domingo, 14 de novembro de 2010
SINA
Carrego o corpo dormente daquilo que fui
na memória penosa de passos arrastados,
buscando na erosão prolongada dos dias
o fio débil do meu destino suspenso,
traçado a giz no compêndio dos astros.
Nenhuma certeza habita meus pensamentos.
Perdi-me algures, naquilo que nunca fui,
incapaz de ser aquilo que me penso
ou o que em delirantes sonhos concebo
na inércia pardacenta de velhos muros.
Uma vertigem de caminhos enredados
leva-me ao dédalo angustiante das noites
que me afastam dos portos da infância,
onde bebo o espólio das quimeras vencidas,
envolto no assombro do nada que me cerca.
O mistério insolúvel da minha identidade
não mo revela o oráculo divino dos ventos,
nem os lábios arrefecidos da esfinge se movem
se lhe pergunto porque me tremem os dedos
quando escrevo sobre o que não aconteceu ainda.
O que serei amanhã, que hoje não sou?
O que deixarei nas margens do incerto
quando o entardecer bater com a porta
levando a luz subtraída ao pó das manhãs?
Trará o futuro algum sonho por reclamar,
ou apenas me aguarda o clamor da alma
ruindo no marasmo da ultima escuridão?
Todas as dúvidas me condenam ao vazio
e ao caminho ermo, que não me devolve
o sentido perdido, lá longe, no dia em que cresci.
Onde me retornará minha sina difusa
quando se esgotarem todos os caminhos
destas linhas cruzadas do destino
no suor enrugado da palma das mãos?
(De) Passagem
Acordo a vida que há num respirar intenso
notas de melodias inventadas em cada olhar que me aquece
escrevo(-me) em palavras repetidas
sempre novas
leituras proibidas
d.i.v.i.d.i.d.a.s
sei de cor o caminho que me perde de mim
apr(e)endo
p a s s o a p a s s o
momentos
em
que o voar
é o regresso.
A dor é apenas (um) sinal de que o vómito espreita.
Saio de mim
e
ressuscito
(em) musica.
Como se o meu corpo fosse apenas alma.
sábado, 13 de novembro de 2010
no último dia das marés vivas
O lençol
de água, reflecte
agonia no dorso dos cavalos enraivecidos
que se afogam e morrem na corrente, que aprisiona,
a força na mente das pedras. Galoparam,
com o brilho das estrelas
agarrado às crinas
na sede
de beber a lua
de um só trago, mas de nada
lhes valeu a
viagem.
de água, reflecte
agonia no dorso dos cavalos enraivecidos
que se afogam e morrem na corrente, que aprisiona,
a força na mente das pedras. Galoparam,
com o brilho das estrelas
agarrado às crinas
na sede
de beber a lua
de um só trago, mas de nada
lhes valeu a
viagem.
Medo de morrer?
Não,
medo de viver
na brevidade da onda.
O destino, em brados de vontades submersas,
poderá apenas ser o abismo, onde, pelo voo incerto
de uma gaivota, o longo xaile negro,
cobre o oceano no último dia
das
poderá apenas ser o abismo, onde, pelo voo incerto
de uma gaivota, o longo xaile negro,
cobre o oceano no último dia
das
marés vivas.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Onde estão todos os poetas?

A marca de todos os poetas que sem saberem que o são, são-no na proporção das palavras que escrevem.
Onde estão todos os poetas que cairam, por não saberem onde marcar com as suas palavras um pouco de chão?
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sommerville
Comentário Publicado: 12/11/2010 14:19
Comentário Publicado: 12/11/2010 14:19
Onde estão ? Parece-me que Dakini sabe onde eles estão e sobretudo quem são , esforcei-me aqui por não marcar o chão ! Eu não sou poeta !Inquietante a questão que colocas , e que de inquietos são os dias meus , talvez o sejam por falta de marca ou por sobra de andar a não querer calçar umas botas bem pesadas pra que nada nem ninguém duvide da marca profunda que não deixei ...
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AnaCoelho
Comentario Publicado: 12/11/2010 14:24 Usuário desde: 09/5/2008
Comentario Publicado: 12/11/2010 14:24 Usuário desde: 09/5/2008
Sim onde estão? Também os procuro, não os encontro neste desencontro em que as palavras caem no chão, um chão vazio onde os passos silênciosos dos pés buscam esses poetas que talvez por cansaço largaram as mãos e partiram em busca de um ar leve nas brisas da universalidade...
terça-feira, 9 de novembro de 2010
PROMETER
Poderias prometer escrever cartas de amor todas as noites
De todas as cores, todos os dias de todos os messes, mas não sei…
Esgotarias as florestas e não me parece…
Poderias prometer o brinde das ostras ou…
Prometer…ah! Poderias
Um edifício de sangue à unha do verbo prometer
Eu sei… A via láctea!
