quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR

Árvore da Vida - Klimt
(Poema dedicado a Natalia Canais)

Por tudo que me deste
Por tudo que me dás
Por aquilo que não deste e não dás
E eu sonho que podes dar
Humildemente
Só te posso venerar!
Também dás e tiras
Com crueldade
E para sempre
Deixando-me a sangrar…
São ganhos e perdas
Lágrimas e sorrisos
Amor e dor
E nesse antagonismo
Eu caminho
Por caminhos suaves e rudes
Na brisa do empirismo!
Olho o mar…que imensidão…que energia…
Nele me abraço e fico com o sal nos lábios
Carícia empolgante que rejuvenesce…
Olho o rio…como desliza ou corre para o mar
Os olhos captam o belo que me empolga
E ao anoitecer minha alma humedece…
Que dizer das frondosas matas
Das pequenas flores aqui e ali
E do mistério de fecharem
As pétalas quando anoitece?
E o canto dos pássaros
As pinceladas diversas das nuvens
Em farrapos flutuando nos píncaros!
Ah vida!?...
És um manancial propulsor de emoções
Suaves e viscerais…
Fico estonteada pela excentricidade
Dos aromas desiguais!
Tanto tens de sublime para eu usufruir
Que me diminui e me eleva
Que me constrói e destrói
Que é uma energia insofismável
Paixão absorvente
Seiva misteriosa e desconhecida
Ardor envolvente!
O bater do meu coração…
Por tudo eu amo o mistério
Que tu és e serás, e te adoro VIDA!..
Marisa Soveral - jan-2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ARAGEM



ARAGEM

É fina aragem que corre
A vida,
me persegue numa pressa amarga
Já o sorriso em mim morre
Com este tempo que não me larga.
Como flecha  me mata
Me tira do meu encantamento
Tempo que não ata nem desata
Me destroça,
e me deixa em desalento.

Diáriamente invento uma alegria
Retiro qualquer pedra do caminho
E procuro de ti uma carícia
Um momento íntimo, um carinho.
Já o desânimo me cerca
Quase o nada me aniquila
Já o tempo faz com que me perca
Minha visão me mutila.

Assim vou fazendo a travessia
Deserto e mais deserto
Já se me priva o dia
Já a noite vem por perto.

natalia nuno
rosafogo

Baluarte

Tendo à nostalgia!
Desfaço a saudade da monção serena
qual brisa sanzonal que acusa o estio
de outros versos que jamais premeio
no sopro destemido de um Outono atípico
ainda que raquítico, não sumenos avassalador

O Inverno já se instalou dentro de mim
de dentro para fora tremo de hipotermia
criando musgo no fundo da alma
onde me cresce a ânsia de ser liberdade
no palietário baluarte da poesia
mural que me sustenta o ser mulher

A Saudade Aflora

(Imagem google)



Olho o mar,
perdido no infinito de mim…
azul,
qual céu em dia de verão…
Perco-me,
na linha longínqua do horizonte.
Meu olhar aí permanece,
parado, abstracto,
esquecido de viver…
A saudade aflora…
Meu coração chora…
Lágrimas,
confundem-se entre o céu e o mar,
caídas, sofridas, sentidas,
saudosas do teu doce olhar.
Para lá desse infinito
onde os azuis se cruzam,
estará teu ser bendito,
sorrindo à lágrima que desliza
pela face daqueles que te amam.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

NERVURA


Finas nervuras de sensibilidade
Canais infinitesimais de seiva
Que levam a energia vital
Pelas ramificações
Que se vão estreitando
Até ao limite!
A folha da planta sem alimento
Secou, encarquilhada e caiu…
Foi abandonada
Faltou-lhe a água
Ou faltou-lhe a claridade…
Como pode a folha
Manter a sua frescura
Se lhe falta o essencial!..

Que pena…
…era tão macia, tão leve…
Tão cheia de boas intenções
E de desejos!..
O acaso derrubou-a
Agora anda sem sentido
Às bolandas das correntes…
Vai cair num esgoto
A caminho do rio
E do rio, para o mar
Até ao nada…
Viveu gloriosa
Quis amar a vida…
…e não foi amada!
Janeiro -2011

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Não há

(Foto - D.M.)


