terça-feira, 14 de setembro de 2010

A água subia como as lágrimas dos olhos á cabeça.

A água subia como as lágrimas dos olhos á cabeça. Havia o monstro em figura de homem que planeava aquele homicídio, não acreditava que aquele momento fosse uma alucinação. A minha mãe era a expressão cruel da doçura caminhando ao meu lado como uma nuvem ao lado de um anjo. Que fazia eu ali, o que é que eu tinha tomado? Escondia-me nas igrejas vestido de militar, lia os salmos e as cartas do apostolo Paulo aos Romanos, lia as tuas cartas apaixonadas e obscenas. A água subia no pequeno cubículo da casa de banho, parecia um filme, a imagem do diluvio a repetir-se na minha vida. Aquilo era tudo falso, precisava de felicidade, um tiro nos miolos não bastava para chegar ao paraíso.

LOBO 010

domingo, 12 de setembro de 2010

O Azul dos Teus Olhos Castanhos

Desenho-te,
em cenários de azuis.

Junto
música e seda.
Seda melodiosa,
música acetinada.

Adivinho-te,
em oceanos
de azuis profundos,
quase abissais,
onde dançam
e se entrelaçam
os sons e os tons,
na alma de um violino,
no canto das sereias.

Sinto,
na magia do azul,
a doçura do olhar
dos teus olhos castanhos.

Marialuz

sábado, 11 de setembro de 2010

SAI-TE DIABO QUE O TAPAS COM O RABO ESSE AMOR NÃO É TEU

Vieste-me ao pensamento no sabor das amoras
Trazias nos poemas o calor de um sonho de verão
Nas palavras o sol de Agosto
Eu amei-te como só te podia amar
Atrás dos rochedos quietos na planície semi-lúcida
De um mundo velho de ferrolhos
Da consumação do nosso amor emergido dos livros
Os búzios em refrão de anáfora

A Prece De Satine

















Rolando pelo chão
como um trem
caindo por baixo do Inverno
trilhos desviados
o estilhaçar duma lágrima
ardendo por dentro da claridade
nos meus joelhos dobrados, molhando...
a curvatura da Terra
atirando meu sangue violentamente,
chuva de poeiras flutuando,
contra o fim
e eu digo adeus
à viagem
que não me quis passageira ...


Luiz Sommerville, 1009201017,37 (Poemas Filmados)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Momentos de silêncio


(foto, Dolores Marques in "Grafitis, Uma Arte no Escuro")



Pudesse eu dizer-te que a minha vida se alterou, que amo nos dias onde nascem as madrugadas e que esse amor me fala das noites, onde nascem os dias. Mas não, nada disto que te falo em voz baixa, aconteceu, porque nem a minha voz se ouve no silêncio que é o meu guia neste dia, e nem o meu olhar é um ponto onde o amor se resguarde até ao florir da próxima Primavera.


Pudesse eu contar-te neste dia, dos momentos de nudez onde descanso o meu corpo e dos rumores que se ouvem a caminho das estrelas, por não saberem onde andas com todo o amor que me tens.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sementes De Ventura

















Meu amor,
foi-se embora a Lua...
quantos sóis morreram hoje?
a palavra tem que ser nua
vestida não passa dum adorno
destronado da semântica
a palavra é verbo em fogo
incendiando a ponta da lágrima
vertida!
sobre o nome coroado
que me revira o coração, alado!
pregado! ó luz, quando sorris, a canção
é dança em oração, convicção!
vem, atravessa o espinho, ninho, lamento
e nem por um momento, hesites,
vacilar é proibido, agora !
quem disse que a noite é cega?nega!
a palavra é apenas uma , ruma
de onde vem para onde vai, sai!
ah, se eu soubesse o lugar dela, morada
te escreveria, minha amada, tudo!
numa letra apenas, a primeira!
verdadeira! nascente da estrada
mas , eu não sei escrever, não sei...
ensaio invenções que caminham, no sotão
e temo que o pior deste rebuscar
se descontrole ao longo dum ponto cravado no infinito
ponto final .
é ele que mata todas as preces, implacável!
Foi-se embora, a Lua ficou .
hoje, ó, como o Sol nasceu belo !
a palavra é luz , a luz nunca se veste !


Luiz Sommerville, 0909201006,01

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Infecunda liberdade
















A vida pariu o destino
abandonou-o meigamente
na janela aberta do SER
tatuando com lágrimas e risos
a brochura da alma
aprisionando-a
na liberdade de ser

Mas o SER
bastardo engravidou
de infecunda liberdade

A terra escureceu
E a vida tornou-se sombra

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A nova revolução I

I

Proibido o despudor no poder
Enraizado e alimentado
Nas cabeças desumanizadas
Em objectos infrutíferos e efémeros.


Proibida a desfaçatez e a mascarada tez
Em obvia falsidade.