Quanto ao prometido que ficaria do prometer seria a do tempo arder
Quando a única promessa que realmente conta no querer
É ter para poder dizer;
EU AMO-TE PORRA
Espera, não digas o Porra!
De todas as cores, todos os dias de todos os messes, mas não sei…
Esgotarias as florestas e não me parece…
Poderias prometer o brinde das ostras ou…
Prometer…ah! Poderias
Um edifício de sangue à unha do verbo prometer
Eu sei… A via láctea!
Quanto ao prometido que ficaria do prometer seria a do tempo arder
Quando a única promessa que realmente conta no querer
É ter para poder dizer;
EU AMO-TE PORRA
Espera, não digas o Porra!
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
VERTIGEM ANÓNIMA
Sigo o rumor cego dos dias curtos
que se esfarelam nos dedos enrugados
de um demónio que habita um saguão de sombras,
por detrás da porta onde pulsa o cabide
em que penduro, ao fim do dia, o rosto que não rima.
Às voltas ainda com a inércia das palavras,
tropeço na abstracta caligrafia da névoa
e na paisagem abandonada dos meus passos,
quando o vento se levanta, sonâmbulo,
nos patamares gastos dos parágrafos cinzentos
e um coro de vogais soletra na encruzilhada
a derradeira luz do dia.
Nenhuma palavra me diz quem sou,
nenhum verso sabe o que faço aqui,
nesta folha suja onde nada escrevi;
tinta seca que o vento corrói
no empedrado dos fonemas onde me perco.
Persigo uma estrofe de incertezas
através da maré de pontos de interrogação
e me afundo num labirinto de sílabas,
sem atinar com o caminho
que me leve ao final do poema
ou me faça regressar à luz do primeiro verso.
Gosto-te, Amo-te, Mimo-te
Tenho que me habituar a estas fugas
estes retiros teus
tal como aceitas os retiros meus
mas
espero-te no encontro
de todos dos dias com todas as noites
estes retiros teus
tal como aceitas os retiros meus
mas
espero-te no encontro
de todos dos dias com todas as noites
Não sei bem...
como o amar, gostar, mimar alguém
o possa fazer sofrer
ao ponto de não se dizer
de não se ter
de não nos ter em Amor
e amor em amor
em amigo
e amigos em amar
como o amar, gostar, mimar alguém
o possa fazer sofrer
ao ponto de não se dizer
de não se ter
de não nos ter em Amor
e amor em amor
em amigo
e amigos em amar
Gosto-te
Amo-te
Mimo-te
Meu querido amor
Meu querido amigo
Meu tudo
Em tudo o que sou
Amo-te
Mimo-te
Meu querido amor
Meu querido amigo
Meu tudo
Em tudo o que sou
domingo, 7 de novembro de 2010
O Regresso Do Tempo
Voam no azul as aves brancas
recortando o tempo certo
atravessam do sonho as vestes
meia dúzia de palavras
aninhadas em ramos suspensos
das estrelas
essas que implodem o vazio dos ventos
arautos da boa nova
bússola dos harpejos da memória
o jardim é azul
a porta muito ampla
evoca sobre as tábuas o círculo do sol
explode na planura quente dos vinhedos
o céu ondula
é real o azul das águas na labareda dos olhos
desenhando o horizonte
é azul o sopro do vento
quando pressente o regresso do tempo.
Marialuz
recortando o tempo certo
atravessam do sonho as vestes
meia dúzia de palavras
aninhadas em ramos suspensos
das estrelas
essas que implodem o vazio dos ventos
arautos da boa nova
bússola dos harpejos da memória
o jardim é azul
a porta muito ampla
evoca sobre as tábuas o círculo do sol
explode na planura quente dos vinhedos
o céu ondula
é real o azul das águas na labareda dos olhos
desenhando o horizonte
é azul o sopro do vento
quando pressente o regresso do tempo.
Marialuz
Motim
Geme o verso
na gota de chuva,
sulca o rosto vencido
rumo à foz revoltada.
Clama o corpo em fúria
amotinado
E no dilúvio implacável,
o poema acontece
(23/02/2010)
na gota de chuva,
sulca o rosto vencido
rumo à foz revoltada.