Oblíquos traços
De um destino aquém
Da lisura do tempo
Tal moeda fria
Nas palmas das minhas mãos
Face de um mesmo caminho
A encurtar-me os passos

Os meus olhos
Fecundam o ventre da noite
E a noite fria
Tão fria como a laje
Que me cobre o corpo
Não me disse
Que era a tormenta
Que varria os meus sonhos

De arremesso
Num tropeço
Não há volta a dar ao tempo
Nem território
Que se acabe no meu corpo
Não há meios
Não há freios
Não há medos
Nem sistemas coloridos
A pintar-me os gestos diários
Não há!

domingo, 9 de janeiro de 2011

O frio dos orgasmos

                                                      photo by: peter velter

nas amarras do voo
um grito desconvocado
na inlúcidez da terra lavrada.

um sopro de nada, uma pétala rasgada
ao mais recôndito do húmus,
feito frio de orgasmos
no voo rasante da alma.

no meio do eco...
uma pedra,
despida de alegria,
vestida de lama na mais agreste seara.

do ocaso apenas o rasto,
inerte,insano,
da flor voltada ao cio dos abutres
e da hora que se vê calada.

Eduarda

sábado, 8 de janeiro de 2011

DESCALÇA PELA VERDURA

É difusa a luz do meu dia
Suave é hoje meu viver
De amor talvez...de alegria
Ou o prenuncio dum doce morrer.
Contemplo  a lua no céu
A noite que se aproxima
Me afaga o rosto e eu?
Revelo-lhe o amor que me anima.

Me despedi da tarde
Terei outras que o futuro me der
Desta já tenho saudade!
É assim este meu coração de mulher.

Há dias que ando triste, sem sentir,
nem presente nem passado.
Mas trago na alma o pressentir
Dum tempo mais sossegado.
A vida é tão inconstante
Nos confunde sem ter dó
É mar sereno e num instante?!
Nos põe na garganta um nó.

Mas hoje deixo minhas penas
Que é suave o meu viver
Na estrada que trilho apenas
Esperança e amor quero ter.

Hoje, sou criança correndo p'la vida
Descalça pela verdura
Sonho com a infância querida...
Quem sonha é como quem procura!

natalia nuno
rosafogo

INVERNO DO MEU DESCONTENTAMENTO

Ciclicamente
Aquelas árvores altivas
São despidas pelo vento
Em bátegas furiosas
E ensandecidas!
Desnudadas
Ficam com os braços erguidos ao céu
Clamando sobrevivência
Temporais inclementes
Violentam a sua existência!

Um dia virá a bonança
E pelos seus galhos
Brotará de novo
Esperanças!
Surgirão folhas verdes
E depois flores débeis
Um deslumbramento!
O belo volta a acontecer
E será fulgurante
O renascimento!

Gradualmente o caos
Voltará a surgir!
E a árvore emurchece…
Talvez de vez!
Mas na sua podridão
Outra vida
Mineral, vegetal ou animal
acontece!

03.01.2011

LAVRADORA

Sei de mim
apenas o que arranco à terra,
para viver.
Ela, a terra,
sabe de mim o tanto
que me alimenta para crescer.
E dá-mo,
pão-para-a-boca,
dia-a-dia,
mãe-protectora,
todo o bastante
que me chegue
até morrer.
Vivendo,
me ensina
a compreender.
E compreendendo,
por mim aprendo
a sobreviver.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A Claridade do Tempo


Vem, enterra as palavras na terra
deita-te no silêncio das pedras do rio.
O pôr-do-sol é quase um espaço
dentro do mar.

Ouçamos a luz do dia, caminhemos juntos
entre as sombras da montanha.
Eu afastarei as escarpas, os ramos quebrados,
a escuridão do vale.

Apaga a noite por dentro.

Ao nosso lado os sonhos sorriem
seguem, seguros, o mapa dos relógios
a linha verde do luar.

