quarta-feira, 24 de novembro de 2010

É o tempo que me abraça


















Vagueio na noite… tal fantasma
cobrindo-me de sombras fugidias
é o tempo que me abraça
nas encruzilhadas do caminho
e por travessas e becos acolhe-me
a saudade em desalinho
mas o teu olhar protege-me
das raízes emaranhadas de seda
que roçam as minhas mãos
impotentes

No tudo da vida prevalece
o nada obscuro do destino
alheio de mim

Já não me encontro nos dias
que passam... aqui ao me lado
...ignorando-me

São as pétalas que se escondem
nos aparentados espinhos
pontiagudos... felinos

São as cores desbotadas
da camuflada paisagem
e o quadro que se quebra
estilhaçando a doce aragem

Sou eu, és tu…. que te tens
nas trevas do dia
da luz que se esvaísse
no limiar do limbo

È a terra rodopiando
a vida... renascendo
no principio do enlaço fatal

Nada tido, sem sentido

Nada tido
Sem sentido.
Palavra oculta
Sente culpa
Nada diz
É feliz.
O mundo sente
Palavra não mente
Tudo expressa
Nesta grande peça;
Palavra parida
É próprio da vida
Palavra sem nexo
Universo complexo;
Caminho armadilha
Poeta que brilha
Ao sabor de versos
De sonhos dispersos.
Escreve, é feliz
Texto que condiz.
Sofre, escreve
Esta felicidade é breve?!
É eterna enquanto dura
É sentimento de escravatura?!
É  ~l~i~b~e~r~d~a~d~e~
É vontade
É terapia
De anomalia
Euforia
É carta de alforria.


 
Nada tido
Sem sentido.
Anomalia
Não é agonia.
Normal
É disfuncional.
Palavra desgarrada
Em versos apanhada
Metáfora inventada
Rima alucinada
Que diz, nada!



Eufemismo
Disfemismo
Ironia
Alegoria
Palavra tida
Contrapartida
Emoção
Em ebulição
Alma a latejar
As palavras a jorrar
Oceano tumultuoso
Tsunami de gozo
Arraial de excitação
Viagem ao coração.
Mente alucinada
Extravasada
Esvaziada
Apressada
Sangue a ferver
Versos a escrever!



Nada tido
Sem sentido!


7 de Junho de 2010
Clarisse Silva


terça-feira, 23 de novembro de 2010

MEU AMOR...



Eu digo ao teu ouvido
Palavras de amor, não duvides!
Ouve, são palavras de amor intenso!..

Vê o meu sorriso,
este sorriso é só teu!
Lembra-te do meu sorriso comum
De sobriedade
E como ele agora mudou
Espelhando felicidade!


Toco o teu corpo
Estrada para os meus dedos
Vaguearem carícias de pele
E na tua pele escrevo
AMO-TE, ADORO-TE…
Risco viajante e vagabundo
Na pele inspiradora
Lá fora é o deserto
Tu és o mapa-mundo!


Entras em mim
Lacrimejo o teu corpo
Na tortura do desejo
Desgrenhado
E ávida cotejo,
Na luta corporal
E latejo!


Lábios que beijam e sussurram
Meu amor…meu amor
Pelo teu corpo
Libertador!
Quero o suplício
A tortura
Sou tua escrava
Com a tua bravura
Dentro de mim
Escava!


Não são apenas palavras
São amputações do espírito!
Entrego-me em aluvião
Incondicionalmente
Em ti busco o infinito!

23.11.2010

Marisa Soveral

Portagem

Das jornadas,
erguem-se entre paraísos
sequências de portas fechadas

trancadas.

Há…

Destempo apressado.
Certo.
Momento calado
onde a dor é reflexo
no espelho quebrado
de nós.

Ainda…

Tempo estagnado.
Incerto.
Protesto pesado
quando o grito é livre
no plangendo arrastado
da voz.

Do raso
espaço dobrado, o fundo
vaza, apartado, confinado
ao passado.

Um
tempo por vir…

E a luz de outro sol
derramada, sobre a razão
de um novo mundo,
guia-nos pelo chão.

APENAS LEMBRANÇA!



















Sabia que mais cedo ou mais tarde
Na solidão dos dias futuros
Haveria de soltar suspiros de saudade
Acendendo na memória, pedaços já escuros.
Nas horas de lassidão
Deixo-me esquecida do presente
Relembro imagens distantes
Esqueço do tempo os estragos
Fico ausente!
Na poeira do pensamento,
na leveza dos instantes
Deixo meus fantasmas amargos.

