domingo, 10 de outubro de 2010
Sistema Opera-Activo
Teclado
ou lá o que de matéria é
antes
o papel , a tinta , caneta e mata-borrão
de cinzas perpendiculares à boca
perfuradores de lábios , agrafados !
sobre os corpos mornos , adesivos !
tapam-se os ouvidos
para não escutar o estalar da palavra-passe
do mundo , versão de teste , beta !
a cobrar na intermitente tremura dos fios , invisíveis !
por onde passam as vidas sem luto
à entrada que saída é que é
estampando gritos em todas as linguagens
mesclando , entrançando todas as civilizações
na tela !
que se desliga ...
Luiz Sommerville , 101010 , 02:28
sábado, 9 de outubro de 2010
Olhos de barro
Há flores que definham cedo
outras já nasceram murchas
Assim não sentem a morte
quando expiram já estão secas
tinham as folhas caducas
Não são regadas em vida
falta-lhes hidratação
São flores sem clorofila
não libertam oxigénio
São cactos cheios de picos
na areia do deserto
Que não murchem os meus olhos
de tanta lágrima vertida
Têm engelhas de barro
Por uma gota de orvalho
dava eu a minha vida
terça-feira, 5 de outubro de 2010
NÃO E O VAZIO QUE ME DÓI

não é o vazio que me dói!
é este cansaço das palavras ditas e não sentidas.
das que se escrevem em forma de balas
do manto da inveja
e do átrio da vaidade
que em tanto me petrifica.
é este querer ver o sol em dia de chuva
querer a brisa no mais profundo silêncio
e ser desarmada nas entrelinhas.
é este ter querido permanecer
e partir num pó rasgado
de não ter sabido ir aquém.
Eduarda
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Infinito de mim

Estou perto do infinito de mim
há uma voz que me orienta
algo que me desconcerta
o transcender do sonho esperado
Estou longe de cumprir a minha missão
e é na essência que busco o caminho
no livro sânscrito das minhas emoções
pergaminho onde me encontro e descubro
relicário de todo o conhecimento adquirido
Estou entre o céu e a terra
não sou anjo, sou poeta
cuido das maleitas do mundo
com mensagens de amor e paz
para quê morrer, se ainda
tenho tanto para escrever?
Convite
Agradeço-te Fátima por postares o meu convite.
Obrigada querida administradora.
Estão todos convidados.
Beijinhos
Nanda
Obrigada querida administradora.
Estão todos convidados.
Beijinhos
Nanda
sábado, 2 de outubro de 2010
Terra prometida

Os amigos recebiam-na sempre de braços abertos, mas ela como se fechava para a vida, esticava-lhes um beijo assim ao de leve, só a roçar uma pontinha de pele. Olhava em seu redor, com os olhos esbugalhados e o seu ar extasiado, como se tivesse entrado num outro mundo.
Ali era o último encontro daquela raça, para que todos se olhassem bem e imprimissem as imagens que nunca mais iriam ter na frente dos seus olhos. Seria o dia da última sagração dos homens na terra, que ainda se encontrava revoltada pelos bicos de ferro e pelas foices afiadas, que cortaram a eito todas as raízes que mantinham ainda a forma erguida para a última colheita. Tinham chegado ao ponto de encontro e todos se mantiveram de pé até chegarem os últimos pregadores da demanda que os iria levar à terra prometida. Aquela já não lhes servia para nada, depois da decadência e do desmazelo a que todos se habituaram. O sol já não lhes aparecia com as mesmas cores durante o dia, a noite era um círculo fechado aos reflexos da lua, as estrelas apagaram-se quando da sentença do ultimo comité de naves que sobrevoaram os céus. Os mares evadiram-se até à linha do horizonte, tinham já naufragado todas as embarcações que transportavam novas espécies para a sua colonização e o azul do céu, diluiu-se perante as cores do novo arco íris.
Ali se sentaram de pernas cruzadas e de mãos dadas em jeito de ritual, unindo esforços para que todos fossem uma única força que os levasse ao destino que estava prestes a deixar-se seduzir pelas novas agitações da nova era.