Que venham as neblinas de outono
e os gemidos do vento.

A claridade do tempo
ensina-nos a respirar.


Marialuz

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

teorema zero

Agarro cada coisa boa em ti e estandardizo-a,
Afasto com um pestanejar de indiferença
cada frame do teu sorriso no meu pensamento,
Coloco uma mola na ponta do nariz sempre que te aproximas
para não ficar presa à memória do teu cheiro,
Construo mil teoremas sobre a insignificância que tenho na tua vida.
Invento filmes em que sou mera espectadora de nós
e projecto-os numa parede negra,
Sinto-me em fúria, sempre que certeiro,
Transformas cada uma das minhas teorias em adubo para as urtigas.
Mantenho firme a cabeça à tona
para não mergulhar nas águas cristalinas da tua boca.

Hoje deponho esta armadura de ferro fundido,
junto à negação e a razoabilidade de não nos sermos
Porque não quero correr contigo, quero correr ao teu lado.
Porque estou exausta de te afastar dos meus sonhos

Quedo-me então, imóvel, à espera que os sonhos de afastem de ti


Gerês, 01 de Janeiro de 2011

Levado no vento



O vento que passa
no tempo que repassa,
meu ser esvoaça…
Não lhe sobra tempo
falta-lhe o tempo,
levado no vento…

Despertar tristonho
dum sonho risonho
num mau acordar…
Nesse longo sonho,
agora tristonho
lágrima a deslizar…

E o vento que passa
meu ser trespassa
deixando-o frio…
Nesse tempo que passa
meu sonho esvoaça,
ficando o vazio…

Passado sem futuro...

O chão está gasto, mais que pisado de tanto o ser sempre na mesma posição. Esta inverteu-se com o passar do tempo, pelo peso que levou em cima. Os dias gastaram-se, as noites sonharam-se. Tudo cresceu e por vezes foi cortado. Os dias ficaram cada vez mais pequenos, pois o sol escondeu-se por detrás de um céu cada vez mais carregado. Dissipem-se as nuvens negras criadas por nós para os dias voltarem a crescer, e renascer a natureza verdadeira do ser humano, em mais um ano, que pretende ser de transição. Essas razões caducas e caducadas estão mais que acabadas no cenário de imaginário passado sem futuro…


Feliz 2011 a todos!

Realidade Virtual



Ao entrar em casa, bato a porta com força
para que o mundo não venha atrás de mim
e com os pés sujos da lama com que se veste
não espezinhe o mosaico branco do corredor,
sem me importar se ele fica sozinho lá fora,
a esgravatar na porta fechada do prédio
e a uivar, como um cão alucinado,
de encontro às paredes vagas da noite.

Embrulhado no conforto quente do pijama,
respiro o silencio que envolve o quarto
e sento-me, em frente à tela do computador,
mergulhando nas águas da realidade virtual;
onde não preciso de fingir que não sou eu,
nem tenho de dizer aquilo que não penso
ou me posso calar quando nada tenho para dizer.

Aqui, ninguém me olha por cima do ombro,
como se fosse um foragido da justiça,
nem me recrimina se enfio o dedo no nariz.
Ninguém me pede contas quando me levanto
e vou à varanda fumar ou comer uma bolacha
ou quando, vencido pelo tédio, simplesmente
primo um botão e me desligo deste mundo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Esboço















São as telas desmerecidas
que amparam o meu cansaço
é o prelúdio entardecido
de mais um…
pequeníssimo traço

São as glândulas degustadas
que saboreio
entre os dissabores dúbios
pincelados
nas cores com que te pinto

São as gotículas molhadas
de uns lábios feridos
numas mãos que esculpem
o invisível sentido
e os pés que deslizam
no soalho contorcido

È o olhar que cega
à luz do próprio dia
é o pincel repousando
nos braços das madrugadas

Sou eu... esborratada
pelo quadro que não pinto
e nos traços escuros da noite
traço-me de insana mudez
no algor do que sinto