Do meio do nada
Surge a recordação em mim derramada.
Cada lembrança me traz o sorriso à boca
Cada palavra escrita é linguagem de criança
Lançada ao acaso, coisa pouca!
Apenas lembrança!

E as palavras ganham asas, são esperança
E me sinto eternamente viva.
A recordar...
As minhas raízes a que já não me posso agarrar
Mas às quais me sinto cativa.

natalia nuno
rosafogo

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Na Matriz das Borboletas

Rasgou a ponte e abriu os poros
às margens férteis do novo tempo

não há sombras
neste rio
onde acordam entoações de primavera
e voos de linhos respiram na janela

procura-se
no fundo de manhãs a cores
reinventa-se na matriz das borboletas

desprende os anseios na vertigem da bruma
é pedaços de vento
desenhando os passos em árvores nuas

decifra sensações
na estrada sem distância
onde os mapas paralelos se entrecruzam.

Marialuz

domingo, 21 de novembro de 2010

Ode ao moribundo

No dia em que eu for
encetar a viagem
de ida sem volta
não quero que chorem
nem que se delonguem
a me idolatrar

Não vou deixar o mundo
sem antes excrever
a ode ao moribundo

Quando se lembrarem
que sempre cá estive
quando foi preciso
mas nunca houve tempo
para me dispensarem

AMORES MORIBUNDOS



Ouço ainda o rumor dos teus lábios de cinza
a espernear de encontro às tábuas gastas do meu peito,
e dou por mim, num delírio febril,
a murmurar as sílabas nostálgicas do teu nome,
que dançam, numa vertigem de fumo,
ensombrando os versos obscuros do poema.
Um pássaro de cera derretida,
pousado no luar arruinado dos meus ombros,
digere a ressaca de um eco distante,
no vazio destroçado do papel,
onde tento fixar as últimas sombras
do teu sorriso desfeito.

Vozes escondidas murmuram nos recantos da memória
a litania decadente dos ventos,
invocando, num ranger de ossadas,
a réstia contaminada de remotos sonhos
enterrados dentro de mim.
Sacudindo o feitiço,
acendo as palavras efervescentes do teu nome
e deixo-as, a queimar, no rebordo encardido do cinzeiro,
entre duas baforadas de fumo baço
e a insónia lenta da tua ausência,
renegando para os confins do poente
aquilo que já não me serve.

Esta noite, num derradeiro gemido,
entrego o teu rosto calcinado
às chamas fugazes do esquecimento
e, definitivamente, te fecho a porta.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Solta(S)

trémula a folha
cai
em sangue o Outono
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
visto-me de ti
em nuances de fogo
o olhar mareado de lágrimas estivais
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
dormes no meu corpo
o son(H)o
virgem guerreiro sem tempo
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
busco num poema
a força
do carvalho refeito cor(es)
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
sei o som
da morte
da vida em musica celebrada
VIVO

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PARA ALÉM DO TEMPO

















PARA ALÉM DO TEMPO

À Vida me agarrei por mais um dia
Contei segredos ao travesseiro
Chega a tarde e me põe sombria
A sós com lembranças d'algum dia
E o passado na memória por inteiro.

A fazer-me lembrar mais um ano
Perversa a Vida, me leva ao engano.

Sempre igual parecendo diferente
E sempre o sonho morrendo com a gente.

Quando tudo parece a chegar ao fim
Há uma raiz que não desprende
Um pressentimento d'outro tempo em mim
O acolher dum sonho que ninguém mais entende.
E é como se meu corpo de novo se tivesse erguido
Liberto do tempo e da idade
E em minhas palavras  um sonho estremecido
Este sentimento que em mim se aninha a SAUDADE.

natalia nuno
rosafogo

Provei-te

Provei teu licor,
no amargo doce do entardecer.
Provei teu mel,
no doce amargo de ser.
Provei teu calor,
na doce ternura do sentir.
Provei teu odor,
no perfume amargo do trair.
Provei-te num todo,
no doce amargo de te querer.
Provei-te,
no doce imaginário do viver.

