domingo, 31 de outubro de 2010

Por aqui há chuva...


Por aqui, há uma chuva que cai e vai alagando os caminhos... agora mais forte, sim, mas mais fortes são os laços que nos unem e as palavras que nos conduzem por muitos outros caminhos já em construção.



Gosto desta sensação de me encontrar entre um beiral e outro, e nos intervalos, deixar escorrer uma gota pela minha face, molhar as pontas dos dedos e riscar nas paredes um nome - Poesia

Dedicado à Saozinha pela apresentação do se livro "Longos São os Caminhos", ontem dia 30/10/10 em Libsoa


Ler mais:
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=158099#ixzz13w37VOCa

sábado, 30 de outubro de 2010

A pobreza está a dormir

A pobreza está a dormir dentro da garrafa do vinho e a garrafa do vinho é a casa do mundo. A pobreza é uma mulher louca que anda pelas tabernas a mostrar as pernas aos homens disfarçados de anjos, mas na verdade são frustrados actores de cinema fumando cigarros de papel de jornal. A pobreza está a dormir no jardim municipal escutando a orquestra Africana. Na tecla do piano anda uma borboleta como um barco na água dos olhos. A pobreza está a dormir dentro da garrafa do vinho e a garrafa do vinho é a gruta do homem solidão. A pobreza escuta o ruído do comboio e ela desenha nos vidros os medos infantis dos gangsters Americanos.
A pobreza está a dormir dentro da garrafa do vinho e a garrafa do vinho é a casa do mundo.

Lobo

Entre mundos paralelos


Cansada de um corpo que não é meu
fardo que carrego, karma vivo
na ânsia de voar até um céu
num mundo paralelo: um paraíso
Transpiro a densidade deste inferno
mas queria conhecer um outro brilho
sob o luar poder adormecer
sem medo de acordar de um castigo
Ser pluma feita de antimatéria
e flutuar despida desse estigma
que é a prisão que encerra a minha alma
pior que tudo...que controla a minha vida!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ascese

     Entardecer
     na vidraça , estilhaçada !
     biliões de sóis , triliões de iões , de luas !
     rasgados de golpeadas , finas !
     sulcos amplos cortando o manto !
     neblina , gelada !
     deste não vir que tarda , a madrugada !
     descobrem-me , finito !
     abraço desencontrado contra a noite !
     despregando o dia , breve !
     do leito dourado
     que de tão pouco repousado , cansou !
     desorientando o Oriente do Ocidente , nublado !
     horizonte fechado à esperança , sem alternativa !
     espaço enclausurado no tempo , arrepiado !
     erguem-se os muros em ambos , os lados !
     ao centro , descentrado !
     não há portas nem janelas , desfocagem !...

     e ...
     todavia ...
     amanhece !

     agora que cai a noite

     eis o dia ...


     Luiz Sommerville , 29102010,18:30
      (Imagens google-2-, Edição LSJ)

Lembra das crianças

Lembra das crianças que sabiam lendas, no tempo da rua, no tempo do circo ambulante, quando a musica que o palhaço tocava mudava o zangado semblante do Senhor importante. Lembra das histórias que o avõ contava, dos berlindes e do pião, as escondidas quando eu brincava encontrando o teu perdido coração

Lobo

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Para ti alma errante

A seres alma errante, junta-te a mim...

Quem sabe fazemos das duas uma só, a atingir a plenitude dos desejos mais consentâneos com a nossa essência de sermos mais do que almas errantes....

Para ti...alma errante

Soneto sem fé


Esfuma-se a fé na ribalta dos sonhos
Na película seda das nuas folhagens
Há um verde em meus olhos tristonhos
Cristal humedecido, sombra de ramagens
Pluviam-se rios de lágrimas contrafeitas
Arrastam-se dores no leito dos tempos
Almas aturdidas. esperanças desfeitas
Música que oiço sempre a contratempo
Há um limbo emergente, feito de nada
Sírios sem padroeira, ateus de memória
Um devir ausente pela madrugada
Roaçndo a apatia, entregue à sorte
Resta agora a vida que se vê lá fora
É noiva de luto, boda sem consorte

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O silêncio é a morte, travestida de sedas

