domingo, 12 de dezembro de 2010

EM CÉUS DE POBREZA















Ouço no silêncio da noite, um ruído seco
O vento roubou-me a voz.
Levou-a a alguma viela, algum beco
Da minha terra, da terra dos meus avós.
Por lá ficaram os pássaros de vigia
E eu menina de pés imersos
Esquecida da fadiga
Olhos sem medo, vazia a barriga
Colhendo o sol do dia,
Fazendo versos.

Fiozinhos da nascente
Orvalhados de limpidez
Por lá me fiz gente
Madura de suor e altivez.

Este ruído seco, não me sai da cabeça
Provoca-me e eu parto sem freio,
Antes que a memória amadureça
E me visite a escuridão
Eu volto sim, minha terra ao teu seio
Colher papoilas e pão.

Hoje é dia de vendaval
O vento roubou-me a voz
Sou resto de temporal
Menina , trança, tristeza
Desato da vida os nós
Já fui pássaro de leveza
Na terra dos meus avós.

Fico à escuta de tudo e de nada
Nesta minha ingenuidade
Trago a infância atravessada
Na chama desta saudade.

rosafogo
natalia nuno

Queda

Visto-me de chuva
tropical
quente o momento em que entras em mim
de___________vaga_r
onda sobressalto
salto alto____________________nave___g.a.r
profundo
o
olhar
translúcido
tríptico vitral.

Cais
de embarque
em mim
alma_________ sentidamente etérea
âncora férrea
casco
proa mastro banal
bandeira
virtual
mãos de riso
coração________preciso
bússola
batel.

Ensaio a________fuga
lume de cabelos ácidos
água mercurial
sa(n)grado o mergulho com que ascendo aos céus_________
____véus
de renda em nafta________

__________________o.f.e.r.e.c.e.s-me a tua boca de príncipe
________sorri(S)o orgulho magma
filme
nu
corpo
em
chaga.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Nas teias do teu rasto



Procuro um rosto na multidão.
Uma luz que alumie as trevas.
Alguém que conheci noutras eras
mas de quem já não recordo o nome.

Procuro na margem dos rios
atento ao murmúrio das águas
e nos desolados caminhos de pedra
onde febril me perdi
sem encontrar sinal de ti.

Vim de muito longe.
Onde o fim da noite pulsa
nos confins profundos de uma vertigem
à deriva nos oceanos do tempo.

Já cruzei mil caminhos,
atravessei céus de luz e escuridão
esgravatando a imensidão do vazio
sem sequer cheirar teu perfume
ou o vulto da tua sombra fugidia.

Uma vida inteira não bastou
para achar as pegadas do teu rasto
afundadas nas ruínas chuvosas do pó
e nas rugas arrefecidas dos milénios.

Talvez não passes de uma ilusão
que o vento murmura à noite nos muros;
esboço inútil que rabisco
nos sonhos cegos que alimentam
a névoa triste da minha passagem.

ABRAÇO

abandonei-me ao teu abraço
fogo que nos condensou…
sem palavras …
abraço de embaraço!
as pessoa passavam
ouvia-as distantes
ruídos diluídos
no bater ruidoso do coração!
.
não sentia o solo
balançava no ar
sentidos girando
veloz carrossel,
que turvava a realidade…
os pesos...esquecidos!
.
ascendia às estrelas
apanhava a via láctea
e nesse percurso estelar
sentia-me desfalecer
cega pelos brilhos
cintilantes!
.
apertaste-me mais
as tuas mãos premiam
as minhas costas
eram sábias inquietas
com seus dedos de néctar!
cavalos selvagens
transpirantes
cúmplices de……
suspiros e interjeições!...
12.11.2010

Arrasto-me na lama

Meus pés descalços, cansados,
Caminham lentamente, pesados...
Meu corpo quase inerte e morto,
Ornamenta um esqueleto já torto...
Invólucro bonito, enlaçado,
Interior vazio, destroçado...
O coração já não bate a preceito
E meu respirar tem outro jeito...
Braços descaídos, sem firmeza,
olhar perdido na incerteza...
Meus pés descalços na lama...
Fugindo ao calor desta chama...

Quando o suspiro me fala

Quando o suspiro me fala
no silencio da tua voz
a razão cobre-se de mudez
e o meu olhar reconstrói
as formas
da minha insensatez

No murmúrio dos ventos
e no carpir das chuvas,
o suspiro esvai-se
nas aguas mansas do rio
na suavidade das brumas

E estes lábios ressequidos,
aqueles que nunca beijaste
crispam-se dolorosos
amarfanhando o grito
da minha pequenez

Quando o suspiro me fala
veste a minha alma
de total nudez

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Entre a palavra e um sorriso.




Entre uma palavra e um sorriso.