PEQUENA CIDADE
Mais espuma brota
A granel da foice
Cabe-me tudo na mala
Coubesse assim
As horas da cidade
Cheira a absorto
Os braços não arrumo
Torres de outro corpo
Versalhes pesa morto
Banais por esta cidade
Ouço da sombra fugaz
Do título que não sabe
Perdido longe a gás
Sonolência leito e paz
Coloração noutra cidade
Insónia sem ritmo
Vazio é bolso
Corpo frio e absinto
Envelhecida catedral
Disfuncional pela cidade
Espírito fatal
Trágico registo
Afinal tenho visto
Que nada tenho visto
Nos seios desta cidade
Eterna noite
Poluição em destaque
Moribundo almanaque
Nada que afoite
Não existe a cidade
Derrete em vaidade
Bolor roxo teso
Decadência pé ante pé
Amarras em verso preso
Estátua de pedra
Ai cidade
A granel da foice
Cabe-me tudo na mala
Coubesse assim
As horas da cidade
Cheira a absorto
Os braços não arrumo
Torres de outro corpo
Versalhes pesa morto
Banais por esta cidade
Ouço da sombra fugaz
Do título que não sabe
Perdido longe a gás
Sonolência leito e paz
Coloração noutra cidade
Insónia sem ritmo
Vazio é bolso
Corpo frio e absinto
Envelhecida catedral
Disfuncional pela cidade
Espírito fatal
Trágico registo
Afinal tenho visto
Que nada tenho visto
Nos seios desta cidade
Eterna noite
Poluição em destaque
Moribundo almanaque
Nada que afoite
Não existe a cidade
Derrete em vaidade
Bolor roxo teso
Decadência pé ante pé
Amarras em verso preso
Estátua de pedra
Ai cidade
A manhã beijou-me… hoje

A manhã entrou-me pela janela adentro
na frescura do dia beijou-me
deliberadamente
acariciou-me com os seus raios distantes
ao de leve, timidamente
querendo ser vento que passa no momento
A manhã beijou-me…. calidamente
perdendo-se novamente no dia
como a areia escorrendo
na minha mão vibrante… vazia
A manhã partiu incerta
no meu rosto, um sorriso quente
no meu olhar uma lágrima fluindo
perdida …
A manhã beijou-me...hoje
Adormecendo-me nos braços do tempo
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
RESTOS DE SILÊNCIO
Ouvi-te,
silêncio triste,
uivando fomes lá fora,
como cão vadio e magro...
Lancei-te,
silêncio triste,
uma côdea do passado,
com travo a bolor amargo.
Senti-te,
silêncio triste,
lamber-me as mãos calejadas
pela noite em que me agarro.
E dei-te,
silêncio triste,
os sons dos grilos na eira,
o correr da água ao largo,
o esbater do dar-horas
nas pedras nuas do adro,
o morrer duma cantiga
na garganta já sem garbo,
a dolência duma voz
a anunciar fados na rádio,
o tresmalhar dos amantes
nas ruas do são pecado,
o crepitar da lareira
queimando vides do fardo,
o ronronar do meu gato
adormecendo a meu lado...
Ouvi-me,
silêncio triste,
nas saudades que hoje lavro...
Ouvi-te,
silêncio triste,
num tempo antigo que trago
no peito onde traíste
a terra onde te escavo...
silêncio triste,
uivando fomes lá fora,
como cão vadio e magro...
Lancei-te,
silêncio triste,
uma côdea do passado,
com travo a bolor amargo.
Senti-te,
silêncio triste,
lamber-me as mãos calejadas
pela noite em que me agarro.
E dei-te,
silêncio triste,
os sons dos grilos na eira,
o correr da água ao largo,
o esbater do dar-horas
nas pedras nuas do adro,
o morrer duma cantiga
na garganta já sem garbo,
a dolência duma voz
a anunciar fados na rádio,
o tresmalhar dos amantes
nas ruas do são pecado,
o crepitar da lareira
queimando vides do fardo,
o ronronar do meu gato
adormecendo a meu lado...
Ouvi-me,
silêncio triste,
nas saudades que hoje lavro...
Ouvi-te,
silêncio triste,
num tempo antigo que trago
no peito onde traíste
a terra onde te escavo...
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Momentos sem esboços
Não vivo de esboços
vivo de momentos
cadências que me chegam
trazidas nas brisas suaves
de todos os dias,
ondas vibrantes
que encostas a mim
mordendo o sossego
até à plena entrega…
Uma desfolhada
em sementes de girassol
na cor do sol
a coroa lírica da tua
sublime existência!
Nas trincheiras do medo
é sempre o teu alimento
que me produz ânimo
e me conduz ao próximo momento…
Vestes no meu tímido corpo
as roupagens dos meus ocultos sonhos
em pergaminhos de miríades tuas!