ÁFRICA


Estou de partida para o desconhecido
Minha ânsia é sempre estar de partida
Ver a cor, o cheiro, o barro de que é tecido
Uma terra diferente da rotina e apetecida
.
Vou caminhar por outras cruciais histórias
Ler nos rostos negros as ânsias nunca lidas
Entrar em casas de outras eras e memórias
Com vidas dentro para o acaso impelidas
.
Vou descobrir esse continente africano
A raça garbosa de ébano dos seus corpos
Com o seu olhar profundo e tão insano
Pela humilhação de todos os seus mortos
.
No deserto silencioso vou em peregrinação
Pés nus pisando as dunas de areia quente
Com as visões ensandecidas do sol ardente
Procurando na aridez de tudo a superação.
.
2010

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ao Longo - Requiem

Terra
ao longo dum ponto cravado no infinito
Água
ao longo do pesponto da vida
Ar
invólucro dos corpos,
interior da matéria
Céu,
ao longo dos elementos que existem,
inquestionável,

E, cerrando os olhos
paralisando os punhos
cegando a voz
suicidando os ouvidos
ao longo deste meu mar
- epiderme ou lençol
que é leito,desfeito, do que fui...
sem almofada para repousar o topo da montanha
cérebro !
descalço por opção única ,
alternativa inferior ausentada do espelho
atropelo da saudade fatalmente ferida

ó, há lágrimas cortando a superfície ,
congelando a bússola que orienta os pássaros ! ...

Sou feito de vinte e quatro horas
em cada minuto apaixonado
pelo príncipe destituido do trono , segundo !
ah , relógio onde aprendi que o meu aeiou
é pulso redondo imobilizado
olhando com encanto as duas agulhas, girando ...
sobre a intersecção dos algarismos
desenhar-vos é alcançar a foz, aberta !
ó espanto do que é simples !

Sou carne do dia
em cada noite onde o cortejo dos pequeninos
meninos dormindo ...
abrem os livros no capítulo onde as fadas
semeiam pais e mães gritando às velas
pela pátria sem fronteiras em acenos mágicos
que tingem de vermelho as bandeiras brancas ...

Terra,
ó terra ! ...
um copo do teu vinho, tinto !
seria a mais sublime salvação

Água, ó água
um gole da tua liquidez, leite !
seria a perfeita hidratação

Ar,
um átomo do teu cortejo, cristalino !
seria a mais pura regeneração

Céu , ó céu
um beijo teu ...
seria oiro sobre azul
redenção !

Boca , ó boca...

Sim , sou feito de relógios ...
que são ... um só tempo ...
que são ...

os ...

teus ...

lábios ...


Luiz Sommerville , 030120110501 , A Madrugada Das Flores

sábado, 1 de janeiro de 2011

Se Quiseres...


Se quiseres dizer de ti em palavras incompletas
ou repletas de luar
quero que saibas que eu estou aqui
reconstruindo manhãs. E sei
que há veredas cobertas de gelo
e socalcos escorregando em avalanches de lama

mas na minha varanda eu serei
a nascente de regatos de luz
e ramos que tocam pianos azuis

e se quiseres estender sobre o mar
o teu manto de borboletas multicores
eu prometo que voarei contigo enquanto
as ensinas a voar.



Marialuz

SAUDADE GOTA DE MEL













SAUDADE  GOTA DE MEL

O tempo correndo, a vida por um fio
Sinto-me feliz à beira de ti
Nosso amor é ainda ardência que dá arrepio.
Faço esta letra respirando saudade
Das palavras que te ouvi
Da chama do amor que trouxe felicidade.
Da saudade da pele macia
Das mãos atrevidas
Do grito de alegria
Dos sonhos e fantasias.

Enrolo-me nestes momentos
Já morro de saudade
Deixo nesta letra meus pensamentos
São gotas da nossa felicidade.

Quero o tempo retardar
Voltar a delirar de alegria
Parar a vida em algum lugar
E viver o tempo que então existia.
Mas das nossas manhãs ficam apenas
Os sonhos que ainda geram felicidade
E nossas noites serenas
Onde sentimos os corações bater de saudade.

rosafogo
natalia nuno