Pela forma como me divido entre um sorriso e um afecto partilhado à mesma mesa dos que me quiserem ouvir, sentir e ver sorrir, está a verdade absoluta de ser eu num momento, ou eu num lamento, enquanto espero por um sorriso grandioso, que me faça ir e voltar sempre ao mesmo ponto de onde parti. Continuo a mesma a cortar o ar que respiro, só, na consolidação do tempo em que me esperava, e não me via a chegar, junto a todos os que queriam partilhar a vida de mãos dadas. Dou-as a todos os que as quiserem pegar e sentir, quantos gestos e quantas palavras, elas marcaram num conjunto diversificado de formas, que me levem a acreditar num sorriso genuíno, mas não me peçam para sentir nas palavras, o que nenhum olhar distingue. O que a minha alma me diz, enquanto elas se desmistificam, faz de mim um ser em permanente evolução. Serei sempre a parte que doarei inteira num mundo obscuro de formas e lugares, entre os demais que me quiserem seguir, serei sempre o centro, onde reside a vontade, mesmo que anulada ou estrangulada, até que me ouça num novo mundo, até que me distinga eu e só eu, na verdade das palavras ainda por escrever.

Invento-me para que me vejam mais do que simples palavras, e dou-me numa só, aquela que sempre direi, enquanto espero por todas as que se querem só palavras, quando já nada há para escrever. Ditá-las de uma forma inconsequente, é transformar os modos em formas indecifráveis, capazes até de destruir todos os sorrisos que se prestam a seguir-lhes os passos. Nada mais terei para dizer, nem tão pouco escrever, se não souber ouvi-las através da minha voz interior, que não se ouve, nem se vê e nem se sente a palmilhar o chão que meus pés pisam. Contudo, elas estão lá, sempre que fechar os olhos e conseguir decifrar as cores que as transformam em telas refinadas na arte de bem dizer.

(Caminho com elas ao teu lado, para que me decifres na quietude de todas as palavras que se encontram disponíveis, para que no silêncio, se renovem e se expandam através da criação de outras que ainda falta escrever).

Temo por elas, e por nós, seres amorfos, amortizados no mundo dos vivos e condicionados ao mundo dos mortos. Tão moribundas como nós, serão avivadas por todos os sorrisos do mundo que já viram e ouviram um sorriso profundo, chegado da viagem mais fantástica - aquela que nos eleva ao mais alto grau de sabedoria, através de todas as palavras que ainda não se escreveram, mas que esperam o grande dia, a magnificente hora de um longo sorriso, a quebrar as normas impostas por todos os que fazem das palavras, uma sátira de momentos perdidos.


Dolores Marques


"Serei sempre a parte que doarei inteira num mundo obscuro de formas e lugares, entre os demais que me quiserem seguir, serei sempre o centro, onde reside a vontade, mesmo que anulada ou estrangulada, até que me ouça num novo mundo, até que me distinga eu e só eu, na verdade das palavras ainda por escrever."


E é este o mundo onde nos perdemos ou nos encontramos,onde somos o centro de tudo e nos renovamos nos silêncios até ao momento onde as palavras renascerão mais belas ,onde os sorrisos e os afectos se sentarão a mesma mesa e as palavras se ouvirão de uma só voz,cúmplices no desejo se darem as mãos e se tornarem unas,neste novo mundo.



"(Caminho com elas ao teu lado, para que me decifres na quietude de todas as palavras que se encontram disponíveis, para que no silêncio, se renovem e se expandam através da criação de outras que ainda falta escrever)."




é esta a viagem que empreendo aqui neste momento e neste tempo uma viagem ao mais profundo do meu silêncio,onde as palavras se escondem,e onde eu,as procura para lhe dar luz e sentido ,e as traga ao meu viver plenas de vida num momento de rara inspiração.
E nesse momento já não mais as sentirei moribundas,mas ao contrario ,plenas de vida,de luz ,de sabedoria,como esse sorriso vindo longe.E então as palavras serão uma eterna descoberta de mãos dadas com os afectos.
São Gonçalves


Dolores Marques.

É uma escritora multi facetada que escreve de uma maneira magistral sobre todos os aspectos da vida e da espiritualidade.
Nas suas mãos as palavras moldam-se de uma forma subtil aos mundos que ela quer descobrir e desmistificar.
E a poetiza da alma,do mundo interior,da busca pelo conhecimento de si própria e do que a rodeia ,das motivações espirituais ,do conhecimento do que há de mais profundo na vida da humanidade.

Há na sua escrita uma coragem de ir sempre mais alem nas suas capacidades de atingir o inantingivel,de se conhecer no mundo como Ser espiritual onde o corpo vagueia a mercê das incostancias e das variações do tempo que passa,e de um espírito novo que revigora na luz que que vem de outras vivências ,mas e sobretudo,na luz que vem de um plano superior a este pequeno mundo onde nos encontramos.