Proibida a crença nas imagens humanas
De mentes insanas
Carregadas de moral,
Neste universo perfeito de despeito.


Proibida a proliferação da peste
Que vomita adjectivos e ideais
De sonhos provocados e irreais.


Proibido a audição de gravações
Realizadas em directo
Directamente aos corações.


Proibidas televisões manobradas
Em manipulações internamente forjadas
Em diárias jornadas
Perfumadas de cravos
Transformadas em escravos
No fim da ditadura
E continuação da escravatura.


Que seja proibido
O uso da liberdade
Em abuso da idoneidade…!


Que seja proibido
Gravadores ambulantes
Fingindo-se de pessoas
Se achando importantes!

domingo, 5 de setembro de 2010

Falo de gaivotas

E ouço quando ela fala
De amor



SILÊNCIOS DE LUAR



Vieste no iodo que fiz violinos
No som da harmónica éramos voos a ver
Pintei a praia de ti. À fogueira cor
Ouvi-te no beija-me... Beijei-te, amor

sábado, 4 de setembro de 2010

Nos Meus Olhos Um Oceano

Entre as gotas do tempo
submerso em verdades inexoráveis,
esfumam-se tardias sombras,
inadiáveis,
esventrando-me presságios de esperanças e colheitas.
As minhas mãos,
cheias de tudo e de nada,
interrogam o silêncio transparente
dos xilofones dos ventos,
suspensos da pequena rede
que baloiça mansamente,
agarrada ao céu das emoções.

Cegaram-me os fios de luz
de oceanos nascidos dentro dos olhos,
na lonjura fugidia
que o voo raso dos dias
esqueceu vazios
no cais.

Marialuz

Portal da imortalidade



Há uma imunidade nos sonhos
Uma liberdade amorfa e casta
Uma esperança no inatingível
Toda uma veleidade intrínseca
Um indelével mundo surrealista
Na trôpega profusão das imagens
O mar pode ser um rio
O rio pode ser um lago
O lago o sal de uma lágrima
E eu navego ao luar na fantasia
Na barca que me embala e alumia
Na vaga âncora da minha alma
Ao longe o céu serve de manta
À paz que engasgo na garganta
À emoção que me acomete
Sempre que o sono me remete
Para o portal da imortalidade

Duas Consoantes E Duas Vogais


Será que terei
de gritar
o teu nome?
pegar numa estrela
e com ela escrever
uma estrada infinita
de luz ?

Será Deus
que terei
que abraçar o teu corpo
idolatrado
esse teu corpo
que nenhum deus viu
esse teu corpo
pregado na cruz
sangrando
e morrer nos teus braços
com o nome adorado
escorrendo-me como um rio
flagelado?...

Então , hipócritas das letras
que determinais as leis
escrevei com pregos
o nome
que eu grito
em completa loucura
e que é a minha salvação
pura !

Podeis levar-me,
agora !
sobre as gargalhadas
e as pedradas
de todos
os que em mim não são
porque
é mais fácil
secarem os mares
do que amordaçar
o vento que me espalha
por cima de todo o tempo!

e, eu, apenas
quero soletrar
com a mais sagrada ternura
as quatro letras divinas
do infinito!

Dizer-vos,
amo-a!
e que direito tereis
de profanar
de castigar
seu templo imaculado
com vossos amuletos
de crime legalizado?

Pois bem,
vejam-me morrer
estendido
sobre um céu de madeira
coberto com o manto
do beijo
que conforta
as chagas do meu corpo
e constatai
como as feridas cicatrizaram
e agora que me levais
como um cortejo de sanguinários
por acaso observais
que em cada ferimento
que em mim cravais
nasce uma flor ?
e que esse jardim
que em mim irrompeu
foi ela que o escreveu
quando encostou os seus lábios
e me beijou na sutura
em que o amor nasceu?...

Sim , podeis levar-me ...


LSJ,3108201008:11 


(...)"que serei eu se não uma pecadora agarrada às lágrimas de quem já apedrejou a mesma cruz onde me pregaram."(...)
(ConceiçãoB)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O JARDIM ERA AMOR

À janela
Sobrava as mãos
À boca calava-se um jardim

Outra vontade afizer

À lâmina
A saudade do título
Do subtítulo e de tudo

Amor,
Só te ouvia dos olhos os ritmos
As sementes que um rio são

Havia um tempo presente
A tômbola em contra mão
Água quente em pé na estrada

Amor,
Ouvia-te dos olhos, o coração

Ascensão

(imagem, André Louro de Almeida)


Imagina que me encontras numa dessas tuas buscas, onde procuras um sinal evidente de que a paz é um caminho. Essa busca não é a tua, mas sim uma ínfima parte do que procuras. Nessa viagem é onde encontrarás as distâncias que te separam de mim, mas é também onde te encontras, ao te deparares com a tua vontade de me esqueceres.
Encontra-te primeiro, e depois procura-me.
Eu ando esquecida do mundo, em busca da minha paz. Toca-me, mas não me queiras um corpo equilibrado na linha onde fixaste os teus olhos. Repara que nem tudo o que parece é, no exacto momento da verdade dos nossos olhos. Eles traem-nos, e mostram-nos a realidade que queremos ver, mas nem sempre as suas certezas atingem a dimensão real do sentido único, aquele onde somos mais do que a verdade de nossos olhos.
Ao pretendermos ver com um olhar alheio, os movimentos de um corpo em ascensão, teremos que nos abrir em direcção ao foco onde sempre estivemos e abrir portas para um mundo que se prepara para ascender e entrar no mais alto portal do Universo.