Clama o corpo em fúria
amotinado
E no dilúvio implacável,
o poema acontece
(23/02/2010)
Perdido o meu corpo

Perdido no perfume estonteante,
meu corpo flutua no lúbrico verbo,
do irracional desejo em fulgor
diluem-se os sentires extrínsecos
nos intrínsecos vertiginosos do amor
O gemido silencioso torna-se diamante
no prazer suspirante da doida luxúria
danças exóticas sucedem-se em vértice
no crepúsculo espasmódico da incúria
O olhar perde-se na brandura longínqua
goteja os meus olhos de prazer roubado
torna-se premente a sublime presença
do corpo distante num tempo parado
Meu corpo relaxa trajado de doce paz
no murmúrio sussurrante do ser amado
adormeço nos braços cálidos da quimera
tal pássaro deslizando num sonho alado
sábado, 6 de novembro de 2010
Palpitações que sorriem dentro de mim!
O Outono grita pedaços de Inverno
dançam as nuvens em balbúrdia
no ventre do céu…
Pelos vidros escorem
gotas aconchegadas pelo vento,
o silêncio verte sussurros
num cântico vestido de branco.
A noite procura os vértices da madrugada
onde os corpos se vestem de palavras mudas!
Escorrega-me o pensamento
na ponta fina dos dedos,
balançam em mim metáforas
que se despem na contra luz das emoções!
Assobiam as folhas das árvores
a minha voz ausculta os sons
no fim da aurora,
os lábios vociferam acordes de silêncio,
palpitações que sorriem dentro de mim!
Ana Coelho
dançam as nuvens em balbúrdia
no ventre do céu…
Pelos vidros escorem
gotas aconchegadas pelo vento,
o silêncio verte sussurros
num cântico vestido de branco.
A noite procura os vértices da madrugada
onde os corpos se vestem de palavras mudas!
Escorrega-me o pensamento
na ponta fina dos dedos,
balançam em mim metáforas
que se despem na contra luz das emoções!
Assobiam as folhas das árvores
a minha voz ausculta os sons
no fim da aurora,
os lábios vociferam acordes de silêncio,
palpitações que sorriem dentro de mim!
Ana Coelho
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
ADEUS

Adeus...
Nos lábios
mordo o desejo
de te eternizar num beijo,
Nos olhos
apago as velas
rasgadas por vis procelas,
Nos braços
prendo o momento
onde expira o meu lamento...
A ti me prendo!
A Deus eu peço...
Que faça ruir o templo
Onde me ditam exemplos,
Que me cubra da sua dó,
Que não me limite ao pó,
Que me deixe beber do cálice
Deste último e intenso enlace!
A mim te prendo!
Adeus te nego...
E nem o vento, o mar, a morte,
Rasga o abraço eterno e norte,
Que faço guia, estrela e lembrança,
Mesmo que a Vida me leve a Esperança!!
Adeus...
Adeus...
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Eritrocitamente

Roubaram-me plasma para analisar
o braço estás prestes a arroxar
senti a picada, prefiro não ver
volto logo a cara, não me dá prazer
Sai uma gota vermelha de raiva
hemáceas plaquetas que de uma
assentada servem de colheita
O melhor é que nem sequer dei por nada
Romperam-me os vasos de cor sanguinária
eu tenho pavor, confesso-me aqui
levei a urina, hoje fiz chichi
pr'o frasco de plástico e fiz a análise
agora só resta esperar o resultado
Sou um ser saudável, a Deus agradeço
de resto sou eu que recuso doenças
e corre-me o sangue de novo nas veias
Captei a voz da alma
Escorrem em mim as palavras,
Sinto o sangue,
Como um rio
Brotando a alma.
É o verso,
Que ondula suavemente,
Germinando em rosas,
Que perfumam as minhas mãos
Fecundando o poema.
Deixo-me levar,
Velejando nesta paixão
Que conquista o meu ser
Ardósia que regista,
Os gestos de sentimento.
Afinal escrevo…
Fluindo letras e letras vãs
Forjam uniões
Que conquistam as folhas vazias
Onde repousam para um olhar.
Um dia…
Assim espero,
Serei voz e música
Abençoado pelo sonho
Que ousei ter.
Sinto o sangue,
Como um rio
Brotando a alma.
É o verso,
Que ondula suavemente,
Germinando em rosas,
Que perfumam as minhas mãos
Fecundando o poema.
Deixo-me levar,
Velejando nesta paixão
Que conquista o meu ser
Ardósia que regista,
Os gestos de sentimento.
Afinal escrevo…
Fluindo letras e letras vãs
Forjam uniões
Que conquistam as folhas vazias
Onde repousam para um olhar.
Um dia…
Assim espero,
Serei voz e música
Abençoado pelo sonho
Que ousei ter.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Teias
Fez-se noite na madrugada
guiam-me os reflexos cegos
no infinito corredor
dos espelhos.
Tombo ou prossigo?
Desço ao pôr-do-sol dos instantes
onde me reconheço
nos ponteiros dos assuntos pendentes.