Dolores Marques tem o dom da palavra e a missão de iluminar o caminho de todos os que a queiram ler.

DESVARIOS















Faz tempo, que do tempo, tempo fiz!
Acaba-se o viver e o tempo basta!
Passou o tempo, que foi tempo de ser feliz?!
É agora o tempo, que desse tempo me afasta.

Trago minha alma perdida num deserto
Coração a bater no peito de ansiedade
E ao invés de alegria, a tristeza trago por perto
Nos meus olhos poços de luz , habita a saudade.

Neste tempo, já nem palavras tenho para dar
O tempo me desarma é senhor omnipotente
Cai sobre mim tão bruscamente!
Só a esperança me vem ainda agasalhar.

É o tempo que passa com firmeza, indiferente
O tempo que se infiltra contra minha vontade
Tempo que goteja sombras sobre mim
Cai sobre mim tão bruscamente!
Eu lhe peço e me despeço é já o fim
Tempo do adeus e da saudade.

rosafogo
natalia nuno

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Peso do Nada

Morre-me na alma um grito mudo
quando
na corrida contra o vento
pedras em avalanche
movidas pela rapidez do tempo
sepultam meus sonhos ardentes
como lâminas incandescentes

sob o peso do nada me estou soterrando

anoiteço-me
ao romper da madrugada

pudera eu pensar-me imaterial
flutuar-me de mim
numa utopia em que me torne real...

Marialuz

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Se eu fosse só eu


(Foto Dolores Marques, vistas s/o Rio Tejo)

Se as minhas dúvidas caíssem
Sobre os fardos de palha
Onde me deito
Quando na terra
Visito os altares de renome
E m’encontro
No meio de todas as lutas
E de todos os pontos
Que me fazem acabar
No meio da escuridão

Se as minhas raízes
Continuassem a descer
Sobre o ventre da terra
E quisessem saber
Das dores de um parto
A colher o sémen
De todas as colheitas

Se eu fosse só eu
Nada me faria largar
O meu eco antigo
A rasgar
As entranhas cristalizadas
Das cavernas
Onde guardo os olhos

Se eu fosse
Uma gota disseminda
A cair-te do alto
Pranto onde se guardam
As dores alheias
Estaríamos os dois
A furar as portas blindadas
De um céu que cedeu
E se fez horizonte
Nas nossas madrugadas

domingo, 5 de dezembro de 2010

Anjo da cabala


Sou o surdo eco de mim mesma
Repito em voz alta as dúvidas
que me assolam e perturbam
e as respostas são a consciência
o castigo intrínseco que carrego
Quero ver-me livre deste karma
chamar-lhe sina, suavizá-lo
dizer apenas que o mereço
mas, isso é dar-me muita importância
e...nem mais essa certeza eu tenho
Talvez o céu me devolva a alma
que a terra teima em esconder
me transforme em anjo da cabala
desejo secreto que acalento
e me persegue a tempo inteiro

AVIS-RARA

Abre as tuas asas, meu amor
Dentro das tuas asas entrarei
E o abraço das tuas penas macias
Destruirá todo o meu desamor.
.
Leva-me nos teus voos ao além
Às terras dos deuses de marfim
Para fruir os aromas exultantes
E ver as cores bizarras e ardentes.
.
Terras virgens da inveja e do ódio
Onde a transparência é imperativa
A alegria tem o esplendor do carmim
E o amor é o pão da nossa fome
.
Abre as tuas asas, meu amor
Preciso tanto de descansar
De sair deste inferno incessante
De agarrar-me às tuas asas e voar!
.
Marisa Soveral

sábado, 4 de dezembro de 2010

Era para ser um poema romântico
























O sopro frio da tua ausência
entrou pela janela mal fechada
do primeiro verso,
rastejou
por entre as sílabas
da caligrafia hesitante,
devorando
toda a métrica febril
das palavras dispersas
entre as margens do papel.

Contaminada pelo hálito
desse sopro doente,
a inspiração perdeu-se
num bater de portas
nos confins da estrofe,
empurrando-me
para o canto da folha,
onde rabisco, em desespero,
o final deste poema
que era para ser romântico

Para lá da linha ténue

Tenho fome e sede e como tenho estas necessidades
tento desvendar os segredos,
os sons da noite
os silêncios esquecidos do dia…

As horas cantam
o sono amortece
o canto das cigarras
para lá da linha ténue
em que a fome e a sede se saciam…

O sono é parente morno
da insónia que veste a noite
de fragmentos da aurora…

Os raios de sol
aconchegam os segundos
que latejam no relógio nas dobras do tempo,
a fome e a sede são mutações
descodificadas na efemeridade do vazio…

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

SEREI CONTRADIÇÃO



















Meu caminho é já uma imensidade
Trago nele um cheiro a terra molhada
À noite, descanso na saudade
De dia sinto a vida a fugir, lembrança passada.
E há lembranças no meu peito em brasas
Me abandono nelas como se fossem tempo presente
Lembranças chegadas de longe, trazem asas
Impossível é o regresso é sonho sómente.