O silêncio é a morte, sabes, travestida de sedas…
Quando ela chega, sabes?, adianta o relógio para a hora certa, e acende as luzes falsas do camarim a cheirar a humidade mofenta e dores arrancados de fresco à terra revolvida.
Chega iludindo, por isso tu não sabes, como poderias saber?... Chega deludindo o marulhar das vozes piedosas, do chocar dos sinos, dos gritos em parto. E enquanto tudo se distrai, num círculo fechado de murmúrios que explodem sons que não se reconhecem, mas são de sempre; enquanto a plateia se acomoda, cega ainda de silêncios, ela veste-se à luz do camarim oculto, algures por trás dum cerrar de reposteiro negro. Veste-se de silêncio puro, tecido por suas próprias mãos, e derramado a frio sobre a sua nudez de círio extinto.
O silêncio é a morte. Quando vieres depositar-me flores, não lhe traias a figuração estática com palavras que a não comovem. Respeita-lhe antes as sedas…

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Solstício de inverno



Ao fim do dia, a mente exausta
já só encontra palavras gastas
para seguir o declínio aparente
da derradeira luz que se extingue
num equinócio de primaveras corrompidas.


As pálpebras rangem
seguindo a cadência dos relógios
pendurados na monotonia das paredes,
num arrastado bocejo
à volta dos 12 signos do dia.


No hemisfério gélido das marés
a cinza derretida do luar
tinge veias rasgadas
de um caudal de anjos decapitados,
afundados
no estuário sombrio do meu voo.


O que resta de mim
é aquilo que a insónia do vento
deixou nos rebordos da pedra,
as longas noites de sombra
cobrindo a face do horizonte,
um ocaso de ruínas
engolindo meu corpo fatigado,
e interrompidas quimeras
de um solstício de moinhos petrificados

Dor de mim

(imagem google)

Esse som que se arrasta incólume
Essas gotas de orvalho miudinho
Esse deslocamento da retina
Em frente ao sol maior
Esse lado obscuro do silêncio
Esse marasmo
De se entregar ao medo
E enfrentar a nova corrente
Sobre um corpo molhado

Esse toar revelador
De silêncios antigos
Um afago pela manhã
Sempre que a noite
Se vai de mansinho
E a dor de mim
Por não me sentir
A cair num abismo
Longe, tão longe
Quanto o meu sonho
A quebrar todos os cansaços

O Nascer Do Poente

Suponho
que já não penso
suponho
que já não sou
suponho
o verso extenso
do poema para onde vou ...
suponho
que supus
imaginando...
entretanto ...
do tanto que me transpirou
deste que me fui porque te sou


a luz voando ...



Luiz Sommerville , 26102010

Há no silêncio

No silêncio das palavras, que grito o sentimento
Da dor do corpo, petrifica a alma...
A mente em bloqueio, inóspito pela razão
Que escasseia,
À primeira vista
À segunda vista
Ao pensamento mais estudado e aprofundado
Desconhecida...

Há no silêncio a dor, a escuridão, e esperança
Que viajou sem hora para regressar.

Há no silêncio as palavras que não foram ditas
Pela obrigação do encorajamento.

Há no silêncio o olhar nos olhos, lânguido
A resignação à realidade, a angústia.

Há no silêncio a força que findou
Aos pés do pedido de socorro.

Há no silêncio o princípio e o fim
O regresso após esta passagem.

No silêncio


Clarisse Silva

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

COMO NUM SONHO...

…bonito
Tu eras borboleta a rainha das estrelas-do-mar
Extraías a minha morte ao inferno que a queria para de mim se saciar
Calavas os relâmpagos que se estendiam na minha direcção
Quando sentia
Eras um anjo a voar na brisa da manhã
Os teus dedos as sandálias a percorrerem-me numa carícia imã
Tu devias ser borboleta
Ou a rainha das estrelas-do-mar
Coisas da vida
A saída
As coordenadas dos meus rituais
Na boca a falar amar a partir dos nossos quintais
E havia
Um clarão de anjos perfumados pela presença dos nossos ideais
Dois corpos jogados na órbita de Saturno como Pandora e Prometeu
Enrolados reflectindo a luz do sol fazendo acontecer…
E de novo numa infinda canção
A minha alma pluma de embalar

Tu deves ser borboleta
Ou a rainha das estrelas-do-mar

Miragem

Foi como se o teu sorriso trouxesse nos lábios
os sonhos da lua
instantes quentes de uma verdade
que tens para me contar

não sei o que fazer com esta vontade
que me é estranha
mapeada de pontos de interrogação

invento uma tela em branco
em que teço os passos leves
de uma aragem de loucura
num tempo
que não é meu nem teu

quisera eu de horas ser escultora
sorver o momento
libertá-lo da sua temporal sujeição

penduro no meu chão
a porta entreaberta
fecho à chave o teu nome
e despeço-me
só desta vez... mais uma vez.