Há um espaço demorado
mudo tardio oxidado
onde o frio agride a face
e os passos quebram as asas
na ausência do olhar.
Brotam teias da janela
deixo a vidraça sangrar.
Recolho o vento entre os dedos
escoa-se o tempo
alheio ao chamamento da moldura
inacabada.
Marialuz
guiam-me os reflexos cegos
no infinito corredor
dos espelhos.
Tombo ou prossigo?
Desço ao pôr-do-sol dos instantes
onde me reconheço
nos ponteiros dos assuntos pendentes.
Há um espaço demorado
mudo tardio oxidado
onde o frio agride a face
e os passos quebram as asas
na ausência do olhar.
Brotam teias da janela
deixo a vidraça sangrar.
Recolho o vento entre os dedos
escoa-se o tempo
alheio ao chamamento da moldura
inacabada.
Marialuz
Conta-me sobre esse amor…
Conta-me sobre esse amor…
Conto-te
Sobre o sentimento ardente
A fluir no peito…
Conto-te
Sobre as minhas asas ocultas
Que me permitem vislumbrar
Realidades esquecidas
Outras desconhecidas…
Conto-te
Sobre o aconchego interior
Depois do pleno da paixão
Reflectido na lágrima
Que escorre pela face
Deixando-me ainda mais
Irradiante…
Conto-te
Sobre o preenchimento
Que me invade…
Sobre a solidão que partiu
E a chegada d’ alegria
A luz em cada dia…
Conto-te
Sobre a relatividade
De todas as coisas
Perante a companhia…
O olhar em sintonia
E o sorriso subtil
Que dele resulta…
Conto-te…
Conto-te…
Mas sinto muito mais.
Conto-te
Sobre o sentimento ardente
A fluir no peito…
Conto-te
Sobre as minhas asas ocultas
Que me permitem vislumbrar
Realidades esquecidas
Outras desconhecidas…
Conto-te
Sobre o aconchego interior
Depois do pleno da paixão
Reflectido na lágrima
Que escorre pela face
Deixando-me ainda mais
Irradiante…
Conto-te
Sobre o preenchimento
Que me invade…
Sobre a solidão que partiu
E a chegada d’ alegria
A luz em cada dia…
Conto-te
Sobre a relatividade
De todas as coisas
Perante a companhia…
O olhar em sintonia
E o sorriso subtil
Que dele resulta…
Conto-te…
Conto-te…
Mas sinto muito mais.
Clarisse Silva
Ás vezes me corto, me drogo e me hipnotizo,
Ás vezes me corto, me drogo e me hipnotizo, faço da tristeza o riso pra suportar a vida que me julga e me condena e por isso declamo bocados de poesia que vou atirando ao ar e que o vento transportando deixa cair no mar profundo como é o pensamento. Ás vezes quero tudo e ás vezes me desiludo e por isso declamo bocados de poesia, que são palavras do mundo.
lobo
lobo
terça-feira, 2 de novembro de 2010
DIA INÚTIL
nasce o sol e passo pela
superfície da árvore
que tem no tronco o anseio do sonho.
talvez seja o meu destino
a falar nos ruídos das folhas,
ou talvez seja o mundo
que me passa como teia.
todos os dias nasce o sol
e passo-lhe rente
como quem tem um só chão como dia inútil.
irei por aí procurar no rumo da luz
a vertigem da noite...
o frio do sono...
quando atiro ao ar
a realidade da nuvem cinzenta.
Eduarda
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Suspiros de amor
Cai-te um suspiro da alma
Pelo qual não me desapego
Suspiro que te traz calma
Em ritmo que não sonego
Cai-te a réplica do mesmo
Num sentir mais profundo
Salpicos proferidos a esmo
Sustentáculo do nosso mundo
Cai-te uma lágrima sentida
Em sentires que são intensos
Pela simples felicidade vertida
E dos suspiros a ela propensos
Cai-te um sorriso maroto
E um gesto assaz traquina
Como saída de totoloto
Na tabacaria de qualquer esquina
Cai-te a rubor da face
Como um intenso clamor
Não há suspiro que disfarce
O puro sentido do amor
António MR Martins
Pelo qual não me desapego
Suspiro que te traz calma
Em ritmo que não sonego
Cai-te a réplica do mesmo
Num sentir mais profundo
Salpicos proferidos a esmo
Sustentáculo do nosso mundo
Cai-te uma lágrima sentida
Em sentires que são intensos
Pela simples felicidade vertida
E dos suspiros a ela propensos
Cai-te um sorriso maroto
E um gesto assaz traquina
Como saída de totoloto
Na tabacaria de qualquer esquina
Cai-te a rubor da face
Como um intenso clamor
Não há suspiro que disfarce
O puro sentido do amor
António MR Martins
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