As desenrolo nas insónias, e me deleito
E nasce um sonho imenso maior que o mar
Sou livre nesta morada onde me deito
E onde fico livre só para amar.

Estas lembranças mantêm vivo meu caminho
e meu querer.
E eu persisto que meu corpo há-de resistir
Hei-de desdobrar o tempo vizinho
hei-de viver
O tempo esse ignora o meu querer,
serei contradição, saberei fugir.

Memórias que são lenha p'ra me aquecer
Que ao recordar me deixam enfeitiçada
De madrugada me deixam adormecer
Para redobrar forças nesta minha caminhada.

natalia nuno
rosafogo

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Esse Navio



Nesse mar profundo te perdeste…
Nesse navio, qual palácio,
Navegaste pelo mar do mundo.
Deixaste meu ser solitário.
Segui-te no meu imaginário.
Dancei contigo,
Nas noites dos bailes de gala.
Nadámos,
Nas piscinas do navio flutuante.
Trocámos nosso amor,
No amor sentido, perdido…
Nesse navio do mar profundo.
Ah se eu pudesse!
Comprava o braço do mar,
Para ter esse navio!

FANTASMAS DA CIDADE



Noite fria, gélida…
O bafo é fumo quente…
Levanto a gola do casaco
Aconchego a «charpe»
Pelas ruas pouca gente…
Mas muitos fantasmas
Corpos escondidos
Nos recantos
Cobertos de solidão!
Muitos…muitos…tantos!...
.
No calor do néon
Da zona comercial…
Aí está a sua cama
Os pertences numa saca…
a garrafa, o naco de pão…
Sombras na cidade sombria
Enroladas num cartão!
.
Que vidas!..
Caminhos de perdição?
Marginalidade um ditame?
Por querer ou não querer
Essa dura condição?
.
Foram crianças de colo…
Amaram e foram amados…
Com sonhos e pesadelos…
Ou não!..
E acabaram despejados!
.
Chegaram à asfixia
De «não vale a pena»!
Ou «que hei-de fazer desta vida»?
Viver é coisa pequena
Seja curta ou comprida!
.
Sinto frio…muito frio…
Um frio não só corporal
Sinto raiva…muita raiva…
Desta vida problemática
Deste mundo desigual!

14.11.2010

Marisa Soveral

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Máscaras

 
(imagem retirada da internet)


Canso-me depois de me cansar, gasto-me depois de me gastar…
Acalma-te coração, não vale a pena a inquietação.

Não deixes as rugas chegarem e se enraizarem,
Respira fundo, na transpiração do rubor em desatino
No desalinho das mentes cansadas das máscaras
Se desmascaram a si próprias, constantemente.

Ouvem-se vozes em harmonia, dia a dia,
Vêem-se rostos de tristes criaturas contentes,
Enchendo os bolsos, cantam, riem, dançam,
Na virtualidade da vida vivida sem existência.

Nessa senda de existência sem vida, na mentira
Mentem ao sabor do ar que respiram,
Ouvimos nós boquiabertos, sem resposta
Ao devaneio louco do embuste aceite pela sociedade.

E assim acaba a história, pois assim se quer
Pensar cansa a beleza, da inimputável gente
… que somos no mundo… mas que mundo?!
Que gente, que futuro, que moral, que valores?!

Permaneço na inquietação de ter que me acalmar.
 
 

domingo, 28 de novembro de 2010

Insónia profana



No silêncio das noites de insónia
vultos febris rondam
as areias remotas dos desertos
soterrados dentro de mim.
Salteadores sem rosto nem identidade
envoltos em turbantes de poeira
vêm, à luz de velhas tochas,
pilhar os túmulos arrefecidos da memória.

Acampam em tendas de ventania
nos vales extintos do passado;
batem com as picaretas no solo,
enfiam as pás nas fendas esconsas
e escavam, revolvem, profanam
as riquezas e misérias deste templo,
trazendo à luz anónima do luar
aquilo que estava destinado à escuridão
e às sepulturas eternas do esquecimento.

A Imponderabilidade Dos Sonhos

Todos os meninos
têm sonhos
inventam as viagens
com seus barquinhos de papel
que colocam
sobre um fio d´água
exploram as terras
com seus aviões d´ aerograma
que entranham no vento
com uma linha invísivel

Por vezes
nao

Limitam-se
a viver e morrer
sobre
o fio
da linha

LSJ , A Madrugada De Lucas , 281120100731