Ana Coelho
Sou uma réstia de mim
(foto: Clarisse - Porto)
Sou uma réstia de mim
Perante aquilo que sou
Sobras, inicio de coisa alguma
Sou, (não) sendo,
O que serei alguma vez
É a certeza de um talvez.
Sou uma gota no oceano
Acorda de vez em quando
Na penumbra reflectida
Espelho irrealista
Sombra da imagem
Auto-blindagem.
Sou um grão de areia no deserto
Sou aquilo que nunca fui
Sou aragem que flui
Paragem no tempo escondido
Cronómetro avariado
No espaço perdido
Passado é aprendizado!
Mas quero Ser
Bailarina que em cima
De certezas navega.
Calçada na determinação
De ouvir o coração.
Mas quero Ser
Como folha ao sabor do vento
Como gotícula do imenso mar
Na plenitude do sentimento
Conjugando o verbo Amar!
Constantemente,
Para sempre.
Clarisse Silva
4 de Março de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
Já só falta o -lha!
(já só falta o -lha!)
Não me peçam para me erguer do chão!
Agora não...
Não vêm que perdi os olhos,
a boca e parte do coração
e tenho de procurá-los,
de joelhos,
entre os pés bem calçados
de olhos, de bocas, de corações,
dos que me estendem perdões...?
(assim,
como se os perdões fossem cordas...)
Cordas.
Cordas fazem-me lembrar forcas...
Forças.
Ah!
Faz todo o sentido.
(só me falta achar,
afinal,
uma cedilha...)
Cedi...
Não me peçam para me erguer do chão!
Agora não...
Não vêm que perdi os olhos,
a boca e parte do coração
e tenho de procurá-los,
de joelhos,
entre os pés bem calçados
de olhos, de bocas, de corações,
dos que me estendem perdões...?
(assim,
como se os perdões fossem cordas...)
Cordas.
Cordas fazem-me lembrar forcas...
Forças.
Ah!
Faz todo o sentido.
(só me falta achar,
afinal,
uma cedilha...)
Cedi...
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A MODERNIDADE É UMA SECA
A modernidade é uma seca
Abriu a caça aos ecléres
E às bolas de berlim obesas
E sentes que a boca continua
O saber ao frémito da dor
Eu vi quando partiste sentada
Para a manifestação do contra
E sei que compraste o sofá
Para não te cansares
Por causa dos implantes
Eu sei que ainda te lembras
Quantas foram exactamente as peças
Que sobraram quando montei
A bicicleta que havia desmontado
O que vai na tua boca a cadeado!
Quando os olhos atracam no cais
Escolhas a mais
Como andas magra
Palidamente magra
Dizem as más-línguas
Que a vida que tinhas deste-a
Entregaste-a à morte
Que ainda cá não veio lavar-te os olhos
Já te disse como és bela
Que o meu canto é anseio
E o nosso coração a porta
Para demissão dos cães
E do implante
Eu sei
O hino ás maquinas
O riso dos miseráveis
O mito da chicotada
A tua mão poderá achar a minha
A esperança amadurece depois do grito
No regresso o corpo ferido há-de luxo
Agora nem sei se devia dizer-te
Nem sei se é correcto
Mas as tuas mamas
Tinham afinal o tamanho certo
Abriu a caça aos ecléres
E às bolas de berlim obesas
E sentes que a boca continua
O saber ao frémito da dor
Eu vi quando partiste sentada
Para a manifestação do contra
E sei que compraste o sofá
Para não te cansares
Por causa dos implantes
Eu sei que ainda te lembras
Quantas foram exactamente as peças
Que sobraram quando montei
A bicicleta que havia desmontado
O que vai na tua boca a cadeado!
Quando os olhos atracam no cais
Escolhas a mais
Como andas magra
Palidamente magra
Dizem as más-línguas
Que a vida que tinhas deste-a
Entregaste-a à morte
Que ainda cá não veio lavar-te os olhos
Já te disse como és bela
Que o meu canto é anseio
E o nosso coração a porta
Para demissão dos cães
E do implante
Eu sei
O hino ás maquinas
O riso dos miseráveis
O mito da chicotada
A tua mão poderá achar a minha
A esperança amadurece depois do grito
No regresso o corpo ferido há-de luxo
Agora nem sei se devia dizer-te
Nem sei se é correcto
Mas as tuas mamas
Tinham afinal o tamanho certo
Entranhas Do I - Limite
Eu queria
transportar o novo
a ideia
do i de original
mas
o pode é que escreve
e me acode
circunstancial
a mente
e o real
como todo o ser
que é
está , está ...
lá , entre e aqui
o ó do i
crucial ...
transportar o novo
a ideia
do i de original
mas
o pode é que escreve
e me acode
circunstancial
a mente
e o real
como todo o ser
que é
está , está ...
lá , entre e aqui
o ó do i
crucial ...