Marialuz

"I Have A Dream"

Sonho contigo , sabias ?

Não, não sabes ...
e porque não sabes
um dia morrerei
por tanto sonhar
e tu não o saberes
aí , então,
perguntarás
- porque morreste ?
e eu te retorquirei
- porque formulas sempre
a pergunta errada ?

Luiz Sommerville , 25102010

domingo, 24 de outubro de 2010

Morro-me de nadas.


morre-se...de tanto
eu morro-me nesta ausência
diante do céu
a cair-me nas mãos...
pedaços de memórias
penduradas.

morre-se..de tanto
eu morro-me da melancolia
nesta teia
onde me enredo
alucinada.

morre-se ...de tanto
eu morro-me de ferida acesa
incolor
sem saber onde fica 
esta dor
que me sabe cativa.

Eduarda

sábado, 23 de outubro de 2010

Há todo um mar de sargaços


Sou gaivota em terra
prenúncio de vendaval
Sempre que as águas se agitam
saio por aí voando
na ânsia de liberdade
Sou ave astuta e ousada
trago a lua na plumagem
viajar é o meu sonho
Nunca andei de carruagem
sigo o bando e sei de cor
a rota desta viagem
Há todo um mar de sargaços
nos fios dos meus cabelos
e nada a mim me demove
de desbravar infinitos
Nas asas dos sete ventos

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

DÓCIL NAUFRÁGIO



Salga-me a carne o mar que navego,
Caustica-me a alma o vento à deriva
E gaivotas gementes mergulham-me os olhos,
Perdidos na linha onde pesco horizontes...

E as vagas embalam-me,
E o barco é meu berço,
Entrego-me, esqueço...

Salpicam-me os olhos gotas de tormenta,
Fustiga-me a esperança a vela rasgada,
E os risos disformes das nuvens em ânsia
Agitam o ventre do silêncio incontido...

E as vagas embalam-me,
E o barco é meu berço,
Entrego-me, esqueço..

Cerra-me o círculo uma praia sem terra,
Atinge-me o golpe do naufrágio que mina
As areias dóceis do meu abandono,
E as gaivotas pousam, em preces aladas..

Aladas de branco,
Aladas de paz,
Que a espuma, de raiva, desfaz...

E as vagas embalam-me,
E o barco é meu berço,
Entrego-me, esqueço...

Sigo o Sol

Fotografia de Paulo Sérgio (Olhares.com)


Setembro de novo sempre diferente.

A brisa fresca nas manhãs com aroma a terra húmida de noites de lua cheia.

Verte-se o perfume das magnólias por florir.

A partida não anunciada das andorinhas enche o silêncio dos campos arados.

Pó revolto que aguarda as chuvas que o engravidem de vida.

Repensam-se artistas (pintores e poetas) numa escrita sem presunção.

Os sentidos alerta em toques de pele por descobrir as texturas e cores do mundo a girar.

Sim. Danço só para ti.

Absorves-me com esse olhar de menino abandonado, entrego-me às tardes mornas do teu abraço e (a)fundo-me em ti.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Vagas sem voz

Percorro
com o olhar difuso
as águas da noite
num rio estrelado…

Vacilo
em focos inefáveis,
o silêncio é ambíguo
escuto-o cantar…

Os gritos mudos
param os relâmpagos intemporais
que se carregam
nas vagas sem voz,
murcham as terras inférteis
debotam aromas…

Os olhos arrepiam-se
no oscilar das mãos
a ponta das unhas tremulas
arranham pigmentos de coragem
no ápice da confiança
que os ombros teimosamente albergam.

Envolvo o infinito dos bosques
nele encontro
uma nova semente
na margem do rio que me alimenta!

Ana Coelho