.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MOTIM

Geme o verso
na gota de chuva,
sulca o rosto vencido
rumo à foz revoltada
Clama o corpo em fúria
amotinado

E no dilúvio implacável,
o poema acontece

Escrever Poesia III

Foto: Clarisse Silva


Gosto de musicalidade,
De ritmo frenético
Voracidade
Do ser poético.

Gosto da musicalidade,
De ritmo lento
Ansiedade
Que não aguento.

É explosão de alegria
É estar cá dentro em gritaria.
É construir uma imagem
Nesta alucinante viagem,
De permitir o nascimento
Material, de um sentimento!

Escrever é Ser
Simplesmente.
Liberto de artefactos
Cenários da mente.
É descrição de factos
Pela alma absorvidos.

Escrever é Ser
Simplesmente,
Sonhos sempre sonhados
E nunca antes imaginados
De letras se munir,
E o universo sentir.

Escrever é amar,
Escrever é sonhar.
Escrever é realidade,
Colossal felicidade…!

E escreve…
E descreve…
E vai e vem…
Que depressa tem,
Formigueiro nas mãos…
Vou para cima,
Dom que me aproxima…
Aumenta
A auto-estima…
Não aguenta
Com coisa lenta!
Vai e vem vertiginoso
E que me dá tanto gozo!
Desço…
Mas não perdi
Desconheço…
Como o escrevi!


Vem o rei

Vem o rei
que estava escondido
governar o país
no guarda vestidos

...tem meias compridas
grossas e de lã
governa a vida
no colo da mãmã.

Ainda é rebento
e ja vai combater
matar um cento
no pais cinzento

Este menino
o sebastião
teve o pobre destino
de ser mensageiro da nossa naçao

lobo

Emergência (porque o que é belo é para sempre)

Porque choras , meu amor ?
Amor
o que eu não escrevo
Amor
é sinónimo do teu rosto
Amor 
sorrindo-me
Amor
é sinónimo do meu gesto
Amor
puro.
Amor
de amor abençoado na alvura do teu despertar ...


A Madrugada Das Flores , 090120111636
Luiz Sommerville Junior

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Duas metades

na minha metade,
tenho horas longínquas
onde naufraguei,
tenho anos estéreis de cansaços,
que me ajudaram a descer.

na outra metade,
tenho a utopia
que me faz sentir,
tenho o sonho
que me faz viver.

e assim vivo
em permanente conflito,
entre o ser e a mente
que me faz permanecer

Eduarda

18h35

Seis horas da tarde
Trinta e cinco minutos

Na urgência do tempo,
foge-me o sorriso do rosto
Corro-lhe atrás curiosa
viro aqui, contorno ali...
E lá o alcanço por fim
à porta da entrada:
alargado, potenciado
a ver-te chegar!