Águas límpidas

Desenho uma flor
nos traços subtis de um poema
em sépalas de luz
coroando o pólen
na ponta fina dos dedos
em lapsos dos segundos
entre orvalhos e poeiras
com os salpicos de nuvens
que me aconchegam
a voz no perfil do infinito
que absorvo
nos pináculos do silêncio
onde me dispo
e revisto de águas límpidas
a fonte que guia
as correntes sem estagnar
a luz inebriante
como o vento que canta
nos cumes da montanha
que todos os poros fecundos
encontram para lá dos muros
erguidos pelas mãos alheias
em ruídos
que o silêncio não obtempera…

Ana Coelho



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

No Lado De Lá Da Chuva


Se ao menos eu pudesse
cerrar a ventania das manhãs
fragmentar as janelas de baças trajectórias
gementes
desnudas
no lado de lá da chuva

sentar-me ao lado das memórias
durante as areias da maré baixa
e espelhar a eternidade no teu olhar

aquecer as tuas mãos
no encantamento da pedra
tão macia
tão eterna
tão acolhedora dos sentidos das palavras

se ao menos eu soubesse
saltar de dentro do tempo
saber-me
em uníssono
a tempo inteiro
aqui

onde pertenço
no lado de cá da chuva.

Marialuz

Ciclos

Os
ciclos.
Na Primavera
um arvoredo colhe pássaros
e vida ao céu, com ramos atulhados
de verde e de sol. Por dias incertos, que passam
depois indiferentes, em asas de Inverno. E, um raio de luz
matinal, ainda não se fez esquecer, quando a lua
já se deita, ao lado de tanta dor. A compressa
ao peito, cheia de vida, cheia de pressa.
Imensa, efémera. Breve,
tão permanente.
Morro.
Eu.

domingo, 14 de novembro de 2010

"São rosas, senhor, são rosas"

Se eu soubesse
fosse lá o que fosse
seria o canto da epopeia Lusíada
ou talvez os Jerónimos contruídos
na meia-praça larga e redonda
dum Tejo em cima da cabeça do Cristo-Rei
provavelmente o Rossio
na ponta das asas das pombas
que voam no coração das crianças
e de seus pais,pardais no voo delas,
com o Dona Maria a interpretar
para todos ,o acto primeiro
do Teatro que representa
o supra-sumo,imitação dum virtual
virtualmente real
ou a realidade eregida na virtualdade
perpassando a idade
do princípio até ao fim
dos corações de terra e jasmim
das mariposas de bom-bom e Bombaim
A Rainha Santa Isabel
abraçada à Padeira de aljubarrota
no enlace do pão e da frota
alargando a roseira e a bondade da rota
que "São rosas, senhor, são rosas"!
talvez dos bosques o Robin
sem arco nem flecha
apontando no alvo da brecha
lançada à banda desenhada
duma idade por alguns conquistada
traria a floresta para Alfama
e todas as àrvores para a Avenida de Roma
César haveria de cair,andar de lado ,
cambalear no cavalo de D.Afonso Henriques
a Estufa Fria arderia no calor
de todas as flores em ardor
num amor de beijos colossais
primavera de cisnes alados
sono e sonho na mão da vendedeira de violetas
pintadas na face
da peixeira que canta
o peixe e a traineira
podia ser mesmo
o cacilheiro rasgando o Veleiro
navegando na estátua de D. João I
ou Vasco da Gama dos dias de Bartolomeu
que re-escreve a história
da Julieta e do Romeu
qual Shakespeare num palco
teu e meu,nosso,vosso
ou o Palácio de Queluz
mote do fado com tasquinhas de gala
duma Amália e dum Marceneiro
com cantares d’andorinha
sobre os telhados do porvir
MadreDeus Ainda o Existir
na vinha , uva, bago, vinho,
a beleza-maresia despertando o Terreiro do Paço
testemunha do que veio e do que faço
e se não faço nada é porque
erraram a avenida e o traço-traçado dela
Santo Antoninho vem junto a mim
semear rosas e perfumar o jardim.