Luiz Sommerville, 2409201002,31
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
POLARIDADE INVERTIDA
O olhar perdido na sombra do alpendre
bebe o pouco que resta, da luz estagnada
no estuque arruinado dos muros
e na terracota de longínquas memórias,
onde um eco de vozes sussurrantes
entoa a cantiga esquecida dos ventos.
Os pássaros sombrios do outono
desceram as colinas do teu corpo enrugado
onde o alento mirra, em cada folha que cai,
em cada novo dia que te desfolha,
na tristeza do musgo que trepa a pedra fria
nos últimos degraus do crepúsculo.
Vencida pelos limites vagos do futuro,
refugias-te nas varandas do passado,
e descobres que há um tempo na vida
em que a polaridade dos sonhos se inverte,
e a ilusão caduca dos dias vindouros
reverte àquelas manhãs antigas, em que
o sol dançava na linha tépida do horizonte.
Etiquetas:
http://seguindooescoardotempo.blogspot.com/
sábado, 18 de setembro de 2010
Torna-me imortal

Abraça-me assim… bem forte
faz-me sentir a minha própria pequenez
mostra-me a efemeridade de ser corpo
torna-me imortal na mortalidade dos sonhos
deixa-me provar o sabor da tua essência
fica comigo nesta amência permanente
neste tropeçar sôfrego de ser tempo
e mostra-me o casulo do alvorecer
no murmurar ínfimo dos dias
Abraça-me bem forte e no silêncio do vento,
o eco do teu olhar sussurra-me
Estou aqui, sente-me
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Teu cheiro em mim
(foto: Clarisse Silva)
Teu cheiro em mim
Tenho ainda o teu cheiro em mim
Dos corpos nos lençóis de cetim.
Dos beijos, do toque, da pele
Que findaram sem fim.
Na boca que continua a beijar-me…
No ar que continua a sugar-me…
Do desejo latente a desejar-me…
No devaneio louco sem ar…
No êxtase… no coração,
Pelas entranhas a latejar!
Viagem e passagem para outra margem.
Estou livre,
Na aglutinação do amor que me liberta.
Mente desperta
Na conjunção de poeta.
Na união de mente e coração,
Sou livre!
Sou livre,
Na liberdade de amar.
Só se ama na Liberdade,
Amar-te é felicidade!
Estar em ti,
Estando em mim
Fora de mim
Que me perdi.
És a luz do meu ser
Sou a luz do teu
Entramos no céu!
Sou livre com asas a planar,
Vem na eternidade me acompanhar!
Clarisse Silva
terça-feira, 14 de setembro de 2010
A água subia como as lágrimas dos olhos á cabeça.
A água subia como as lágrimas dos olhos á cabeça. Havia o monstro em figura de homem que planeava aquele homicídio, não acreditava que aquele momento fosse uma alucinação. A minha mãe era a expressão cruel da doçura caminhando ao meu lado como uma nuvem ao lado de um anjo. Que fazia eu ali, o que é que eu tinha tomado? Escondia-me nas igrejas vestido de militar, lia os salmos e as cartas do apostolo Paulo aos Romanos, lia as tuas cartas apaixonadas e obscenas. A água subia no pequeno cubículo da casa de banho, parecia um filme, a imagem do diluvio a repetir-se na minha vida. Aquilo era tudo falso, precisava de felicidade, um tiro nos miolos não bastava para chegar ao paraíso.
LOBO 010
LOBO 010
domingo, 12 de setembro de 2010
O Azul dos Teus Olhos Castanhos
Desenho-te,
em cenários de azuis.
Junto
música e seda.
Seda melodiosa,
música acetinada.
Adivinho-te,
em oceanos
de azuis profundos,
quase abissais,
onde dançam
e se entrelaçam
os sons e os tons,
na alma de um violino,
no canto das sereias.
Sinto,
na magia do azul,
a doçura do olhar
dos teus olhos castanhos.
Marialuz
em cenários de azuis.
Junto
música e seda.
Seda melodiosa,
música acetinada.
Adivinho-te,
em oceanos
de azuis profundos,
quase abissais,
onde dançam
e se entrelaçam
os sons e os tons,
na alma de um violino,
no canto das sereias.
Sinto,
na magia do azul,
a doçura do olhar
dos teus olhos castanhos.
Marialuz
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