Vazio de vida

Avançam as horas,
O espelho escurece quando me vejo
Como um retrato antigo,
Que contorna o tempo.
Sinto-me despido,
Apenas as lágrimas implacáveis,
Percorrem a monotonia do meu olhar…
Apenas isso…
Emerge dos anos que abençoam a minha carne.
Não encontro o meu próprio rosto,
Neste caminhar cego que interroga a alma,
O que sou? Nada!!!
Nem a minha voz, oiço
Esbarrando em ecos
Neste soberbo vazio que me engole.
O vácuo das coisas imperam nos dias,
Tropeço na presença do silêncio
E descubro, que tudo acontece
Quando partes…
Morrendo em mim,
Toda a minha existência.

Sonhos de menina


A maciez da tua pequena mão
aperta forte a conchinha
que a onda do mar te trouxe
E enches de riso o sol
estrela maior que dourou o teu cabelo
em longos cachinhos de ternura
A areia é o teu brinquedo
nela constrois o teu segredo
em alto castelo de espuma
E sonhas que és princesa
que esta praia é o teu reino
onde só existe amor
Que não se esfumem teus sonhos
por entre densas neblinas
Que o teu barco de papael
veleje por rios e mares
rumo às tuas fantasias
Que os teus olhos brilhem sempre
nos teus sonhos de menina

domingo, 29 de agosto de 2010

baba de caracol


A esperança é a epiderme
que espera recuperar o viço
na baba milagrosa de um caracol
Ou será, ranho?
Não digo, que é feio!
Rugas?
Eu não tenho!
Ou estará o espelho baço?
Vou sobrevivendo a este embaraço
Curiosamente falando
não sou escrava do ego
Existe maior cego?
Serei bruxa ou Branca de Neve?
É uma questão de perspectiva
e nunca fico bem na objectiva
Para quem me conhece
sou a alma que ofusca o corpo
que dizem ser meu.

A GRANDE ILUSÃO

Andamos sempre à procura de uma razão
para continuar a alimentar esta ilusão que nos cerca
e continuar a fingir que está tudo bem
e que amanhã as coisas vão correr melhor.
A fingir que a felicidade está ali, ao virar da esquina,
apenas a testar a nossa fé
e a qualquer momento vai entrar pela porta grande
e encher de esplendor a miséria das nossas vidas.
Continuamos a mentir para nós mesmos,
alimentando um monstro que nos devora o alento,
como se a ilusão fosse uma droga
da qual estamos completamente dependentes,
e sem a qual não podemos viver
nem continuar a enfrentar o mundo.

Suspensos sobre a saliva do abismo,
com o coração ensanguentado
e as mãos cheias de nada,
seguimos o leito seco do rio
sem coragem para nos afastarmos da margem,
incapazes de explorar outros caminhos
e seguir outras pistas,
com medo de nos perdermos no desconhecido,
agarrados a uma estranha teimosia
e a uma inércia que nos prende às pedras
e às águas estagnadas do pântano.

Lentamente, o tempo vai passando por nós
e não temos forças para o agarrar
nem para correr atrás dele,
e vamos ficando para trás,
perdidos,
famintos de sensações e desejos,
órfãos do esplendor da vida,
como lápides mudas;
frias estátuas de olhos cerrados
a envelhecer
e a entrar em decomposição,
com um buraco aberto no peito
sem nada lá dentro, a não ser,
a nossa decrépita e gasta ilusão.

SUPERNOVA

Seriamos vento estelar
Nus pela lua nova
Processando a luz do génesis
Nos corpos em recife de coral

Sedentos de oxigénio
Entregues ao frenesim dos pássaros
Em beijos de praia mar
Para a sagração dos amantes

A nós regressaríamos humildes cristais
Vertendo em pêlo as gotas do amor
Imortalizando a praia que te baptizou…
…Mar

sábado, 28 de agosto de 2010

Vai Cair !

essa é a lágrima que não cai
verte !
quem ampara tão brusco deslizar ?
quem beija tão ferido olhar ?
quem ?
essa é a lágrima que não verte
cai !
e porque cai
cai
ai !...

LSJ, 2808201019:40