Luiz Sommerville

Eis no blog seguinte um plágio descarado deste texto :
http://abylyo66.blogspot.com/2010/11/sao-rosas-senhor-sao-rosas-se-eu.html

Nó Cego

Preenches-me as horas com obstinada precisão, que se me abstrair e tentar deslindar este nó cego de mim, não sei quando chegaste, ao que vieste e porque ficaste. Sei apenas que atada a ti, me sinto bailar entre o luar de primavera e o alvorecer de um dia feliz.
Deslizas pelo meu pensamento com a desenvoltura de uma nascente que corre em busca da foz. Difícil, quase impossível, é evitar que te graves em mim. Mais ainda.
Debalde, tento racionalizar, tento virar-me do avesso, tento olhar-te sem te ver, tento, tento, tento… E falho.
E neste exercício de não te querer, de não respirar qualquer emoção, nesta vã tentativa de desatar o nó, acabo presa ao teu olhar... e maravilhada com a tua essência.

SINA



Carrego o corpo dormente daquilo que fui
na memória penosa de passos arrastados,
buscando na erosão prolongada dos dias
o fio débil do meu destino suspenso,
traçado a giz no compêndio dos astros.
Nenhuma certeza habita meus pensamentos.
Perdi-me algures, naquilo que nunca fui,
incapaz de ser aquilo que me penso
ou o que em delirantes sonhos concebo
na inércia pardacenta de velhos muros.

Uma vertigem de caminhos enredados
leva-me ao dédalo angustiante das noites
que me afastam dos portos da infância,
onde bebo o espólio das quimeras vencidas,
envolto no assombro do nada que me cerca.
O mistério insolúvel da minha identidade
não mo revela o oráculo divino dos ventos,
nem os lábios arrefecidos da esfinge se movem
se lhe pergunto porque me tremem os dedos
quando escrevo sobre o que não aconteceu ainda.

O que serei amanhã, que hoje não sou?
O que deixarei nas margens do incerto
quando o entardecer bater com a porta
levando a luz subtraída ao pó das manhãs?
Trará o futuro algum sonho por reclamar,
ou apenas me aguarda o clamor da alma
ruindo no marasmo da ultima escuridão?
Todas as dúvidas me condenam ao vazio
e ao caminho ermo, que não me devolve
o sentido perdido, lá longe, no dia em que cresci.

Onde me retornará minha sina difusa
quando se esgotarem todos os caminhos
destas linhas cruzadas do destino
no suor enrugado da palma das mãos?

(De) Passagem

Acordo a vida que há num respirar intenso
notas de melodias inventadas em cada olhar que me aquece
escrevo(-me) em palavras repetidas
sempre novas
leituras proibidas
d.i.v.i.d.i.d.a.s
sei de cor o caminho que me perde de mim
apr(e)endo
p a s s o a p a s s o
momentos
em
que o voar
é o regresso.
A dor é apenas (um) sinal de que o vómito espreita.
Saio de mim
e
ressuscito
(em) musica.
Como se o meu corpo fosse apenas alma.

sábado, 13 de novembro de 2010

no último dia das marés vivas

O lençol
de água, reflecte
agonia no dorso dos cavalos enraivecidos
que se afogam e morrem na corrente, que aprisiona,
a força na mente das pedras. Galoparam,
com o brilho das estrelas
agarrado às crinas
na sede
de beber a lua
de um só trago, mas de nada
lhes valeu a
viagem.

Medo de morrer?

Não,
medo de viver
na brevidade da onda.
O destino, em brados de vontades submersas,
poderá apenas ser o abismo, onde, pelo voo incerto
de uma gaivota, o longo xaile negro,
cobre o oceano no último dia
das
marés vivas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Onde estão todos os poetas?


A marca de todos os poetas que sem saberem que o são, são-no na proporção das palavras que escrevem.

Onde estão todos os poetas que cairam, por não saberem onde marcar com as suas palavras um pouco de chão?

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sommerville
Comentário Publicado: 12/11/2010 14:19
Onde estão ? Parece-me que Dakini sabe onde eles estão e sobretudo quem são , esforcei-me aqui por não marcar o chão ! Eu não sou poeta !Inquietante a questão que colocas , e que de inquietos são os dias meus , talvez o sejam por falta de marca ou por sobra de andar a não querer calçar umas botas bem pesadas pra que nada nem ninguém duvide da marca profunda que não deixei ...
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AnaCoelho
Comentario Publicado: 12/11/2010 14:24 Usuário desde: 09/5/2008

Sim onde estão? Também os procuro, não os encontro neste desencontro em que as palavras caem no chão, um chão vazio onde os passos silênciosos dos pés buscam esses poetas que talvez por cansaço largaram as mãos e partiram em busca de um ar leve nas brisas da universalidade...